Para Sempre Alice

parasemprealice

“Arte de perder”

Não é a primeira vez que o cinema americano mergulha num dos piores males que pode atingir a saúde humana: a doença degenerativa, no caso específico do filme, o Mal de Alzheimer. Recentemente, um filme que também chegou ao Oscar, dirigido com beleza e delicadeza pela atriz Sarah Polley, Longe Dela, rendeu indicações ao roteiro (também da atriz/diretora), e atriz principal, para a veterana Julie Christie (sendo que indicava fácil, fácil o ator Gordon Pinsent, como protagonista masculino).

Se em Longe Dela, tínhamos a narrativa sob o olhar do marido que vê a esposa sendo “levada” pela enfermidade, em Para Sempre Alice, o roteiro centra a rotina na decadência física e intelectual da própria vítima, a professora de linguística, Alice Howland, portadora de um Mal de Alzheimer precoce e congênito, descoberto após alguns problemas como esquecimentos.

O foco da trama centrado em Alice, inicialmente em sua rotina na Universidade e com a família, vai sendo substituído pelas dificuldades neurológicas que vão surgindo paulatinamente, inicialmente, com perda de raciocínio e geográfica até um simples jogo de palavras do smartphone. Onde o roteiro falha é na construção dos familiares de Alice, principalmente, na filha mais velha, Anna (Kate Bosworth, num momento Renee Zellweger, com aparência “freak”), que surge em cena sempre como a filha arrogante, rasa e chata, poderiam (todos) render mais.

No entanto, como o filme gira no entorno de Julianne Moore, cito uma sequência que me emocionou e me fez rir devido ao contexto todo, Alice, já sob domínio do Alzheimer, vê num notebook um vídeo de Alice ainda sã, e no qual ela sugere um suicídio medicamentoso à sua versão enferma, a Alice enferma tenta por diversas vezes lembrar das instruções da Alice sã, mas em vão, já que a mesma rapidamente esquece as instruções; a sequência que parece cômica, na verdade, cria o grande contraponto entre a vivacidade da personagem Alice pré-doença com a passividade fria da Alice enferma, um trabalho digno de Moore, atriz merecedora de um Oscar há anos.

Para Sempre Alice é um drama simples, tocante e bastante triste.

Para Sempre Alice: 7,0

Direção: Richard Glatzer e Wash Westmoreland

Com: Julianne Moore, Alec Baldwin, Kristen Stewart, Kate Bosworth, Shane McRea, Hunter Parrish. 101 min

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