Archive for agosto \30\UTC 2011

Últimos Filmes Vistos (20 à 26/08)

30/08/2011

Bróder!

Título original: (Bróder!)

Lançamento: 2011 (Brasil)

Direção: Jefferson De

Roteiro: Jefferson De e Newton Cannito

Atores: Caio Blat, Jonathan Haagensen, Sílvio Guindane, Cassia Kiss e Aílton Graça. 92 min

Sinopse: Capão Redondo, bairro de São Paulo. Macu (Caio Blat), Jaiminho (Jonathan Haagensen) e Pibe (Sílvio Guindane) são amigos desde a infância e seguiram caminhos distintos ao crescer. Jaiminho tornou-se jogador de futebol, alcançando a fama. Pibe vive com Cláudia e tem um filho com ela, precisando trabalhar muito para pagar as contas de casa. Já Macu entrou para o mundo do crime e está envolvido com os preparativos de um sequestro. Uma festa surpresa organizada por dona Sonia (Cássia Kiss), mãe de Macu, faz com que os três amigos se reencontrem. Em meio à alegria pelo reencontro, a sombra do mundo do crime ameaça a amizade do trio.

Comentários: facilmente o melhor filme nacional deste ano, apesar do meus parâmetros estarem longe do ideal para uma comparação, um filme que poderia facilmente cair no rótulo de “filme de favela ou periferia” mas que busca retratar na verdade os caminhos de vida de três amigos, todos jovens adultos que nasceram e viveram em Capão Redondo. Enquanto, dois conseguiram “fugir” da realidade de violência e drogas da periferia, o terceiro ainda reside lá e pode estar se deixando seduzir pelas “facilidades” da vida do tráfico. Os três se reúnem pelo aniversário de Macu (que não deve ser coincidência, é o único branco do trio, no entanto, é o que tem a maior pegada de comportamento e linguagem da periferia), mas o destaques ficas pelo verossímil retrato que o roteiro faz dos personagens, todos tem camadas dramáticas e nuances, assim como no foco da amizade e não dos problemas da periferia, e pela escolha do elenco, Caio Blat é um ator camaleônico, cada filme um personagem diferente que o ator consegue criar e nos convencer, também gosto das presenças de Jonathan Haagensen (talvez o que menos teve destaque da mídia até aqui, por trabalhar pouco na televisão) e Silvio Guindane (atualmente na Rede Record, mas consagrada como Basilio, auxiliar da Dona Jura na novela global O Clone).

Um Novo Despertar

Título original: (The Beaver)

Lançamento: 2011 (EUA)

Direção: Jodie Foster

Roteiro: Kyle Killen

Atores: Mel Gibson, Jodie Foster, Anton Yelchin, Jennifer Lawrence. 92 min

Sinopse: Walter Black (Mel Gibson) é o presidente de uma indústria de brinquedos. Ele sofre de depressão, o que faz com que se torne cada vez mais distante da esposa Meredith (Jodie Foster) e dos filhos Porter (Anton Yelchin) e Henry (Riley Thomas Stewart). Um dia, ao jogar o lixo fora, ele encontra o castor, um bicho de pelúcia no qual é possível colocar o braço. Logo em seguida Walter tenta o suicídio, mas fracassa. A partir de então, já com o castor, ele assume uma nova identidade e passa a se comunicar através do boneco. O castor permite que Walter volte à vida, no trabalho e junto à família, mas aos poucos ele passa a sofrer um conflito de identidades.

Comentários: acho que a crítica americana pegou muito pesado com o novo filme de Jodie Foster (em seu terceiro longa, anteriores foram Mentes que Brilham e Feriados em Família), do qual sou bastante fã, pelo talento e pela postura; e se pensarmos bem, o estardalhaço se deve aos escândalos da vida particular de Mel Gibson (que perdeu o rumo de sua carreira pós Coração Valente), mas isto em nada atrapalha a película, muito pelo contrário, os problemas pessoais do ator devem ter, e muito, ajudado em sua construção de Walter Black, acho sua presença em cena é algo brilhante (desde postura, olhar, seu envelhecimento, carrega o filme nas constas!).

