Além da Vida

Sabem que tenho a impressão que os críticos têm preconceito com o tema morte/espiritismo, até mais os americanos do que a crítica nacional, não consigo entender muito bem o porquê, afinal num filme o que importa, necessariamente, não é a narrativa e personagens do mesmo?

Digo isto porque em várias críticas de Além da Vida, senti ressalvas ao contexto do filme de Clint Eastwood, como se fosse um filme menor do diretor por, simplesmente, tratar deste tema, não necessariamente, discutindo os méritos e erros da película, parece que não conseguem levar o filme a sério, seria como se Clint tivesse dirigido uma episódio de Harry Potter, por exemplo, poderia até ser um filme excepcional, mas seria mais um episódio de Harry Potter, não digno de nota de excelência.

Outro detalhe que gosto de levantar, sendo uma observação do meu comportamento, acho que estou ficando mais velho, 30anos, e acabo me emocionando mais facilmente, estranho, que achava que com o tempo, ficaria mais frio e acostumado com as situações, muito pelo contrário, me emociono e mais facilmente, no filme, me emocionei em diversos momentos de cada uma das histórias.

Se tem um detalhe que poderia fazer eu gostar menos do filme, este seria a previsibilidade, é óbvio que em tempos pós-Babel e Crash, sabemos que tramas paralelas em algum momento convergem para uma sequência em comum, isto já pode ser considerado um clichê moderno do cinema, então, ao final, não me incomodou a maneira como o roteiro de Peter Morgan encaminhou cada um dos personagens do filme.

Matt Damon prova ser um ator de boas escolhas que, se não entrega uma performance arrebatadora, nos deixa a impressão de saber escolher bem seus projetos. Sua subtrama é a mais interessante do filme, apesar do roteiro não justificar muito bem suas escolhas, no entanto, Matt tem a oportunidade de dividir a cena com Bryce Dallas Howard, que em meia dúzia de cenas nos deixa com uma ótima impressão, as demais subtramas são boas de acompanhar, mas em nada tem um gancho tão forte quanto o de Damon, um ponto a favor de quem não gostou do filme.

O cinema de Clint Eastwood é um oásis de contemplação que vai contra a onda de corte/recorte e sequências picotadas, é um cinema de atores e situações; o roteiro cria a excelente sequência inicial (muito bem dirigida e montada), e podemos concluir que Peter Morgan adora fatos reais/históricos, e nos entrega um filme de questionamentos sem grandes ou nenhuma resposta, aposta na força dos personagens e situações, deixando de lado o que acontece no pós-morte, isto sim um acerto do roteiro! 

ALÉM DA VIDA: 7,5

Direção: Clint Eastwood

Roteiro: Peter Morgan

Elenco: Matt Damon, Cécile de France, Frankie McLaren, George McLaren. 129 min. Warner

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2 Respostas to “Além da Vida”

  1. Wallace Says:

    É um belo filme, indeed. Acho que o preconceito contra a temática existe pelo fato de ser um “gênero” que até hoje não gerou coisas memoráveis… e, no caso brasileiro, um “gênero” que vem sendo explorado de forma meio doutrinária no momento presente. Mas o trabalho de Eastwood, mais uma vez, é belíssimo. Também me emocionei em alguns momentos de ALÉM DA VIDA, me impressionei com a sequência inicial e me peguei torcendo muito por aqueles personagens – especialmente pelo de Damon.

  2. Caio Realle Says:

    Um filme mediano, mas que é bem mais interessante do que este ‘artigo’, onde ficamos sabendo mais sobre o articulista (que tem 30 anos e curte ciritcar a crítica, por exemplo) do que sobre o filme.

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