Balanço da Temporada: The Walking Dead 6ª temporada

04/04/2016

*****aviso de spoilers

Não esperava que isso acontecesse nessa temporada, com uma iminente e propagada reviravolta na trama, a dita “chegada de um novo antagonista, vilão icônico como Governador, etc”, mas finalizo meus trabalhos com The Walking Dead!

TheWalkingDead (1)

Dito isso, acho a temporada muito boa, uma das melhores até aqui, desde o início com a dominação do grupo de Rick em Alexandria até a ideia de se livrar dos zumbis na pedreira, sequências bacanas e cheias de tensão, daí vem os roteiristas e criam aquele mistério tabajara sobre a morte ou não de Glenn, que além de muito mal feita, ainda permanece durante um mês no ar na série. Terminamos com o plano de Rick dando errado e uma invasão de zumbis aniquilando parte de Alexandria, segunda parte da temporada, temos a ameaça assombrosa dos Salvadores e o nome de Negan sendo dito aqui e ali, conhecemos Jesus (num episódio Sessão da Tarde) e Hilltop de uma maneira interessante e bem dinâmica para os padrões – lentos – da série, no entanto, quando tudo se encaminha para uma reta final inesquecível, os roteiristas tiram o pé das tramas, começam a trazer uns questionamentos irrelevantes aos personagens, as malditas saidinhas para morrer alguém, nem sempre relevante, e chegamos à season finale!

Era o momento de explodir cabeças, no entanto, os roteiristas resolveram rodar-rodar-rodar com os personagens, fugindo dos Salvadores, afinal eles queriam levar Maggie ao médico de Hilltop ( e nossa médica de Alexandria ficou pelo caminho na temporada), o que até gerou uma tensão psicológica pouco costumas à série, para depois de tudo encontrarmos o tão famoso Negan. Aí Jeffrey Dean Morgan é introduzido com sua rotineira cara de ironia e deboche despeja um monólogo assustador ao grupo de Rick (ajoelhado e enfileirado junto com nomes como Carl, Michonne, Daryl, Glenn – de novo -, Maggie, Abraham, etc), exemplificando como as coisas funcionam por aquelas bandas e para mostrar seu poder, junto ao seu taco com arame farpado, denominado Lucille, mata um personagem escolhido aleatoriamente através do clássico uni-duni-tê, ouvimos as pauladas, vemos o sangue subjetivo (escorrendo pela vítima) e…sobem os créditos, sem mostrar quem foi a vítima! WTF!

Assim, mais uma vez, os roteiristas usam de um artifício preguiçoso e covarde, não revelar o que aconteceu em sequência, pela 3ª vez somente nesta temporada, no caso de mortes (primeiro o Glenn, segundo o Daryl no penúltimo episódio), para criar um tipo de “buzz” na internet e discussões mundo afora. O que se mostra uma bobagem sem tamanho pois o que realmente importa em qualquer dramaturgia é a consequência da morte de um personagem frente aos sobreviventes, a morte em si é somente para surpreender/emocionar o espectador, o roteiro precisa é abordar/trabalhar o que vem depois disso.

Com esta sensação de “coito interrompido” me despeço da série, num momento bom da mesma. Boa sorte aos sobreviventes na jornada!

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Um Homem Entre Gigantes

07/03/2016

Em meio à campanha #oscarsowhite, que obviamente é uma questão de suma importância como denúncia de pouco acesso aos negros e minorias aos melhores papéis da indústria cinematográfica, falava-se sobre a ausência de Will Smith, como exemplo, na mesma premiação por seu papel em Um Homem Entre Gigantes, como sendo uma injustiça da Academia; este tipo de repercussão me preocupa em tempos de radicalismos, pois o personagem Dr. Bennet Omalu e consequentemente o filme dirigido por Peter Landesman são de uma superficialidade ímpar, como normalmente ocorre em biografias americanas, não conseguem apresentar seu “biografado” sem homenageá-lo, glorificá-lo e canonizá-lo, típico exemplo de biografia “chapa branca”!

concussion

Dr. Omalu é um cientista exemplar perdido dentro de um prédio Médico Legal, seus colegas não gostam dele pois ele trabalha e dedica-se “demais”, inclusive conversa com os mortos, é um estrangeiro discreto, educado e praticamente assexuado; o personagem não apresenta conflito algum para Will Smith, sempre com forte sotaque, olhar doce e fala mansa, o personagem somente tem alguns embates com figurões ou colegas com maior prestígio que o dele, nem mesmo sua vida privada é abordada com verosimilhança pelo roteiro, sua “partner” Gugu Mbatha-Raw, serve somente de ouvidora para as explanações do personagem em determinados momentos do filme, um desperdício!

