Primeiras Impressões – Pilotos Vazados Fall Season 2015 (agosto)

17/08/2015

Como de hábito para todos os série maníacos, meses/semanas antes de estréias oficiais “vazam” as premieres das mais diversas séries, seja da tevê a cabo seja da tevê aberta (olá Dexter!). Nessa primeira quinzena da agosto, do nada surgem 3 episódios pilotos de canais da tevê aberta americana, foram elas: Blindsopt (NBC), Lucifer e Minority Report (Fox).

blindspotBlindspot (canal NBC)

Produzida por Greg Berlanti (Arrow, Flash, Mysteries of Laura), a série acompanha uma vasta trama internacional que explode quando uma mulher desconhecida aparece nua na Times Square, completamente coberta por misteriosas e complexas tatuagens, sem memória de quem é e de como chegou ali.

No entanto, um nome se destaca em meio a todos os desenhos: o do agente do FBI Kurt Weller. Logo, eles descobrem que cada marca no corpo de “Jane” é um crime a se resolver, o que os levará para mais perto da resolução dos mistérios, incluindo a identidade da desconhecida.

Com um plot como esse, me remete séries como The Blacklist, Castle e John Doe (série do longínquo ano de 2002 protagonizada por Dominic Purcell), o piloto cumpre o que promete de maneira adequada e com um ritmo adequado, no entanto, o roteiro não consegue ultrapassar as obviedades do subgênero, com a personagem sem memorias agindo de maneira igual ao Neo de Matrix, sendo que não há registro de sua pessoa no banco de dados (uau! que original!)

O canal NBC parece apostar na série, tanto que irá ser exibida com o melhor lead in da tevê atual, o reality musical The Voice, porém não consigo vislumbrar um futuro relevante (o que não quer dizer que não terá audiência) para a série que terá como plot as tatuagens espalhadas pelo corpo da protagonista desmemoriada como norte para os casos semanais envolvendo as investigações do agente do FBI. Elenco e produção ok!

luciferLucifer (canal FOX)

Entediado e infeliz como Mestre do Inferno, Lúcifer, o Anjo Caído – interpretado na série por Tom Ellis (Merlin) – decide abandonar seu trono e ir para Los Angeles, onde comanda o clube noturno Lux.

Charmoso e carismático, Lúcifer passa a curtir sua nova vida regada a vinho, mulheres e música, até que uma linda popstar é assassinada em frente ao seu clube. Pela primeira vez em mais de 10 bilhões de anos, ele sente algo muito profundo dentro de si devido ao crime. Compaixão? Simpatia? Algo mudou e isso o perturba, assim como à sua melhor amiga Mazikeen (Lesley-Ann Brandt), mais conhecida por Maze, um demônio feroz na forma de uma linda mulher.

Se Supernatural (do canal CW) ainda esta aí após mais de 10 anos porque mais nenhum canal aposto na histórica luta do bem contra o mal, envolvendo Lucifer? Claro que o enfoque desse novo drama sobrenatural do canal Fox não será este, mas sim baseado na HQ homônima da Vertigo, o que já gerou revolta por parte dos fãs dos quadrinhos (normal). O lançamento esta programado para 2016, após a exibição da minissérie de Arquivo X, possivelmente as segundas-feiras, junto as séries Gotham e Minority Report.

Se vocês assim como eu esperam por uma série com um personagem subversivo (dentro dos padrões da televisão aberta americana, obviamente), cheio de ironia e sarcasmo, ponto forte para o humor, o roteiro do piloto acerta em cheio, principalmente, para minha surpresa no relacionamento de Lucifer com a menina Trixie, filha da policial que servirá de par para os casos procedurais da série. Além de repetir a mesma dinâmica citada em Blindspot (oi originalidade?), não sei se os roteiristas da série conseguirão escapar de armadilhas ao tornar mais “agradável” Lucifer, além de comprometê-lo pela sua aproximação as investigações mundanas que parecem que serão constantes na trama, em detrimento, de elementos mais sobrenaturais/divinos, assim me parece que teremos uma The Mentalist celestial!

minorityMinority Report (canal FOX)

A série da Fox será ambientada dez anos após os eventos do filme, e será focada no drama Dash (Stark Sands), um dos três precogs que era utilizado pela polícia. O departamento Pré-Crime foi fechado e Dash tenta viver uma vida normal, mas é perseguido pelas visões do futuro. Vivendo em Washington, DC, ele acaba se unindo a Lara Vega (Meagan Good), uma policial que, perseguida por seu passado, tenta ajudá-lo a lidar com seu dom. A dupla também irá procurar pelo irmão gêmeo desaparecido de Dash, Arthur (também interpretado por Sands). A engenhosa, mas reclusa, Agatha (Laura Regan), sua irmã adotiva, complicará ainda mais a situação, pois deseja que Dash volte para casa. Um drama de crime e conspiração, esta é uma história sobre a conexão de duas almas perdidas, Dash e Vega, que encontram amizade, propósito e redenção entre si.

