Grandes Olhos

13/02/2015

grandes

Mesmo parecendo abrir mão de sua assinatura visual, o diretor Tim Burton, não deixa de buscar uma trama com destaque cênico, o mundo das artes, no entanto, para deixar o filme mais pomposo o diretor podia ter combinado com o roteirista uma maneira de encontrar um maior equilíbrio na biografia de Keane.

Digo isso, porque o tom cômico que, por diversas vezes, soa caricatural, principalmente na figura criada por Christoph Waltz, que me parece de verdade um ator taratinesco, funciona que é uma maravilha nas mãos de Quentin Tarantino, já com outros diretores me parece sempre dois tons acima do que o papel lhe requisita; já Amy Adams, mais natural, parece presa numa personagem subserviente demais, segundo o retrato do próprio filme, ficando difícil torcer pela personagem.

Mesmo com esses contratempos, confesso que gosto de ver Tim Burton diversificando sua filmografia, mesmo que longe de um dos meus filmes prediletos do diretor, outra cinebiografia, Ed Wood, Grandes Olhos prova que Tim Burton pode ser um diretor simplesmente “contador de histórias”, não somente um “contador de histórias bizarras com visual rebuscado”, mas renderia muito mais se o roteiro colaborasse, assim justificou-se a ausência do filme na temporada de premiações (quando no início de 2014 nascia burburinho em torno do mesmo).

Grandes Olhos: 5,0

Direção: Tim Burton

Roteiro: Scott Alexander e Larry Karaszewski

Com: Christoph Waltz, Amy Adams, KrYsten Ritter, Jason Schwartzman, Danny Huston, Terence Stamp. 106 min

Para Sempre Alice

08/02/2015

parasemprealice

“Arte de perder”

Não é a primeira vez que o cinema americano mergulha num dos piores males que pode atingir a saúde humana: a doença degenerativa, no caso específico do filme, o Mal de Alzheimer. Recentemente, um filme que também chegou ao Oscar, dirigido com beleza e delicadeza pela atriz Sarah Polley, Longe Dela, rendeu indicações ao roteiro (também da atriz/diretora), e atriz principal, para a veterana Julie Christie (sendo que indicava fácil, fácil o ator Gordon Pinsent, como protagonista masculino).

Se em Longe Dela, tínhamos a narrativa sob o olhar do marido que vê a esposa sendo “levada” pela enfermidade, em Para Sempre Alice, o roteiro centra a rotina na decadência física e intelectual da própria vítima, a professora de linguística, Alice Howland, portadora de um Mal de Alzheimer precoce e congênito, descoberto após alguns problemas como esquecimentos.

O foco da trama centrado em Alice, inicialmente em sua rotina na Universidade e com a família, vai sendo substituído pelas dificuldades neurológicas que vão surgindo paulatinamente, inicialmente, com perda de raciocínio e geográfica até um simples jogo de palavras do smartphone. Onde o roteiro falha é na construção dos familiares de Alice, principalmente, na filha mais velha, Anna (Kate Bosworth, num momento Renee Zellweger, com aparência “freak”), que surge em cena sempre como a filha arrogante, rasa e chata, poderiam (todos) render mais.

No entanto, como o filme gira no entorno de Julianne Moore, cito uma sequência que me emocionou e me fez rir devido ao contexto todo, Alice, já sob domínio do Alzheimer, vê num notebook um vídeo de Alice ainda sã, e no qual ela sugere um suicídio medicamentoso à sua versão enferma, a Alice enferma tenta por diversas vezes lembrar das instruções da Alice sã, mas em vão, já que a mesma rapidamente esquece as instruções; a sequência que parece cômica, na verdade, cria o grande contraponto entre a vivacidade da personagem Alice pré-doença com a passividade fria da Alice enferma, um trabalho digno de Moore, atriz merecedora de um Oscar há anos.

Para Sempre Alice é um drama simples, tocante e bastante triste.

Para Sempre Alice: 7,0

Direção: Richard Glatzer e Wash Westmoreland

Com: Julianne Moore, Alec Baldwin, Kristen Stewart, Kate Bosworth, Shane McRea, Hunter Parrish. 101 min

Balanço da Temporada – The Killing (4ª temporada)

10/08/2014

TheKilling-cartazHá algum tempo não redijo um texto sobre um balanço da temporada que não esteja na própria página da qual descrevo “episodicamente” minhas impressões sobre as dezenas de séries que acompanho, no entanto, me senti impelido a fazê-lo em função da última temporada da The Killing, que pela segunda vez retorna do cancelamento (a primeira vez, entre a 2ª e a 3ª temporada), agora com apoio do site Netflix em parceria com o canal AMC; retorno este com somente 6 episódios que repercutem as consequências do ato de Linden e acrescentam um novo crime a ser investigado pela dupla, Linden e Holder, o homicídio de quatro membros de uma família havendo um jovem sobrevivente.