Ao tentar fazer um típico filme “homem contra o sistema”, no caso a denúncia do dr. Omalu de que o futebol americano causava danos neurológicos aos jogadores da Liga NFL, lembrando que este é fato verídico, o roteiro e a direção não conseguem se impor de maneira clara, pintam todos personagens e situações com preto e branco, não há espaço para sutilezas, conspirações e hesitações, parece que tentaram deixar tudo o mais “mastigadinho” possível para o grande público.

Portanto, foi um belo acerto deixar de fora do Oscar tanto a interpretação de Will Smith como possíveis outras indicações a mais um filme “oscarizável” de 2015.

PS.: bons exemplos de indicações que poderiam combater o debate étnico deste ano seriam Samuel L. Jackson, por Os Oito Odiados, Michael B. Jordan, por Creed, assim como seu diretor/roteirista, Ryan Coogler, apenas para citar alguns.

UM HOMEM ENTRE GIGANTES: 2star

Direção: Peter Landesman

Roteiro: Peter Landesman, artigo de Jeanne Marie Laskas

Com: Will Smith, Gugu Mbatha-Raw, Alec Baldwin, Albert Brooks, David Morse, Arliss Howard. 123 min

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A Garota Dinamarquesa

02/03/2016

Apesar de passado o buzz sobre o Oscar 2016, ainda há alguns filmes aos quais gostaria de tecer alguns comentários, nem todos positivos, como o caso de A Garota Dinamarquesa. Indicado para alguns prêmios Oscar, e bastante citado em outras premiações, sobretudo o trabalho da dupla de protagonistas, Eddie Redmayne e Alicia Vikander, é possível notar que o estrago até foi pouco, digo isso, porque o filme em si é uma reunião de equívocos, principalmente, por parte do roteiro e da direção.

agarotadinamarquesa

Apesar de não gostar do trabalho de Tom Hopper, desde seu equivocado Oscar por O Discurso do Rei e, em seguida, por Os Miseráveis, acreditava que a história de Einar Wegener/Lili Elbe era uma trama cinematográfica por excelência; visto o filme, as expectativas foram “ladeira abaixo”, o roteiro de Lucinda Coxon é de uma pobreza ímpar, ao invés de investir sua narrativa nas angústias e transformações pelas quais passam sua personagem (no caso, Einar/Lili), ela simplesmente coloca o personagem vestindo a roupa da esposa para posar para a mesma e isto aflora seu lado feminino e pronto, assume sua identidade feminina! Não parece haver uma transição psicológica para o personagem, assim como a aceitação da esposa, Gerda, também é extremamente simples, do ponto de vista dramatúrgico. Além disso, o roteiro parece mentir, esconder alguns fatos conhecidos de historiadores, como a sexualidade de Gerda, que seria lésbica o que facilitaria sua aceitação a identidade feminina do marido, assim fica difícil embarcar numa trama dita real que apela para o tom mais novelesco em detrimento dos fatos conhecidos.

Se o roteiro já escorrega em sua função, Hopper também não facilita em suas escolhas, sempre apelando para o melodramático como os confrontos entre os protagonistas, os desenlaces dramáticos e as insistentes sutilezas de Lili Elbe em frente ao espelho, como se tivesse se reconhecendo, uma direção irritante pela obviedade e primária para um ator competente como Eddie Redmayne (ganhador do Oscar 2015), mas que precisava de uma direção mais segura e menos oscarizada para bodá-lo neste gestual.

Insisto que seja o filme mais fraco desta safra do Oscar 2016, no entanto, o trabalho de Alicia Vikander (premiado com o Oscar de atriz coadjuvante), que é protagonista antes de qualquer coisa, apesar da fragilidade do roteiro, imprime emoção na medida certa para sua personagem, além disso, é óbvio que há uma bela direção de arte, incluindo cenários e figurinos, pena que à mercê de uma trama tão equivocada, afinal quais foram as motivações de Einar em se transformar em Lili? Não poderia opinar!