Mesmo fã do filme dirigido por Steven Spielberg e protagonizado por Tom Cruise, essa é penas mais uma série procedural (3 de 3 somente neste post, tá boa criatividade da tevê!), composta por um casal (a la Castle, The Mentalist, Bones e etc.) investigando casos policiais, aqui diferentemente das séries acima, o canal Fox apresenta uma série sci-fi, procurando sanar os lugares desocupados de séries como Fringe e Almost Human, nem todas com sucesso em sua exibição.

No entanto, essa tarefa não deve ser muito fácil, aqui apesar da boa produção, apostando num futuro imediato, com inserções tecnológicas verossímeis à nossa realidade, o casal protagonista e suas motivações soaram muito artificiais, além disso, o elenco coadjuvante também não “diz a que veio”! Mesmo assim, como plot e temática foi minimamente melhor do que as anteriores.

 

 

Lugares Escuros

30/07/2015

lugaresescuros

Não sei em que momento os produtores compraram o direito sobre a adaptação cinematográfica do livro “Dark Places” de Gillian Flynn, porém o sucesso de público e crítica de “Gone Girl”, aqui conhecido como Garota Exemplar, gerou uma promoção gratuita para os produtores, pois não sei se sem a repercussão de Garota Exemplar, com o nome de Gillian Flynn estampado no cartaz, esse suspense alcançaria repercussão similar. No entanto, o elenco reunido para o filme é extremamente feliz, o mesmo não podendo dizer do roteirista/diretor Gilles Paquet-Brenner (de A Chave de Sarah).

Para um suspense que tem como fonte o mesmo tipo de suspense observado em Garota Exemplar, o suspense familiar (com forte tendência a ser uma sessão Supercine, quando mal realizado), nota-se que a falta de um diretor melhor qualificado faz total diferença, além da diferença que é ser adaptado pela própria escritora, no caso de Garota Exemplar.

O filme até inicia bem apresentando Libby (Charlize Theron, bastante dedicada ao papel) de uma maneira bastante convincente e verossímil, ela é uma jovem adulta “fudida”, cleptomaníaca, com problemas de espaço físico (ninguém pode lhe tocar) e que vive de doações de estranhos para um fundo após o trauma familiar em sua infância, ou seja, uma personagem completamente fora dos padrões de mocinha de filme de suspense (o que me lembra o casal protagonista de Garota Exemplar que, também vivia uma vida à parte da imagem esperada deles).

A ideia do clube de investigação, também me pareceu uma ideia bacana (querer retomar a verdade por trás do Massacre de Kansas) uma boa desculpa para fazer a protagonista relembrar dos eventos, os quais ela tem pouca memória e que acabaram colocando o seu irmão na prisão acusado de ter sido o responsável pelos assassinatos, porém, o clube de investigação, representado pela figura de Nicholas Hoult (também dividindo a cena com Charlize em Mad Max), logo sai de cena e perde relevância em seguida na trama.

Como, normalmente, acontece em literatura competente do gênero há bons coadjuvantes e todos, como suspeitos/vítimas da trama central, ganham espaço no filme em determinado momento, no entanto, os flashbacks contínuos e intercalados ao tempo real da trama, quebra demais a dinâmica do filme, sendo que em determinado momento, na reta final, os flashbacks são muito mais interessantes do que o andamento atual.

O roteiro peca ao final, quando a trama se torna complexa demais para uma simples resposta (quem matou?), e para isso, corre apresentando personagens de maneira superficial como, por exemplo, a versão adulta de Diondra (também irregular na adolescência quando nas mãos de Chloe Grace Moretz) e sua filha.

Obs.: Me chamou a atenção nas tramas de Gillian Flynn, as duas já adaptadas ao cinema, as personagens femininas fortes e manipuladoras, interessante esse viés da autora em seus livros, enquanto isso, os homens são losers e/ou passivos, apenas espectadores da ação das mulheres.

