The Good Place (NBC) – 2ª temporada

22/09/2017

s02e01-02 Everything is Great (1)(2) – Tendo tido suas memórias apagadas por Michael, Eleanor, Chidi, Tahani e Jason voltam ao Lugar Bom. 2) Jason ganha uma nova alma-gêmea, Tahani lida com as consequências da noite anterior e Eleanor e Chidi chegam a surpreendentes conclusões.

Embora não goste de episódios duplos de séries cômicas, acredito que seja difícil equilibrar o ritmo, TGP para ter tido sorte ou planejamento em criar um longo episódio focado no restart que Michael criou ao final da surpreendente primeira temporada. É estranho observar como a série se coloca como uma comédia meio que involuntária, politicamente incorreta, na qual os personagens carregam a trama e não o contrário, o humor se encontra no conflito de personalidades naquele cenário surreal e não o contrário, a graça não se encontra nos aspectos angelicais/diabólicos, mas sim como as pessoas se enxergam e como se comportam para atingir padrões.

Assim sendo, já gostando do quarteto protagonista, e mais alguns coadjuvantes como Janet, quero ver o que mais o esperto roteiro irá nos mostrar nesta 2ª temporada, para quem sabe, elevar a série ao patamar das premiações. Na torcida pelo sucesso da querida Kristen Bell!

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Narcos (Netflix) – 3ª temporada

22/09/2017

s03e01 The Kingpin Strategy – Os cavalheiros de Cali reúnem os seus associados para um anúncio surpresa sobre o futuro dos negócios.

s03e02 The Cali KGB – Um vazamento de gás ameaça o acordo entre Cali e o governo, e Jorge é chamado para ajudar. Peña enfrenta problemas por causa da sua antiga ligação com Los Pepes.

Confesso que estou um pouco receoso sobre qual caminho a série tomará após a morte de Pablo Escobar, assim como quem terá peso dentro da série para carregá-la. Neste dois primeiros episódios, tivemos um retrato quase documental sobre como funcionava o Cartel de Cali, muito mais institucional e organizado como empresa do que o Cartel de Medellin de Escobar que estava ancorado sobre sua pessoa e sobre o medo/caos que ela criava. Gosto dos personagens/pessoas que representam o Cartel, no entanto, num primeiro momento, o lado policial parece estar desequilibrado. Vamos aguardar…

s03e03 Follow the Money –  Os irmãos Rodríguez saem de cena durante as negociações. Pacho se encontra com o Lorde dos Céus no México. A nova equipe de Peña visita Cali.

s03e04 Checkmate – Peña cria um plano para capturar Gilberto Rodríguez, o líder de Cali. Amado faz uma proposta de negócios a Pacho.

Os dois últimos episódios parecem começar a engrenar a temporada, principalmente, porque os personagens da Cali começam a tomar uma forma mais consistente, senti muita falta do personagem Pena neste início de temporada, ou mesmo de personagens que representassem o poder policial, apesar de vermos que a policia de Cali é tão ou mais “amiga” do que foi a polícia de Medellin.

s03e05 MRO – Paranoico com a possibilidade de traição, Miguel pressiona seus seguranças. Pacho toma uma decisão sobre a nova oferta. Peña tenta se aproximar de uma testemunha. Mais um bom episódio, a diferença desta para as demais temporadas parece ser o método administrativo de Cali em comparação com a autoridade dominadora de Escobar em Medellin.

American Horror Story – Cult (FX)

22/09/2017

s07e01 Election Night – Após a eleição de Trump, Ally Mayfair-Richards volta a ser perseguida por todas as suas antigas fobias… e, aparentemente, elas estão criando vida.

s07e02 Don’t be Afraid of the Dark – imaginação e realidade colidem quando um suposto ataque causa um apagão, fazendo a Ally entrar em desespero.

Chegamos a sétima temporada da criação antológica da equipe de Ryan Murphy nos trazendo, acredito que pela 1ª vez, um horror mais psicológico e social. Aproveitando-se da noite da eleição de Donald Trump e no clima de conspiração que se instalou por terras americanas, principalmente, no que se refere à polarização de idéias (algo bem próximo nosso atualmente também).