A GAROTA DINAMARQUESA: 2star

Direção: Tom Hopper

Roteiro: Lucinda Cox

Com: Alicia Vikander, Eddie Redmayne, Ben Wishaw, Amber Heard. 119 min

 

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O Quarto de Jack

15/02/2016

oquartodejack

Se o buzz de O Quarto de Jack, quando mencionado, sempre aponta para o nome do jovem ator, na verdade, a carismática criança Jacob Tremblay, merecidamente, diga-se de passagem, afinal de contas o difícil e pesado tema do filme tem como ponto de visto o do jovem Jack, quando vemos o filme, o mesmo ganha contornos maiores e melhores. Se não é mentira que Jacob Tremblay rouba a cena, também, deve-se deixar bem claro, que o excelente trabalho de direção, de roteiro e de sua parceira de cena, a atriz Brie Larson, colaboram em muito para o filme um destaque e, consequentemente, parte da cota independente (indie americana) no Oscar 2016.

Gosto quando o Oscar dá visibilidade a certos projetos, pequenos em sua maioria, mas relevantes em temas abordados, como acontece em O Quarto de Jack; me surpreendi bastante com a metade inicial da narrativa que dramatiza as manchetes de jornais sobre mulheres feitas reféns em cativeiros e que acabam criando uma família, vinda do abuso, nesse ambiente. Ali, o diretor Lenny Abrahamson mostra todo seu talento, junto ao diretor de fotografia e aos cenógrafos, ao “expandir” o referido quarto do título, deixando-o muito maior do que realmente é (como conferimos numa sequência ao final), mimetizando o olhar de Jack para este, afinal como aquele é o universo do personagem, nada como este achá-lo muito maior do que realmente é.

Em sua segunda metade, pós fuga do cativeiro, o roteiro muda a abordagem, sai a aparente retrato de normalidade do dia-a-dia, de abusos cíclicos e dificuldades, e entra em cena a adaptação para o “mundo real”, neste sentido, Jack por estar em contato com incontáveis novidades se adapta muito melhor que sua mãe, que em seu retorno para o lar dos pais (na verdade, da mãe, pois após 7 anos de cativeiro, seus pais se separaram), encontra extremas dificuldades em “continuar” com sua vida, parece que realmente o que mantinha Joy “viva” no cativeiro era sua porção “mãe ursa”, protegendo o filho de possíveis contato com Velho Nick e com a dura realidade na qual viviam; neste momento, o roteiro e a atriz Brie Larson, roubam o filme para si, retratando a fragilidade psicológica na qual o jovem se encontra, triste e comovente!

Buscando abordar somente as vítimas, em momento algum sabemos o que ocorre com o estuprador/sequestrador e nem seus motivos, o roteiro se diferencia de dramas comuns, ao buscar delicadeza e verossimilhança para os eventos, além dos referidos talentos acima citados. Um filme imperdível!

O Quarto de Jack: 5star

Direção: Lenny Abrahamson

Roteiro: Emma Donogue

Com: Brie Larson, Jacob Tremblay, Joan Allen, William H. Macy. 118 min

Primeiras Impressões – The X-Files (10ª temporada)

26/01/2016

arquivoXO que pode dizer um fã sobre o retorno da sua série predileta ever? Arquivo X, sim desculpem, não consigo chamá-la de The X-Files, sou da época, meados de 1993/94, na qual a série se transformou num sucesso na sua exibição (principalmente a partir da 3ª temporada) tanto no canal Fox quanto na tevê aberta, na Rede Record, foi a primeira série que acompanhei anualmente durante seus 9 anos de exibição, que junto aos filmes não tão bons e este retorno televisivo, já somam 22 anos acompanhando as aventuras do casal de detetives do FBI envolvidos em conspirações alienígenas, humanas e científicas.

É muita alegria e nostalgia! Para melhorar, nada como reunir o elenco principal e nomes importantes para a franquia, como o envolvimento do roteirista/diretor James Wong, já no 2º episódio, sem sombras de dúvidas um dos melhores roteiristas de episódios fillers da série original, claro sem mencionar, Chris Carter, Gillian Anderson, David Duchovny, Mitch Pileggi e William B. Davis (quero saber como?).

ArquivoXPoster3O primeiro episódio, My Struggle, pisou fundo na conspiração dos tempos atuais, incluindo menções a Edward Snowden, Serviço Secreto, drones espiões, manipulação genética e etc. Sabem que fiquei com a impressão que mesmo passados mais de 20 anos, os temas focados pela série me parecem mais verossímeis do que nunca! Achei que a “desculpa” para reunir a dupla de agentes, afastados do FBI, bastante frágil, mas o restante do episódio e o foco novamente no início histórico da não invasão alienígena (como sempre nos foi informado), mas sim, do uso de tecnologia alienígena por humanos, lá em Roswell muito, mas muito interessante e curioso, inclusive com direito a flashbacks, em ótimas sequências (possivelmente as melhores envolvendo este contexto histórico/lendário em dramaturgia).

