Balanço da Temporada: Orange is the New Black – 3ª temporada

02/07/2015

Ainda não me acostumei ao novo jeito de ver séries perpetrado pelo Netflix, temporada corrida com todos episódios disponibilizados; confesso que nunca fui fã de maratonas de séries, sempre preferi conferir semanalmente episódio por episódio com tempo para reflexão-sofrimento-alegria que eles podem gerar. No entanto, quando uma série seduz a gente não há como evitar de assistí-la diariamente (como um bom brasileiro e sua tradicional novela), este foi o caso de Sense8 (ainda preciso escrever sobre ela) e Orange is the New Black, em sua terceira temporada.

orangeOrange é uma série que alcançou um status positivo desde sua temporada de estréia e ratificou essa condição na segunda temporada (méritos de sua criadora e roteirista Jenji Kohan), seja pela temática inédita, seja pelo competente elenco reunido, seja pela abordagem de temas caros ao universo feminino e pelo equilíbrio entre drama e comédia; dito isso, começo a resenha chamando a atenção para, talvez, o único equívoco grave da temporada, a falta de um arco que, de alguma maneira, conectasse as personagens do presídio de Litchfield.

Na primeira havia a chegada e o olhar de Piper (protagonista) para aquele universo, na segunda, o retorno de uma presidiária, Vee (excelente participação da atriz Lorraine Toussant), que servia de grande antagonista na trama sendo que ela passava por vários núcleos nesse contexto; assim, na terceira temporada, ressenti por um elo de ligação ou mesmo personagem que transitasse entre os diferentes núcleos da série, talvez a oportunidade seria se a privatização de Litchfield fosse tratada de maneira universal atingindo a todos personagens de maneira orgânica e não somente o setor administrativo do presídio (Caputo e os demais guardas).

Agora se não tivemos um grande arco sendo trabalhado na temporada, essa temporada ficará conhecida como a queda da protagonista da série (Piper) em prol de um destaque maior ao grande elenco coadjuvante da série (observem que Piper não teve sequer flashbacks nessa temporada), assim houve storylines muito bem trabalhadas como os traumas de Pennsatucky (Taryn Manning se descolou do papel de antagonista de Piper de uma maneira incrível) e as questões religiosas, seja através do grupo de presidiárias afrodescendentes, que tenta fugir da comida industrial apelando aos direitos legais dos judeus – uma dieta especial, ou as seguidoras de Norma, a mudinha hippie com toque especial. Para notar a importância de Pennsatucky nessa temporada, somente a personagem levantou questões como aborto e estupro em sua jornada.

Houve outras storylines que oportunizaram destaques a dezenas de personagens, tanto dramáticas quanto cômicas (o tráfico de calcinhas de Piper foi uma delas), porém me incomodou um pouco a troca de papéis entre Piper e Alex, ressenti que a personagem de Alex ficou muito melindrosa em comparação com as temporadas passadas, aproveito para comentar que nenhuma personagem estreante dessa temporada se destacou (tô falando de Lolly e Stella), mas já vislumbramos que na próxima temporada haverá novas personagens com destaque para a chegada de uma detenta famosa, a apresentadora de tevê Judith King (papel de nossa querida Blair Brown, Nina Sharp de Fringe).

Obs.: teve um “fan service” dos roteiristas nessa temporada que saltou aos olhos, toda a boa repercussão de Uzo Aduba e sua Crazy Eyes nas temporadas anteriores fizeram com que nessa terceira temporada os roteiristas lhe reservassem uma storyline para chamar de sua, um roteiro bem louco como a personagem, merecido!

Obs. II: para mais detalhes de cada episódio, só dar uma espiada na aqui página da série.

Primeiras Impressões: Mr. Robot (canal USA)

04/06/2015

O bacana em não se ter expectativas sobre uma série, inclusive sem ter visto um único teaser ou trailer, é a agradável surpresa de ser surpreendido positivamente. Ainda mais, quando a série é de um canal de tevê à cabo (canal USA) taxado como um canal descompromissado com qualidade (não que não possua) e que aposta em séries procedurais de aventura/comédia/romance renovadas “ad eternum”, como, por exemplo, Monk, Psych, White Collar e, recentemente, Suits.