****spoilers

Ao final, sentimentos contraditórios, em geral, gostei dos desfechos dos arcos da temporada, mas ficou um gostinho “de quero mais”, principalmente, se pensarmos que The Killing é um procedural, simplesmente uma série policial, porém com protagonistas riquíssimos. Voltando à trama, apesar de ainda achar que Reddick descobriu as peças do desaparecimento de Skinner de uma maneira muito rápida, o desfecho político do caso, trazendo novamente o prefeito Richmond, das duas primeiras temporadas, fecha um ciclo bastante coeso dentro da trama e verossímil, pois ninguém conseguiria pagar a conta de ter um tenente (delegado, no nosso caso) como um serial killer do próprio caso do qual era responsável pela investigação, em sua gestão.

Sobre o caso da temporada envolvendo os Stansbury, com a descoberta da maternidade da Coronel Rayne (show de Joan Allen), ficou bastante claro para mim o envolvimento de Kyle, no entanto, não imaginava seu trauma e abandono no ventre familiar, sequências fortes e ótimos diálogos entre ele e Sarah.

Mas o grande destaque temporada foi o desenvolvimento do relacionamento de Sarah e Holder, parceiros/confidentes/cúmplices, o casal, o qual nunca shippei como alguns, tiveram nesta series finale algumas das melhores sequências da série; Sarah teve a oportunidade de revelar ao parceiro as consequências de um lar desfeito, seja sua dificuldade em lhe dar com o filho, faltando-lhe carinho e apreço por Jack, quanto aceitar o surgimento de sua mãe, assim Holder com a chegada da paternidade teve o discernimento de observar como uma família pode salvar ou condenar uma pessoa (vide o caso dos Stansbury).

Excelentes diálogos, atores impecáveis (Mireille Enos mais uma vez para a temporada de prêmios, se não me engano concorrendo na categoria minissérie, deve levar fácil), fotografia e trilha fechando o ciclo de uma série que, agora sim, teve um final muito, mas muito digno e relevante. E como isso é importante para um série maníaco (viu, produtores de Dexter!)

Destaques da Quinzena em DVD/BluRAy (16 à 30/06)

05/07/2014

alabamamonroeAlabama Monroe: Elise (Veerle Baetens) e Didier (Johan Heldenbergh) apaixonam-se à primeira vista, apesar de suas diferenças. Ele fala, ela ouve. Ele é um ateu romântico, ela é uma realista religiosa. Quando sua filha fica gravemente doente, seu amor é levado a julgamento. Indicado ao Oscar 2014 de Filme Estrangeiro, representando a Holanda, tem conquistadado boas críticas por onde passa.

euevoceEu & Você: Lorenzo tem 14 anos e elaborou um plano para que possa passar as férias de verão sozinho no porão do seu prédio. Ele planejou tudo: onde vai dormir, o que fazer e já há algum tempo está estocando comida no local. A ideia é que sua mãe pense que ele está numa viagem de colégio, de forma que não o aborreça durante este período. O que ele não contava era que sua meia-irmã Olivia surgisse de repente, acabando com a paz do garoto. Viciada em drogas e buscando um lugar para ter um pouco de paz, Olivia acaba chantageando Lorenzo para que fique com ele no porão. Filme que passou em branco nos cinemas, mas pertence ao “mestre” Bernardo Bertolucci, o que o torna obrigado aos cinéfilos!

paisefilhosPais e Filhos: Ryoata é um arquiteto obcecado com o sucesso profissional, que forma com a jovem esposa e o filho de 6 anos uma família ideal. Sua vida sofre uma grande transformação quando descobre que está criando o filho de outro homem há seis anos, já que seu filho biológico foi trocado por engano na maternidade. Filme japonês que fez uma rápida carreira nos nossos cinemas, mas que deve encontrar seu público alvo agora no home video.