No entanto, o roteiro que teve a curiosa, não original, idéia de criar o Castor para auxiliar na depressão do personagem (que não sabemos claramente os motivos) também é sua ruína (exagerando)! Pois o roteiro não consegue se decidir que tom contar sua história, começa meio fábula (com narração em off e tudo), passando pelo retrato dramático da situação de Walter e seu relacionamento com a família e trabalho, depois no encontro com o Castor se transforma numa comédia de auto-ajuda (!), para na reta final virar um suspense obsessivo, estas viradas não conseguem soar orgânicas dentro do filme. Isto não tira o mérito do primeiro terço do filme ser muito bom, com sensibilidade e retratando todos os personagens de maneira acertada, principalmente, Anton Yelchin, filho mais velho de Walter, que luta obsessivamente para evitar os maneirismo e comportamento do pai temendo se tornar igual a ele. Anton é um jovem ator, com alguns filmes bacanas em sua filmografia como Lembranças de um Verão, Sociedade Feroz e Star Trek,  que está despontando em Hollywood e merece espaço.

Professora sem Classe

Título original: (Bad Teacher)

Lançamento: 2011 (EUA)

Direção: Jake Kasdan

Roteiro: Gene Stupnitsky e Lee Eisenberg

Atores: Cameron Diaz, Justin Timberlake, Lucy Punch, Jason Segel. 92 min.

Sinopse: Elizabeth Halsey (Cameron Diaz) trabalha como professora, mas não vê a hora de deixar a função. Seus planos vão por água abaixo quando seu noivo termina o relacionamento, acusando-a de gastar demais. Como resultado, ela é obrigada a voltar à escola em que trabalhava para um novo ano letivo. Elizabeth não está interessada em ensinar os alunos e pouco se importa com as tentativas de integrar os professores capitaneada pelo diretor Wally (John Michael Higgins) e a professora Amy (Lucy Punch). Ela sonha em encontrar um homem que a sustente e, para tanto, decide fazer uma operação para aumentar os seios, por acreditar que, desta forma, será mais atraente. Sem dinheiro, ela começa a dar pequenos golpes envolvendo alunos e professores, para que possa atingir sua meta.

Comentários:  estou gostando desta “onda” de comédias mais adultas que surgiu neste verão americano, e melhor é que o publico está correspondendo em bilheterias, claro que não dá para dizer que estas comédias são melhores que as outras, para o publico maior, mas pelo menos se abre o leque de opções. Neste Professora Sem Classe (que até na tradução do título conseguiu o feito de soar bacana), mostra que Cameron Diaz é uma excelente persona em comédias, não acho a atriz grandes coisas, mas nestas comédias mais adultas e contemporâneas (como no famoso Quem Vai Ficar com Mary?), sua beleza e desprendimento funcionam muito bem em cena. O problema do filme é seu ritmo meio televisivo, não há um grande arco envolvendo a personagem, mas sim o retrato do comportamento “tô nem aí” da professora que somente quer se casar com alguém que a sustente e se dar bem, não se importando nem um pouco com os alunos e sua didática. O lado positivo é que o roteiro não perde tempo algum com os alunos, muito pelo contrário, o retrato cômico fica em cima dos professores, os mais diversos, e o diretor da escola que facilita a vida da personagem. Uma comédia ok que ganha pontos pelo retrato não-usual deste universo para o público adulto, principalmente, nos cinemas!