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A série em questão é Mr. Robot (com estréia prevista para 24/06), que teve o piloto liberado (mais um), o que se mostrou um acerto pois a série conseguiu, pelo menos em seu piloto, entregar uma trama bastante original, intensa e trabalhada com profundidade, dramaticamente falando. O grande acerto do piloto foi sem dúvida a maneira acertada com a qual somos apresentados ao protagonista Elliot (interpretado pelo expressivo Rami Malek), um sujeito que sofre de fobia social que é um programador de uma empresa de segurança em informática; conhecemos Elliot em sua rotina tanto no trabalho quanto pessoal, sua obsessão em ajudar as pessoas que gosta, desde descobrir as “sujeiras” de pessoas próximas aos seus “amigos” (no piloto ilustrados pela sua paixonite na empresa e sua psicóloga) até criminosos como pedófilos da internet, atuando como um justiceiro.

Além de construir Elliot com propriedade, o roteiro do piloto mostra uma trama que parece ser o arco da temporada, envolvendo uma corporação cliente da empresa de Elliot, aqui faço uma pausa para “chutar” que a série será um “procedural” contando com um arco como pano de fundo, a ser trabalhado durante toda temporada, assim como nos apresenta, apenas rapidamente, Mr. Robot (Christian Slater), que parece ser um hacker disposto a derrubar grandes corporações, que entra na vida de Elliot fazendo-lhe um convite.

Dirigido com competência pelo dinamarquês Niels Arden Oplev, responsável pelo primeiro filme da trilogia policial Millenium, O Homem que Não Amava as Mulheres, em sua versão europeia, que coincidentemente também tinha como protagonista um hacker, no caso, uma mulher, a famosa Lisbeth Salander; o diretor constrói de maneira adequada o universo de Elliot, privilegiando a conspiração e o imediatismo do tema informática/internet sem abrir mão da verossimilhança e sem apelar para didatismos desnecessários e repetitivos.

Fazia algum tempo que um piloto não me empolgava tanto, produção para ficar de olho nessa Summer Season que se inicia.

Primeiras Impressões: Supergirl (canal CBS)

28/05/2015

Acompanhando o mundo das séries televisivas há mais de 10 anos, confesso que me divirto com os episódios pilotos ditos “vazados” na web, que é um truque que os canais de televisão utilizam para medir a repercussão nas mídias sociais da série estreante. Claro que, se a série for muito xingada, ainda resta um tempo hábil para trabalhar no piloto e, principalmente, nos episódios seguintes. Um exemplo recente foi feito pelo canal NBC, na temporda 2014/15, com a já cancelada série Constantine, de repercussão ruim no piloto vazado, houve até mesmo troca de atriz em personagem coadjuvante, o que não foi o suficiente para salvar a série do cancelamento após uma temporada de 13 episódios.

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Essa política de divulgação “não divulgando oficialmente” já foi muito utilizada (e ainda é) pelo canal de tevê à cabo Showtime, que coincidentemente, pertence ao Grupo CBS, canal que acaba de ter “vazado” o piloto de sua série mais polêmica para a temporada 2015/16, Supergirl. Prevista para estrear somente em Novembro, o canal juntamente com os criadores deve ter tempo suficiente para lapidar o que os fãs mais gostarem ou não na série, que deve ter reiniciadas suas filmagens a partir de julho/agosto.

Sobre a proposta de Supergirl, considero a série um elefante branco dentro da programação do canal CBS, clássica pelas séries de investigação (CSI e NCIS) e comédias de claque (The Big Bang Theory), não consigo imaginar que o público jovem feminino voltará ao canal após nunca ter sido privilegiado pelo mesmo, sinceramente, a série tem cara e marca do canal CW, de características juvenis e com presença de super herois (desde Smallville até Arrow e The Flash). Talvez a série tenha dificuldade em encontrar seu público alvo, principalmente, por concorrer diretamente no horário de exibição com outra série baseada em quadrinhos, Gotham (do canal Fox).

Agora, especificamente, sobre o enredo, Greg Berlanti tem sido competente em suas adaptações para o canal CW, Arrow e The Flash, porém a abordagem aqui, mesmo que bastante ágil, afinal no piloto Kara assume seus poderes e se revela para a humanidade, além dos sempre necessários flashbacks didáticos, já vemos Kara voando, usando uniforme e usando a visão laser, me pareceu bastante superficial e falha na construção/exposição dos personagens, principalmente, da irmã de Kara (nossa velha conhecida Lexie Grey de Grey’s Anatomy). Mas o meu maior susto foi a exposição da que deve ser a maior ameaça para Kara/Supergirl nessa temporada, a tia gêmea má de sua mãe, com um plano maquiavélico de destruir a Terra, seriously! Nossa foi muito plot novela mexicana, destoou completamente do tom aventuresco apresentado até então.