Após o evento que reuniu a dupla e gerou a reabertura dos Arquivos X, já temos um episódio caso da semana (que saudades…), Founder’s Mutation, que na verdade não é simplesmente um caso isolado/monstro da semana, afinal voltamos nossa atenção para manipulação genética e a relação paternidade/maternidade, o que inevitavelmente nos leva para a grande questão em aberto do “casal” Mulder e Scully, o filho de ambos, William, doado por Scully para proteção do mesmo ainda bebê. Adorei os flashbacks envolvendo memórias que os personagens não tiveram com o filho, mostrando o quanto ambos permaneceram todo este tempo solitários, notem que não há menção alguma a relacionamentos amorosos passados/atuais para os personagens, parecem que os mesmos pararam no tempo nessa questão dentro da série, bastante triste! Outro ponto que estes episódios avulsos classicamente sempre permitiam na série eram a descontração através do humor de Mulder, referências pops e, agora, auto referências e até mesmo Scully mais saidinha quando menciona que ela pertence a “Era pré-Google”.

Os Oito Odiados

21/01/2016

osoitoodiadosComeço a resenha dizendo que sou fã dos trabalhos do diretor/roteirista Quentin Tarantino, nerd, fã de cinema de gênero, Tarantino é um herói para quem curte o cinema pop recheado de homenagens e referências a clássicos, diretores e trilhas sonoras; em Os Oito Odiados, além de retornar ao thriller de confinamento/enfrentamento visto lá nos seus primórdios em Cães de Aluguel, notadamente, o roteiro de Tarantino navega por outras referências, como o óbvio western e pitadas de Agatha Christie, sem esquecer de acrescentar, mais uma vez, um microcosmos social como pano de fundo.

Assim me parece que o cinema de Tarantino vem evoluindo (mesmo nem sempre genial), seus últimos filmes, Bastardos Inglórios e Django Livre, já trabalhavam numa revisão histórica de fatos da História Americana/Mundial tendo também como pano de fundo contextos sociais, casados com a violência pertinente às épocas que o diretor não abre mão.

Em Os Oito Odiados, mesmo tendo uma primeira parte falada ao extremo, sem quase ação nenhuma, passada no interior de uma carroça (belamente fotografada e encenada), o diretor consegue transmitir com eficiência a solidão e isolamento dos personagens naquele do belo visual gélido do Wyoming. No entanto, é inquestionável o crescimento do filme com a chegada dos personagens à cabana/mercearia para fugir da nevasca que se aproxima, até este momento, fomos apresentados aos caçadores de recompensa John Hurt (Kurt Russell) e Major Marquis (Samuel L. Jackson, sempre eficiente trabalhando com Tarantino), ao misterioso xerife Chris Mannix (uma das melhores surpresas do filme, Walton Goggins, já famoso dos seriemaniácos por trabalhos nas séries Sons of Anarchy e Justified, caindo como uma luva no cinema/personagem de Tarantino) e a prisioneira Daisy Domergue (Jennifer Jason Leigh, cumprindo a cota atores renascidos em filmes do Tarantino).

Na mercearia, lindamente fotografada, retratada e, praticamente, cenário único na metade final do filme, os demais personagens nos são apresentados (Bruce Dern, Tim Roth, Demian Bichir e Michael Madsen), e um clima de conspiração, paranóia, armadilha, segredos e muita violência são explorados dali em diante. Se a primeira parte do filme peca na dinâmica, necessária para apresentar os personagens, a sequência toda na mercearia é o que de melhor Tarantino nos reserva, tanto no texto, quanto direção, cenografia e atuação, não esquecendo a trilha sonora de Ennio Morricone (mestre dos western), surpreendente ao fugir do óbvio.

A cereja do bolo do roteiro de Tarantino, que não abre mão do sarcasmo e humor negro costumeiros, é o retrato social que o diretor cria para os Eua pós Guerra Civil, se nos diálogos isso fica bem claro, principalmente, no embate entre o Major Marquis e o General Smithers, o mosaico de personagens isolados na nevasca enfatiza essa questão, reparem que temos americanos, do sul e do norte, um mexicano, um inglês e uma única mulher (criminosa, que vira o saco de pancadas dos personagens, surgindo em cena já de olho roxo, numa violência cartunesca).