Como Esquecer

Título original: (Como Esquecer)

Lançamento: 2010 (Brasil)

Direção: Malu de Martino

Roteiro: José Carvalho, Sabina Anzuategui, Silvia Lourenço, Douglas Dwight, Luiza Leite e Daniel Guimarães

Atores: Ana Paula Arosio, Murilo Rosa, Natália Lage, Bianca Comparato. 100 min

Sinopse: Júlia (Ana Paula Arósio) é professora de literatura inglesa e não se conforma de ter sido abandonada por sua companheira Antônia depois de 10 anos de relacionamento. Agora, de mal com a vida, ela luta para enfrentar os fantasmas das recordações e para isso vai contar com o apoio do amigo Hugo (Murilo Rosa), um gay viúvo, com quem irá dividir um novo lar e tentar aprender que a vida segue em frente e os sentimentos perduram.

Comentários: filme regular, no qual o grande destaque é mesmo a presença de Ana Paula Arósio, num personagem atípico na carreira de qualquer atriz, principalmente global, no qual a mesma se sai muito bem; o roteiro, escrito a seis mãos, o que sempre me deixa desconfiado quanto a sua qualidade, tem duas questões pontuais que devem ser discutidas: o acerto na construção dos personagens/arcos dramáticos dos homossexuais (Ana Paula Arósio e Murilo Rosa), tudo de maneira natural e realista, sem espaço para panfletarismos e caricaturas habituais, no entanto, como o destaque ficou com a personagem de Ana Paula Arósio e seu luto amoroso (os demais personagens ficam meio à mercê da trama principal, uma pena!), os roteiristas poderiam ter criado uma personagem um pouco mais carismática para o espectador se identificar e torcer por ela, o que não acontece, a professora universitária Julia é extremamente antipática e bem “entojada”, fica fácil desconfiar dos motivos pelos quais sua ex-namorada (nunca aparece em cena) rompeu a relação e difícil ver as candidatas que a trama apresenta se interessarem por ela!


Destaques da Semana em DVD (22 à 26/08)

25/08/2011

Em um Mundo Melhor: drama dinamarquês de Susanne Bier, diretora participante do Dogma, mas também já andou em terras ianques no drama Coisas que Perdemos pelo Caminho, indicado e eleito o melhor filmes estrangeiro de 2010 no Oscar deste ano. Alguns críticos comentam que Bier pesa a mão no drama, suas narrativas andam no fio da navalha do novelão, porém, confesso que dos inúmeros filmes que retratam o tema do “bullying”, este é um dos melhores, Bier busca retratar alguns exemplos de bullying e suas diferentes origens, centrando a narrativa em dois jovens garotos e suas famílias desestruturadas. Além de contar com um competente elenco, a diretora teve felicidade na escolha dos guris, um show à parte! O filme conta a história de Christian, um garoto que tem sua rotina bruscamente alterada com a morte de sua mãe. Ao mudar-se para a casa do pai, o rapaz mostra ser pacato e introvertido, preferindo ocupar um quarto pequeno e apertado dentre as várias opções mais confortáveis que a nova residência poderia oferecer. Até o dia em que ele decide se vingar.

O Poder e a Lei: quem não acompanha as séries de tribunais americanas, um subgênero televisivo, devia já estar com saudades do gênero na telona, algum tempo não surgia um bom thriller jurídico, que já teve bons exemplares como Tempo de Matar e o clássico Doze Homens e Uma Sentença. Coincidência ou não, Matthew McCounaghey repete uma boa atuação no gênero, ele protagonizava Tempo de Matar (que o lançou para o estrelato), mas os destaques ficam para a beleza de Marisa Tomei e o ressurgimento de Ryan Phillippe. O filme é adaptado do livro de Michael Connelly. Na trama, Mickey Haller é em um advogado criminal contratado para representar um rico cliente envolvido em um caso de assassinato. No meio do caminho, descobre que ele também é alvo de uma perseguição misteriosa.