Porém, nestes primeiros episódios, tô sentindo falta de uma ameaça propriamente dita, de mais personagens e outros conflitos que não seja a obsessão do personagem de Evan Peters, sua irmã freak e os ataques histriônicos de Ally (personagem de Sarah Poulson). Ainda não embarquei na trama de terror psicológio com fobias e palhaços, vamos aguardar mais um pouco.

Balanço da temporada – Atypical (1ª temporada)

28/08/2017

Nada como depois de algumas decepções como Gypsy, Glow e Punho de Ferro, ver que a Netflix ainda tem capacidade de entregar séries como Atypical, uma dramédia simpática e delicada muito similar à The Big Bang Theory no que se refere ao tipo de comportamento do protagonista, o jovem Sam, que apesar de ter 18 anos, possui um tipo de autismo que lhe causa problemas de interação social, assim como acontece com Sheldon.

Aqui, os problemas sociais de Sam são o estopim para os conflitos familiares/amorosos de toda família Gardner, todos extremamente bem utilizados pela série, com arcos dramáticos próprios, desde a mãe superprotetora e dependente do cuidado com o filho, papel acima da média para sitcoms (o que não é o que parece aqui, mas na categorização da série pela duração de cada episódio, é isto que ela é, um sitcom) para a atriz Jennifer Jason Leigh (que falta fez em cena), passando pelo pai ausente/culpado de Michael Rappaport, a irmã corredora/atleta de Brigitte Lundy-Paine, deixada em segundo plano em função do trabalho que o comportamento do irmão gera na família.

Voltando à Sam, defendido com competência por Keir Gilchrist (de The United States of Tara), o personagem consegue equilibrar seus conflitos entre comédia (pela falta de noção e comportamento sincericídio) com os dramas de um garoto em busca de relacionamento e que, obviamente, se sente inadequado em qualquer cenário mundano, sua sequência após decepção com a terapeuta dentro do ônibus foi de cortar o coração, porque até então, a série nunca havia nos mostrado o lado médico da condição clínica de Sam, isto prova, aos olhos dos pais, Elsa e Doug, e também da irmã, Casey, porque todos são tão vigilantes e cuidadosos com a rotina de Sam.

São oito episódios redondinhos, com subtramas que abrem e fecham nesta temporada, trazendo evolução para cada personagem e um gancho dramático, envolto em comédia, drama leve e momentos bacanas de cada personagem. Bom passatempo!

ATYPICAL (Netflix) – 1ª temporada 

Criadora: Robia Rashid ( produtora e escritora de séries como How I Met Your Mother e The Goldbergs).

Manchester à Beira-Mar

14/02/2017

manchester

Ô filme triste do capet@!

Que belo melodrama Kenneth Lonergan (dos dramas Conte Comigo e Margareth) produziu, um trama sobre perda/perdão e suas consequências nas pessoas. Para isto, somos apresentados à Lee Chandler, um quieto zelador, que no início da projeção é informado do falecimento do seu irmão mais velho e necessita retornar à Manchester, local no qual sofreu um chocante trauma no passado.

Mesmo contando com uma sinopse aparentemente simples, a maneira orgânica e sensível como Lonergan o faz é o grande mérito da película, o trauma sofrido pelo personagem, o qual nos é apresentado em meio à flashbacks (que também ilustra a afetuosa relação entre Lee e seu falecido irmão, sua família), é de fácil identificação para o espectador, tanto o texto quanto a criação de Casey Affleck colocam o personagem em rota de auto colisão/destruição, é um personagem simplesmente quebrado emocionalmente, mas sem perder sua humanidade em determinados momentos (como no trato com seu sobrinho, indicado ao Oscar o jovem ator Lucas Hedges).

