The Normal Heart (HBO)

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Posso estar enganado, mas acredito que no ano passado comentei por aqui sobre a “última” produção original do canal HBO americano Behind the Candelabra (acho que por aqui se chamou, Minha Vida com Liberace), com direção de Steven Soderbergh e roteiro de Richard LaGravenese, um belo filme, diga-se de passagem, com ótimas atuações de Michael Douglas e Matt Damon, além de uma boa reconstituição de época; dito isso, agora chegou a vez de tecer breves comentários sobre a nova produção original do canal, The Normal Heart, dirigida por Ryan Murphy e roteirizado por Larry Kramer (adaptado de sua peça teatral).

Para quem não conhece a trama do filme (e da peça), o roteiro mistura ficção e autobiografia, retratando o auge da disseminação do vírus HIV em Nova York, no início da década de 80, sob olhar do ativista Ned Weeks (Mark Ruffalo), gay, judeu e fundador de um grupo de apoio voltado para casos relacionados ao vírus. No entanto, se parece que o filme somente acompanhará as dificuldades e o sofrimento dos personagens frente ao surgimento da doença e descaso do Estado, engana-se, pois roteiro consegue levantar algumas questões bastante relevantes e atuais sobre igualdade, aceitação e responsabilidade civil.

Assim, quando surge em cena Mark Ruffalo, como Ned, discutindo com o irmão mais velho, Ben (Alfred Molina), que o “aceita” como gay, inclusive, lhe auxiliando financeiramente, vemos que Ned está revoltado não somente com a situação referente ao vírus, mas também com o fato de seu estimado irmão não conseguir achá-lo “igual” a ele, como ser humano; a sequência é simples, a melhor do filme junto com a cena da hospital e o abraço completo dos irmãos, mas com diálogos tão contundentes e verossímeis, mostrando que o texto do filme busca ser muito mais que um discurso panfletário/marketeiro da “causa gay”, ao invés disso, investe numa abordagem humana e delicada sobre aceitação, claro que não esquecendo as tragédias que o vírus disseminou nas pessoas e familiares destas.

Ryan Murphy, roteirista/diretor, mais reconhecido pelo público série maníaco, de séries como Popular, Nip/Tuk, Glee e, recentemente, American Horror Story, é um ótimo criador/idealizador de séries (normalmente, suas séries tendem ao exagero e fácil desgaste), sempre calcadas em personagens complexos e polêmicos; o universo gay sempre esteve presente nos seus textos, com ótimos personagens e diálogos que passam longe da abordagem “chapa branca”. Mesmo não contando com muita experiência em longas (anteriormente, havia dirigido somente Correndo com Tesouras), Murphy leva seu reconhecido talento em abordar temas polêmicos e dirigir bons atores ao filme, é impressionante como o coletivo do filme funciona, aliado ao ótimo roteiro, naturalmente!

Assim, não havendo destaques individuais, quando estão todos atores bem em cena, desde a discrição de Jim Parsons (sim, o Sheldon de The Big Bang Theory, num papel já interpretado pelo ator no teatro), passando pelo esforço físico de Matt Bomer, Alfred Molina, Taylor Kitsch até Julia Roberts (destaque como forte personagem feminina, praticamente a única), sobra holofote para o trabalho riquíssimo de Mark Ruffalo, delicado e revoltante, o ator consegue imprimir um jeito inquietante ao personagem que, mesmo desrespeitando os amigos, torna-se tocante pelas motivações do mesmo.

THE NORMAL HEART: 8,0

Direção: Ryan Murphy

Roteiro: Larry Kramer

Elenco: Mark Ruffalo, Alfred Molina, Matt Bomer, Julia Roberts, Taylor Kitsch, Jonathan Groff, 132 min

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