LUGARES ESCUROS: 6,0

Direção e roteiro: Gilles Paquet-Brenner

Com: Charlize Theron, Nicholas Hoult, Chloe Grace Moretz, Tye Sheridan, Christina Hendricks, Corey Stoll, Andrea De Matteo, Andrea Roth. 113 min

 

Balanço da Temporada: Orange is the New Black – 3ª temporada

02/07/2015

Ainda não me acostumei ao novo jeito de ver séries perpetrado pelo Netflix, temporada corrida com todos episódios disponibilizados; confesso que nunca fui fã de maratonas de séries, sempre preferi conferir semanalmente episódio por episódio com tempo para reflexão-sofrimento-alegria que eles podem gerar. No entanto, quando uma série seduz a gente não há como evitar de assistí-la diariamente (como um bom brasileiro e sua tradicional novela), este foi o caso de Sense8 (ainda preciso escrever sobre ela) e Orange is the New Black, em sua terceira temporada.

orangeOrange é uma série que alcançou um status positivo desde sua temporada de estréia e ratificou essa condição na segunda temporada (méritos de sua criadora e roteirista Jenji Kohan), seja pela temática inédita, seja pelo competente elenco reunido, seja pela abordagem de temas caros ao universo feminino e pelo equilíbrio entre drama e comédia; dito isso, começo a resenha chamando a atenção para, talvez, o único equívoco grave da temporada, a falta de um arco que, de alguma maneira, conectasse as personagens do presídio de Litchfield.

Na primeira havia a chegada e o olhar de Piper (protagonista) para aquele universo, na segunda, o retorno de uma presidiária, Vee (excelente participação da atriz Lorraine Toussant), que servia de grande antagonista na trama sendo que ela passava por vários núcleos nesse contexto; assim, na terceira temporada, ressenti por um elo de ligação ou mesmo personagem que transitasse entre os diferentes núcleos da série, talvez a oportunidade seria se a privatização de Litchfield fosse tratada de maneira universal atingindo a todos personagens de maneira orgânica e não somente o setor administrativo do presídio (Caputo e os demais guardas).

Agora se não tivemos um grande arco sendo trabalhado na temporada, essa temporada ficará conhecida como a queda da protagonista da série (Piper) em prol de um destaque maior ao grande elenco coadjuvante da série (observem que Piper não teve sequer flashbacks nessa temporada), assim houve storylines muito bem trabalhadas como os traumas de Pennsatucky (Taryn Manning se descolou do papel de antagonista de Piper de uma maneira incrível) e as questões religiosas, seja através do grupo de presidiárias afrodescendentes, que tenta fugir da comida industrial apelando aos direitos legais dos judeus – uma dieta especial, ou as seguidoras de Norma, a mudinha hippie com toque especial. Para notar a importância de Pennsatucky nessa temporada, somente a personagem levantou questões como aborto e estupro em sua jornada.

Houve outras storylines que oportunizaram destaques a dezenas de personagens, tanto dramáticas quanto cômicas (o tráfico de calcinhas de Piper foi uma delas), porém me incomodou um pouco a troca de papéis entre Piper e Alex, ressenti que a personagem de Alex ficou muito melindrosa em comparação com as temporadas passadas, aproveito para comentar que nenhuma personagem estreante dessa temporada se destacou (tô falando de Lolly e Stella), mas já vislumbramos que na próxima temporada haverá novas personagens com destaque para a chegada de uma detenta famosa, a apresentadora de tevê Judith King (papel de nossa querida Blair Brown, Nina Sharp de Fringe).

Obs.: teve um “fan service” dos roteiristas nessa temporada que saltou aos olhos, toda a boa repercussão de Uzo Aduba e sua Crazy Eyes nas temporadas anteriores fizeram com que nessa terceira temporada os roteiristas lhe reservassem uma storyline para chamar de sua, um roteiro bem louco como a personagem, merecido!

Obs. II: para mais detalhes de cada episódio, só dar uma espiada na aqui página da série.

Primeiras Impressões: Mr. Robot (canal USA)

04/06/2015

O bacana em não se ter expectativas sobre uma série, inclusive sem ter visto um único teaser ou trailer, é a agradável surpresa de ser surpreendido positivamente. Ainda mais, quando a série é de um canal de tevê à cabo (canal USA) taxado como um canal descompromissado com qualidade (não que não possua) e que aposta em séries procedurais de aventura/comédia/romance renovadas “ad eternum”, como, por exemplo, Monk, Psych, White Collar e, recentemente, Suits.