Pânico 4: uma sessão nostalgia para os mais de trinta, a trilogia de Pânico renovou e deu um gás para o surrado gênero “slasher movie”, principalmente, por conseguir tornar mesclar a tensão de bom filme de terror com referências pop/nerd/aficcionados do gênero, na forma de humor. Logo, este filme é mais uma reunião de equipe para comemorar o impacto do filme, do que especificamente um bom filme, é inegável a necessidade de bagagem para curtir o filme, que mesmo não conseguindo repetir a tensão e impacto, ainda garante um humor para nerd, e adição de aspectos atuais (mídia e internet) a favor da narrativa. Na trama, dez anos depois dos últimos eventos, Sidney Prescott vive como uma reconhecida autora de livros de auto-ajuda. Porém, em sua última viagem de divulgação de seu livro, ela volta a Woodsboro, onde retoma contato com o xerife Dewey e Gale. O problema é que a volta da moça traz também o assassino Ghostface, agora atualizado.

Água para Elefantes: parece que Robert Pattison vai ter que suar bastante para fazer sucesso fora da cinessérie Crepúsculo, este é seu segundo filme longe de Edward Cullen e, independente da qualidade dos filmes (este e Lembranças), as bilheterias não respondem a altura da febre do personagem da vida de Robert Pattison. Voltando a falar do filme, um romance à moda antiga, traz no elenco Reese Whiterspoon e Christopher Waltz, dirigidos por Francis Lawrence, um estranho no gênero, vide seus filmes anteriores, Constantine e Eu Sou a Lenda. Na trama,  Jacob é um jovem órfão e estudante de veterinária que vai trabalhar em um circo cuidando dos animais que fazem parte do show. Jacob encontra e se apaixona por Marlena, domadora de cavalos casada com o treinador de animais, August.

Biutiful: primeiro longa de Alejandro González Iñárritu após a quebra da parceria com o roteirista Guillermo Arriaga (que já se aventurou solo em Vida que se Cruzam, que não rendeu muito), já Alejandro aqui também participando do roteiro, conseguiu, pelo menos, fazer o mundo conhecer ainda mais o talento do espanhol Javier Bardem, para mim um dos melhores atores atuais, ainda não vi o filme, mas a crítica malhou o peso trágico comumente associado aos trabalhos do diretor. Esta é a história de um homem que vive uma queda livre emocional. Em sua viagem em busca de redenção, a escuridão ilumina o seu caminho. Conectado ao outro mundo, Uxbal é um trágico herói e pai de dois filhos que, ao sentir o perigo iminente da morte, batalha contra uma dura realidade e um destino que o impede de perdoar, perdoar-se, por amor e para sempre.

Se Enlouquecer, Não se Apaixone: pesquisando para comentar o lançamento do dvd, descobri que esta comédia dramática (gênero cada vez mais comum em Hollywood), tem como diretores a dupla responsável pelo filme Half Nelson, o diretor Ryan Fleck e a roteirista Anna Boden, que ainda permanece inédita em nossos cinemas, tendo como destaque – mais – uma atuação brilhante de Ryan Gosling. Aqui, os diretores trabalham com o comediante do momento, Zach Galifianakis (Se Beber não Case), mas os protagonistas são os novatos Keir Gilchrist (o Marshall de United States of Tara) e Emma Roberts (Pânico 4 e sobrinha de Julia Roberts). Na trama, após desavenças sérias na escola, Craig é forçado a passar alguns dias em uma clinica psiquiátrica. Como não há uma ala para adolescentes, Craig, passa a conviver com adultos que possuem diversificados problemas mentais e se apaixona por uma moça um tanto desequilibrada.