OS OITO ODIADOS: 9,0

Direção: Quentin Tarantino

Com: Kurt Russell, Jennifer Jason Leigh, Samuel L. Jackson, Walton Goggins, Tim Roth, Michael Madsen, Bruce Dern e Demian Bichir. 168 min

As Séries de 2015

02/01/2016

Na televisão é um pouco mais complicado fazer um levantamento sobre os melhores do ano pois a televisão americana segue o modelo de temporadas, normalmente, trabalhado de setembro de um ano até maio do ano seguinte, assim as séries de televisão aberta (por exemplo, The Good Wife), ficam prejudicadas num levantamento em detrimento as temporadas fechadas da tevê fechada (por exemplo, Game of Thrones) e de sites de streaming (por exemplo, Narcos).

Um destaque inegável é que o ano de 2015, com certeza, pertence à Netflix, não sei se o modelo gera lucros a empresa de streaming, mas somente nessa temporada tivemos  novas temporadas ou estreias de House of Cards, Better Call Saul, Narcos, Orange is The New Black, Unbreakable Kimmy Schmidt, Daredevil, Master of None, Sense8, Jessica Jones, como bons exemplos de séries; sem contar que o canal de streaming lançou o belo fime Beasts of No Nation (com Idris Elba), logo, muito, mas muito melhor que a programação inteira da televisão aberta americana atual.

Assim, deixo aqui minhas dicas para quem quer curtir séries nem sempre tão badaladas, sempre enfatizando meu gosto pessoal para séries e propostas das mesmas, no que se refere personagens, situações e desenvolvimento dos temas propostos.

Obs.: como tenho sérios problemas em definir melhores, principalmente, um Top 5, utilizei o mais racional método que foi a nota da temporada atribuída episódio após episódio no site Banco de Séries, em seguida, deixo algumas outras dicas de séries que destaco nesse ano.

theleftovers1) The Leftovers – 2ª temporada (HBO) – após uma temporada titubeante, ainda que acima da média, mas somente equivocada em alguns pontos de seu desenvolvimento, The Leftovers retorna para 2ª temporada de uma maneira brilhante.

Há muito tempo, uma série, no caso temporada, o que me causa mais surpresa, consegue simplesmente explodir em sua proposta de desenvolvimento de maneira tão competente como aqui se apresentou. Damon Lindelof (Lost) se redime de alguns equívocos de Lost e acerta ao simplesmente responder somente questões cruciais de seus mistérios para o andamento da trama e o desenvolvimento dos personagens, e que personagens!

Comento sempre que encontro alguém que assistiu a série, da comparação inevitável, pela exibição no mesmo período de tempo, entre The Leftovers e The Walking Dead, não no que se refere ao conteúdo, mas como a abordagem similar entre elas, me refiro a episódios dedicados a determinados personagens abrindo mão de uma narrativa macro, na qual The Leftovers mostra como é possível desenvolver cada personagem sem perder o ritmo/dinâmica do arco narrativo, criando pequenas pérolas semanais, enquanto The Walking Dead apenas nos irritou.

Para finalizar, deixo como destaque a sequência arrepiante entre Nora (Carrie Coon) e Erika (Regina King) no episódio Lens s02e06.

housofcards2) House of Cards – 3ª temporada (Netflix) – sou um acompanhante tardio da série, maratonei toda ela este ano, assim tudo ainda esta muito fresco na minha memória.

Nesta temporada, destaco o belo trabalho de Robin Wright, ganhando muito espaço com sua Primeira Dama em dramas pessoais, como na questão envolvendo o prisioneiro na Russia e o conflito com  Frank na reta final, assim como profissionais quando sua ascensão ao cargo de diplomata na ONU. Além disso, Wright ainda dirigiu episódio nessa temporada.

Já Frank Underwood, de Kevin Spacey, esteve menos descontrolado nessa temporada devido seu cargo máximo no país (Presidente), e menos irônico, porém o caminho que parece que haverá na 4ª temporada, em seu embate com o candidato republicano, promete muito mais do que conspirações intra palacianas. Confesso que gostei de Frank não estar tanto na ação como nas temporadas passadas, prefiro ele lhe dando com as questões políticas e bastidores do poder. Michael Keely também teve um desenvolvimento maior nessa temporada, porém seu arco na reta final, ainda envolvido com aquela garota, me decepcionou um pouco.

Aqui o destaque fica para o episódio Chapter 32 s03e06, já referido acima, aquele no qual os Underwood vão à Rússia negociar a soltura de um prisioneiro de origem americana. Uma pérola!

Hannibal3) Hannibal – 3ª temporada (NBC) – o que dizer da minha série predileta destes últimos anos, Hannibal para mim é tudo que um bom fã de suspense psicológico pode querer (viu, Criminal Minds!); uma trama com ótimos personagens, uma carga psicológica pesada e uma violência gráfica/estética/artística inimaginável para um canal de televisão aberta americano.

