Archive for fevereiro \23\UTC 2011

Destaques da Semana em DVD (21 à 25/02)

23/02/2011

Scott Pilgrim contra o Mundo: sabem que tanto se comentou sobre o lançamento de Scott Pilgrim aqui no Brasil, na verdade o não lançamento, afinal de contas chegou ao circuito somente em São Paulo e outras cidades, assim, a maioria das pessoas que o conferiram deve ter sido por meios “alternativos” de exibição, pior para a distribuidora que perdeu um belo produto jovem e moderno. Sei dizer que o filme é muito bacana, melhor filme de adaptação de um jogo de video game mesmo não sendo um, a direção é engenhosa, os efeitos espertos e a narrativa cheia de modernismos com personagens marcantes, como a presença de Kieran Culkin. Imperdível para quem ainda não conhece o filme. A trama conta a história de Scott Pilgrim (Cera), um jovem que conhece a mulher do seus sonhos (Winstead), mas que só poderá conquistar seu coração se lutar contra seus sete maléficos ex-namorados. Cada um deles possui um super-poder.

Atração Perigosa: se me dissessem dez anos atrás que Ben Affleck, sim aquele mesmo revelado pelo roteiro açucarado de Gênio Indomável, que acabou também chegando à indústria hollywoodiana e fazendo bobagens do quilate de O Demolidor e Contrato de Risco, seria um diretor de respeito, no mínimo, gargalhadas ecoariam no ambiente. Mas o mundo dá voltas, e cá estamos observando o sucesso do segundo filme do diretor Ben Affleck, não o considero tão bom quanto o subestimado Medo da Verdade, porém, vale citar o competente trabalho de Affleck atrás das câmeras neste policial de assaltos com toques de estudo de personagem. Ainda acho que Aflleck poderia ter ficado somente atrás das câmeras, mas nem tudo é perfeito, e nem por isto o filme sai perdendo. Na trama, Doug MacRay (Ben Affleck) é um irrepreensível criminoso, líder de um grupo cruel de ladrões de banco que se orgulham de roubar tudo o que querem e sair impunes. Sem vínculos pessoais, Doug não teme perder alguém próximo. Mas tudo mudou no último trabalho do grupo, quando fez de refém uma gerente de banco, Claire Keesey (Rebecca Hall). Eles a libertam ilesa, mas Claire continua sob tensão, já que os ladrões sabem seu nome e seu endereço . Ela começa a se recuperar quando conhece um homem modesto e bastante charmoso chamado Doug… sem perceber que ele é o mesmo homem que dias antes a tinha aterrorizado. A atração imediata entre eles pouco a pouco se transforma em um apaixonado romance que poderá conduzi-los a um destino perigoso e, até mesmo, mortal.

Separados Pelo Destino: filme chinês que permaneceu inédito em nossos cinemas, parece ter sido um sucesso no país local, vendido como baseado em fatos reais, mas interessante mesmo é observar a cultura cinematográfica chinesa, principalmente, por ser um drama, gênero que nem sempre chega ao nosso país vindo de lá. Na trama, em 1976, a cidade chinesa de Tangshan sofreu um terremoto que durou apenas 23 segundos, mas sua violência devastadora resultou na morte de centenas de milhares de pessoas. Nesse cenário de horror, uma família é pega de surpresa quando uma mulher precisará escolher, no meio dos escombros, qual dos dois filhos deve salvar. Passados alguns anos, as duas crianças cresceram sem saber da existência um do outro.

Mãos que Curam: produção espanhola, legal ter sido lançada por aqui, mesmo que diretamente em dvd, produzida por Alejandro Amenabar, que volta ao tema de suspense sobrenatural, aqui na verdade um drama sobrenatural, no elenco nomes como Eduardo Noriega e Belen Rueda (O Orfanato). Na trama, Diego é um médico tão acostumado a lidar com situações limite que acabou se tornando insensível à dor dos outros. Ele se desligou do seu trabalho, de sua esposa e do compromisso com o seu pai. Durante um inquietante encontro, ameaçam Diego com uma arma – horas depois, ele se lembra apenas do som do tiro e a estranha sensação de ter recebido algo mais que um disparo.

