Archive for junho \13\UTC 2014

Destaques da Quinzena em DVD/BluRay (02 à 13/06)

13/06/2014

clubedecomprasClube de Compras Dallas – um dos grandes ganhadores do Oscar 2014, levou os prêmios de melhor ator para Matthew McCounaghey e melhor ator coadjuvante para Jared Leto, ambos muito bem em cena, porém, em papéis típicos de ganhadores de Oscar, um machão em busca de redenção e um travesti, respectivamente. Além disso, a direção é do canadense Jean-Marc Valleé, responsável pela agradável surpresa C.R.A.Z.Y -Loucos de Amor e A Jovem Rainha Vitória. O filme em si é um retrato dos anos iniciais do tratamento do vírus HIV, em 86, confesso que após ver The Normal Heart, o quadro fica melhor ilustrado, o grande mérito do filme é mesmo seus atores. A trama mostra a história de Ron Woodroof (Matthew McConaughey), consumidor de drogas, amante de mulheres, homofóbico, que, em 1986, foi diagnosticado com aids e recebeu a sentença de 30 dias de vida. A partir daí, sua luta pela vida intensificou-se e, quase à beira da morte, ele foi em busca de medicamentos alternativos fora do país já que o único remédio legal nos Estados Unidos para combater a doença, na época, era o AZT. Com a ajuda de sua médica, dra. Eve Saks (Jennifer Garner), e do travesti Rayon (Jared Leto), portador do HIV, Woodroof criou clubes em que as pessoas pagavam por esses tratamentos alternativos, o que levou as indústrias farmacêuticas dos Estados Unidos a travarem uma guerra contra ele. Woodroof morreu em 12 de setembro de 1992, seis anos após o diagnóstico fatal.

operacaosombraOperação Sombra – Jack Ryan – enquanto todos os estúdios procuram uma franquia de ação para chamar de sua, incluindo os estúdios que possuem direitos sobre os herois em quadrinhos, a Paramount resolveu fazer um reboot (novamente) do agente Jack Ryan, já interpretado por Harrison Ford e Ben Affleck, em três filmes anteriores; aqui, vemos Chris Pine (já envolvido com a franquia Star Trek) assumindo o papel de Ryan, tendo como interesse romântico Keira Knightley, Kevin Costner como mentor (jura?) e Kenneth Branagh como vilão e, também,  diretor (diga-se de passagem, se mostrando como um diretor operário padrão, lamentável, sem pensarmos no diretor shakespereano que o ator vinha mostrando nos cinemas). Resultado irregular e dificilmente a franquia engrena novamente. Na trama, Jack Ryan (Chris Pine), um jovem analista da CIA, descobre plano russo para travar a economia dos EUA, com um ataque terrorista. Depois de deixar a Marinha e se tornar consultor financeiro de um bilionário, o agente é forçado a voltar à ativa para impedir o plano de seus algozes.

sosS.O.S Mulheres ao Mar – comédia romântica nacional com o casal da novela global, a carismática Giovanna Antonelli e Reinaldo Gianecchini, tendo como alívios cômicos as atrizes Thalita Carauto e Fabíola Nascimento, a direção é de Chris D’amato. Na trama, decidida a reconquistar seu ex-marido, a bela Adriana (Giovana Antonelli) embarca em um cruzeiro. O que ela descobre é que ele tem uma nova namorada, dessa vez famosa e estrela de TV. Durante o passeio, ela vai aprender que pode encontrar novos caminhos e soluções para sua vida.

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The Normal Heart (HBO)

06/06/2014

thenormalheart

Posso estar enganado, mas acredito que no ano passado comentei por aqui sobre a “última” produção original do canal HBO americano Behind the Candelabra (acho que por aqui se chamou, Minha Vida com Liberace), com direção de Steven Soderbergh e roteiro de Richard LaGravenese, um belo filme, diga-se de passagem, com ótimas atuações de Michael Douglas e Matt Damon, além de uma boa reconstituição de época; dito isso, agora chegou a vez de tecer breves comentários sobre a nova produção original do canal, The Normal Heart, dirigida por Ryan Murphy e roteirizado por Larry Kramer (adaptado de sua peça teatral).

Para quem não conhece a trama do filme (e da peça), o roteiro mistura ficção e autobiografia, retratando o auge da disseminação do vírus HIV em Nova York, no início da década de 80, sob olhar do ativista Ned Weeks (Mark Ruffalo), gay, judeu e fundador de um grupo de apoio voltado para casos relacionados ao vírus. No entanto, se parece que o filme somente acompanhará as dificuldades e o sofrimento dos personagens frente ao surgimento da doença e descaso do Estado, engana-se, pois roteiro consegue levantar algumas questões bastante relevantes e atuais sobre igualdade, aceitação e responsabilidade civil.

Assim, quando surge em cena Mark Ruffalo, como Ned, discutindo com o irmão mais velho, Ben (Alfred Molina), que o “aceita” como gay, inclusive, lhe auxiliando financeiramente, vemos que Ned está revoltado não somente com a situação referente ao vírus, mas também com o fato de seu estimado irmão não conseguir achá-lo “igual” a ele, como ser humano; a sequência é simples, a melhor do filme junto com a cena da hospital e o abraço completo dos irmãos, mas com diálogos tão contundentes e verossímeis, mostrando que o texto do filme busca ser muito mais que um discurso panfletário/marketeiro da “causa gay”, ao invés disso, investe numa abordagem humana e delicada sobre aceitação, claro que não esquecendo as tragédias que o vírus disseminou nas pessoas e familiares destas.

Ryan Murphy, roteirista/diretor, mais reconhecido pelo público série maníaco, de séries como Popular, Nip/Tuk, Glee e, recentemente, American Horror Story, é um ótimo criador/idealizador de séries (normalmente, suas séries tendem ao exagero e fácil desgaste), sempre calcadas em personagens complexos e polêmicos; o universo gay sempre esteve presente nos seus textos, com ótimos personagens e diálogos que passam longe da abordagem “chapa branca”. Mesmo não contando com muita experiência em longas (anteriormente, havia dirigido somente Correndo com Tesouras), Murphy leva seu reconhecido talento em abordar temas polêmicos e dirigir bons atores ao filme, é impressionante como o coletivo do filme funciona, aliado ao ótimo roteiro, naturalmente!

Assim, não havendo destaques individuais, quando estão todos atores bem em cena, desde a discrição de Jim Parsons (sim, o Sheldon de The Big Bang Theory, num papel já interpretado pelo ator no teatro), passando pelo esforço físico de Matt Bomer, Alfred Molina, Taylor Kitsch até Julia Roberts (destaque como forte personagem feminina, praticamente a única), sobra holofote para o trabalho riquíssimo de Mark Ruffalo, delicado e revoltante, o ator consegue imprimir um jeito inquietante ao personagem que, mesmo desrespeitando os amigos, torna-se tocante pelas motivações do mesmo.

THE NORMAL HEART: 8,0

Direção: Ryan Murphy

Roteiro: Larry Kramer

Elenco: Mark Ruffalo, Alfred Molina, Matt Bomer, Julia Roberts, Taylor Kitsch, Jonathan Groff, 132 min