Para não dizer que não falei de coisas boas, acho que a série tem efeitos incríveis, para uma série de tevê, o elenco têm condições de dar uma melhorada, somente precisa de textos melhores, e a aposta numa série de aventura com protagonista feminina e jovem é um destaque a ser apontado pela diversidade, fato não muito comum na televisão americana; e se a série não serve para mim pela abordagem, deve arrebatar fãs pelo mundo. Boa sorte para quem acompanhar.

Grandes Olhos

13/02/2015

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Mesmo parecendo abrir mão de sua assinatura visual, o diretor Tim Burton, não deixa de buscar uma trama com destaque cênico, o mundo das artes, no entanto, para deixar o filme mais pomposo o diretor podia ter combinado com o roteirista uma maneira de encontrar um maior equilíbrio na biografia de Keane.

Digo isso, porque o tom cômico que, por diversas vezes, soa caricatural, principalmente na figura criada por Christoph Waltz, que me parece de verdade um ator taratinesco, funciona que é uma maravilha nas mãos de Quentin Tarantino, já com outros diretores me parece sempre dois tons acima do que o papel lhe requisita; já Amy Adams, mais natural, parece presa numa personagem subserviente demais, segundo o retrato do próprio filme, ficando difícil torcer pela personagem.

Mesmo com esses contratempos, confesso que gosto de ver Tim Burton diversificando sua filmografia, mesmo que longe de um dos meus filmes prediletos do diretor, outra cinebiografia, Ed Wood, Grandes Olhos prova que Tim Burton pode ser um diretor simplesmente “contador de histórias”, não somente um “contador de histórias bizarras com visual rebuscado”, mas renderia muito mais se o roteiro colaborasse, assim justificou-se a ausência do filme na temporada de premiações (quando no início de 2014 nascia burburinho em torno do mesmo).

Grandes Olhos: 5,0

Direção: Tim Burton

Roteiro: Scott Alexander e Larry Karaszewski

Com: Christoph Waltz, Amy Adams, KrYsten Ritter, Jason Schwartzman, Danny Huston, Terence Stamp. 106 min

Para Sempre Alice

08/02/2015

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“Arte de perder”

Não é a primeira vez que o cinema americano mergulha num dos piores males que pode atingir a saúde humana: a doença degenerativa, no caso específico do filme, o Mal de Alzheimer. Recentemente, um filme que também chegou ao Oscar, dirigido com beleza e delicadeza pela atriz Sarah Polley, Longe Dela, rendeu indicações ao roteiro (também da atriz/diretora), e atriz principal, para a veterana Julie Christie (sendo que indicava fácil, fácil o ator Gordon Pinsent, como protagonista masculino).

Se em Longe Dela, tínhamos a narrativa sob o olhar do marido que vê a esposa sendo “levada” pela enfermidade, em Para Sempre Alice, o roteiro centra a rotina na decadência física e intelectual da própria vítima, a professora de linguística, Alice Howland, portadora de um Mal de Alzheimer precoce e congênito, descoberto após alguns problemas como esquecimentos.

O foco da trama centrado em Alice, inicialmente em sua rotina na Universidade e com a família, vai sendo substituído pelas dificuldades neurológicas que vão surgindo paulatinamente, inicialmente, com perda de raciocínio e geográfica até um simples jogo de palavras do smartphone. Onde o roteiro falha é na construção dos familiares de Alice, principalmente, na filha mais velha, Anna (Kate Bosworth, num momento Renee Zellweger, com aparência “freak”), que surge em cena sempre como a filha arrogante, rasa e chata, poderiam (todos) render mais.

No entanto, como o filme gira no entorno de Julianne Moore, cito uma sequência que me emocionou e me fez rir devido ao contexto todo, Alice, já sob domínio do Alzheimer, vê num notebook um vídeo de Alice ainda sã, e no qual ela sugere um suicídio medicamentoso à sua versão enferma, a Alice enferma tenta por diversas vezes lembrar das instruções da Alice sã, mas em vão, já que a mesma rapidamente esquece as instruções; a sequência que parece cômica, na verdade, cria o grande contraponto entre a vivacidade da personagem Alice pré-doença com a passividade fria da Alice enferma, um trabalho digno de Moore, atriz merecedora de um Oscar há anos.

Para Sempre Alice é um drama simples, tocante e bastante triste.