Últimos Filmes Vistos (11 à 19/08)

20/08/2011

Small Town Murder Songs: pequeno filme canadense, um drama criminal na verdade, segundo longa do desconhecido, para mim, Ed Gass-Donnelly, um nome a ser guardar, que dá oportunidade através do seu roteiro do, normalmente, eterno coadjuvante, Peter Stormare (Fargo e Constantine, além de passagens em séries como Prison Break), em criar um personagem interessante e intenso (aqueles que somente com um olhar transmitem seus pensamentos); Stormare interpreta um delegado de uma pequena cidade (belissimamente fotografada) que investiga a morte de uma jovem, o que poderia ser um suspense banal, perdido em meio a dezenas do gênero, se torna um filme diferenciado por apostar sua narrativa não na investigação do crime, mas sim, na figura do delegado Walter, que num passado recente, não revelado imediatamente, teve problemas com seu “controle de fúria” e uma mulher, que  acaba se envolvendo nesta investigação. Não querendo cometer nenhuma heresia cinéfila, o filme tem ares de “irmãos Coen”, quem puder conhecer o filme, que deverá ficar inédito um bom tempo por aqui, reconhecerá as similaridades, que não ofuscam o trabalho realizado por Donnelly.

Bezerra de Menezes: O Diário de um Espírito: não quero agourar ninguém, mas este diretor Glauber Filho não tem a manha de uma direção, este é seu primeiro filme na “onda espírita”, depois deste dirigiu As Mães de Chico Xavier, e como no anterior, continua se mostrando bastante amador, nem a comparação com um telefilme é possível! Bezerra de Menezes ainda conseguiu um sucesso muito acima de sua divulgação, principalmente, por se tratar de um filme de nicho de mercado, espírita, mas isto não absolve o tipo de produção que Glauber impõe em seus filmes, parece um tipo de teatro filmado, não há bons cenários, a fala dos atores soa meio decorada em demasia, parece um filme saído de produção escolar. Menos mal, que aqui temos o baita ator Carlos Vereza para carregar o filme, na verdade o ator está onipresente, se não em cena está fazendo narração em off do filme. Esta onda espírita poderia ter escolhido um representante mais a altura do seu sucesso, ainda bem que quem dirigiu Chico Xavier foi Daniel Filho!

Matador em Perigo: acho muito divertido este subgênero tipicamente inglês de comédias policias, recheadas de humor negro, na onda do cinema de Guy Ritchie (Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes, Snatch) e Matthew Vaughn (Nem Tudo é o que Parece), porém acho que o diretor Jonathan Lynn, já veterano, não conseguiu imprimir o ritmo necessário, no caso alucinante, para fazer o filme funcionar, e nem mesmo o roteiro consegue criar situações que nos façam torcer pelos personagens ou mesmo dar gargalhadas, no momento, lembro somente de uma!  Assim como nos filmes que lhe inspiraram, Matador em Perigo, conseguiu reunir bons nomes no elenco, inglês obviamente, que poderiam ter salvado o filme do apenas regular, nomes como Bill Nighy, Emily Blunt, Rupert Grint (sim, Ron Weasley de Harry Potter, já estava se virando antes mesmo do fim da cinessérie), Martin Freeman e Rupert Everett são capazes disto.

Revolução em Dagenham: tô ficando muito fã do diretor Nigel Cole, ele já havia dirigido o ótimo Barato de Grace (sim, aquele que Brenda Blethyn trafica maconha), As Garotas do Calendário (filme que impulsionou a carreira cinematográfica de Helen Mirren, onde as senhoras de uma comunidade fazem um calendário para ajudar uma amiga com câncer) e agora este Revolução em Dagenham, uma grata surpresa! Mais um filme que ilustra outro subgênero muito identificado com a cultura inglesa, a comédia social (onde o famoso filme Ou Tudo Ou Nada, se encaixa também); aqui, Cole trabalha com uma trama real, a primeira greve de trabalhadoras inglesas da história do país, no caso, costureiras da Ford, nos idos 1968, e este evento real serve para fazer comédia, drama, crítica social e trabalhista, no elenco, Sally Hawkins (um verdadeiro achado, atriz que despontou recentemente, no filme de Mike Leigh, Simplesmente Feliz, e desde então vem fazendo cada vez mais e melhores filmes), Bob Hoskins, Geraldine James e uma surpresa, a jovem Andrea Riseborough, que recentemente elogiei pelo inédito Brighton Rock, surge aqui quase irreconhecível e num papel que já demonstra toda sua versatilidade em pouco tempo de carreira, um nome a ficar de olho!

