Primeiras Impressões – Bates Motel, In The Flesh & Les Revenants

S1BatesMotel-316x620BATES MOTEL: uma das apostas mais arriscadas na temporada 2012/13 da televisão americana, pelo menos, o projeto foi parar na televisão à cabo, no entanto, produzida pelo canal A&E que não possui muita tradição em séries dramáticas. Dito isso, confesso que os roteiristas Anthony Cipriano, Kerry Ehrin (de Friday Night Light) e Carlton Cuse (de Lost), me surpreenderam; o projeto que promete retratar a adolescência e, consequentemente, o início da psicopatia de Norman Bates, do clássico filme de Alfred Hitchcock, Psicose, foi atualizado para os dias de hoje (com direito à Iphones e etc.), no entanto, o design de produção nos remete a uma cenografia retrô, além disso, na primeira cena vemos Norman vendo um filme em preto-e-branco na televisão, logo, os criadores atualizaram a adaptação, mas parecem sempre nos lembrar que é uma trama antiga.

Além de uma boa produção, Bates Motel tem em seu elenco o grande destaque destes primeiros episódios, Freddie Highmore tem seu trabalho um pouco facilitado pela aparência, lembrando em muito o ator Anthony Perkins, porém seu olhar e conflitos já surgem bastante fortes desde o início do episódio, já Vera Farmiga dá um show à parte, gosto da atriz que tem uma carreira de poucas boas oportunidades no cinema, mas em virtude destes primeiros episódios, se colaborarem com futuros bons roteiros, terá uma presença marcante com direito a presença na temporada de premiações.

InTheFleshCartazIN THE FLESH: quando você acha que tudo já foi criado sobre o universo zumbi, principalmente, em tempos de The Walking Dead, lá vem a televisão inglesa inovar/renovar o tão surrado subgênero com uma proposta no mínino interessante, como o mundo reagiria com o retorno dos zumbis à vida normal, isto sem apelar para a comédia, muito pelo contrário, aposta forte num drama familiar. O plot é tão interessante que no primeiro episódio, que tem um roteiro de fácil compreensão, conseguimos absorver todo a “mitologia” que os roteiristas criaram, o zumbis agora são portadores de Síndrome de falecimento parcial tratados com medicamentos para manterem o cérebro ativo, apoiados pelo Estado, mas como estamos numa pequena cidade, que teve que criar uma milícia para combater os zumbis em tempos de holocausto zumbi, o conflito da volta dos zumbis ao dia-a-dia é complicada. Ainda temos uma possibilidade dos zumbis não quererem voltar a ficar humanos, ainda não trabalhado de maneira adequada.

Para quem espera uma produção de suspense e ação, perca a esperança, o foco da série é na readaptação dos zumbis, centrado no personagem Kieren, à sociedade com temas como tolerância, preconceito e família sendo tratados. No segundo episódio, quando temos um conflito novo criado, o retorno do filho do chefe da milícia, pelo que pude entender, teremos um, como posso chamar, “amor zumbi gay”; por estas e por outras, mesmo apostando numa temática mais novelesca (pelos conflitos familiares), a série já entrou na minha “watchlist”.

LRCartaz3-620x451LES REVENANTS: para terminar, uma série francesa exibida no final do ano passado, que já tem vendas internacionais garantidas e possivelmente, será refilmada em breve nos Eua; como de hábito, os europeus pegam um tema claramente americano contemporâneo, suspense de personagens colocados numa situação sobrenatural sem explicação inicial alguma (alguém lembra de Lost e FlashForward?), e o subvertem em ritmo (mais lento) e foco (bons personagens e situações).

O plot da série é o seguinte:  em uma pequena cidade rodeada por montanhas, os mortos saem de seus túmulos e começam a vagar pela região. A última lembrança que eles têm é do momento anterior às suas respectivas mortes. Alguns faleceram há pouco tempo, outros há anos. Agora eles buscam se reintegrar à sociedade que não compreende a razão pela qual esse fenômeno ocorre, aparentemente, apenas nessa cidade, só que nem tudo é o que parece.

Assim, a cada episódio (também vi somente os dois primeiros) temos no título o nome de cada um dos mortos que retornaram, Camille e Simon, os roteiros trabalham lentamente e de maneira incisiva com os conflitos criados com o retorno de cada personagem (ente) para sua casa após anos. O primeiro episódio é sublime, fazia muito tempo que não via um episódio inicial tão bom, cenários e fotografia belissímos, bons personagens, conflitos dramáticos curiosos e muita vontade de continuar acompanhando.

Curiosidade, a série de Fabrice Gobert adapta o filme de Robin Campillo, lançado em 2004, com a mudança de alguns personagens, e lembra, para os fãs da literatura de Érico Veríssimo, a trama do livro Incidente em Antares.

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