Na Trilha do Assassino: o ator Russell Crowe dá um tempo nas superproduções para encarar este drama com  toques de thriller, que permaneceu inédito no nosso circuito, dirigido pelo, até aqui, fraco diretor John Polson (de Fixação e O Amigo Oculto), a seu favor, Polson dirigiu bons episódios em seriados policiais como Without a Trace, Fringe, The Good Wife, The Mentalist e Lie to Me. Na trama, Lori Cranston (Sophie Traub) é uma adolescente confusa que, ao fugir de casa, se envolve com Eric (Jon Foster), rapaz recém liberado de um centro de detenção com um passado marcado por violência. Juntos, eles embarcam em uma viagem e se apaixonam de forma descontrolada. Enquanto isso, o policial Cristofuoro (Russell Crowe), que não acredita na reabilitação de Eric, começa a segui-lo para expor quem ele realmente é.

Viagem do Medo: produção assumidamente B, aqueles suspenses que a cada semana chegam em dvd vindo de algum lugar do planeta, aqui, Karl Urban, candidato a astro de filmes de ação que ainda não deu certo, apesar de sua passagem em O Senhor dos Anéis, Doom, A Supremacia Bourne, Red- Aposentados e Perigosos e Star  Trek. Na trama, Ellie e Stephanie, duas garotas dos EUA, viajam para conhecer novos lugares. Estava tudo bem, até que Ellie é sequestrada e entra no perigoso submundo do tráfico de mulheres. Agora, Stephanie vai fazer de tudo pra encontrar sua amiga, antes que seja tarde e os seus piores medos se concretizem.

A Vida Durante a Guerra: o famoso diretor Todd Solondz não teve uma boa carreira nesta última década, o diretor que despontou para o circuito arte ao relatar os bastidores da família americana em filmes como Bem-Vindos à Casa de Bonecas e Felicidade, não conseguiu acertar a mão novamente ou perdeu o cinismo de seus textos. Aqui ele retoma os personagens de Felicidade, alguns sem seus atores originais. Na trama,Trish (Allison Janney) e seus filhos estão prestes a mudar para uma vida melhor. Ela está de casamento marcado e a família poderá deixar para trás o fantasma de Bill (Ciarán Hinds), seu ex-marido, preso por pedofilia. Mas nem tudo acontece como esperado. Bill é solto e Trish e as crianças terão que lidar com o passado. Enquanto isso, sua irmã Joy (Shirley Henderson) também é assombrada por antigos relacionamentos. Após o divorcio ela abandona seu emprego e parte em busca de uma vida mais simples tentando superar seus traumas e encontrar a felicidade. Revelando que de perto nenhuma família é perfeita, A Vida Durante A Guerra é um filme ousado com rumos inesperados.
 

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O Discurso do Rei

23/02/2011

Como no recente caso do lançamento de Minhas Mães e Meu Pai que, pelo jeito, já começou a esfriar e deve sair da noite do Oscar de mãos abanando, acho O Discurso do Rei um bom filme, porém muito longe de ser considerado O filme de 2010, muito superestimado, não sei ao certo o que rola nos bastidores de Hollywood, mas o filme é redondinho e correto demais para tanto estardalhaço. Sim é um bom filme, principalmente, se levarmos em consideração as interpretações e alguns aspectos técnicos, mas falta coragem à trama, se pensarmos que dramas surgem na tela (o embate dos irmãos e a iminência da 2ª Guerra, por exemplo) mas são deixados de lado, transformando o filme num legítmo “feel good movie”!