Jane Eyre: agora que percebi que este foi o terceiro filme inglês que olhei em tão pouco tempo, e, me repetindo, outro filme que representa um subgênero da cinematografia inglesa, os épicos românticos baseados em livros literários (como não lembrar de Desejo & Reparação e Orgulho e Preconceito). Aqui, o clássico é de Charlotte Bronte, que reconhecia como título de outros diretores (de Robert Stevenson a Franco Zeffirelli), e até mesmo, como minissérie televisiva, mas não havia assistido e tão pouco reconhecia a trama (shame on!). Como imagino que este deve ter sido o motivo de realizar a película, apresentá-la para uma nova geração, me dou por satisfeito, a produção de Cary Fukunaga (que antes havia dirigido o mexicano Sin Nimbre) e adaptação de Moira Buffini (em seu segundo longa, o anterior, O Retorno de Tamara, de Stephen Frears) são competentes, junto a bela fotografia e ao bom elenco reunido, Mia Wasikowska (que pode ser mais conhecida como Alice de Tim Burton, mas admiro seu trabalho desde In Treatment, série da HBO), o ator que deve estourar agora com X-Men: Primeira Classe, Michael Fassbender, a veterana Judi Dench, Jamie Bell (eterno Billy Elliot) e a onipresente Sally Hawkins. Um belo drama romântico, cheio de conflitos, crítica social e amor impossível!

Destaques da Semana em DVD (15 à 19/08)

18/08/2011

REENCONTRANDO A FELICIDADE: drama familiar sobre a perda de um filho que colocou novamente na lista de melhores a talentosa Nicole Kidman, que estava numa maré de má escolhas a algum tempo (fora as críticas sobre o excesso de botox, que quase deformou seu rosto, mas isto deixo para as revistas de celebridades!), ainda no elenco, Aaron Eckhart, Dianne Wiest e Sandra Oh; a direção é de John Cameron Mitchell (de Hedwig e Shortbus). No filme, Becca e Howie Corbett são um casal feliz, cujo mundo perfeito é mudado para sempre quando seu pequeno filho Danny é morto por um carro. Becca, uma executiva que virou dona-de-casa, tenta redefinir sua existência em um lugar surreal de família bem-intencionada e amigos. Dolorosas, pungentes, e muitas vezes engraçadas, as experiências de Becca vão levá-la a encontrar consolo em um relacionamento misterioso com Jason, um jovem e perturbado artista de quadrinhos que conduzia o carro que matou Danny.

FÚRIA SOBRE RODAS: este seria somente mais um filme de ação realizado por Nicolas Cage, como vem acontecendo nos últimos anos, sem nenhuma repercussão, a não ser o uso de perucas e os debates sobre o que esta havendo com a carreira do ator, pelo menos aqui, a gurizada vai poder contar com a presença da bela jovem Amber Heard (presente na nova serie da NBC, The Playboy Club). O filme narra a saga de Milton (Nicolas Cage), um criminoso que sai da prisão para uma última chance de redenção. Milton tem a missão de impedir um culto de magia negra liderado por Jonas King (Billy Burke), que assassinou sua filha. Milton tem três dias para detê-los antes que também sacrifiquem seu neto em uma noite de lua cheia.

BRÓDER: drama nacional dirigido por Jeferson De, mais um que passou meio em branco nos cinemas, espero que tenha melhor sorte agora em dvd, chegou a fazer parte da Seleção Oficial do Festival de Berlim em 2010, no elenco, nomes como Caio Blat, Cassia Kiss e Ailton Graca. Focada na amizade, a história, passada em 24 horas, traça o reencontro de três amigos que dividiram a infância no Capão: Jaiminho (Jonathan Haagensen), um jogador de futebol em ascensão no exterior; Pibe (Silvio Guindane), um sacrificado corretor de imóveis e Macu (Caio Blat), o jovem protagonista que se mantém no bairro, flertando com a criminalidade.