Para Sempre Alice: 7,0

Direção: Richard Glatzer e Wash Westmoreland

Com: Julianne Moore, Alec Baldwin, Kristen Stewart, Kate Bosworth, Shane McRea, Hunter Parrish. 101 min

Balanço da Temporada – The Killing (4ª temporada)

10/08/2014

TheKilling-cartazHá algum tempo não redijo um texto sobre um balanço da temporada que não esteja na própria página da qual descrevo “episodicamente” minhas impressões sobre as dezenas de séries que acompanho, no entanto, me senti impelido a fazê-lo em função da última temporada da The Killing, que pela segunda vez retorna do cancelamento (a primeira vez, entre a 2ª e a 3ª temporada), agora com apoio do site Netflix em parceria com o canal AMC; retorno este com somente 6 episódios que repercutem as consequências do ato de Linden e acrescentam um novo crime a ser investigado pela dupla, Linden e Holder, o homicídio de quatro membros de uma família havendo um jovem sobrevivente.

****spoilers

Ao final, sentimentos contraditórios, em geral, gostei dos desfechos dos arcos da temporada, mas ficou um gostinho “de quero mais”, principalmente, se pensarmos que The Killing é um procedural, simplesmente uma série policial, porém com protagonistas riquíssimos. Voltando à trama, apesar de ainda achar que Reddick descobriu as peças do desaparecimento de Skinner de uma maneira muito rápida, o desfecho político do caso, trazendo novamente o prefeito Richmond, das duas primeiras temporadas, fecha um ciclo bastante coeso dentro da trama e verossímil, pois ninguém conseguiria pagar a conta de ter um tenente (delegado, no nosso caso) como um serial killer do próprio caso do qual era responsável pela investigação, em sua gestão.

Sobre o caso da temporada envolvendo os Stansbury, com a descoberta da maternidade da Coronel Rayne (show de Joan Allen), ficou bastante claro para mim o envolvimento de Kyle, no entanto, não imaginava seu trauma e abandono no ventre familiar, sequências fortes e ótimos diálogos entre ele e Sarah.

Mas o grande destaque temporada foi o desenvolvimento do relacionamento de Sarah e Holder, parceiros/confidentes/cúmplices, o casal, o qual nunca shippei como alguns, tiveram nesta series finale algumas das melhores sequências da série; Sarah teve a oportunidade de revelar ao parceiro as consequências de um lar desfeito, seja sua dificuldade em lhe dar com o filho, faltando-lhe carinho e apreço por Jack, quanto aceitar o surgimento de sua mãe, assim Holder com a chegada da paternidade teve o discernimento de observar como uma família pode salvar ou condenar uma pessoa (vide o caso dos Stansbury).

Excelentes diálogos, atores impecáveis (Mireille Enos mais uma vez para a temporada de prêmios, se não me engano concorrendo na categoria minissérie, deve levar fácil), fotografia e trilha fechando o ciclo de uma série que, agora sim, teve um final muito, mas muito digno e relevante. E como isso é importante para um série maníaco (viu, produtores de Dexter!)

Destaques da Quinzena em DVD/BluRAy (16 à 30/06)

05/07/2014

alabamamonroeAlabama Monroe: Elise (Veerle Baetens) e Didier (Johan Heldenbergh) apaixonam-se à primeira vista, apesar de suas diferenças. Ele fala, ela ouve. Ele é um ateu romântico, ela é uma realista religiosa. Quando sua filha fica gravemente doente, seu amor é levado a julgamento. Indicado ao Oscar 2014 de Filme Estrangeiro, representando a Holanda, tem conquistadado boas críticas por onde passa.

euevoceEu & Você: Lorenzo tem 14 anos e elaborou um plano para que possa passar as férias de verão sozinho no porão do seu prédio. Ele planejou tudo: onde vai dormir, o que fazer e já há algum tempo está estocando comida no local. A ideia é que sua mãe pense que ele está numa viagem de colégio, de forma que não o aborreça durante este período. O que ele não contava era que sua meia-irmã Olivia surgisse de repente, acabando com a paz do garoto. Viciada em drogas e buscando um lugar para ter um pouco de paz, Olivia acaba chantageando Lorenzo para que fique com ele no porão. Filme que passou em branco nos cinemas, mas pertence ao “mestre” Bernardo Bertolucci, o que o torna obrigado aos cinéfilos!

paisefilhosPais e Filhos: Ryoata é um arquiteto obcecado com o sucesso profissional, que forma com a jovem esposa e o filho de 6 anos uma família ideal. Sua vida sofre uma grande transformação quando descobre que está criando o filho de outro homem há seis anos, já que seu filho biológico foi trocado por engano na maternidade. Filme japonês que fez uma rápida carreira nos nossos cinemas, mas que deve encontrar seu público alvo agora no home video.