omordonoO Mordomo da Casa Branca: 1926, Macon, Estados Unidos. O jovem Eugene Allen vê seu pai ser morto sem piedade por Thomas Westfall, após estuprar a mãe do garoto. Percebendo o desespero do jovem e a gravidade do ato do filho, Annabeth Westfall decide transformá-lo em um criado de casa, ensinando-lhe boas maneiras e como servir os convidados. Eugene cresce e passa a trabalhar em um hotel ao deixar a fazenda onde cresceu. Sua vida dá uma grande guinada quando tem a oportunidade de trabalhar na Casa Branca, servindo o presidente do país, políticos e convidados que vão ao local. Entretanto, as exigências do trabalho causam problemas com Gloria, a esposa de Eugene, e também com seu filho Louis, que não aceita a passividade do pai diante dos maus tratos recebidos pelos negros nos Estados Unidos. Ponta baixo da curta carreira de Lee Daniels, desde Matadores de Aluguel, passando por Preciosa até o recente Obsessão, mesmo contando com um elenco estrelar, capitaneado por Forest Whitaker, Daniels não consegue controlar o tom épico/histórico do mordomo que acompanha inúmeros presidentes americanos durante décadas, uma pena, tentaram fazer uma versão de Forest Gump e não funcionou, na verdade, nada funciona direito em cena.

pompeiaPompeia: Milo (Kit Harrington) é escravo em um navio rumo a Nápoles, que luta para salvar a mulher que ama e seu melhor amigo, um gladiador preso dentro coliseu da cidade. Como se os dramas ainda não bastasse, ele terá que lidar com uma terrível erupção vulcânica que pode destruir sua cidade para sempre. Novamente Paul W. S. Anderson (da cinessérie Resident Evil) prova ser um diretor muito abaixo da qualquer expectativa, aqui fazendo um misto de Gladiador com Titanic, previsível!

oquefazerO Que Fazer?: Um médico revela a seu paciente (Robin Williams) diagnosticado com paranóia agressiva que ele tem apenas 90 minutos de vida. Ainda sugere que ele deveria ir desculpar-se com todos que ele tenha brigado durante seus últimos momentos de vida. Filme que chama atenção, inédito em nossos cinemas, pelo elenco, nomes como Williams, Mila Kunis, Melissa Leo e Peter “Tyrion Lannister” Dinklage.

cacadoresCaçadores de Obras Primas: Baseado no livro homônimo de Robert M. Edsel, filme conta a história de um grupo de militares especialistas, selecionados pelo governo dos EUA para recuperar obras de arte roubadas pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. Uma pena que George Clooney, ator/diretor/roteirista, não tenha encontrado o tom ideal para sua aventura histórica com fortes doses de comédia, tornando-o irregular em diversos momentos, tanto que a própria narrativa se divide em diferentes plots (assim perdendo dinâmica), menos mal que o elenco compensa.

ograndeheroiO Grande Heroi: Baseado na operação Red Wings realizada por membros dos Navy SEALs em 2005, o filme acompanha a missão de perseguição e captura do líder Taliban Ahmad Shahd em um cenário hostil e surpreendente, no qual os soldados norte-americanos se veem cercados e precisam fazer de tudo para sobreviver. Novo filme bélico de Peter Berg, após Battleship, que conta uma trama até certo ponto interessante, verídica, mas que para variar pesa a mão no tom patriótico, principalmente em sua reta final, mesmo assim, possui aspectos técnicos, como o som, bastante competentes.

entrenosEntre Nós: Isolados numa casa de campo, jovens amigos decidem escrever e enterrar cartas destinadas a eles mesmos, para serem abertas dez anos depois. Porém, após uma tragédia ocorrida naquele mesmo dia, os amigos ficam dez anos sem se ver. Agora, este reencontro irá trazer à tona antigas paixões, novas frustrações e um segredo mal enterrado. Filme nacional dirigido e roteirizado por Paulo Morelli que foge do habitual no cinema atual, sim, não se trata de uma comédia, muito pelo contrário, parece aqueles filmes americanos sobre reencontro de gerações de amigos para “lavar a roupa suja” do passado. No mínimo, curioso!

robocopRobocop: Na Detroit de 2027, a empresa local Omnicorp quer colocar robôs para patrulhar as ruas norte-americanas, mas a opinião pública é contra. Quando um policial se fere gravemente, retorna à vida como um poderoso ciborgue na luta contra o crime, mas sua humanidade é um problema para a corporação, assim como sua eficiência. Acredito que Jose Padilha conseguiu imprimir uma nova roupagem ao clássico oitentista de Paul Voerhoven, a escolha de Joel Kinnaman, a abordagem atual e forte crítica social funcionam em cena!

