O Discurso do Rei

Como no recente caso do lançamento de Minhas Mães e Meu Pai que, pelo jeito, já começou a esfriar e deve sair da noite do Oscar de mãos abanando, acho O Discurso do Rei um bom filme, porém muito longe de ser considerado O filme de 2010, muito superestimado, não sei ao certo o que rola nos bastidores de Hollywood, mas o filme é redondinho e correto demais para tanto estardalhaço. Sim é um bom filme, principalmente, se levarmos em consideração as interpretações e alguns aspectos técnicos, mas falta coragem à trama, se pensarmos que dramas surgem na tela (o embate dos irmãos e a iminência da 2ª Guerra, por exemplo) mas são deixados de lado, transformando o filme num legítmo “feel good movie”!

Me parece o caso de intervenção de produtores, não deixaram David Seidler, o roteirista televisivo veterano, “pesar a mão demais” nos dramas deixando o filme mais leve para um público maior, é uma teoria minha, mas sabe-se lá. Assim em diversos momentos, o roteiro passa a impressão de uma comédia de situação, seja pelo uso da trilha sonora, seja pelas tiradas auto-críticas do Príncipe/Bertie ou mesmo o jeito excêntrico do personagem de Geoffrey Rush, Lionel Logue. E eu notei que o público corresponde a este humor presente no filme.

Pra dizer que não comentei o trabalho do diretor Tom Hopper, durante a maior parte de projeção somente correto, sua encenação do “discurso do rei” é um acerto de direção de atores, roteiro, direção de arte e trilha sonora, ótima sequência! 

Menos mal que temos Colin Firth e Geoffrey Rush em cena, o duelo dos bons atores carrega o filme nas costas, Firth deve levar o Oscar com méritos, até porque vem embalado com bons projetos (Direito de Amar) e deixou de ser o simples mr. Darcy de Bridget Jones (2004) para encarar papéis mais desafiantes; já Rush é aquilo de sempre, se o ator tem um bom diretor lhe controlando, suas criações e exageros ficam na medida, como aqui. Ainda assim, não sei como Helena Bonham Carter tem conseguido tantas menções, seu papel é simplesmente decorativo no filme, não há uma sequência na qual podemos vislumbrar um grande momento seu, é um personagem de um tom só, e lamento pelas participações pequenas de Timothy Spall, Guy Pearce e Derek Jacobi.

Ainda para comentar a belíssima direção de arte, desde o confuso e, mesmo assim, hipnotizante consultório de Lionel aos cenários da realeza, grandiosos e suntuosos, ótimo trabalho junto aos demais aspectos técnicos da película.

O DISCURSO DO REI: 7,0

Direção: Tom Hopper

Roteiro: David Seidler

Com: Colin Firth, Geoffrey Rush, Helena Bonham Carter, Guy Pearce, Derek Jacobi, Timothy Spall. 118 min

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2 Respostas to “O Discurso do Rei”

  1. Davi Enghaw Says:

    Engraçado, eu tive uma visão diferente da sua, achei que as questões políticas fossem apenas decorativas e que o norte principal do filme fosse a gagueira do rei. Quanto a interpretação da Helena Bohan Carter, também me impressionou, mas porque é o contrário de tudo que ela está acostumada a fazer. Acho que ganha o Oscar de melhor filme, mas perde o de direção pro Cisne Negro. Colin Firth melhor ator, a não ser que Jeff Bridges repita Tom Hanks e ganhe dois Oscars seguidos.

  2. Paulo Jr Says:

    Davi, que bom que gostastes do filme, eu somente gostei menos, talvez por achar que no filme falte um pouco mais de conflito aos personagens e, quando estes conflitos surgem, o roteiro logo os descarta. Questão de ponto de vista!
    Abs, Paulo Jr.

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