A Dama de Ferro

Uma pena um tema tão rico e polêmico, a vida política e pessoal de um dos nomes mais controversos do século passado, Margareth Thatcher, tenha ganho uma biografia tão rasa e sem grandes momentos como neste drama dirigido por Phyllida Lloyd (de Mamma Mia, não me pergutem como veio parar aqui, de um musical para uma cinebiografia, amiga de Meryl Streep, será?) e roteirizado por Abi Morgan (de ainda inédito Shame e da série inglesa The Hour).

A grande questão para mim, nascido em 80, é que Margareth Thatcher ficou conhecida como uma mulher obstinada e implacável que “lutava” por suas crenças, inclusive com políticos do seu partido, sendo este o motivo para seu famoso apelido Dama de Ferro, no entanto, o roteiro não consegue transmitir toda esta suposta obstinação que cercava Thatcher, nem mesmo ao ilustrar os principais conflitos que teve durante sua gestão, com os sindicalistas, com a Argentina e com a taxação de impostos. Acredito que seus feitos e defeitos foram muito além destes eventos que o filme retrata. Também não consigo entender esta atitude em “senilizar” a figura anciã da personagem, obviamente, ela é uma figura complexa, não necessariamente era preciso usar uma figura frágil como contraponto da personagem em seu apogeu.

Pior ainda é utilizar o método “Uma Mente Brilhante” ao fazer ela contracenar com o marido já falecido, o roteiro poderia ter retratado com maior detalhamento sua relação com os filhos, principalmente, por ter sido uma mãe ausente em virtude do cargo que ocupou. E tenho a impressão que o tom do personagem Denis, interpretado por Jim Broadbent, é levemente cômico demais para o drama retratado.

A sorte da película é ter encontrado Meryl Streep em mais um momento mediúnico em sua carreira, Streep não parece interpretar Thatcher e sim, ser Thatcher, impressionante sua caracterização (maquiagem + cabelo), impostação de voz e corporal, um gestual magistral, em ambas as fases da personagem. Espero que a fama de Streep não a impeça de receber seu terceiro Oscar, uma pena por ser num filme tão burocrático e banal.

A DAMA DE FERRO: 5,0

Direção: Phyllida Lloyd

Roteiro: Abi Morgan

Com: Meryl Streep, Jim Broadbent, Richard E. Grant, Anthony Head. 105 min. Paris Filmes

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