Me parece o caso de intervenção de produtores, não deixaram David Seidler, o roteirista televisivo veterano, “pesar a mão demais” nos dramas deixando o filme mais leve para um público maior, é uma teoria minha, mas sabe-se lá. Assim em diversos momentos, o roteiro passa a impressão de uma comédia de situação, seja pelo uso da trilha sonora, seja pelas tiradas auto-críticas do Príncipe/Bertie ou mesmo o jeito excêntrico do personagem de Geoffrey Rush, Lionel Logue. E eu notei que o público corresponde a este humor presente no filme.

Pra dizer que não comentei o trabalho do diretor Tom Hopper, durante a maior parte de projeção somente correto, sua encenação do “discurso do rei” é um acerto de direção de atores, roteiro, direção de arte e trilha sonora, ótima sequência! 

Menos mal que temos Colin Firth e Geoffrey Rush em cena, o duelo dos bons atores carrega o filme nas costas, Firth deve levar o Oscar com méritos, até porque vem embalado com bons projetos (Direito de Amar) e deixou de ser o simples mr. Darcy de Bridget Jones (2004) para encarar papéis mais desafiantes; já Rush é aquilo de sempre, se o ator tem um bom diretor lhe controlando, suas criações e exageros ficam na medida, como aqui. Ainda assim, não sei como Helena Bonham Carter tem conseguido tantas menções, seu papel é simplesmente decorativo no filme, não há uma sequência na qual podemos vislumbrar um grande momento seu, é um personagem de um tom só, e lamento pelas participações pequenas de Timothy Spall, Guy Pearce e Derek Jacobi.

Ainda para comentar a belíssima direção de arte, desde o confuso e, mesmo assim, hipnotizante consultório de Lionel aos cenários da realeza, grandiosos e suntuosos, ótimo trabalho junto aos demais aspectos técnicos da película.

O DISCURSO DO REI: 7,0

Direção: Tom Hopper

Roteiro: David Seidler

Com: Colin Firth, Geoffrey Rush, Helena Bonham Carter, Guy Pearce, Derek Jacobi, Timothy Spall. 118 min

Destaques de Semana em DVD (14 à 18/02)

17/02/2011

Enterrado Vivo: fiquei curioso em observar a carreira do diretor espanhol Rodrigo Cortés após este Enterrado Vivo, o filme que tem roteiro de um novato, Chris Sparling, é de uma inventividade ímpar, muito legal mesmo, tenso e cheio de armadilhas emocionais para as pessoas que embarcarem na trama. A título de comparação, Enterrado Vivo lembra a mesma situação de 127 Horas, ambos lançado em 2010, a história é mantida somente por um personagem em situação limite, particularmente, prefiro Enterrado Vivo. Na trama, Paul Conroy (Ryan Reynolds) ainda não está pronto para morrer. Mas, quando ele acorda dentro de um caixão a 2 metros abaixo da terra sem a menor ideia de quem ou porque o colocaram lá, a vida dele se transforma em um único esforço extremo pela sobrevivência. Enterrado apenas com um celular e um isqueiro, o pouco oxigênio transforma Enterrado Vivo numa aflitiva experiência de corrida contra o tempo. Paul tem apenas 90 minutos para conseguir que o resgatem antes que seu pior pesadelo se torne verdade.

Wall Street – O Dinheiro Nunca Dorme: Oliver Stone é um cara muito esperto, que melhor momento para reaviver o universo financeiro dos yuppies dos anos 80 do que agora, num momento delicado para o capitalismo americano, se o momento não é o mesmo, passados mais 20 anos, acho que já era tempo do cinema americano olhar para Wall Street novamente. Ainda, não assisti ao filme por isto não sei qual o tom da película, mas Oliver Stone ressuscita Michael Douglas, que ganhou o Oscar pelo mesmo papel, e aqui parece, pelo que andei lendo, como um coadjuvante de luxo para a trama atual. No elenco, além de Douglas, temos Shia LaBeouf, Frank Langella, Josh Brolin, Carey Mulligan e Susan Sarandon. Na trama, a história se passa 23 anos após o primeiro longa. Sai da cadeia Gekko, bilionário sem escrúpulos que recorria aos meios mais escusos para lucrar com os movimentos da Bolsa de Valores de Nova York nos anos 80. Disposto a retomar suas atividades, Gekko descobre um mercado financeiro muito mais tumultuado do que aquele que dominava.

