Deixe Ela Entrar

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É impressionante o momento vampirístico na mídia, o fenômeno renasce em ciclos e parece que esta nova leva deve durar alguns bons anos. Na televisão temos a excelente True Blood (indo para sua terceira temporada no canal HBO) e agora, a não tão excelente, mas teen The Vampire Diaries (do canal CW americano e por aqui na Warner, no final do mês). Enquanto isto nos cinemas, temos a nova febre Crepúsculo, que até agora não sei se vai ser uma trilogia ou uma cinessérie, mas confesso que adora a atriz Kristen Stewart (desde O Silêncio de Melinda, um drama independente realizado anos atrás), a paródia de filmes B, Assassinos de Vampiras Lésbicas, que fica num meio caminho, nem perto de uma paródia de qualidade como Quase Todo Mundo Morto, e chegando um pouco atrasado mas envolto de ótimos elogios da crítica e de fãs do gênero o sueco, Deixa Ela Entrar.

Confesso que para um filme de gênero, ou subgênero, como os filmes de vampiro, Deixe Ela Entrar não renova as conhecidas regras, como não sair ao sol, precisa convidar o vampiro para adentrar num ambiente fechado e etc, no entanto, ao focar crianças pré-adolescentes, tanto o protagonista humano quanto a vampira, o roteiro consegue aprofundar as questões de rito de passagem da idade, como bulling (tão na moda) e a falta de figuras familiares (interessante observar a ausência dos pais de Oskar). Assim neste contexto, até podemos ter um filme de vampiros, no entanto, o que se mostra na tela é um drama de relacionamentos de personagens marginalizados, cada um a sua maneira e em seu universo particular. Consegue ser tocante, dramático, misterioso (como na relação de Eli com seu suposto pai ou parceiro), sem deixar de ter cenas de terror e sangue, abrindo mão de uma constante do gênero: sons agudos anunciando o susto.

Além do roteiro, pra mim um dos melhores do ano, Deixe Ela Entrar tem uma parte técnica impecável, desde a inspirada direção com acerto total dos ângulos filmados, a fotografia da neve, os eficientes efeitos, mesmo sendo quase imperceptíveis e discretos, aprimorando a narrativa, não sendo o centro das atenções o que ocorre na maioria dos filmes atuais, tudo parece estar em harmonia na telona. Não esquecendo a química dos jovens protagonistas, um show a parte!

Obs.: obviamente, os produtores americanos que não são nem um pouco burros já compraram os direitos para realizar uma adaptação americana do filme, no elenco Richard Jenkins (indicado ao Oscar por O Visitante) e na direção/roteiro Matt Reeves (Cloverfield).

DEIXE ELA ENTRAR: 9,0

Direção: Tomas Alfredson
Roteiro: John Ajvide Lindqvist
Elenco: Kåre Hedebrant, Lina Leandersson, Per Ragnar, Henrik Dahl, Karin Bergquist, Peter Carlberg, Ika Nord.

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Uma resposta to “Deixe Ela Entrar”

  1. Pedro Tavares Says:

    Filmaço!!

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