Gostei que a série soube (devido seus problemas de audiência) terminar sua temporada sem necessariamente deixar pontas soltas, Hannibal nunca foi uma série fácil de acompanhar, optou pelo caminho difícil ao cobrar de seu espectador estômago e contemplação para suas loucuras e devaneios de seu protagonista. Parabéns, mais uma vez para Bryan Fuller!

Numa temporada, claramente, dividida em dois arcos, a captura de dr. Hannibal e o surgimento do assassino Fada dos Dentes, já explorada na mitologia cinematográfica do personagem, o desfecho e enfrentamento dos três personagens, Hannibal, Will e Dolarhyde foi o grande destaque da temporada no episódio The Wrath of the Lamb, s03e13. Imperdível!

narcos4) Narcos – estreia (Netflix) – uma das grandes vantagens de canais streaming é ter mais facilidade para parcerias em busca de públicos-alvos, no caso, de Narcos, além do mercado americano, obviamente, toda América Latina e o Brasil (não por acaso, o escolhido do diretor José Padilha, foi o brasileiro Wagner Moura).

Apesar de algumas falhas no elenco, sim estou falando do agente americano Steve Murphy (Boyd Holbrook), e a miscelânea de sotaques, a trama verídica de Narcos é acima de tudo muito atual, afinal de contas o que mudou desde o surgimento de Pablo Escobar nos anos 80? É muito simples fazer um retrato que ocorre ainda hoje no Brasil e nos demais países que enfrentam o grave problema do narcotráfico.

Caprichada produção, elenco competente e trama absurdamente incrível.

Destaque da temporada La Catedral, s01e09, episódio no qual vemos a “prisão” de Pablo e seus companheiros, risível!

veep5) Veep – 4ª temporada (HBO) – minha comédia predileta nestes últimos anos, Veep ainda consegue criar cenários para a desastrosa Selina Meyer (Julia Louis Dreyfus ainda, impecável), agora Presidente em busca da reeleição, arco da temporada.

A adição de Hugh Laurie, como vice-presidente Tom James na chapa de Selina foi mais um acerto dos produtores, sem menor sombra de dúvidas o elenco de Veep é o melhor de todas as sitcoms no ar, todos têm espaço, piadas e momentos hilariantes a cada episódio, com especial destaque para Anna Chlumsky, como Amy, nesta temporada.

O destaque da temporada foi o episódio Testimony, s04e09, no qual Selina e sua equipe são “entrevistados” por membros de uma Comissão do Congresso devido a vazamentos de dados e o programa Families First. Inesquecível!

Demais séries em destaque nesse ano (por ordem alfabética):

  • Better Call Saul (1ª temporada) – canal AMC/Netflix
  • Bloodline (1ª temporada) – Netflix
  • Fargo (2ª temporada) – canal FX
  • Game of Thrones (5ª temporada) – canal HBO
  • Grey’s Anatomy (12ª temporada) – canal ABC
  • How To Get Away With Murder (2ª temporada) – canal ABC
  • Humans (1ª temporada) – canal AMC
  • Jessica Jones (1ª temporada) – Netflix
  • Law & Order – SVU (17ª temporada) – canal NBC
  • Mr. Robot (1ª temporada) – canal USA
  • Orange is The New Black (3ª temporada) – Netflix
  • Penny Dreadful (2ª temporada) – canal Showtime
  • Rectify (3ª temporada) – canal Sundance
  • Sense8 (1ª temporada) – Netflix
  • Silicon Valley (2ª temporada) – canal HBO
  • Survivor (31ª temporada) – canal CBS
  • The Affair (2ª temporada) – canal Showtime
  • The Good Wife (7ª temporada) – canal CBS
  • The Last Man On Earth (2ª temporada) – canal FOX
  • The X Factor UK (12ª temporada) – canal ITV
  • Transparent (2ª temporada) – Amazon
  • UnReal (1ª temporada) – canal Lifetime

Beasts of No Nation (Netflix)

21/10/2015

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Ao surgir como plataforma para transmissão de conteúdo streaming anos atrás dificilmente acreditaria que em pouco tempo o Netflix, primeiro criaria conteúdo para exibição própria como séries e desenhos (Orange Is the New Black, House of Cards, entre outros), em busca de reconhecimento e popularização, já arrebatando prêmios importantes, para, num segundo momento, expandir ainda mais seu conteúdo ao criar e/ou exibir em parceria filmes inéditos no circuito exibidor tradicional (cinema/home video/televisão).