omordonoO Mordomo da Casa Branca: 1926, Macon, Estados Unidos. O jovem Eugene Allen vê seu pai ser morto sem piedade por Thomas Westfall, após estuprar a mãe do garoto. Percebendo o desespero do jovem e a gravidade do ato do filho, Annabeth Westfall decide transformá-lo em um criado de casa, ensinando-lhe boas maneiras e como servir os convidados. Eugene cresce e passa a trabalhar em um hotel ao deixar a fazenda onde cresceu. Sua vida dá uma grande guinada quando tem a oportunidade de trabalhar na Casa Branca, servindo o presidente do país, políticos e convidados que vão ao local. Entretanto, as exigências do trabalho causam problemas com Gloria, a esposa de Eugene, e também com seu filho Louis, que não aceita a passividade do pai diante dos maus tratos recebidos pelos negros nos Estados Unidos. Ponta baixo da curta carreira de Lee Daniels, desde Matadores de Aluguel, passando por Preciosa até o recente Obsessão, mesmo contando com um elenco estrelar, capitaneado por Forest Whitaker, Daniels não consegue controlar o tom épico/histórico do mordomo que acompanha inúmeros presidentes americanos durante décadas, uma pena, tentaram fazer uma versão de Forest Gump e não funcionou, na verdade, nada funciona direito em cena.

pompeiaPompeia: Milo (Kit Harrington) é escravo em um navio rumo a Nápoles, que luta para salvar a mulher que ama e seu melhor amigo, um gladiador preso dentro coliseu da cidade. Como se os dramas ainda não bastasse, ele terá que lidar com uma terrível erupção vulcânica que pode destruir sua cidade para sempre. Novamente Paul W. S. Anderson (da cinessérie Resident Evil) prova ser um diretor muito abaixo da qualquer expectativa, aqui fazendo um misto de Gladiador com Titanic, previsível!

oquefazerO Que Fazer?: Um médico revela a seu paciente (Robin Williams) diagnosticado com paranóia agressiva que ele tem apenas 90 minutos de vida. Ainda sugere que ele deveria ir desculpar-se com todos que ele tenha brigado durante seus últimos momentos de vida. Filme que chama atenção, inédito em nossos cinemas, pelo elenco, nomes como Williams, Mila Kunis, Melissa Leo e Peter “Tyrion Lannister” Dinklage.

cacadoresCaçadores de Obras Primas: Baseado no livro homônimo de Robert M. Edsel, filme conta a história de um grupo de militares especialistas, selecionados pelo governo dos EUA para recuperar obras de arte roubadas pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. Uma pena que George Clooney, ator/diretor/roteirista, não tenha encontrado o tom ideal para sua aventura histórica com fortes doses de comédia, tornando-o irregular em diversos momentos, tanto que a própria narrativa se divide em diferentes plots (assim perdendo dinâmica), menos mal que o elenco compensa.

ograndeheroiO Grande Heroi: Baseado na operação Red Wings realizada por membros dos Navy SEALs em 2005, o filme acompanha a missão de perseguição e captura do líder Taliban Ahmad Shahd em um cenário hostil e surpreendente, no qual os soldados norte-americanos se veem cercados e precisam fazer de tudo para sobreviver. Novo filme bélico de Peter Berg, após Battleship, que conta uma trama até certo ponto interessante, verídica, mas que para variar pesa a mão no tom patriótico, principalmente em sua reta final, mesmo assim, possui aspectos técnicos, como o som, bastante competentes.

entrenosEntre Nós: Isolados numa casa de campo, jovens amigos decidem escrever e enterrar cartas destinadas a eles mesmos, para serem abertas dez anos depois. Porém, após uma tragédia ocorrida naquele mesmo dia, os amigos ficam dez anos sem se ver. Agora, este reencontro irá trazer à tona antigas paixões, novas frustrações e um segredo mal enterrado. Filme nacional dirigido e roteirizado por Paulo Morelli que foge do habitual no cinema atual, sim, não se trata de uma comédia, muito pelo contrário, parece aqueles filmes americanos sobre reencontro de gerações de amigos para “lavar a roupa suja” do passado. No mínimo, curioso!