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A série em questão é Mr. Robot (com estréia prevista para 24/06), que teve o piloto liberado (mais um), o que se mostrou um acerto pois a série conseguiu, pelo menos em seu piloto, entregar uma trama bastante original, intensa e trabalhada com profundidade, dramaticamente falando. O grande acerto do piloto foi sem dúvida a maneira acertada com a qual somos apresentados ao protagonista Elliot (interpretado pelo expressivo Rami Malek), um sujeito que sofre de fobia social que é um programador de uma empresa de segurança em informática; conhecemos Elliot em sua rotina tanto no trabalho quanto pessoal, sua obsessão em ajudar as pessoas que gosta, desde descobrir as “sujeiras” de pessoas próximas aos seus “amigos” (no piloto ilustrados pela sua paixonite na empresa e sua psicóloga) até criminosos como pedófilos da internet, atuando como um justiceiro.

Além de construir Elliot com propriedade, o roteiro do piloto mostra uma trama que parece ser o arco da temporada, envolvendo uma corporação cliente da empresa de Elliot, aqui faço uma pausa para “chutar” que a série será um “procedural” contando com um arco como pano de fundo, a ser trabalhado durante toda temporada, assim como nos apresenta, apenas rapidamente, Mr. Robot (Christian Slater), que parece ser um hacker disposto a derrubar grandes corporações, que entra na vida de Elliot fazendo-lhe um convite.

Dirigido com competência pelo dinamarquês Niels Arden Oplev, responsável pelo primeiro filme da trilogia policial Millenium, O Homem que Não Amava as Mulheres, em sua versão europeia, que coincidentemente também tinha como protagonista um hacker, no caso, uma mulher, a famosa Lisbeth Salander; o diretor constrói de maneira adequada o universo de Elliot, privilegiando a conspiração e o imediatismo do tema informática/internet sem abrir mão da verossimilhança e sem apelar para didatismos desnecessários e repetitivos.

Fazia algum tempo que um piloto não me empolgava tanto, produção para ficar de olho nessa Summer Season que se inicia.

Primeiras Impressões: Supergirl (canal CBS)

28/05/2015

Acompanhando o mundo das séries televisivas há mais de 10 anos, confesso que me divirto com os episódios pilotos ditos “vazados” na web, que é um truque que os canais de televisão utilizam para medir a repercussão nas mídias sociais da série estreante. Claro que, se a série for muito xingada, ainda resta um tempo hábil para trabalhar no piloto e, principalmente, nos episódios seguintes. Um exemplo recente foi feito pelo canal NBC, na temporda 2014/15, com a já cancelada série Constantine, de repercussão ruim no piloto vazado, houve até mesmo troca de atriz em personagem coadjuvante, o que não foi o suficiente para salvar a série do cancelamento após uma temporada de 13 episódios.

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Essa política de divulgação “não divulgando oficialmente” já foi muito utilizada (e ainda é) pelo canal de tevê à cabo Showtime, que coincidentemente, pertence ao Grupo CBS, canal que acaba de ter “vazado” o piloto de sua série mais polêmica para a temporada 2015/16, Supergirl. Prevista para estrear somente em Novembro, o canal juntamente com os criadores deve ter tempo suficiente para lapidar o que os fãs mais gostarem ou não na série, que deve ter reiniciadas suas filmagens a partir de julho/agosto.

Sobre a proposta de Supergirl, considero a série um elefante branco dentro da programação do canal CBS, clássica pelas séries de investigação (CSI e NCIS) e comédias de claque (The Big Bang Theory), não consigo imaginar que o público jovem feminino voltará ao canal após nunca ter sido privilegiado pelo mesmo, sinceramente, a série tem cara e marca do canal CW, de características juvenis e com presença de super herois (desde Smallville até Arrow e The Flash). Talvez a série tenha dificuldade em encontrar seu público alvo, principalmente, por concorrer diretamente no horário de exibição com outra série baseada em quadrinhos, Gotham (do canal Fox).

Agora, especificamente, sobre o enredo, Greg Berlanti tem sido competente em suas adaptações para o canal CW, Arrow e The Flash, porém a abordagem aqui, mesmo que bastante ágil, afinal no piloto Kara assume seus poderes e se revela para a humanidade, além dos sempre necessários flashbacks didáticos, já vemos Kara voando, usando uniforme e usando a visão laser, me pareceu bastante superficial e falha na construção/exposição dos personagens, principalmente, da irmã de Kara (nossa velha conhecida Lexie Grey de Grey’s Anatomy). Mas o meu maior susto foi a exposição da que deve ser a maior ameaça para Kara/Supergirl nessa temporada, a tia gêmea má de sua mãe, com um plano maquiavélico de destruir a Terra, seriously! Nossa foi muito plot novela mexicana, destoou completamente do tom aventuresco apresentado até então.

