Cisne Negro


 
Não sei vocês mas tenho uma grande admiração pela curta – mas impactante – filmografia do diretor Darren Aranofsky, desde que estourou para o mundo com um dos filmes mais difíceis que assisti até hoje, Réquiem para Um Sonho, com aquela viagem ao mundo das drogas e dos viciados, um verdadeiro “soco no estômago”, claro que para isto Aranofsky contou com uma ótima produção e impecável elenco. Passados alguns anos, após o fracasso comercial de A Fonte da Vida, outro filme tecnicamente impecável, Aranosfsky se recuperou perante a crítica com o melancólico O Lutador, que tirou Mickey Rourke do ostracismo e acabou criando uma “persona” para o ator “interpretar” dali em diante, e muito possivelmente, em função do sucesso de O Lutador, que Aranosfky conseguiu realizar mais um filme bastante impactante e adulto como Cisne Negro.
 
Digo adulto porque o filme não possui um tema fácil, é um suspense psicológico sobre descobertas, sexualidade,  obsessão e a busca pela perfeição, centrado numa jovem bailarina, Nina, que consegue a chance de representar o papel principal numa peça de balé, no caso O Lago dos Cisnes, de uma grande companhia, no entanto, seu técnico acha que Nina não consegue transmitir sexualidade suficiente num dos seus papéis, sendo somente uma bailarina técnica, assim testa tanto os limites físicos quanto psicológicos da jovem. Claro que nesta sinopse ainda temos, o rígido e ambíguo técnico, a mãe frustrada que abriu mão da carreira de bailarina para ser mãe e uma rival cheia de vida e malícia, contraponto à angelical figura de Nina.
 
O melhor do filme é, sem sombra de dúvida, todo o estudo da personagem de Nina, uma verdadeira avalanche de sentimentos, angústias e desejos, um trabalho perfeito da atriz Natalie Portman (finalmente conseguindo um reconhecimento mais do que merecido), sua performance é assombrosa, atingindo o topo na sequência da passagem da personagem Cisne Branco para Cisne Negro, uma mudança de olhar para aplaudir de pé, impressionante! Claro que o roteiro colabora, e muito, na construção da personagem, até mesmo, os personagens coadjuvantes ali existem para aflorar todos os conflitos da personagem durante o filme, assim, como a trilha sonora, a direção de arte, os pequenos efeitos especiais e os tão temidos espelhos, que podem gerar uma conversa bastante instigante sobre as metáforas visuais presentes em todo filme.
 
Desde já, um dos candidatos a melhor filme do ano!
   
CISNE NEGRO: 9,0
Diretor: Darren Aronofsky
Roteiro: Mark Heyman, John McLaughlin, Andres Heinz
Elenco: Mila Kunis, Barbara Hershey, Winona Ryder, Vincent Cassel, Natalie Portman, Sebastian Stan, Janet Montgomery, Barbara Hershey, Toby Hemingway, Christopher Gartin, Kristina Anapau, Ksenia Solo, Adriene Couvillion, Marty Krzywonos, Shaun O’Hagan. Fox Filmes. 113 min.

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Uma resposta to “Cisne Negro”

  1. gghere! Says:

    .De facto julgo que seja mesmo o melhor filme do ano, daqueles que nos colam á cadeira, daqueles que quando damos por isso estamos com as maos agarradas a cadeira e sem respiração.
    .Um filme lindo, com uma história fantástica, com Natalie Portman que finalmente lhe é dado o merecido valor, nesta assombrosa actuação.

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