Solomon Kane – O Caçador de Demônios:  filme que estranhamente chegou a ser lançado nos cinemas nacionais, digo isto porque, não é um lançamento de um estúdio major e nem mesmo possui um nome no cartaz para servir de chamariz para o público, claro que James Purefoy está longe de ser conhecido mas, os fãs de séries podem reconhece-lo da série Roma e, futuramente, da série Camelot. O que posso dizer de Solomon Kane é que é uma produção bacana e deve agradar os fãs do subgênero, mas falta um roteiro melhor. Na trama, no século XVI, um guerreiro atormentado por seu passado parte em busca de redenção ao enfrentar uma força maligna que ameaça seu reino. Baseado nas histórias de Robert E. Howard.

Alexandria: Alejandro Amenábar dá um tempo em seus suspenses (Os Outros) e dramas (Mar Adentro) para encarar um épico produzido na Espanha e falado em inglês, com a belíssima Rachel Weizs como protagonista. No entanto, o filme passou em branco nas premiações, sendo que por aqui chega inédito nos cinemas e sua produção é de 2009. Na trama, sob o domínio Romano, a cidade de Alexandria é palco de uma das mais violentas rebeliões religiosas de toda história antiga. Judeus e cristãos disputam a soberania política, econômica e religiosa da cidade. Entre o conflito, a bela e brilhante astrônoma Hypatia (Rachel Weisz) lidera um grupo de discípulos que luta para preservar a biblioteca de Alexandria. Dois deles disputam o seu amor: o prefeito Orestes (Oscar Isaac) e o jovem escravo Davus (Max Minghella). Entretanto, Hypatia terá que arriscar a sua vida em uma batalha histórica que mudará o destino da humanidade

O Ano em Que nos Conhecemos: filme que permaneceu inédito nos cinemas, indicado aqui pelo seu reconhecido elenco, nomes como Jimmy Fallon, Lucy Liu, Sharon Stone e Tom Arnold juntos nesta comédia dramática dirigida pelo desconhecido Patrick Sisam, lançamento de Califórnia Filmes. Na trama, Christopher Rocket é um homem dedicado ao seu trabalho, mas incapaz de comprometer a sua amiga Anne ou qualquer outra coisa em sua vida pessoal. Ele retorna à sua cidade natal depois que seu pai alienado Tom Rocket sofre um acidente vascular cerebral. Jane Rocket, sua mãe, é uma figura central em seu passado disfuncional.

Um por Todas, Todas por Um: filme que permaneceu inédito nos circuitos, chegando agora em dvd pela distribuidora Paris Filmes, na verdade somente o coloquei em destaque aqui, pois o mesmo tem o excelente ator Sam Rockwell como protagonista, porém a trama não me seduz para assistí-lo. Na trama, Bill é um pai caloteiro e divorciado que está distante de sua filha adolescente Molly. O seu amigo Terry, diretor de uma escola municipal secundária, ajuda-o a conseguir um emprego como treinador da equipe feminina de basquete do colégio. Inicialmente relutante, a vida de Bill começa a mudar quando ele conhece as meninas da equipe: Abbie, Tamra, Mindy, Wendy, Lisa e Kathy. A equipe melhora com o treinamento de Bill, ganhando auto-estima e espírito competitivo, no mesmo tempo em que as meninas passam a aconselhá-lo sobre seu relacionamento com sua filha. Mas a temporada vitoriosa da equipe, no entanto, não é suficiente para manter a moral sempre e proteger as meninas das suas dificuldades do mundo real.