Ainda sobre Lonergan, me agrada demais a maneira como o roteiro evita a pieguice, alternando ora os momentos conflituosos ora uma conversa bem humorada ou carinhosa, os personagens são muito bem construídos, transpiram humanidade; Kyle Chandler, o irmão falecido, surge nos flashbacks afetuoso e um irmãozão/suporte para Lee em seu pior momento, Lucas Hedges, como Patrick, tem o luto pela morte do pai e o conflito do que ocorrerá em sua vida, afinal sua mãe esta distante, ao mesmo tempo que enfrenta os problemas corriqueiros de um adolescente, como garotas e sexo e, para fechar, Michelle Williams, em meia duzia de cenas, como a ex-esposa de Lee, Randi, tem num momento chave na película que simplesmente desmonta o mais insensível coração.

Lindo, triste, bem fotografado, cheio de metáforas devido a geografia da cidade, Manchester à Beira-Mar é facilmente um dos melhores filmes desta safra do Oscar 2017.

MANCHESTER À BEIRA-MAR

Direção: Kenneth Lonergan

Roteiro: Kenneth Lonergan

Com: Casey Affleck, Lucas Hedges, Michelle Williams, Kyle Chandler, Gretchen Mol, Tate Donovan. 138 min

La La Land

25/01/2017

City of stars
Are you shining just for me?
City of stars
There’s so much that I can’t see

lalaland

Antes de qualquer comentário escrevo este texto após o anúncio das indicações ao Oscar 2017, no qual La La Land foi agraciado com 14 indicações, recorde pertencente a filmes como A Malvada e Titanic, assim já imagino que até daqui um mês, quando da realização da entrega de prêmios, o filme já terá sido “desmontado” pelos queixosos e insatisfeitos de plantão, com possível argumento de que “ele (o filme) nem é tão bom assim”; resultado de anos de observação de filmes com maciço apoio da crítica e público, que gera uma corrente contrária somente para contrariar.

Claro que em comparação aos dois clássico acima citados La La Land parece o irmão menor, sem grandes pretensões, um filme baseado numa homenagem ao quase falecido gênero musical (que vive de ciclos bissextos) e à cidade base da indústria cinematográfica (Hollywood), Los Angeles.

Como musical o que mais gosto em La La Land é a “desculpa” para os números musicais, seriam momentos de introspecção dos personagens, devaneios, assim soam naturais, quem nunca se pegou sonhando e cantando em algum cenário em sua vida? Além disso, a trilha sonora e as músicas são muito boas, City of Stars, minha predileta, já esta na minha playlist, uma lógica que nem sempre ocorre em filmes musicais, possuírem boas músicas, contemporâneas ao cotidiano que qualquer pessoa.

Para não dizer que tudo são flores, acho o roteiro bastante simples (para indicações à prêmios) e Ryan Gosling esta apenas “bem” em cena (em ótima química com Emma Stone), devido mais ao personagem do que ao trabalho do ator; dito isto, em contrapartida, acho o filme tecnicamente perfeito, cenografia, figurinos, fotografia enchem os olhos, já Emma Stone está um “Sol” é o centro das atenções devido ao seu carisma e empatia de sua personagem, a atriz com este projeto desponta para o primeiro time de jovens atrizes americanas.

Mas acredito que todo mérito de La La Land recai sobre seu diretor e roteiristas Damien Chazelle, depois do sucesso com Whiplash em anos anteriores, Damien se gabaritou para este projeto mais ambicioso e que se vingou devido ao prestígio recente do diretor, os Deuses do Cinema agradecem!

LA LA LAND: 5star

Direção e roteiro: Damien Chazelle

Com: Emma Stone, Ryan Gosling, John Legend, J.K. Simmons, Rosemarie Dewitt. 128 min.

 

Balanço da Temporada: 3% (1ª temporada)

29/12/2016

Projeto que já nasceu histórico, 3% é a primeira produção brasileira para o canal streaming Netflix, e se pensarmos bem, é uma produção de ficção científica, gênero pouco explorado pela dramaturgia nacional seja em filmes, novelas, séries ou literatura. Assim tinha tudo para ser um projeto favorável e marcante, porém acaba por se tornar uma decepção.

