Últimos Filmes Vistos (11 à 19/08)

Small Town Murder Songs: pequeno filme canadense, um drama criminal na verdade, segundo longa do desconhecido, para mim, Ed Gass-Donnelly, um nome a ser guardar, que dá oportunidade através do seu roteiro do, normalmente, eterno coadjuvante, Peter Stormare (Fargo e Constantine, além de passagens em séries como Prison Break), em criar um personagem interessante e intenso (aqueles que somente com um olhar transmitem seus pensamentos); Stormare interpreta um delegado de uma pequena cidade (belissimamente fotografada) que investiga a morte de uma jovem, o que poderia ser um suspense banal, perdido em meio a dezenas do gênero, se torna um filme diferenciado por apostar sua narrativa não na investigação do crime, mas sim, na figura do delegado Walter, que num passado recente, não revelado imediatamente, teve problemas com seu “controle de fúria” e uma mulher, que  acaba se envolvendo nesta investigação. Não querendo cometer nenhuma heresia cinéfila, o filme tem ares de “irmãos Coen”, quem puder conhecer o filme, que deverá ficar inédito um bom tempo por aqui, reconhecerá as similaridades, que não ofuscam o trabalho realizado por Donnelly.

Bezerra de Menezes: O Diário de um Espírito: não quero agourar ninguém, mas este diretor Glauber Filho não tem a manha de uma direção, este é seu primeiro filme na “onda espírita”, depois deste dirigiu As Mães de Chico Xavier, e como no anterior, continua se mostrando bastante amador, nem a comparação com um telefilme é possível! Bezerra de Menezes ainda conseguiu um sucesso muito acima de sua divulgação, principalmente, por se tratar de um filme de nicho de mercado, espírita, mas isto não absolve o tipo de produção que Glauber impõe em seus filmes, parece um tipo de teatro filmado, não há bons cenários, a fala dos atores soa meio decorada em demasia, parece um filme saído de produção escolar. Menos mal, que aqui temos o baita ator Carlos Vereza para carregar o filme, na verdade o ator está onipresente, se não em cena está fazendo narração em off do filme. Esta onda espírita poderia ter escolhido um representante mais a altura do seu sucesso, ainda bem que quem dirigiu Chico Xavier foi Daniel Filho!

Matador em Perigo: acho muito divertido este subgênero tipicamente inglês de comédias policias, recheadas de humor negro, na onda do cinema de Guy Ritchie (Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes, Snatch) e Matthew Vaughn (Nem Tudo é o que Parece), porém acho que o diretor Jonathan Lynn, já veterano, não conseguiu imprimir o ritmo necessário, no caso alucinante, para fazer o filme funcionar, e nem mesmo o roteiro consegue criar situações que nos façam torcer pelos personagens ou mesmo dar gargalhadas, no momento, lembro somente de uma!  Assim como nos filmes que lhe inspiraram, Matador em Perigo, conseguiu reunir bons nomes no elenco, inglês obviamente, que poderiam ter salvado o filme do apenas regular, nomes como Bill Nighy, Emily Blunt, Rupert Grint (sim, Ron Weasley de Harry Potter, já estava se virando antes mesmo do fim da cinessérie), Martin Freeman e Rupert Everett são capazes disto.

Revolução em Dagenham: tô ficando muito fã do diretor Nigel Cole, ele já havia dirigido o ótimo Barato de Grace (sim, aquele que Brenda Blethyn trafica maconha), As Garotas do Calendário (filme que impulsionou a carreira cinematográfica de Helen Mirren, onde as senhoras de uma comunidade fazem um calendário para ajudar uma amiga com câncer) e agora este Revolução em Dagenham, uma grata surpresa! Mais um filme que ilustra outro subgênero muito identificado com a cultura inglesa, a comédia social (onde o famoso filme Ou Tudo Ou Nada, se encaixa também); aqui, Cole trabalha com uma trama real, a primeira greve de trabalhadoras inglesas da história do país, no caso, costureiras da Ford, nos idos 1968, e este evento real serve para fazer comédia, drama, crítica social e trabalhista, no elenco, Sally Hawkins (um verdadeiro achado, atriz que despontou recentemente, no filme de Mike Leigh, Simplesmente Feliz, e desde então vem fazendo cada vez mais e melhores filmes), Bob Hoskins, Geraldine James e uma surpresa, a jovem Andrea Riseborough, que recentemente elogiei pelo inédito Brighton Rock, surge aqui quase irreconhecível e num papel que já demonstra toda sua versatilidade em pouco tempo de carreira, um nome a ficar de olho!

Jane Eyre: agora que percebi que este foi o terceiro filme inglês que olhei em tão pouco tempo, e, me repetindo, outro filme que representa um subgênero da cinematografia inglesa, os épicos românticos baseados em livros literários (como não lembrar de Desejo & Reparação e Orgulho e Preconceito). Aqui, o clássico é de Charlotte Bronte, que reconhecia como título de outros diretores (de Robert Stevenson a Franco Zeffirelli), e até mesmo, como minissérie televisiva, mas não havia assistido e tão pouco reconhecia a trama (shame on!). Como imagino que este deve ter sido o motivo de realizar a película, apresentá-la para uma nova geração, me dou por satisfeito, a produção de Cary Fukunaga (que antes havia dirigido o mexicano Sin Nimbre) e adaptação de Moira Buffini (em seu segundo longa, o anterior, O Retorno de Tamara, de Stephen Frears) são competentes, junto a bela fotografia e ao bom elenco reunido, Mia Wasikowska (que pode ser mais conhecida como Alice de Tim Burton, mas admiro seu trabalho desde In Treatment, série da HBO), o ator que deve estourar agora com X-Men: Primeira Classe, Michael Fassbender, a veterana Judi Dench, Jamie Bell (eterno Billy Elliot) e a onipresente Sally Hawkins. Um belo drama romântico, cheio de conflitos, crítica social e amor impossível!

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