umaaventuralegoUma Aventura Lego: Emmet (Chris Pratt) é uma figura LEGO perfeitamente comum e seguidora das regras, que é erroneamente identificado como uma pessoa extraordinária, essencial para salvar o mundo. Ele é recrutado por uma irmandade de estranhos para uma jornada épica com a finalidade de impedir um tirano, uma viagem para a qual Emmet está irremediável e hilariamente despreparado. Como companheiros dessa aventura, ele terá Vitruvius (Morgan Freeman), um velho místico, e a durona Lucy (Elizabeth Banks), que convoca o misterioso Batman (Will Arnett), com quem compartilha uma história do passado. Mesmo sendo um dos maiores sucessos desse ano, a animação me pareceu muito cansativa, mesmo contando com um roteiro com tiradas espertas.

profissaoProfissão de Risco: Jack (John Cusack) precisa entregar uma misteriosa sacola a Dragna (Robert De Niro) e recebeu recomendações para não olhar, de maneira alguma, o que estava dentro dela. Disposto a cumprir a tarefa, ele vai encontrá-lo em um motel de beira de estrada. O que diabos estão fazendo com suas carreiras Jonh Cusack e Robert DeNiro? Se alguém puder me responder.

Destaques da Quinzena em DVD/BluRay (02 à 13/06)

13/06/2014

clubedecomprasClube de Compras Dallas – um dos grandes ganhadores do Oscar 2014, levou os prêmios de melhor ator para Matthew McCounaghey e melhor ator coadjuvante para Jared Leto, ambos muito bem em cena, porém, em papéis típicos de ganhadores de Oscar, um machão em busca de redenção e um travesti, respectivamente. Além disso, a direção é do canadense Jean-Marc Valleé, responsável pela agradável surpresa C.R.A.Z.Y -Loucos de Amor e A Jovem Rainha Vitória. O filme em si é um retrato dos anos iniciais do tratamento do vírus HIV, em 86, confesso que após ver The Normal Heart, o quadro fica melhor ilustrado, o grande mérito do filme é mesmo seus atores. A trama mostra a história de Ron Woodroof (Matthew McConaughey), consumidor de drogas, amante de mulheres, homofóbico, que, em 1986, foi diagnosticado com aids e recebeu a sentença de 30 dias de vida. A partir daí, sua luta pela vida intensificou-se e, quase à beira da morte, ele foi em busca de medicamentos alternativos fora do país já que o único remédio legal nos Estados Unidos para combater a doença, na época, era o AZT. Com a ajuda de sua médica, dra. Eve Saks (Jennifer Garner), e do travesti Rayon (Jared Leto), portador do HIV, Woodroof criou clubes em que as pessoas pagavam por esses tratamentos alternativos, o que levou as indústrias farmacêuticas dos Estados Unidos a travarem uma guerra contra ele. Woodroof morreu em 12 de setembro de 1992, seis anos após o diagnóstico fatal.

operacaosombraOperação Sombra – Jack Ryan – enquanto todos os estúdios procuram uma franquia de ação para chamar de sua, incluindo os estúdios que possuem direitos sobre os herois em quadrinhos, a Paramount resolveu fazer um reboot (novamente) do agente Jack Ryan, já interpretado por Harrison Ford e Ben Affleck, em três filmes anteriores; aqui, vemos Chris Pine (já envolvido com a franquia Star Trek) assumindo o papel de Ryan, tendo como interesse romântico Keira Knightley, Kevin Costner como mentor (jura?) e Kenneth Branagh como vilão e, também,  diretor (diga-se de passagem, se mostrando como um diretor operário padrão, lamentável, sem pensarmos no diretor shakespereano que o ator vinha mostrando nos cinemas). Resultado irregular e dificilmente a franquia engrena novamente. Na trama, Jack Ryan (Chris Pine), um jovem analista da CIA, descobre plano russo para travar a economia dos EUA, com um ataque terrorista. Depois de deixar a Marinha e se tornar consultor financeiro de um bilionário, o agente é forçado a voltar à ativa para impedir o plano de seus algozes.

sosS.O.S Mulheres ao Mar – comédia romântica nacional com o casal da novela global, a carismática Giovanna Antonelli e Reinaldo Gianecchini, tendo como alívios cômicos as atrizes Thalita Carauto e Fabíola Nascimento, a direção é de Chris D’amato. Na trama, decidida a reconquistar seu ex-marido, a bela Adriana (Giovana Antonelli) embarca em um cruzeiro. O que ela descobre é que ele tem uma nova namorada, dessa vez famosa e estrela de TV. Durante o passeio, ela vai aprender que pode encontrar novos caminhos e soluções para sua vida.


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