3

Baseado num famoso curta metragem homônimo de Pedro Aguilera, de 2011, que apresentava conceitos aqui também utilizados como por exemplo, a sociedade distópica, algo já bastante visto em recentes ficções científicas mundo à fora, a série tem como plot principal: “depois de diversas crises que deixaram o planeta devastado. Num lugar não especificado do Brasil, a maior parte da população sobrevivente mora no Continente, um lugar miserável, decadente, onde falta tudo: água, comida, energia. Aos 20 anos de idade, todo cidadão tem direito de participar do Processo, uma seleção que oferece a única chance de passar para o Maralto, onde tudo é abundante e há oportunidades de uma vida digna. Mas somente 3% dos candidatos são aprovados no Processo, que testa os limites dos participantes em provas físicas e psicológicas e os coloca diante de dilemas morais. Morar em Maralto, no entanto, não é o objetivo de todos os candidatos: alguns têm outros planos.”

Convenhamos, um plot simples, mas se trabalhado da melhor maneira bastante promissor , no entanto, este foi o “calcanhar de Aquiles” do projeto. Tudo parece escrito de maneira amadora, nem mesmo a direção, cenografia e elenco se salvam na série, impressionante que atores veteranos como João Miguel, Sergio Mamberti, Zezé Motta e Bianca Comparato pouco ou nada possam fazer em cena, a partir do momento que o roteiro não lhes permite desenvolver os personagens de maneira coesa.

O roteiro parece ter sido “montado” em cima de concepções e planejado para os “twists” tão comumente utilizados em séries, contudo, em cena personagens se descaracterizam conforme o andamento da temporada, maior exemplo disso é o suposto líder do grupo Marco, que na metade da temporada, seu caráter que nunca foi posto em dúvida, acaba por revelar-se um ditador psicopata liderando uma milicia numa prova do Processo (oi?); assim chega-se a conclusão que os personagens somente serviam ao roteiro, avançando a trama sem coerência com suas personalidades.

Inclusive, aproveitando que mencionei, a narrativa trabalha praticamente com as provas de seleção do Processo, como fases de um jogo de videogame, nunca explicando ou mostrando qual lógica a ser seguida nesta seleção, nem mesmo os conflitos nos bastidores entre os “adultos” envolvidos no Processo deixam isto claro.

Agora, se vocês se perguntam se acompanharei a 2ª temporada da série, já renovada pelo Netflix, sim, acompanharei, pois o universo/mitologia da série me instiga muito, com o sucesso e repercussão que a série conquistou imagino que a equipe técnica vai se debruçar sobre as falhas da mesma e corrigi-las da melhor maneira (torcida particular).

Primeiras Impressões – This Is Us (NBC)

15/10/2016

A série é uma crônica da relação de um grupo de pessoas que nasceram no mesmo dia, incluindo Rebecca (Mandy Moore) e Jack (Milo Ventimiglia), um casal esperando trigêmeos, Kevin (Justin Hartley), um ator que está cansado do que faz, Kate (Chrissy Metz), uma mulher tentando perder peso e Randall (Sterling K. Brown) um homem rico à procura de seu pai biológico.

This Is Us- Season 1

Se em meio a uma Fall Season entediante, cheia de remakes, adaptações e franquias (parece Hollywood, não?), o canal NBC, lembrando que este é pertence à tevê aberta, acaba de lançar uma série dramática que tem tido uma repercussão incrível, audiência enorme e, melhor ainda, merece todos os elogios por ir contra a corrente atual do mundo das séries.

This Is Us começa sua história meses atrás com a divulgação de um trailer que atingiu uma repercussão mundial, e em sua estreia nos apresenta um piloto cinematográfico, não no sentido de produção, mas sim de roteiro, surpreendente, sensível e extremamente delicado, com um final digno de fechamento de ciclo, lembrando a estrutura de um filme, mas aqui o começo desta crônica de personagens nascidos no mesmo dia e que possuem conexão.