Destaques da Semana em DVD (07 à 11/02)

11/02/2011

Tropa de Elite 2: chega em Blu-Ray o maior sucesso da história do nosso cinema, bom dizer isto sendo um filme como Tropa de Elite 2, um excelente policial com valiosos questionamentos sociais, uma evolução do roteiro do anterior. Belíssimo trabalho de José Padilha reunindo uma equipe técnica competente e um elenco fabuloso, boa sacada o retrato das milícias, pouco conhecidas do grande público. Nem vou comentar o quanto André Mattos, como apresentador do naipe dos programas policiais que inundam a televisão atualmente, principalmente, por que este personagem traz muita comicidade ao filme. Na trama, 2010. Em ‘Tropa de Elite 2’, Nascimento enfrenta um novo inimigo: as milícias. Ao bater de frente com o sistema que domina o Rio de Janeiro, ele descobre que o problema é muito maior do que imaginava. E não é só. Ele precisa equilibrar o desafio de pacificar uma cidade ocupada pelo crime com as constantes preocupações com o filho adolescente. Quando o universo pessoal e o profissional de Nascimento se encontram, o resultado é explosivo.

Comer Rezar Amar: já estava com muitas saudades de ver Julia Roberts na telona, sei que Julia não é um primor de atriz, mas, em compensação, é uma das poucas atrizes que possui carisma ímpar hoje em Hollywood. Dito isto, Ryan Murphy (criador das Nip/Tuck e Glee) escreve e dirige esta filme de auto-ajuda, na verdade, um “feel good movie” com belíssimas paisagens, roteiro raso e personagens carismáticos, claro muito mais dirigido as mulheres, já os homens que se contentem em acompanhá-las! Na trama,   Liz Gilbert (Julia Roberts) tinha tudo o que uma mulher moderna deve sonhar em ter um marido, uma casa, uma carreira bem-sucedida ainda sim, como muitas outras pessoas, ela está perdida, confusa e em busca do que ela realmente deseja na vida. Recentemente divorciada e num momento decisivo, Gilbert sai da zona de conforto, arriscando tudo para mudar sua vida, embarcando em uma jornada ao redor do mundo que se transforma em uma busca por auto-conhecimento. Em suas viagens, ela descobre o verdadeiro prazer da gastronomia na Itália; o poder da oração na Índia, e, finalmente e inesperadamente, a paz interior e equilíbrio de um verdadeiro amor em Bali.

Sentimento de Culpa: Nicole Holofcener volta a trabalhar com o cinema indie, quatro anos depois de Amigas com Dinheiro, e novamente conseguindo reunir um belo elenco com nomes como Catherine Keener, Rebecca Hall, Oliver Platt e Amanda Peet. Na trama Kate (Catherine Keener) tem muitas preocupações. Há o problema ético de comprar móveis baratos em grande quantidade durante leilões e revendê-los por um preço infinitamente superior na sua elegante loja de Manhattan (e até que ponto ela consegue aumentar, sem que descubram o que ela está fazendo?). Há a questão da abordagem materialista: Kate não quer que a filha adolescente (Sarah Steele) deseje as coisas caras que ela própria deseja. Há o problema de relacionamento, pois além de criar a filha junto com o marido Alex (Oliver Platt), eles trabalham e moram juntos. E ela está começando a sentir a dúvida corroer o seu coração. Além disso, há o mal-estar do século 21 – a questão de como viver bem e ser uma boa pessoa quando há tanta pobreza, falta de moradia e tristeza no mundo. Isto sem esquecer os vizinhos: Andra, a velha rabugenta (Ann Guilbert) e as duas netas que cuidam dela (Rebecca Hall e Amanda Peet). E, enquanto Kate, Alex e Abby tentam relacionar-se com os vizinhos, consigo mesmos e com a cidade de Nova Iorque, surge, com humor e emoção, uma mistura complexa de animosidade, amizade, mentiras, culpa e carinho.

