Últimos Filmes Vistos (04 à 11/08)

Além dos filmes aqui comentados, pude conferir mais dois filmes que prefiro postar separadamente nos próximos dias: Super 8 e Missão Madrinha de Casamento.

Às Margens de Um Crime: desde a passagem do furacão Katrina em New Orleans, alguns filmes e séries têm utilizado o cenário quase como um personagem dentro da narrativa, aqui vemos o diretor francês Bertrand Tavernier trabalhar na adaptação de um livro de James Lee, que funciona como um misto de policial com estudo de personagem em meio ao que sobrou/virou daquele cidade. No entanto, acho que por ser uma trama com alguns arcos tipicamente policialescos, mortes, diversos suspeitos, personagem agindo à margem da lei, Bertrand não conseguiu equilibrar este gênero com seu estilo europeu, premiado em Cannes e diversos outros festivais, o roteiro é frouxo na passagem de tempo e nas consequências de assassinatos, pois estes não parecem influenciar os demais personagens, fica tudo meios distanciado, menos mal que Tommy Lee Jones protagoniza o filme, personagem que caí como uma luva para o ator, ainda no elenco coadjuvante nomes como John Goodman, Peter Sarsgaard e Mary Steenburgen.

Submarine: não entendi muito porque o cartaz do filme trás em destaque o nome de Ben Stiller como produtor, afinal, esta comédia inglesa passa bem longe do tipo de humor que Stiller atua (seja em frente ou atrás das câmeras), parece muito mais lembrar o estilo de comédias de Wes Anderson, mas focado em adolescente. O legal de Submarine (aposto que deve chegar direto em dvd), é que o diretor/roteirista (adaptado) Richard Ayoade (da série inglesa The It Crowd), conseguiu reunir um elenco bem bacana, mesclando nomes experientes do cinema inglês como Paddy Consedine, Noah Taylor e Sally Hawkins junto com a dupla protagonista (bastante carismáticos), que representam Oliver e Jordana. O filme se concentra nas aventuras familiares e amorosas de Oliver, que tem uma visão do mundo bastante inusitada e, por isto mesmo, divertida, não é uma comédia adolescente, está mais para um dramédia sobre a rotina deste adolescente (nos famosos ritos de passagem), vale uma conferida.

Sucker Punch – Mundo Surreal: mesmo sempre beirando o over, exagerando em sequências slow motion, Zack Snyder sempre teve crédito comigo, principalmente por se mostrar um criador de universos, não estou levando em conta a qualidade final de seus filmes, lembrando que mesmo após o sucesso de 300 e Watchmen (este nem tanto sucesso teve), meu filme predileto do diretor é Madrugada dos Mortos, refilmagem que deu gás no subgênero zumbi que permanece até hoje. No entanto, confesso que aqui em Sucker Punch, mesmo criando sequências estarrecedoras, de encher os olhos, o vazio do roteiro e gratuidade de várias situações e personagens não conseguem empolgar em momento algum, chega dar um certo tédio, uma pena!

A Informante: pena que boas intenções não garantem um bom filme, a trama de A Informante faz uma importante denúncia sobre o tráfico de mulheres no leste europeu pós-guerra que dissolveu a Iugoslávia envolvendo gente graúda e gente da ONU que sabia da situação e nada fez, claro que o filme é baseado em fatos reais. A diretora/roteirista é estreante, Larysa Kondracki ( dividindo o roteiro com Eilis Kirwan, também estreante em longas), não conseguem imprimir um ritmo cinematográfico ao filme, fica com cara de telefilme, mesmo contando com a presença de “leoa” de Rachel Weizs, dominando o filme (não esquecendo que também temos Vanessa Redgrave, Monica Bellucci e David Strathairn, quase todos desperdiçados no burocrático roteiro). Inclusive a presença de Rachel me remeteu a outro filme denúncia, O Jardineiro Fiel, que num contraponto faz A Informante empalidecer, uma pena, a denúncia merecia ter um alcance maior.

The Conspirator (não oficialmente, Conspiração Americana): oitavo filme na carreira de diretor de Robert Redford (o último havia sido Leões e Cordeiros, onde também atuava), aqui somente dirigindo, novamente levantando um tema político, saí de linha a política de guerra (observada em seu último filme) e entra em cena a política pós-guerra, tendo como cenário eventos após a Guerra da Secessão (1861-1865), mas conhecida aqui como a Guerra Civil Americana entre o Sul e o Norte, mas precisamente, o julgamento pelo assassinato de Abraham Lincoln (1865). Tinha bastante curiosidade sobre os detalhes deste crime tão comentado, nisto a narrativa de Redford nos remete à época, costumes e moda, mas as lentes do diretor se concentram nos bastidores jurídicos de uma mulher acusada de ser cúmplice dos assassinos conspiradores (agindo ainda em reflexo às consequências da Guerra da Secessão); Redford tem um olhar clássico de cinema, tudo é muito elegante, e o seu maior mérito é “linkar” o tema de sua película com o espectador atual. O mais interessante do roteiro é que se observamos bem os eventos retratados, quando criado o conflito Estado vs. suposto inocente, temos um retrato contemporâneo desta dita “Justiça” em tempos de guerra, onde o vencedor (normalmente no papel de Estado) tenta a todo custo (éticos, inclusive) corroborar sua tese em virtude da “segurança nacional”, frase  utilizada até hoje e, se pensarmos bem, bastante perigosa! Bom filme.

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