PADRE: não me perguntem porque o competente ator Paul Bettany voltou a trabalhar com Scott Charles Stewart após o recente fracasso de Legião, sem comentar que os filmes apresentam um estilo parecido, meio pós-apocalíptico, aqui investe-se novamente em filmes de vampiros, baseado em HQ. O filme é um thriller de ficção científica pós-apocalíptico, se passa num mundo alternativo — um mundo devastado por uma guerra centenária entre homens e vampiros. A história gira em torno do lendário guerreiro Padre (Paul Bettany) que desde a última guerra vive na obscuridade junto com outros humanos oprimidos em cidades cercadas por paredes e governada pela igreja. Quando sua sobrinha (Lily Collins) é seqüestrada por um bando de vampiros assassinos, Padre quebra seus votos sagrados para iniciar uma busca obsessiva para encontrá-la antes que eles a transformem em um deles. Juntam-se a ele nesta cruzada o namorado de sua sobrinha (Cam Gigandet), um jovem xerife e uma antiga guerreira (Maggie Q) que possui habilidades de luta de outro mundo.

A MELHOR FESTA DO ANO: mais uma comédia romântica teen americana que se passa na famosa “Prom Night”, noite do baile de formatura, porém, faltam nomes mais conhecidos no elenco para chamar a atenção do público fora dos Eua. Para os série maníacos, temos Aimee Teegarden de Friday Night Lights. No baile de formatura, todo casal tem uma história e nenhuma delas é exatamente igual. Várias histórias entrelaçadas se desenrolam em uma escola secundária quando o grande baile se aproxima; A Melhor Festa do Ano mostra a passagem precária do colegial para a independência quando alguns relacionamentos se solucionam e outros explodem. Para Nova Prescott (Aimee Teegarden), é uma questão de determinação quando ela se vê atraída por um jovem (Thomas McDonell) que se torna um obstáculo para o seu baile perfeito. As amigas veteranas Mei (Yin Chang) e Tyler (De’Vaughn Nixon) guardam segredos, enquanto outros enfrentam a insegurança e a ansiedade que cercam um dos mais importantes eventos do colegial. Há centenas de noites no colegial, mas só há um baile de formatura.


Últimos Filmes Vistos (04 à 11/08)

12/08/2011

Além dos filmes aqui comentados, pude conferir mais dois filmes que prefiro postar separadamente nos próximos dias: Super 8 e Missão Madrinha de Casamento.

Às Margens de Um Crime: desde a passagem do furacão Katrina em New Orleans, alguns filmes e séries têm utilizado o cenário quase como um personagem dentro da narrativa, aqui vemos o diretor francês Bertrand Tavernier trabalhar na adaptação de um livro de James Lee, que funciona como um misto de policial com estudo de personagem em meio ao que sobrou/virou daquele cidade. No entanto, acho que por ser uma trama com alguns arcos tipicamente policialescos, mortes, diversos suspeitos, personagem agindo à margem da lei, Bertrand não conseguiu equilibrar este gênero com seu estilo europeu, premiado em Cannes e diversos outros festivais, o roteiro é frouxo na passagem de tempo e nas consequências de assassinatos, pois estes não parecem influenciar os demais personagens, fica tudo meios distanciado, menos mal que Tommy Lee Jones protagoniza o filme, personagem que caí como uma luva para o ator, ainda no elenco coadjuvante nomes como John Goodman, Peter Sarsgaard e Mary Steenburgen.