Amor por Acaso: eu nem sei muito bem o que comentar aqui neste espaço sobre esta co-produção Brasil e time B de Hollywood, Marcio Garcia, que para mim sempre foi melhor apresentador do que ator, surge aqui como um diretor e consegue misturar Juliana Paes com Dean Cain (sim, o ex-Superman da televisão) numa comédia romântica, aos que se interessarem por conta e risco. Na trama, Jake Sullivan é dono de uma pousada na Califórnia. Ana trabalha em uma loja de departamentos no Brasil, namora um playboy praiano e perde seu pai, que a deixa de herança uma dívida de 500 mil reais. Desesperada, Ana vai consultar seu advogado e descobre que possui a mesma parte do imóvel no qual Jake está localizado. É então que ela vai para a Califórnia, com a intenção de expulsá-lo do seu terreno e vender o imóvel. Mas, nada será tão fácil quanto parece. E, para complicar de vez, Ana logo percebe que está gostando de Jake um pouco mais do que deveria.

Micmacs – Um Plano Complicado: eu não conhecia este filme até vê-lo disponível para download e, agora, chegando em dvd, inédito no circuito cinematográfico. Para quem curte cinema francês, o diretor/roteirista Jean Pierre Jeunet, o mesmo de Amelie Poulain, Delicatessen e Ladrão de Sonhos, novamente num filme de realismo fantástico. Na trama, o músico de rua Basil é um sujeito sem sorte. Ainda criança, teve sua casa no deserto do Marrocos explodida por uma mina, tornando-se órfão e sem-teto. Anos mais tarde, ficaria à beira da morte por conta de uma bala perdida que se alojou em seu crânio. Retornando do hospital após este acidente, é apresentado por um ex-presidiário a um grupo de comerciantes de ferro-velho. São marginalizados que vivem dentro de uma caverna, mas cada um tem alguma habilidade extraordinária. Junto aos seus novos amigos, Basil faz de tudo para destruir a indústria de armamentos que arruinou sua vida.

Jogos Mortais – O Final: o que escrever sobre uma franquia que a cada ano lança mais um episódio, sendo que seu protagonista morreu no terceiro filme, é uma das coisas mais esdrúxulas que Hollywood conseguiu conceber nestes últimos anos, e posso dizer isto como fã do primeiro filme, que considero um dos melhores filmes do gênero da década que passou. Aqui, ainda tentam adicionar antigos personagens para tentar criar interesse nos fãs do gênero. Em ‘Jogos Mortais: O Final’ mostra um grupo de sobreviventes de Jigsaw à procura de ajuda de um guru e Bobby Dagen, um companheiro que também sobreviveu aos terrores, mas que tem segredos obscuros capazes de criarem uma nova onda de horror.

Homens em Fúria: eu ainda não assisti ao filme, que passou rapidamente nos cinemas, no entanto, não lembrava de ver um filme com o gabarito de Edward Norton e Robert De Niro passar tão em branco como este, na verdade, De Niro vem numa vertente bem longe de seu talento, já Edward Norton, a princípio, parecia ser um ator mais seletivo, uma pena! E não esquecendo que ainda temos no elenco Milla Jovovich. Na trama, a um passo da aposentadoria, o agente de condicional Jack (Robert De Niro) se dedica a uma única tarefa: avaliar seus processos de libertação pela última vez. Entre eles está o de Gerald (Edward Norton), um presidiário acusado de incendiar o local de um crime para encobrir os sinais de um assassinato brutal. Com ajuda de sua esposa Lucetta (Milla Jovovich), Gerald tenta convencer Jack de que agora é um homem diferente e que merece a liberdade. Neste intenso e provocativo suspense, os interesses estarão acima de tudo que é digno e honesto pois já é tarde demais para recomeçar.