Para não dizer que não falei de coisas boas, acho que a série tem efeitos incríveis, para uma série de tevê, o elenco têm condições de dar uma melhorada, somente precisa de textos melhores, e a aposta numa série de aventura com protagonista feminina e jovem é um destaque a ser apontado pela diversidade, fato não muito comum na televisão americana; e se a série não serve para mim pela abordagem, deve arrebatar fãs pelo mundo. Boa sorte para quem acompanhar.

Grandes Olhos

13/02/2015

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Mesmo parecendo abrir mão de sua assinatura visual, o diretor Tim Burton, não deixa de buscar uma trama com destaque cênico, o mundo das artes, no entanto, para deixar o filme mais pomposo o diretor podia ter combinado com o roteirista uma maneira de encontrar um maior equilíbrio na biografia de Keane.

Digo isso, porque o tom cômico que, por diversas vezes, soa caricatural, principalmente na figura criada por Christoph Waltz, que me parece de verdade um ator taratinesco, funciona que é uma maravilha nas mãos de Quentin Tarantino, já com outros diretores me parece sempre dois tons acima do que o papel lhe requisita; já Amy Adams, mais natural, parece presa numa personagem subserviente demais, segundo o retrato do próprio filme, ficando difícil torcer pela personagem.

Mesmo com esses contratempos, confesso que gosto de ver Tim Burton diversificando sua filmografia, mesmo que longe de um dos meus filmes prediletos do diretor, outra cinebiografia, Ed Wood, Grandes Olhos prova que Tim Burton pode ser um diretor simplesmente “contador de histórias”, não somente um “contador de histórias bizarras com visual rebuscado”, mas renderia muito mais se o roteiro colaborasse, assim justificou-se a ausência do filme na temporada de premiações (quando no início de 2014 nascia burburinho em torno do mesmo).

Grandes Olhos: 5,0

Direção: Tim Burton

Roteiro: Scott Alexander e Larry Karaszewski

Com: Christoph Waltz, Amy Adams, KrYsten Ritter, Jason Schwartzman, Danny Huston, Terence Stamp. 106 min

Para Sempre Alice

08/02/2015

parasemprealice

“Arte de perder”

Não é a primeira vez que o cinema americano mergulha num dos piores males que pode atingir a saúde humana: a doença degenerativa, no caso específico do filme, o Mal de Alzheimer. Recentemente, um filme que também chegou ao Oscar, dirigido com beleza e delicadeza pela atriz Sarah Polley, Longe Dela, rendeu indicações ao roteiro (também da atriz/diretora), e atriz principal, para a veterana Julie Christie (sendo que indicava fácil, fácil o ator Gordon Pinsent, como protagonista masculino).

Se em Longe Dela, tínhamos a narrativa sob o olhar do marido que vê a esposa sendo “levada” pela enfermidade, em Para Sempre Alice, o roteiro centra a rotina na decadência física e intelectual da própria vítima, a professora de linguística, Alice Howland, portadora de um Mal de Alzheimer precoce e congênito, descoberto após alguns problemas como esquecimentos.

O foco da trama centrado em Alice, inicialmente em sua rotina na Universidade e com a família, vai sendo substituído pelas dificuldades neurológicas que vão surgindo paulatinamente, inicialmente, com perda de raciocínio e geográfica até um simples jogo de palavras do smartphone. Onde o roteiro falha é na construção dos familiares de Alice, principalmente, na filha mais velha, Anna (Kate Bosworth, num momento Renee Zellweger, com aparência “freak”), que surge em cena sempre como a filha arrogante, rasa e chata, poderiam (todos) render mais.

No entanto, como o filme gira no entorno de Julianne Moore, cito uma sequência que me emocionou e me fez rir devido ao contexto todo, Alice, já sob domínio do Alzheimer, vê num notebook um vídeo de Alice ainda sã, e no qual ela sugere um suicídio medicamentoso à sua versão enferma, a Alice enferma tenta por diversas vezes lembrar das instruções da Alice sã, mas em vão, já que a mesma rapidamente esquece as instruções; a sequência que parece cômica, na verdade, cria o grande contraponto entre a vivacidade da personagem Alice pré-doença com a passividade fria da Alice enferma, um trabalho digno de Moore, atriz merecedora de um Oscar há anos.

Para Sempre Alice é um drama simples, tocante e bastante triste.

