Balanço da Temporada 2008/09 – Dramas 1ª parte

Esperei algum tempo para comentar as temporadas de todas as séries que assisto, que não são poucas, pois algumas haviam ficado pelo caminho nas últimas semanas. Vou começar pelo dramas (novelinhas, médicos, policiais e ficção), fazendo um apanhado de toda temporada com somente alguns comentários para conseguir escrever sobre todas as séries. De antemão, posso comentar que a temporada 2008/09 foi extremamente irregular para quase todas as séries, talvez consequência da crise econômica, greve dos roteiristas e preguiça dos produtores e canais em apostar em séries mais criativas.

***Possíveis spoilers

HOUSE – 5ª temporada: Temporada de natural desgaste da série, parece que não havia muito à ser mostrado. Claro que a série é genial quando “invade” a mente do protagonista (O sempre excelente Hugh Laurie), como vimos na reta final de temporada, após o surpreendente suícidio de Kutner, que parece que mexeu com o ostracismo de todos os personagens.

Como uma série de “caso da semana”, a quinta temporada não conseguiu criar casos nem pacientes muito interessantes (talvez a exceção do paciente super sincero em The Social Contract), algumas vezes pouco era trabalhado o paciente da semana, em virtude de algumas storylines dos personagens coadjuvantes que também não engrenaram, como a doença de Thirteen, o envolvimento dela com Foreman (mais sem graça, impossível) e a crise econômica de Taub. Pensando agora, o que de importante aconteceu na temporada antes da reta final da mesma? De relevante nada, talvez este tenha sido o problema da irregular temporada, não houve um arco costurando os episódios semanais assim os episódios iam sendo exibidos e nenhum grande evento marcava a evolução de alguma trama ou personagem.

Claro que o término da temporada reacendeu o que de melhor a série possui (seu protagonista), e acredito que esta mudança de cenários e, principalmente, de como House vai encarar esta mudança, seja a grande aposta para seu retorno. Finalizando, deixo aqui minha insatisfação com a equipe de House, os novos personagens não conseguiram ocupar o lugar deixado pelos anteriores, não conseguem transmitir aquele tom de discussão de casos como Chase, Cameron e Foreman faziam.

LOST – 5º temporada: Muitos devem ter abandonado a série durante estes 5 anos, no entanto, considero Lost um projeto GENIAL, é impressionante o que os roteiristas da série criaram e desenvolveram durante este tempo. Lembram aquela ilha onde 48 passageiros caíram e coisas misteirosas aconteciam? Ela não existe mais. Lost hoje é uma complexa teia narrativa com toques de ficção científica, mitologia, filosofia e religião. Algo, pelo menos para mim, inédito na televisão.

Claro que a série paga o preço do imediatismo da televisão e tem visto seus números de audiência caindo cada vez mais (e acredito que isto ocorra até o final da série/temporada), principalmente por trabalhar mais seus personagens do que a simples resolução dos mistérios que envolvem a série. Este retorno para a 5ª temporada novamente trouxe uma mudança narrativa, depois de flashbacks e flashforwards, agora tivemos uma literal viagem no tempo, idéia fascinenante que facilitou em muito as respostas para os eventos que ocorreram na Ilha. Uma pena que para isto ocorrer o ritmo das storylines foram divididas em 3 linhas temporárias, o que deixou a dinâmica da série uma pouco lenta. No entanto, com paciência, somos brindados com tramas tão díspares quanto a trágica odisséia de Daniel Faraday (excelente trabalho de Jeremy Davies) ao comportamento “bom marido e trabalhador” de Sawyer, isto sem comentar na dupla hilária que formaram Miles e Hurley, com as pérolas de diálogos.

Ao final do episódio The Incident ficamos com a tela em branço (normalmente, era preto) e confesso que não tenho a menor idéia de como a série vai retornar em 2010 para sua derradeira temporada. Não sei se os losties voltarão no tempo, para a atualidade, se a possível morte de Jacob é parte do destino ou do livre arbítrio, grande dilema dos personagens e da série como um todo, além do óbvio, mas ilógico, Bem vs. Mal (se é que podemos apontar isto ainda).

GREY’S ANATOMY – 5ª temporada: Assim que havia iniciado sua temporada, com exceção da entrada do dr. Owen Hunt (com bastante atitude de Kevin McKidd), tudo levava a crer que Grey’s começaria sua curva descendente de audiência e qualidade: A absurda falta de respeito com os telespectadores ao simplesmente sumirem com a personagem Erica Hahn, com a desculpa de a personagem não ter dado certo; que era pífia; e um pouco mais adiante, as aparições de Denny Duquette a lá Ghost Whisperer pareciam colocar toda a temporada a perder, principalmente porque diversos personagens, além da entrada de diversos residentes, estavam sem função na trama.

No entanto, ao chegarmos na metade da temporada, quem resistiu foi presenteado com os dramáticos arcos de Meredith e o presidiário no corredor da morte (ótima participação de Eric Stoltz), o erro médico de Dr. Derek Shepherd, que o levou ao fundo do poço, o crossing over com o spin off Private Practice, além da excelente storyline envolvendo Izzie e seu câncer, que rendeu um dos melhores episódios de toda série: What a Difference a Day Makes.

Neste retorno a excelentes episódios, Grey’s voltou a acertar em diversas frentes, que sempre caracterizaram a série, bons casos médicos e pacientes, metáforas para as tramas dos personagens principais, storylines para todos os coadjuvantes e o sempre eficaz equilíbrio entre um bom drama (lacriminoso) e a comédia.

DESPERATE HOUSEWIVES – 5ª temporada: Ao contrário da Grey’s, achava que o pulo de 5 anos na narrativa da Desperate conseguiria dar um novo gás para a série; no entanto, estava enganado. A série parece não conseguir mais criar tramas envolventes (Mesmo tocando em assuntos atuais, como a crise econômica), sejam engraçadas ou dramáticas, para todas as donas-de-casas. Pelo menos no início da temporada Eva Longoria Parker teve a chance de brilhar ao ganhar a trama cômica da temporada, ficar pobre com o marido pobre (até conseguiram deixar Eva meio feia!). Além dela, somente a dupla de “detetives” McCluskey e sua irmã (impagável, porém pouco aproveitada, Lily Tomlin) chamaram minha atenção.

No entanto, se as tramas das personagens em nada inovaram, o mistério da temporada foi um fiasco, o surgimento de Dave e seu envolvimento com Mike e Susan era óbvio, sendo assim, o final da temporada pareceu vazio e previsível. Uma pena. À acrescentar que as tramas engatilhadas para a próxima temporada em nada são animadoras, parece que Desperate Housewives chegou no seu limite criativo, seu criador Marc Cherry vai ter que se esforçar para virar esta tendência. Para não deixar passar a temporada em branco, dois episódios especiais e nostálgicos foram impecáveis: o 100º, The Best Thing That Ever Could Have Happened, com a participação de Beau Bridges e, obviamente, o episódio narrado e centrado na despedida de Eddie, Look Into Their Eyes and You See What They Know, com as personagens relembrando, novamente, situações que a princípio desconhecíamos entre elas e Eddie.

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Uma resposta to “Balanço da Temporada 2008/09 – Dramas 1ª parte”

  1. Vinícius P. Says:

    Parei com “House” no meio da temporada, não consegui mais acompanhar aquilo. Já “Lost” teve sua temporada mais “fraca” desde a segunda, mas mesmo assim teve um grande final!

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