Preciosa – Uma História de Esperança

Nesses anos acompanhando filmes e séries confesso que poucas vezes me vejo chocado com tramas e personagens, minha opnião é que o ser humano é capaz de tudo, seja para o bem como para o mal, exemplificando, um dos filmes que mais me incomodaram até hoje foi Requiem para Um Sonho, pela verdadeira “descida ao inferno” de todos os personagens em função das drogas, lembro que o filme ficou me acompanhando dias. Agora, tenho outro filme para exemplificar, apesar de, não ser o foco principal do filme ou sua intenção, confesso que a personagem da comediante Mo’nique, é uma das coisas mais monstruosas e asquerosas que já vi na tela.

A trama do filme é de uma tristeza sem fim, até acredito que o tom inicial, onde o diretor injeta cenas de sonhos seja para dar uma amenizada no contexto geral do filme: jovem negra, obesa, semi-alfabetizada, estuprada pelo pai, mãe de uma criança deficiente, grávida de outro e sem o apoio de ninguém, nem mesmo de sua mãe, que muito pelo contrário, ainda abusa da jovem fisicamente e psicológicamente.

O maior mérito do filme quanto à sua direção e roteiro é não cair na armadilha de criar um dramalhão infinito e um painel social de “coitadismos”, os personagens são humanos possuem caractéristicas próprias e agem conforme suas crenças e interesses. Claro que o foco principal são a personagem Clareece Precious e sua mãe, Mary, assim, os demais personagens, apesar de bem caracterizados somente têm função de escada para as personagens. Assim, temos participações de luxo como Mariah Carey e Lenny Kravitz, que acabam se destacando pela falta de glamour e simplicidade.

Se o filme parece não inovar e nem marcará gerações, não esquecendo que ele traz consigo a cara do cinema independente americano, o que não é um defeito, somente uma constatação pelo tipo de narrativa, as interpretações femininas são um destaque a parte. Se Gabourey Sidibe não levar o Ocar (acho difícil alguém roubar o prêmio da “Fênix” do ano, Sandra Bullock), é por este ser sua papel de estréia, fica muito difícil discernir o maior mérito da jovem, se é seu talento em cena ou presença de sua figura, perfeita para o papel, no entanto, a comediante Mo’nique, que já havia atuado no filme anterior do diretor, Lee Daniels, o curioso Matadores de Aluguel, dá um show à parte, cria um monstro visceral e palpável, que choca como poucas vezes testemunhei no cinema. Além disso, sua personagem mostra resquícios de humanidade na melhor sequência de filme onde busca se justificar para a assistente social, personagem de Mariah Carey. A melhor interpretação do ano!

PRECIOSA – UMA HISTÓRIA DE ESPERANÇA: 8,0

(Precious, Eua, 2009)

Direção: Lee Daniels

Roteiro: Geoffrey Fletcher, baseado em livro de Sapphire

Com: Gabourey Sidibe, Mo’nique, Paula Patton, Mariah Carey, Rodney Jackson, Sherry Shepherd, Lenny Kravitz. 110 min. Playarte

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