Para Sempre Alice: 7,0

Direção: Richard Glatzer e Wash Westmoreland

Com: Julianne Moore, Alec Baldwin, Kristen Stewart, Kate Bosworth, Shane McRea, Hunter Parrish. 101 min

Balanço da Temporada – The Killing (4ª temporada)

10/08/2014

TheKilling-cartazHá algum tempo não redijo um texto sobre um balanço da temporada que não esteja na própria página da qual descrevo “episodicamente” minhas impressões sobre as dezenas de séries que acompanho, no entanto, me senti impelido a fazê-lo em função da última temporada da The Killing, que pela segunda vez retorna do cancelamento (a primeira vez, entre a 2ª e a 3ª temporada), agora com apoio do site Netflix em parceria com o canal AMC; retorno este com somente 6 episódios que repercutem as consequências do ato de Linden e acrescentam um novo crime a ser investigado pela dupla, Linden e Holder, o homicídio de quatro membros de uma família havendo um jovem sobrevivente.

****spoilers

Ao final, sentimentos contraditórios, em geral, gostei dos desfechos dos arcos da temporada, mas ficou um gostinho “de quero mais”, principalmente, se pensarmos que The Killing é um procedural, simplesmente uma série policial, porém com protagonistas riquíssimos. Voltando à trama, apesar de ainda achar que Reddick descobriu as peças do desaparecimento de Skinner de uma maneira muito rápida, o desfecho político do caso, trazendo novamente o prefeito Richmond, das duas primeiras temporadas, fecha um ciclo bastante coeso dentro da trama e verossímil, pois ninguém conseguiria pagar a conta de ter um tenente (delegado, no nosso caso) como um serial killer do próprio caso do qual era responsável pela investigação, em sua gestão.

Sobre o caso da temporada envolvendo os Stansbury, com a descoberta da maternidade da Coronel Rayne (show de Joan Allen), ficou bastante claro para mim o envolvimento de Kyle, no entanto, não imaginava seu trauma e abandono no ventre familiar, sequências fortes e ótimos diálogos entre ele e Sarah.

Mas o grande destaque temporada foi o desenvolvimento do relacionamento de Sarah e Holder, parceiros/confidentes/cúmplices, o casal, o qual nunca shippei como alguns, tiveram nesta series finale algumas das melhores sequências da série; Sarah teve a oportunidade de revelar ao parceiro as consequências de um lar desfeito, seja sua dificuldade em lhe dar com o filho, faltando-lhe carinho e apreço por Jack, quanto aceitar o surgimento de sua mãe, assim Holder com a chegada da paternidade teve o discernimento de observar como uma família pode salvar ou condenar uma pessoa (vide o caso dos Stansbury).

Excelentes diálogos, atores impecáveis (Mireille Enos mais uma vez para a temporada de prêmios, se não me engano concorrendo na categoria minissérie, deve levar fácil), fotografia e trilha fechando o ciclo de uma série que, agora sim, teve um final muito, mas muito digno e relevante. E como isso é importante para um série maníaco (viu, produtores de Dexter!)

Destaques da Quinzena em DVD/BluRAy (16 à 30/06)

05/07/2014

alabamamonroeAlabama Monroe: Elise (Veerle Baetens) e Didier (Johan Heldenbergh) apaixonam-se à primeira vista, apesar de suas diferenças. Ele fala, ela ouve. Ele é um ateu romântico, ela é uma realista religiosa. Quando sua filha fica gravemente doente, seu amor é levado a julgamento. Indicado ao Oscar 2014 de Filme Estrangeiro, representando a Holanda, tem conquistadado boas críticas por onde passa.

euevoceEu & Você: Lorenzo tem 14 anos e elaborou um plano para que possa passar as férias de verão sozinho no porão do seu prédio. Ele planejou tudo: onde vai dormir, o que fazer e já há algum tempo está estocando comida no local. A ideia é que sua mãe pense que ele está numa viagem de colégio, de forma que não o aborreça durante este período. O que ele não contava era que sua meia-irmã Olivia surgisse de repente, acabando com a paz do garoto. Viciada em drogas e buscando um lugar para ter um pouco de paz, Olivia acaba chantageando Lorenzo para que fique com ele no porão. Filme que passou em branco nos cinemas, mas pertence ao “mestre” Bernardo Bertolucci, o que o torna obrigado aos cinéfilos!

paisefilhosPais e Filhos: Ryoata é um arquiteto obcecado com o sucesso profissional, que forma com a jovem esposa e o filho de 6 anos uma família ideal. Sua vida sofre uma grande transformação quando descobre que está criando o filho de outro homem há seis anos, já que seu filho biológico foi trocado por engano na maternidade. Filme japonês que fez uma rápida carreira nos nossos cinemas, mas que deve encontrar seu público alvo agora no home video.