Submarine: não entendi muito porque o cartaz do filme trás em destaque o nome de Ben Stiller como produtor, afinal, esta comédia inglesa passa bem longe do tipo de humor que Stiller atua (seja em frente ou atrás das câmeras), parece muito mais lembrar o estilo de comédias de Wes Anderson, mas focado em adolescente. O legal de Submarine (aposto que deve chegar direto em dvd), é que o diretor/roteirista (adaptado) Richard Ayoade (da série inglesa The It Crowd), conseguiu reunir um elenco bem bacana, mesclando nomes experientes do cinema inglês como Paddy Consedine, Noah Taylor e Sally Hawkins junto com a dupla protagonista (bastante carismáticos), que representam Oliver e Jordana. O filme se concentra nas aventuras familiares e amorosas de Oliver, que tem uma visão do mundo bastante inusitada e, por isto mesmo, divertida, não é uma comédia adolescente, está mais para um dramédia sobre a rotina deste adolescente (nos famosos ritos de passagem), vale uma conferida.

Sucker Punch – Mundo Surreal: mesmo sempre beirando o over, exagerando em sequências slow motion, Zack Snyder sempre teve crédito comigo, principalmente por se mostrar um criador de universos, não estou levando em conta a qualidade final de seus filmes, lembrando que mesmo após o sucesso de 300 e Watchmen (este nem tanto sucesso teve), meu filme predileto do diretor é Madrugada dos Mortos, refilmagem que deu gás no subgênero zumbi que permanece até hoje. No entanto, confesso que aqui em Sucker Punch, mesmo criando sequências estarrecedoras, de encher os olhos, o vazio do roteiro e gratuidade de várias situações e personagens não conseguem empolgar em momento algum, chega dar um certo tédio, uma pena!

A Informante: pena que boas intenções não garantem um bom filme, a trama de A Informante faz uma importante denúncia sobre o tráfico de mulheres no leste europeu pós-guerra que dissolveu a Iugoslávia envolvendo gente graúda e gente da ONU que sabia da situação e nada fez, claro que o filme é baseado em fatos reais. A diretora/roteirista é estreante, Larysa Kondracki ( dividindo o roteiro com Eilis Kirwan, também estreante em longas), não conseguem imprimir um ritmo cinematográfico ao filme, fica com cara de telefilme, mesmo contando com a presença de “leoa” de Rachel Weizs, dominando o filme (não esquecendo que também temos Vanessa Redgrave, Monica Bellucci e David Strathairn, quase todos desperdiçados no burocrático roteiro). Inclusive a presença de Rachel me remeteu a outro filme denúncia, O Jardineiro Fiel, que num contraponto faz A Informante empalidecer, uma pena, a denúncia merecia ter um alcance maior.

The Conspirator (não oficialmente, Conspiração Americana): oitavo filme na carreira de diretor de Robert Redford (o último havia sido Leões e Cordeiros, onde também atuava), aqui somente dirigindo, novamente levantando um tema político, saí de linha a política de guerra (observada em seu último filme) e entra em cena a política pós-guerra, tendo como cenário eventos após a Guerra da Secessão (1861-1865), mas conhecida aqui como a Guerra Civil Americana entre o Sul e o Norte, mas precisamente, o julgamento pelo assassinato de Abraham Lincoln (1865). Tinha bastante curiosidade sobre os detalhes deste crime tão comentado, nisto a narrativa de Redford nos remete à época, costumes e moda, mas as lentes do diretor se concentram nos bastidores jurídicos de uma mulher acusada de ser cúmplice dos assassinos conspiradores (agindo ainda em reflexo às consequências da Guerra da Secessão); Redford tem um olhar clássico de cinema, tudo é muito elegante, e o seu maior mérito é “linkar” o tema de sua película com o espectador atual. O mais interessante do roteiro é que se observamos bem os eventos retratados, quando criado o conflito Estado vs. suposto inocente, temos um retrato contemporâneo desta dita “Justiça” em tempos de guerra, onde o vencedor (normalmente no papel de Estado) tenta a todo custo (éticos, inclusive) corroborar sua tese em virtude da “segurança nacional”, frase  utilizada até hoje e, se pensarmos bem, bastante perigosa! Bom filme.


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