Já exibido (e visto) seu 3º episódio, a série apresenta uma narrativa estruturada em duas linhas do tempo, com diálogos e conflitos palpáveis, o que facilita sua identificação com o público, lembrando a estrutura de uma novela, no entanto com um tom completamente adverso a esta, no qual os personagens estabelecem conexões uns aos outros e isto leva a narrativa adiante (pelo menos, nestes primeiros episódios, o que ainda prevejo muita dificuldade numa temporada de 18 episódios).

Os roteiros dos episódios me surpreenderam pelo equilíbrio entre drama, drama familiar e um humor gostoso de acompanhar quando desde o piloto criamos empatia com todos os personagens, sem exceção, impressiona que até mesmo a possível “armadilha” de ter um storyline de busca de um filho pelo pai após décadas, este ainda surgindo doente em estado terminal, consegue ter uma abordagem diferente pela série. Gosto de alguns nomes envolvidos na produção da série como do criador Dan Folgeman (que também trabalhou em séries como Grandfathered, Galavant e a outra novata da temporada, Pitch), que se uniu aos diretores/roteiristas John Requa e Glenn Ficarra, todos de Amor à Toda Prova (comédia romântica de 2011 que possuía um grande elenco (Ryan Gosling, Emma Stone, Steve Carrell e Julianne Moore) que lembra muito o clima de This Is Us).

Outra agradável surpresa da série, que acredito seja mérito do roteiro e da direção, é juntar um elenco extremamente mediano, desculpem os fãs de Justin Hartley (Arqueiro Verde de Smallville), Milo Ventimiglia (protagonista de Heroes) e Mandy Moore (cantora/atriz) e ofertar para os mesmos possivelmente os melhores papéis de suas carreiras, todo elenco esta bem e possuem uma naturalidade em cena que impressiona, claro que com total destaque neste início à Chrissy Metz (atriz que participou na temporada Freaky Show de America Horror Story).

PS.: sem a menor sombras de dúvidas, o melhor piloto desta Fall Season 2016!

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Balanço da Temporada: Stranger Things – 1ª temporada

02/08/2016

stranger

A Netflix é um negócio do “capeta”, nem mesmo eu que adoro assistir episódios fielmente a cada semana resisti de não maratonar a primeira temporada de Stranger Things, não que tenha assisti tudo em dois dias, mas em uma semana já estava com sorriso largo de lado a lado do rosto do belo trabalho realizado pelos Irmãos Duffer.

Claro que algumas semanas após o grande buzz que a série provocou no meio midiático já há vozes dissonantes fazendo o contraponto aos comentários elogiosos, que não são poucos. Há certo exagero em ambas versões, a série não é a melhor série do ano (quiçá do Netflix), mas tampouco é somente mais uma série televisiva. Grande parte do mérito deste trabalho se concentra nos desconhecidos Irmãos Duffer, responsáveis por Wayward Pines (que já se apresentava como uma ficção científica cheia de referências ao gênero), aqui eles criam, ou melhor, recriam com detalhes ímpares costumes/situações/personagens que habitaram o cinema dos anos 80.

Até mais do que isso, ao mostrar adultos fumando em frente de crianças, a série já ganha meu respeito por realmente focar sua trama nos anos 80, não somente referenciar com o politicamente correto que impera atualmente, como fez Spielberg em sua remontagem de E.T; falando em Spielberg, além das óbvias referências a sua filmografia (lembrando que recentemente Super 8, de J.J. Abrams também “homenageou” sua filmografia), os irmãos Duffer relembram/homenageiam John Carpenter e Stephen King, através de referências ao Enigma do Outro Mundo, Silent Hill (este fora dos anos 80), Poltergeist, Conta Comigo, It, Os Goonies, entre outros.

No entanto, como uma série de 8 episódios, nem sempre o roteiro conseguiu manter a dinâmica da trama, acabou abrindo o arco em três subtramas centrais, o desaparecimento do menino Will e a busca de sua mãe e amigos por ele, o surgimento de uma menina com poderes tele cinéticos envolvida com uma agência do governo e um triângulo amoroso entre os adolescentes, sendo esta última a trama mais deslocada da série e que pouco acrescentou à mesma, com exceção de uma morte que trouxe um perigo real aos jovens.