omordonoO Mordomo da Casa Branca: 1926, Macon, Estados Unidos. O jovem Eugene Allen vê seu pai ser morto sem piedade por Thomas Westfall, após estuprar a mãe do garoto. Percebendo o desespero do jovem e a gravidade do ato do filho, Annabeth Westfall decide transformá-lo em um criado de casa, ensinando-lhe boas maneiras e como servir os convidados. Eugene cresce e passa a trabalhar em um hotel ao deixar a fazenda onde cresceu. Sua vida dá uma grande guinada quando tem a oportunidade de trabalhar na Casa Branca, servindo o presidente do país, políticos e convidados que vão ao local. Entretanto, as exigências do trabalho causam problemas com Gloria, a esposa de Eugene, e também com seu filho Louis, que não aceita a passividade do pai diante dos maus tratos recebidos pelos negros nos Estados Unidos. Ponta baixo da curta carreira de Lee Daniels, desde Matadores de Aluguel, passando por Preciosa até o recente Obsessão, mesmo contando com um elenco estrelar, capitaneado por Forest Whitaker, Daniels não consegue controlar o tom épico/histórico do mordomo que acompanha inúmeros presidentes americanos durante décadas, uma pena, tentaram fazer uma versão de Forest Gump e não funcionou, na verdade, nada funciona direito em cena.

pompeiaPompeia: Milo (Kit Harrington) é escravo em um navio rumo a Nápoles, que luta para salvar a mulher que ama e seu melhor amigo, um gladiador preso dentro coliseu da cidade. Como se os dramas ainda não bastasse, ele terá que lidar com uma terrível erupção vulcânica que pode destruir sua cidade para sempre. Novamente Paul W. S. Anderson (da cinessérie Resident Evil) prova ser um diretor muito abaixo da qualquer expectativa, aqui fazendo um misto de Gladiador com Titanic, previsível!

oquefazerO Que Fazer?: Um médico revela a seu paciente (Robin Williams) diagnosticado com paranóia agressiva que ele tem apenas 90 minutos de vida. Ainda sugere que ele deveria ir desculpar-se com todos que ele tenha brigado durante seus últimos momentos de vida. Filme que chama atenção, inédito em nossos cinemas, pelo elenco, nomes como Williams, Mila Kunis, Melissa Leo e Peter “Tyrion Lannister” Dinklage.

cacadoresCaçadores de Obras Primas: Baseado no livro homônimo de Robert M. Edsel, filme conta a história de um grupo de militares especialistas, selecionados pelo governo dos EUA para recuperar obras de arte roubadas pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. Uma pena que George Clooney, ator/diretor/roteirista, não tenha encontrado o tom ideal para sua aventura histórica com fortes doses de comédia, tornando-o irregular em diversos momentos, tanto que a própria narrativa se divide em diferentes plots (assim perdendo dinâmica), menos mal que o elenco compensa.

ograndeheroiO Grande Heroi: Baseado na operação Red Wings realizada por membros dos Navy SEALs em 2005, o filme acompanha a missão de perseguição e captura do líder Taliban Ahmad Shahd em um cenário hostil e surpreendente, no qual os soldados norte-americanos se veem cercados e precisam fazer de tudo para sobreviver. Novo filme bélico de Peter Berg, após Battleship, que conta uma trama até certo ponto interessante, verídica, mas que para variar pesa a mão no tom patriótico, principalmente em sua reta final, mesmo assim, possui aspectos técnicos, como o som, bastante competentes.

entrenosEntre Nós: Isolados numa casa de campo, jovens amigos decidem escrever e enterrar cartas destinadas a eles mesmos, para serem abertas dez anos depois. Porém, após uma tragédia ocorrida naquele mesmo dia, os amigos ficam dez anos sem se ver. Agora, este reencontro irá trazer à tona antigas paixões, novas frustrações e um segredo mal enterrado. Filme nacional dirigido e roteirizado por Paulo Morelli que foge do habitual no cinema atual, sim, não se trata de uma comédia, muito pelo contrário, parece aqueles filmes americanos sobre reencontro de gerações de amigos para “lavar a roupa suja” do passado. No mínimo, curioso!

robocopRobocop: Na Detroit de 2027, a empresa local Omnicorp quer colocar robôs para patrulhar as ruas norte-americanas, mas a opinião pública é contra. Quando um policial se fere gravemente, retorna à vida como um poderoso ciborgue na luta contra o crime, mas sua humanidade é um problema para a corporação, assim como sua eficiência. Acredito que Jose Padilha conseguiu imprimir uma nova roupagem ao clássico oitentista de Paul Voerhoven, a escolha de Joel Kinnaman, a abordagem atual e forte crítica social funcionam em cena!

