O Lutador

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Dos inúmeros filmes que pude acompanhar nesta temporada de “filmes oscarizavéis”, o que mais me impressionou (no sentido emocional) foi O LUTADOR, que nem estava concorrendo aos principais Oscars. Na verdade, digo mais, com certeza é um dos melhores filmes de 2008 (pra mim, na minha lista 2009), junto aos esquecidos Batman – O Cavaleiro das Trevas e Wall E, também desta leva. O trabalho de direção de Darren Aronosfky, sempre acompanhando o lutador Randy “The Ram” Robinson pelas costas imprime um tom documental (meio reality show, faltando somente os depoimentos em direção à câmera para confirmar a estrutura) é adequado e eficiente com a proposta do filme de retratar o cotidiano do outrora famoso lutador, atualmente, em plena decadência física e emocional.

O roteiro de Robert D. Siegel utiliza uma estrutura clássica de narrativa abusando na verdade de metáforas para ilustrar as escolhas e consequências dos atos de The Ram, mas sem julgá-lo por isto, o personagem simplesmente é assim. Outro fator determinante para o sucesso da trama é a abordagem inexistente do caminho percorrido pelo lutador, não há flashbacks ou lembranças, somente sabemos que o The Ram viveu seu auge nos anos 80 nas chamadas lutas-livres (aquelas armadas que passavam antigamente na tevê, se não me engano no SBT), não sabemos o porque do personagem morar num trailer simples ou os motivos que o levaram a não conviver com sua familia (principalmente, sua filha), mas compreendemos observando sua natureza em alguns eventos mostrados no filme como foi possível chegar ao seu estado atual de solidão.

Apesar do tom decadente e melancólico impresso no filme, é curioso observar a capacidade dele nos empolgar em diversos momentos ao simplesmente torcermos para que o personagem encontre sua “suposta” redenção (no ringue, com a personagem Cassidy e, claro, sua relação com a filha), e isto é mérito do filme como um todo (direção/roteiro/elenco)  por nos conectarmos com o personagem e sua história.

Falar sobre a interpretação de Mickey Rourke é fácil, simplesmente, soberba, poucas vezes vi uma intensidade tão grande entre um ator e sua personagem, se isto ocorre pela própria vivência do ator que é conhecido pelo gênio difícil e colocou fora sua carreira após enorme sucesso nos anos 80, maior seu mérito que soube exorcizar sua própria história e canalizar no personagem, emocionante e trágico ao mesmo tempo. As mulheres no filme, mesmo não ganhando tamanha projeção como do personagem de Rourke, Marisa Tomei (outra atriz retornando ao mainstream hollywoodiano) e Evan Rachel Wood (a jovem talento de Aos Treze), aproveitam bem seu tempo na tela e  dimensionam bem suas personagens ao redor de Rourke. Como não se emocionar com a mágoa de Stephanie (e que linda a cena da dança entre pai e filha, obviamente, lembrando a cena de A Bela e a Fera) ou torcer para que Cassidy também alcance sua própria “redenção”, de preferência junto a Randy, já que também enfrenta a decadência física (idade) como garota de programa (mesmo assim, a atriz dá um caldo legal).

O Lutador: 9,0

(The Wrestler, Eua, 2008)

Direção: Darren Aronosfky

Roteiro: Robert D. Siegel

Com: Marisa Tomei, Mickey Rourke, Evan Rachel Wood, Mark Margolis, Toddy Barry, Wass Stevens, Judah Friedlander, Ernest Miller.

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2 Respostas to “O Lutador”

  1. Wallace Says:

    É uma pequena obra-prima, provavelmente o maior injustiçado do Oscar 2009 …

  2. Bruno Says:

    É um grande filme, com uma atuação explêndida do Mickey Rourke. Gostei bastante da escolha do Aronofsky, em simplesmente ter uma câmera seguindo o principal astro, na maior parte do longa, quase em tom documental. Funcionou muito bem! Mas até agora estou triste pela derrota de Rourke no Oscar, ainda que goste do Sean Penn também. Abraço!

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