Juntos Pelo Acaso: se era para fazer o que vem fazendo nos cinemas a carismática Katherine Heigl deveria ter ficado na série Grey’s Anatomy (diga-se da passagem, está tendo uma ótima sétima temporada!), pois ela afirmou que abandonou a série, lembrem que não houve nem mesmo uma despedida da personagem, para se dedicar ao cinema, desde então, tivemos A Verdade Nua e Crua, Par Perfeito e este. Agora, perguntem se algum teve alguma boa repercussão? Na comédia romântica ‘Juntos pelo Acaso’, Holly Berenson (Katherine Heigl) é uma banqueteira de sucesso e Eric Messer (Josh Duhamel) é um promissor coordenador de esportes. Após um primeiro encontro desastroso, a única coisa que compartilham é a antipatia que têm um pelo outro e o amor pela afilhada, Sophie (Alexis Clagett). Quando ambos se tornam a única família de Sophie, vêem-se obrigados a colocar suas diferenças de lado. Tentando equilibrar suas ambições profissionais e eventos sociais concorrentes, eles terão que encontrar sentimentos em comum para conseguir viver sob o mesmo teto.

 

O Vencedor

09/02/2011

Expectativa é um negócio interessante ao se assistir um filme pois tanto pode surpreendê-lo quanto decepcioná-lo, é um sentimento muito pessoal, digo isto porque, ao ver toda a atenção que O Vencedor estava/está recebendo, pensei comigo, mais um filme dramático passado no submundo do boxe, como os recentes Menina de Ouro e O Lutador, só para citar os mais recentes, com certeza não deve ser tudo isto, agora, depois de visto, sou obrigado a refletir e dar o braço a torcer, o filme realmente é muito bom, o conjunto de clichês – filme edificante, boxe e família disfuncional – funciona com perfeição nas mãos do diretor – bissexto –  David O. Russell.

O maior acerto da direção de O. Russell foi imprimir um tom documental à película, isto observado através de produção do documentário da HBO sobre irmão de Micky, Dicky, nós espectadores observamos os bastidores da produção e quando exibida temos um dos momentos mais cruéis da trama, além disso, a fotografia de O Vencedor também reitera esta sensação realista, o que faz com que nós espectadores nos tornamos testemunhas próximas da trama de Micky Ward.

Mas se o diretor demonstra não saber como filmar os embates nos ringues, sequências bem banais, o mesmo não se pode dizer das sequências familiares, na verdade, o maior interesse do filme: as relações familiares. A família de Micky, se não foi exageradamente pintada, como o retrato do filme, é uma verdadeira e caótica tragédia grega: a mãe que superprotege o filho com problemas de drogas, enquanto, abusa financeiramente do filho mais passional; o pai que não se envolve com as questões por estar cercado por oito mulheres; as sete irmãs que mais parecem um coral grego histriônico; a namorada que enfrenta a família do namorado; o filho drogado e egocêntrico, mas carismático e carinhoso e o nosso héroi ou anti-herói, que fica a margem das decisões sobre sua vida profissional e pessoal.

Assim, é certo para mim que se as escolhas do elenco fossem diferentes das que surgem na telona, teríamos outro filme sendo exibido. A criação de Christian Bale, Melissa Leo e Amy Adams são excelentes, claro que Bale vem ganhando mais destaque por mostrar novamente sua versatilidade física, assim como em O Operário, ao emagracer e ficar com um aspecto absolutamente assustador como usuário de crack (sim, na vida real, as pessoas que consomem esta droga ficam com este aspecto, infelizmente), mas o ator também imprime um carisma ao personagem que fica difícil racionalmente repudiá-lo.

Mas quero usar este texto para defender o papel “escada” de Mark Wahlberg, notem como seu personagem sempre fica à margem dos demais, dificilmente tem a atenção sobre sua figura muito tempo, é um papel principal que se transforma num coadjuvante diante dos eventos que o filme retrata. Mark Wahlberg é um ator de poucos papéis e, estes ainda similares, principalmente por ter um tipo que funciona muito bem como policial e da classe operária, porém tem demonstrado ser um ator esforçado, trabalhando com bons diretores como Martin Scorsese (Os Infiltrados), James Gray (Os Donos da Noite), Antoine Fuqua (O Atirador) e Paul Thomas Anderson (Boogie Nights). Além disso, tem se mostrado um ótimo produtor ao viabilizar produções televisivas de qualidade no canal HBO como, Entourage, In Treatment e, recentemente, Boardwalk Empire. 