Falando nos jovens, Mike, Dustin e Lucas e, em seguida, com a chegada de Eleven são a grande força motora da série, o roteiro não os retrata com atitudes adultas para criar empatia com o público adulta, são crianças interpretando crianças, como suas qualidades e defeitos, como as inúmeras discussões dentro do grupo e rapidamente retomada da amizade, é uma química que impressiona, são personagens cheios de vida e isso passa ao espectador da série, principalmente, para aquele que se sente representado na telinha.

Já os personagens adultos são mais dramáticos, Winona Ryder rouba diversos episódios com sua obsessão em fazer contato com o filho (espero que seja a volta por cima da atriz, revelada nos anos 80), enquanto David Harbour interpreta o poder policial amargurado por um drama do passado que acaba se identificando com as fragilidades da personagem de Winona; uma pena o roteiro não abrir possibilidades para os vilões humanos, Matthew Modine platinado nada tem a fazer em cena.

Gosto como a série ampliou seus mistérios, revelando alguns e acrescentando outros na reta final, deixando claro que a série foi pensada para ter mais temporadas. Divertida e com doses de aventura, terror e suspense (com ótima recriação de época e cuidados com trilha sonora) é uma série que veio para ficar, principalmente, para os saudosistas com mais de 30 anos!

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Primeiras Impressões – The Night Of – Justiça em Julgamento (HBO)

09/07/2016

night

Procurando uma boa série na Summer Season 2016, confesso que até aqui poucas coisas me seduziram, na minha watchlist permaneceram apenas Animal Kingdom (TNT), Outcast (Cinemax/FOX) e este novo drama criminal do canal HBO: The Night Of.

Projeto que ficará conhecido por ter sido o último no qual James Gandolfini estaria envolvido, tanto que seu nome aparece nos créditos como produtor, uma pena vislumbrei sua persona no personagem Jack Stone, nos poucos momentos nos quais o personagem aparece, o que não diminui o bom trabalho de John Turturro, é somente uma constatação de um fã, quase chegou a interpretá-lo também Robert DeNiro, o que não se concretizou por problemas de agenda. Torço pelo sucesso de Turturro, ator/diretor, que nunca chegou ao estrelato.

Remake da britânica Justiça Criminal/Criminal Justice. A história acompanha o caso de Nasir (Rizwan Ahmed), um jovem americano de origem paquistanesa acusado de matar uma mulher. Jack Stone (Turturro), um desleixado advogado de ‘porta de cadeia’, se apresenta como seu defensor. Ao longo da minissérie, o público acompanha as investigações realizadas pela polícia, bem como o desenvolvimento do processo, que fará uma análise dos sistemas jurídico e penitenciário.

Sobre a série em si, o piloto já esta disponível no serviço streaming da HBO gratuitamente (link: HBO GO), a estréia oficial da série é em 10 de julho em terras americanas, mesmo pecando pela duração do episódio (79 min), para mim, séries dramáticas têm 45 minutos de ação por episódio e só, mais que isso a narrativa tem que ser muito “redondinha” para não cansar o espectador, o que não acontece aqui, no entanto, como a ação (não física) esta mais concentrada na segunda metade do piloto, isso acaba não sendo um problema grave.

A produção tem grife HBO, impecável pra não mudar a sina, a fotografia urbana noturna e o clima de tensão crescente são alguns dos destaques, trabalhado pelo bom diretor/roteirista Steven Zaillian, que se não me engano dirigirá os 8 episódios, dando uma unidade técnica bastante interessante à minissérie.

Fico curioso pelo tom do texto, afinal estamos lhe dando com um suspeito de origem paquistanesa em tempos de intolerância étnica, acusado de assassinar à sangue frio uma guria branca, ainda envolvendo drogas, fuga do suspeito e tudo apontando para o mesmo como culpado pelo assassinato.

Obs.: Não tem como não lembrar de True Detective e torcer para que siga o bom caminho trilhado pela primeira temporada da série de Cary Fukunaga. Vale uma espiada!