robocopRobocop: Na Detroit de 2027, a empresa local Omnicorp quer colocar robôs para patrulhar as ruas norte-americanas, mas a opinião pública é contra. Quando um policial se fere gravemente, retorna à vida como um poderoso ciborgue na luta contra o crime, mas sua humanidade é um problema para a corporação, assim como sua eficiência. Acredito que Jose Padilha conseguiu imprimir uma nova roupagem ao clássico oitentista de Paul Voerhoven, a escolha de Joel Kinnaman, a abordagem atual e forte crítica social funcionam em cena!

umaaventuralegoUma Aventura Lego: Emmet (Chris Pratt) é uma figura LEGO perfeitamente comum e seguidora das regras, que é erroneamente identificado como uma pessoa extraordinária, essencial para salvar o mundo. Ele é recrutado por uma irmandade de estranhos para uma jornada épica com a finalidade de impedir um tirano, uma viagem para a qual Emmet está irremediável e hilariamente despreparado. Como companheiros dessa aventura, ele terá Vitruvius (Morgan Freeman), um velho místico, e a durona Lucy (Elizabeth Banks), que convoca o misterioso Batman (Will Arnett), com quem compartilha uma história do passado. Mesmo sendo um dos maiores sucessos desse ano, a animação me pareceu muito cansativa, mesmo contando com um roteiro com tiradas espertas.

profissaoProfissão de Risco: Jack (John Cusack) precisa entregar uma misteriosa sacola a Dragna (Robert De Niro) e recebeu recomendações para não olhar, de maneira alguma, o que estava dentro dela. Disposto a cumprir a tarefa, ele vai encontrá-lo em um motel de beira de estrada. O que diabos estão fazendo com suas carreiras Jonh Cusack e Robert DeNiro? Se alguém puder me responder.

Destaques da Quinzena em DVD/BluRay (02 à 13/06)

13/06/2014

clubedecomprasClube de Compras Dallas – um dos grandes ganhadores do Oscar 2014, levou os prêmios de melhor ator para Matthew McCounaghey e melhor ator coadjuvante para Jared Leto, ambos muito bem em cena, porém, em papéis típicos de ganhadores de Oscar, um machão em busca de redenção e um travesti, respectivamente. Além disso, a direção é do canadense Jean-Marc Valleé, responsável pela agradável surpresa C.R.A.Z.Y -Loucos de Amor e A Jovem Rainha Vitória. O filme em si é um retrato dos anos iniciais do tratamento do vírus HIV, em 86, confesso que após ver The Normal Heart, o quadro fica melhor ilustrado, o grande mérito do filme é mesmo seus atores. A trama mostra a história de Ron Woodroof (Matthew McConaughey), consumidor de drogas, amante de mulheres, homofóbico, que, em 1986, foi diagnosticado com aids e recebeu a sentença de 30 dias de vida. A partir daí, sua luta pela vida intensificou-se e, quase à beira da morte, ele foi em busca de medicamentos alternativos fora do país já que o único remédio legal nos Estados Unidos para combater a doença, na época, era o AZT. Com a ajuda de sua médica, dra. Eve Saks (Jennifer Garner), e do travesti Rayon (Jared Leto), portador do HIV, Woodroof criou clubes em que as pessoas pagavam por esses tratamentos alternativos, o que levou as indústrias farmacêuticas dos Estados Unidos a travarem uma guerra contra ele. Woodroof morreu em 12 de setembro de 1992, seis anos após o diagnóstico fatal.

operacaosombraOperação Sombra – Jack Ryan – enquanto todos os estúdios procuram uma franquia de ação para chamar de sua, incluindo os estúdios que possuem direitos sobre os herois em quadrinhos, a Paramount resolveu fazer um reboot (novamente) do agente Jack Ryan, já interpretado por Harrison Ford e Ben Affleck, em três filmes anteriores; aqui, vemos Chris Pine (já envolvido com a franquia Star Trek) assumindo o papel de Ryan, tendo como interesse romântico Keira Knightley, Kevin Costner como mentor (jura?) e Kenneth Branagh como vilão e, também,  diretor (diga-se de passagem, se mostrando como um diretor operário padrão, lamentável, sem pensarmos no diretor shakespereano que o ator vinha mostrando nos cinemas). Resultado irregular e dificilmente a franquia engrena novamente. Na trama, Jack Ryan (Chris Pine), um jovem analista da CIA, descobre plano russo para travar a economia dos EUA, com um ataque terrorista. Depois de deixar a Marinha e se tornar consultor financeiro de um bilionário, o agente é forçado a voltar à ativa para impedir o plano de seus algozes.

sosS.O.S Mulheres ao Mar – comédia romântica nacional com o casal da novela global, a carismática Giovanna Antonelli e Reinaldo Gianecchini, tendo como alívios cômicos as atrizes Thalita Carauto e Fabíola Nascimento, a direção é de Chris D’amato. Na trama, decidida a reconquistar seu ex-marido, a bela Adriana (Giovana Antonelli) embarca em um cruzeiro. O que ela descobre é que ele tem uma nova namorada, dessa vez famosa e estrela de TV. Durante o passeio, ela vai aprender que pode encontrar novos caminhos e soluções para sua vida.