umaaventuralegoUma Aventura Lego: Emmet (Chris Pratt) é uma figura LEGO perfeitamente comum e seguidora das regras, que é erroneamente identificado como uma pessoa extraordinária, essencial para salvar o mundo. Ele é recrutado por uma irmandade de estranhos para uma jornada épica com a finalidade de impedir um tirano, uma viagem para a qual Emmet está irremediável e hilariamente despreparado. Como companheiros dessa aventura, ele terá Vitruvius (Morgan Freeman), um velho místico, e a durona Lucy (Elizabeth Banks), que convoca o misterioso Batman (Will Arnett), com quem compartilha uma história do passado. Mesmo sendo um dos maiores sucessos desse ano, a animação me pareceu muito cansativa, mesmo contando com um roteiro com tiradas espertas.

profissaoProfissão de Risco: Jack (John Cusack) precisa entregar uma misteriosa sacola a Dragna (Robert De Niro) e recebeu recomendações para não olhar, de maneira alguma, o que estava dentro dela. Disposto a cumprir a tarefa, ele vai encontrá-lo em um motel de beira de estrada. O que diabos estão fazendo com suas carreiras Jonh Cusack e Robert DeNiro? Se alguém puder me responder.

Destaques da Quinzena em DVD/BluRay (02 à 13/06)

13/06/2014

clubedecomprasClube de Compras Dallas – um dos grandes ganhadores do Oscar 2014, levou os prêmios de melhor ator para Matthew McCounaghey e melhor ator coadjuvante para Jared Leto, ambos muito bem em cena, porém, em papéis típicos de ganhadores de Oscar, um machão em busca de redenção e um travesti, respectivamente. Além disso, a direção é do canadense Jean-Marc Valleé, responsável pela agradável surpresa C.R.A.Z.Y -Loucos de Amor e A Jovem Rainha Vitória. O filme em si é um retrato dos anos iniciais do tratamento do vírus HIV, em 86, confesso que após ver The Normal Heart, o quadro fica melhor ilustrado, o grande mérito do filme é mesmo seus atores. A trama mostra a história de Ron Woodroof (Matthew McConaughey), consumidor de drogas, amante de mulheres, homofóbico, que, em 1986, foi diagnosticado com aids e recebeu a sentença de 30 dias de vida. A partir daí, sua luta pela vida intensificou-se e, quase à beira da morte, ele foi em busca de medicamentos alternativos fora do país já que o único remédio legal nos Estados Unidos para combater a doença, na época, era o AZT. Com a ajuda de sua médica, dra. Eve Saks (Jennifer Garner), e do travesti Rayon (Jared Leto), portador do HIV, Woodroof criou clubes em que as pessoas pagavam por esses tratamentos alternativos, o que levou as indústrias farmacêuticas dos Estados Unidos a travarem uma guerra contra ele. Woodroof morreu em 12 de setembro de 1992, seis anos após o diagnóstico fatal.

operacaosombraOperação Sombra – Jack Ryan – enquanto todos os estúdios procuram uma franquia de ação para chamar de sua, incluindo os estúdios que possuem direitos sobre os herois em quadrinhos, a Paramount resolveu fazer um reboot (novamente) do agente Jack Ryan, já interpretado por Harrison Ford e Ben Affleck, em três filmes anteriores; aqui, vemos Chris Pine (já envolvido com a franquia Star Trek) assumindo o papel de Ryan, tendo como interesse romântico Keira Knightley, Kevin Costner como mentor (jura?) e Kenneth Branagh como vilão e, também,  diretor (diga-se de passagem, se mostrando como um diretor operário padrão, lamentável, sem pensarmos no diretor shakespereano que o ator vinha mostrando nos cinemas). Resultado irregular e dificilmente a franquia engrena novamente. Na trama, Jack Ryan (Chris Pine), um jovem analista da CIA, descobre plano russo para travar a economia dos EUA, com um ataque terrorista. Depois de deixar a Marinha e se tornar consultor financeiro de um bilionário, o agente é forçado a voltar à ativa para impedir o plano de seus algozes.

sosS.O.S Mulheres ao Mar – comédia romântica nacional com o casal da novela global, a carismática Giovanna Antonelli e Reinaldo Gianecchini, tendo como alívios cômicos as atrizes Thalita Carauto e Fabíola Nascimento, a direção é de Chris D’amato. Na trama, decidida a reconquistar seu ex-marido, a bela Adriana (Giovana Antonelli) embarca em um cruzeiro. O que ela descobre é que ele tem uma nova namorada, dessa vez famosa e estrela de TV. Durante o passeio, ela vai aprender que pode encontrar novos caminhos e soluções para sua vida.


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