127 Horas

Estou devendo inúmeros comentários sobre os últimos filmes vistos, inclusive alguns oscarizáveis, como o caso de 127 Horas, drama de superação do diretor Danny Boyle (já sinto falta de seu cinema mais radical, presente em Transpoitting, Extermínio e Sunshine). Num primeiro momento preciso deixar bem claro que o filme me incomodou um pouco ao, simplesmente, fugir do contexto que propõe ao espectador: “rapaz fica preso num cânion por mais de cinco dias tentando sobreviver às adversidades da natureza”, ponto de partida, aparentemente simples que o roteiro e a direção acabam por boicotar, como se não acreditassem na trama o suficiente.

E para piorar a situação, tivemos recentemente o lançamento de Enterrado Vivo, o que, inevitavelmente gera uma comparação, afinal esta ficção do diretor espanhol Rodrigo Cortés, nos leva a sobreviver junto ao protagonista por horas dentro de um caixão enterrado no meio do nada com coisa alguma, uma história criada que podia se dar ao luxo de criar inúmeros argumentos e subterfúgios para nos retirar deste único ambiente – o caixão -,  mas não, ficamos o tempo todo confinado junto ao protagonista sem saber de antemão o desfecho da trama. Logo, senti falta desta ansiedade  e, consequentemente, sofrimento de permanecermos junto ao nosso herói, sem intervalos e devaneios, estes “breaks” somente nos lembram como a trama terminou, afinal estamos falando de um roteiro baseado em fatos reais, e não exploram o efeito dramático da situação por completo (sem mencionar a já famosa cena de libertação do personagem nas pedras, que todo mundo já conhece e nada muito chocante).

Se por um lado o roteiro de Simon Beaufoy (parceiro de Boyle em Quem Quer Ser um Milionário) e as invencionices de Boyle (tela dividida, flashbacks, imagens de filmagens, etc) boicotam a trama, os aspectos técnicos são muito caprichados, gosto da fotografia do cânion, a trilha sonora pulsante e até mesmo do trabalho de composição de James Franco, 90% do tempo em cena sozinho, mesmo que por alguns momentos a sua personalidade pulsante pareça um pouco overacting (o que me faz questionar sua indicação ao Oscar), como nos seus devaneios e na suas apresentações em frente à câmera, quando do início da projeção logo percebemos que a energia do rapaz transborda atitude e auto-confiança, um dos seus problemas que o levaram a ficar isolado sem ninguém saber do seu paradeiro mesmo após diversos dias.

127 HORAS: 6,5

Direção: Danny Boyle

Roteiro: Simon Beaufoy e Danny Boyle

Com: James Franco, Amber Tamblyn, Kate Mara, Kate Burton, Clemence Poesy e Lizzy Caplan. 95 min.

 

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