The Normal Heart (HBO)

06/06/2014

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Posso estar enganado, mas acredito que no ano passado comentei por aqui sobre a “última” produção original do canal HBO americano Behind the Candelabra (acho que por aqui se chamou, Minha Vida com Liberace), com direção de Steven Soderbergh e roteiro de Richard LaGravenese, um belo filme, diga-se de passagem, com ótimas atuações de Michael Douglas e Matt Damon, além de uma boa reconstituição de época; dito isso, agora chegou a vez de tecer breves comentários sobre a nova produção original do canal, The Normal Heart, dirigida por Ryan Murphy e roteirizado por Larry Kramer (adaptado de sua peça teatral).

Para quem não conhece a trama do filme (e da peça), o roteiro mistura ficção e autobiografia, retratando o auge da disseminação do vírus HIV em Nova York, no início da década de 80, sob olhar do ativista Ned Weeks (Mark Ruffalo), gay, judeu e fundador de um grupo de apoio voltado para casos relacionados ao vírus. No entanto, se parece que o filme somente acompanhará as dificuldades e o sofrimento dos personagens frente ao surgimento da doença e descaso do Estado, engana-se, pois roteiro consegue levantar algumas questões bastante relevantes e atuais sobre igualdade, aceitação e responsabilidade civil.

Assim, quando surge em cena Mark Ruffalo, como Ned, discutindo com o irmão mais velho, Ben (Alfred Molina), que o “aceita” como gay, inclusive, lhe auxiliando financeiramente, vemos que Ned está revoltado não somente com a situação referente ao vírus, mas também com o fato de seu estimado irmão não conseguir achá-lo “igual” a ele, como ser humano; a sequência é simples, a melhor do filme junto com a cena da hospital e o abraço completo dos irmãos, mas com diálogos tão contundentes e verossímeis, mostrando que o texto do filme busca ser muito mais que um discurso panfletário/marketeiro da “causa gay”, ao invés disso, investe numa abordagem humana e delicada sobre aceitação, claro que não esquecendo as tragédias que o vírus disseminou nas pessoas e familiares destas.

Ryan Murphy, roteirista/diretor, mais reconhecido pelo público série maníaco, de séries como Popular, Nip/Tuk, Glee e, recentemente, American Horror Story, é um ótimo criador/idealizador de séries (normalmente, suas séries tendem ao exagero e fácil desgaste), sempre calcadas em personagens complexos e polêmicos; o universo gay sempre esteve presente nos seus textos, com ótimos personagens e diálogos que passam longe da abordagem “chapa branca”. Mesmo não contando com muita experiência em longas (anteriormente, havia dirigido somente Correndo com Tesouras), Murphy leva seu reconhecido talento em abordar temas polêmicos e dirigir bons atores ao filme, é impressionante como o coletivo do filme funciona, aliado ao ótimo roteiro, naturalmente!

Assim, não havendo destaques individuais, quando estão todos atores bem em cena, desde a discrição de Jim Parsons (sim, o Sheldon de The Big Bang Theory, num papel já interpretado pelo ator no teatro), passando pelo esforço físico de Matt Bomer, Alfred Molina, Taylor Kitsch até Julia Roberts (destaque como forte personagem feminina, praticamente a única), sobra holofote para o trabalho riquíssimo de Mark Ruffalo, delicado e revoltante, o ator consegue imprimir um jeito inquietante ao personagem que, mesmo desrespeitando os amigos, torna-se tocante pelas motivações do mesmo.

