Balanço da Temporada: Orange is the New Black – 3ª temporada

Ainda não me acostumei ao novo jeito de ver séries perpetrado pelo Netflix, temporada corrida com todos episódios disponibilizados; confesso que nunca fui fã de maratonas de séries, sempre preferi conferir semanalmente episódio por episódio com tempo para reflexão-sofrimento-alegria que eles podem gerar. No entanto, quando uma série seduz a gente não há como evitar de assistí-la diariamente (como um bom brasileiro e sua tradicional novela), este foi o caso de Sense8 (ainda preciso escrever sobre ela) e Orange is the New Black, em sua terceira temporada.

orangeOrange é uma série que alcançou um status positivo desde sua temporada de estréia e ratificou essa condição na segunda temporada (méritos de sua criadora e roteirista Jenji Kohan), seja pela temática inédita, seja pelo competente elenco reunido, seja pela abordagem de temas caros ao universo feminino e pelo equilíbrio entre drama e comédia; dito isso, começo a resenha chamando a atenção para, talvez, o único equívoco grave da temporada, a falta de um arco que, de alguma maneira, conectasse as personagens do presídio de Litchfield.

Na primeira havia a chegada e o olhar de Piper (protagonista) para aquele universo, na segunda, o retorno de uma presidiária, Vee (excelente participação da atriz Lorraine Toussant), que servia de grande antagonista na trama sendo que ela passava por vários núcleos nesse contexto; assim, na terceira temporada, ressenti por um elo de ligação ou mesmo personagem que transitasse entre os diferentes núcleos da série, talvez a oportunidade seria se a privatização de Litchfield fosse tratada de maneira universal atingindo a todos personagens de maneira orgânica e não somente o setor administrativo do presídio (Caputo e os demais guardas).

Agora se não tivemos um grande arco sendo trabalhado na temporada, essa temporada ficará conhecida como a queda da protagonista da série (Piper) em prol de um destaque maior ao grande elenco coadjuvante da série (observem que Piper não teve sequer flashbacks nessa temporada), assim houve storylines muito bem trabalhadas como os traumas de Pennsatucky (Taryn Manning se descolou do papel de antagonista de Piper de uma maneira incrível) e as questões religiosas, seja através do grupo de presidiárias afrodescendentes, que tenta fugir da comida industrial apelando aos direitos legais dos judeus – uma dieta especial, ou as seguidoras de Norma, a mudinha hippie com toque especial. Para notar a importância de Pennsatucky nessa temporada, somente a personagem levantou questões como aborto e estupro em sua jornada.

Houve outras storylines que oportunizaram destaques a dezenas de personagens, tanto dramáticas quanto cômicas (o tráfico de calcinhas de Piper foi uma delas), porém me incomodou um pouco a troca de papéis entre Piper e Alex, ressenti que a personagem de Alex ficou muito melindrosa em comparação com as temporadas passadas, aproveito para comentar que nenhuma personagem estreante dessa temporada se destacou (tô falando de Lolly e Stella), mas já vislumbramos que na próxima temporada haverá novas personagens com destaque para a chegada de uma detenta famosa, a apresentadora de tevê Judith King (papel de nossa querida Blair Brown, Nina Sharp de Fringe).

Obs.: teve um “fan service” dos roteiristas nessa temporada que saltou aos olhos, toda a boa repercussão de Uzo Aduba e sua Crazy Eyes nas temporadas anteriores fizeram com que nessa terceira temporada os roteiristas lhe reservassem uma storyline para chamar de sua, um roteiro bem louco como a personagem, merecido!

Obs. II: para mais detalhes de cada episódio, só dar uma espiada na aqui página da série.

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