O VENCEDOR: 8,0

Diretor: David O. Russell

Roteiro: Scott Silver, Paul Tamasy, Eric Johnson

Elenco: Christian Bale, Mark Wahlberg , Amy Adams, Melissa Leo , Robert Wahlberg, Dendrie Taylor, Jack McGee, Jenna Lamia, Salvatore Santone , Chanty Sok, Bianca Hunter, Sean Patrick Doherty, James Shalkoski Jr., Barry Ace, Caitlin Dwyer, Jeremiah Kissel. 115 min. Imagem Filmes

Cisne Negro

03/02/2011


 
Não sei vocês mas tenho uma grande admiração pela curta – mas impactante – filmografia do diretor Darren Aranofsky, desde que estourou para o mundo com um dos filmes mais difíceis que assisti até hoje, Réquiem para Um Sonho, com aquela viagem ao mundo das drogas e dos viciados, um verdadeiro “soco no estômago”, claro que para isto Aranofsky contou com uma ótima produção e impecável elenco. Passados alguns anos, após o fracasso comercial de A Fonte da Vida, outro filme tecnicamente impecável, Aranosfsky se recuperou perante a crítica com o melancólico O Lutador, que tirou Mickey Rourke do ostracismo e acabou criando uma “persona” para o ator “interpretar” dali em diante, e muito possivelmente, em função do sucesso de O Lutador, que Aranosfky conseguiu realizar mais um filme bastante impactante e adulto como Cisne Negro.
 
Digo adulto porque o filme não possui um tema fácil, é um suspense psicológico sobre descobertas, sexualidade,  obsessão e a busca pela perfeição, centrado numa jovem bailarina, Nina, que consegue a chance de representar o papel principal numa peça de balé, no caso O Lago dos Cisnes, de uma grande companhia, no entanto, seu técnico acha que Nina não consegue transmitir sexualidade suficiente num dos seus papéis, sendo somente uma bailarina técnica, assim testa tanto os limites físicos quanto psicológicos da jovem. Claro que nesta sinopse ainda temos, o rígido e ambíguo técnico, a mãe frustrada que abriu mão da carreira de bailarina para ser mãe e uma rival cheia de vida e malícia, contraponto à angelical figura de Nina.
 
O melhor do filme é, sem sombra de dúvida, todo o estudo da personagem de Nina, uma verdadeira avalanche de sentimentos, angústias e desejos, um trabalho perfeito da atriz Natalie Portman (finalmente conseguindo um reconhecimento mais do que merecido), sua performance é assombrosa, atingindo o topo na sequência da passagem da personagem Cisne Branco para Cisne Negro, uma mudança de olhar para aplaudir de pé, impressionante! Claro que o roteiro colabora, e muito, na construção da personagem, até mesmo, os personagens coadjuvantes ali existem para aflorar todos os conflitos da personagem durante o filme, assim, como a trilha sonora, a direção de arte, os pequenos efeitos especiais e os tão temidos espelhos, que podem gerar uma conversa bastante instigante sobre as metáforas visuais presentes em todo filme.
 
Desde já, um dos candidatos a melhor filme do ano!
   
CISNE NEGRO: 9,0
Diretor: Darren Aronofsky
Roteiro: Mark Heyman, John McLaughlin, Andres Heinz
Elenco: Mila Kunis, Barbara Hershey, Winona Ryder, Vincent Cassel, Natalie Portman, Sebastian Stan, Janet Montgomery, Barbara Hershey, Toby Hemingway, Christopher Gartin, Kristina Anapau, Ksenia Solo, Adriene Couvillion, Marty Krzywonos, Shaun O’Hagan. Fox Filmes. 113 min.