THE NORMAL HEART: 8,0

Direção: Ryan Murphy

Roteiro: Larry Kramer

Elenco: Mark Ruffalo, Alfred Molina, Matt Bomer, Julia Roberts, Taylor Kitsch, Jonathan Groff, 132 min

Destaques da Quinzena em DVD/BluRay (16 à 31/05)

31/05/2014

albumdefamiliaÁlbum de Família: o único fato a se lamentar na adaptação dessa peça de teatro para telona é a falta de sutileza (experiência também) de John Wells, mais conhecido por seu trabalho televisivo, entre eles, Plantão Médico (E.R), pois o texto já é muito novesleco (beirando uma tragédia grega) cheio de armadilhas que precisavam de uma mão mais leve para abordá-los, assim, do jeito que ficou gera um óbvio destaque ao elenco, para mim destaque para Julia Roberts e Margo Martindale. Na trama, Três irmãs precisam se encontrar depois de anos separadas. Além de lidar com a mãe problemática, durona e racista Violet (Maryl Streep), elas vão ter que lidar com suas diferenças e traumas. Barbara (Julia Roberts) está lidando com o término de um casamento; Karen (Juliette Lewis) está se casando pela terceira vez e Ivy (Julianne Nicholson) ainda vive com os pais e mantém um relacionamento escondido com o primo. É daí que emergem conflitos que podem fazê-las abandonar o convívio familiar para sempre.

ateofimAté o Fim: me surpreendeu a escolha do diretor estreante JC Chandor (também roteirista), depois do quase thriller econômico Margin Call – O Dia Antes do Fim, voltar seus olhos a um filme sobrevivência, como temos tido alguns ultimamente. Um filme cadenciado todo no rosto envelhecido de Robert Redford, único no elenco, uma experiência diferente! Na trama, depois de uma colisão com um contêiner no meio do mar, um marinheiro tem que lidar, apesar de todos os esforços, com a possibilidade de sua morte iminente. Sozinho e perdido em alto mar ele terá que se apegar ao que puder para sair vivo dessa situação.

VeronicaMarsCartazFilmeVeronica Mars – O Filme: o que dizer de uma das minhas séries prediletas e de uma das minha protagonistas prediletas, é muito sentimento de nostalgia, mesmo que não faça tanto tempo assim que a série foi cancelada. A principal característica do filme, e seu ponto forte, é o texto feito para o fã, quem nunca viu a série, não tem muito como aproveitar a “revisita” do criador Rob Thomas ao universo de Veronica Mars, todos os principais personagens retornam seja em participações pequenas seja como importantes personagens, mas o principal é que Veronica Mars está de volta, com toda sua perspicácia e carisma. Na trama, após se formar na faculdade de direito, Veronica Mars deixou para trás a cidade Neptune e seus dias de investigadora amadora. Vivendo em Nova York e tentando conseguir emprego em um escritório de advocacia de alto nível, Veronica recebe um telefonema de seu ex-namorado Logan, que foi acusado de assassinato. Veronica volta para Neptune apenas para ajudar Logan a encontrar um advogado, mas quando as coisas saem do controle, Veronica encontra-se sendo arrastada de volta para a vida que ela pensou que tinha deixado para trás.

47Os 47 Ronins: mais um projeto de Keanu Reeves, em volta de temas orientais, que naufraga nas bilheterias, se não estou enganado este ainda gastou algo aproximado aos 100 milhões de dólares, espero que o mercado oriental seja mais generoso com Reeves, ou não! Na trama, Kai (Reeves) é um exilado que se une e Oishi (Hiroyuiki Sanada), o líder do grupo 47 Ronin. Juntos eles partem atrás de vingança contra o temível vilão que matou o mestre deles e baniu os samurais. Para restaurar a honra de sua terra natal, os guerreiros embarcam em uma busca que irá apresentar uma série de dificuldades que destruiriam guerreiros mais fracos.

terapiaTerapia do Sexo: inédito nos cinemas este drama com elenco que chama a atenção, Mark Ruffalo, Gwyneth Paltrow, Tim Robbins, Patrick Fugit, Joely Richardson e Pink (sim, a cantora), numa trama sobre vício em sexo, espero que por ser americano não seja extremamente convencional. Na trama, Adam (Mark Ruffalo), Phoebe (Gwyneth Paltrow) e Mike (Tim Robbins) decidem fazer um tratamento em 12 passos para controlar o vício por sexo.

muitacalmaMuita Calma Nessa Hora 2: não sou fã do primeiro e nem sei se o sucesso deste justificaria uma continuação, mas como o cinema brasileiro tem se dado ao desfrute de criar continuações aleatoriamente, ao interessados…Na trama, três anos depois da fatídica viagem a Búzios, quatro amigas se encontram no Rio de Janeiro. Estrella (Débora Lamm) acaba de retornar da Argentina, Aninha (Fernanda Souza) está impressionada com a consulta de uma vidente, Tita (Andréia Horta) passou uma temporada na Europa trabalhando como fotógrafa, e Mari (Gianne Albertoni) quer produzir um festival de música. É desse reencontro que a aventura começa.

 


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