Tendo alguns contratos e filmes já viabilizados nesse momento (se não me engano, com o ator Adam Sandler serão quatro filmes lançados) para exibição nos próximos meses, espero que o Netflix aposte em produções do calibre desta primeira, Beasts of No Nation, pois comédias idiotas do tipo de Adam Sandler já encontram espaço no circuito exibidor, em contraponto, um filme como Beasts of No Nation dificilmente são produzidos com dinheiro americano e, se são, poucas vezes conseguem ser tão relevantes e verossímeis como o roteiro e a direção de Cary Joji Fukunaga, mais conhecido pela visão por trás da 1ª temporada de True Detective (diretor de todos episódios).

Antes de comentar sobre Fukunaga, acho importante apontar a escolha do elenco do filme, um trabalho belíssimo e competente de preparo do mesmo, principalmente, se levarmos em conta, que a única figura conhecida é o ator inglês Idris Elba (conhecido dos fãs de série pela ótima série Luther), já os demais praticamente amadores. No entanto, lembrando inclusive nesse ponto nosso filme mais reconhecido Cidade de Deus, o elenco jovem rouba a cena ao transmitir inocência, pavor, resiliência e esperança, com total destaque para o protagonista Abraham Attah (Agu), lembrando a boa repercussão do trabalho de Barkhad Abdi em Capitão Phillips, que lhe rendeu uma indicação ao Oscar daquele ano de ator coadjuvante. Será que Abraham consegue o mesmo feito essa temporada?

Depois de assistir Beasts of No Nation até dá para desculpar Cary Joji Fukunaga pelo seu afastamento da 2ª temporada de True Detective, inclusive, é fácil observar como a trabalho em todos os episódios da magnífica primeira temporada fizeram falta nessa segunda (desculpa aí Nic Pizzolato!). Dito isso, Fukunaga além de dirigir e roteirizar também foi o diretor de fotografia do projeto, lembrando como vários críticos apontaram ares de “Terrence Malick” nas sequências da floresta. O trabalho do diretor é duro, inclusive graficamente pelos genocídios expostos, mas, ao mesmo tempo, não abre mão de ilustrar a inocência daqueles crianças miseráveis perdidas numa guerra civil sem sentido e de lados obscuros, como na bela e cômica sequência inicial tendo uma caixa de televisão como brinquedo.

Concluindo, fica a expectativa de saber como a Academia e seus integrantes (que repercutirá no Oscar, obviamemte) irão reagir ao filme no sentido de não ser lançado de maneira tradicional (mesmo que tenha conseguido exibição na telona, em circuito restrito), ficará a favor dos exibidores ou apostará na popularização inevitável desse meio, inclusive no sentido de conseguir arrebatar um público mais jovem e antenado as novas mídias? Será interessante observar essa questão.

Primeiras Impressões: Code Black & The Player

07/10/2015

Vamos atualizando os pilotos da Fall Season 2015:

CODE BLACK (canal CBS)

Na história, um jovem médico acaba de se unir à equipe de Pronto Socorro de um hospital em Los Angeles. Lutando contra os problemas do sistema, eles tentam manter seus ideais intactos e ajudar seus pacientes. O título refere-se a um código utilizado nas salas de emergências quando um hospital está sobrecarregado de pacientes, sem chances de atender a todos.

No corpo médico estão Christa (Bonnie Somerville), uma ex-jogadora de basquete, cujo filho faleceu de câncer. Esta experiência a levou a se tornar mais cuidadosa e dedicada a seus pacientes que foram diagnosticados com a mesma doença; Dra. Malaya (Melanie Kannokada, de The Brink), uma nova residente; Dra. Leanne (Marcia Gay Harden, de Trophy Wife), diretora do Pronto Socorro; José Santiago (Luis Guzmán, de How To Make It in America), o enfermeiro mais antigo do Pronto Socorro e responsável pelos quatro novos residentes…

CodeBlackCasualmente no momento que escrevo sobre a série ela estreia no canal Sony, uma pena que não fará parte da minha watchlist sendo exibida quase simultaneamente com os Eua, pois Code Black não aparenta ter uma preocupação maior do que ser um E.R (Plantão Médico) revisto sobre o olhar do caos, o melhor elogio que consigo fazer a série é sua verossimilhança e preocupação em transmitir verdade no contexto atendimento de emergência, tudo parece muito real no que se refere à cenários e técnicas, no entanto, como estamos falando de uma série cadê a dramaturgia? Cadê os conflitos médicos e a apresentação dos pacientes “da semana”?

A série me chama mais a atenção pelo tumultuado bastidor no qual a atriz Maggie Grace (de Lost) largou a série aos 45 minutos do 2º tempo fazendo como que houvesse uma troca de personagens, no caso a atriz Marcia Gay Hardem (muito bem em cena), assumiu o papel de protagonista (envelheceram a personagem) onde anteriormente faria um coadjuvante de luxo e contrataram a atriz Bonnie Sommerville para fazer uma médica “novata”. Isso possivelmente atrapaçha a série nesse início, pode ser que consiga superar esses problemas dramatúrgicos, mas para mim ainda há Grey’s Anatomy para ser minha série médica.

THE PLAYER (canal NBC)QUANTICO

Alex Kane, um agente de operações especiais que se tornou um expert em segurança, não consegue capturar o assassino de sua ex-esposa, Ginny. Em busca de justiça, o caminho de Kane cruza com o de uma organização obscura chamada House, liderada pelo Sr. Johnson e por Cassandra King. De maneira relutante, Kane une forças com a organização de elite, cujos membros apostam se ele pode ou não evitar crimes futuros..

Acho incrível como os produtores e roteiristas têm dificuldade em criar uma simples série de ação/aventura. Aqui temos mais um caso, The Player conta com dois protagonistas, inicialmente, bem representados Wesley Snipes (dispensa apresentações) e Philip Winchester (da série britânica Strike Back), uma coadjuvante inglesa clichê de mulher fria e misteriosa, porém o argumento para a ação é risível beirando o nonsense, o que o torna engraçado. A ação se passar em Las Vegas podia criar um charme as locações, porém os roteiristas somente pensaram em criar uma organização que faz “apostas” num contexto completamente irrelevante.

O piloto começa estranho, tentando apresentar o protagonista feliz ao lado da esposa, somente para matá-la e jogar o mesmo numa trilha de vingança onde acaba se juntando à organização de Snipes por motivos que não são compreensíveis apesar do roteiro achar que sim; depois da apresentação é possível notar que os elementos do cinema de ação estão presentes de maneira adequada e acima da média, porém ao final, criam uma possível mitologia para a série que afunda qualquer boa vontade de acompanhá-la. Boa sorte aos resistentes!

CSI – 16ª temporada (finalizada)

06/10/2015

Como é bacana quando um canal (CBS),  os produtores e os roteiristas respeitam os fãs que arrebanharam durante um longo tempo, uma relação que durou de 16 anos no meu caso. Uma das séries mais antigas ainda em exibição (perdendo somente para The Simpsons e Law & Order SVU), CSI foi um marco na época de ouro da televisão americana (idos dos anos 2000), como uma das séries mais assistidas em todo mundo, soube oxigenar os dramas policiais ao adicionar os bastidores periciais na investigação de um crime (abrindo mão das testemunhas), com acesso a tecnologia e uso de diversos efeitos especiais até então não “característicos” de séries de televisão, inclusive, popularizando a profissão de perito criminal.

csi

Para comemorar, os roteiristas trouxeram os maiores ícones do elenco original: William Petersen e Marg Helgenberger; uma pena George Eads ter tido conflitos com a produção, mas em compensação, trouxeram uma das personagens coadjuvantes mais clássicas da série, Lady Heather, criando um caso ok para o episódio, envolvendo os personagens referidos, explosões, cassinos e entomologia (para os saudosistas fãs de Grisson).

Claro que, infelizmente, pela pouca duração (90 min), muito ficou de fora ou é apresentado apressadamente, como por exemplo a irrelevância de Greg (Eric Szmanda, um dos personagens originais) e dos atuais CSIs, a simplicidade da trama beirando o banal (inclusive a resolução, afinal como especialista da série, assim que surgiu os suspeitos já sabia quem era o culpado).

Contudo, o roteiro apostou suas fichas no triângulo Grisson-Sara-Lady Heather e, em segundo plano, o retorno de Catherine à Vegas, inclusive com a chegada de sua filha ao laboratório (que rende a melhor piada do episódio). Mesmo assim, nada supera a presença de Grisson em cena, além de ganhar uma storyline dramática/romântica, o personagem é relevante na investigação, com direito a trabalho de campo com abelhas. Mesmo não sendo o desfecho dos sonhos (faltou um caso forte, como os famosos serials killers já mostrados), o episódio apostou na nostalgia e nos fãs dos personagens retornantes, nesse momento, percebe-se a falta que o Grisson fez a série e, não necessariamente, por culpa de suas substitutos, mas sim pelo carisma do ator/personagem.


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