Beasts of No Nation (Netflix)

beastsofnonation

Ao surgir como plataforma para transmissão de conteúdo streaming anos atrás dificilmente acreditaria que em pouco tempo o Netflix, primeiro criaria conteúdo para exibição própria como séries e desenhos (Orange Is the New Black, House of Cards, entre outros), em busca de reconhecimento e popularização, já arrebatando prêmios importantes, para, num segundo momento, expandir ainda mais seu conteúdo ao criar e/ou exibir em parceria filmes inéditos no circuito exibidor tradicional (cinema/home video/televisão).

Tendo alguns contratos e filmes já viabilizados nesse momento (se não me engano, com o ator Adam Sandler serão quatro filmes lançados) para exibição nos próximos meses, espero que o Netflix aposte em produções do calibre desta primeira, Beasts of No Nation, pois comédias idiotas do tipo de Adam Sandler já encontram espaço no circuito exibidor, em contraponto, um filme como Beasts of No Nation dificilmente são produzidos com dinheiro americano e, se são, poucas vezes conseguem ser tão relevantes e verossímeis como o roteiro e a direção de Cary Joji Fukunaga, mais conhecido pela visão por trás da 1ª temporada de True Detective (diretor de todos episódios).

Antes de comentar sobre Fukunaga, acho importante apontar a escolha do elenco do filme, um trabalho belíssimo e competente de preparo do mesmo, principalmente, se levarmos em conta, que a única figura conhecida é o ator inglês Idris Elba (conhecido dos fãs de série pela ótima série Luther), já os demais praticamente amadores. No entanto, lembrando inclusive nesse ponto nosso filme mais reconhecido Cidade de Deus, o elenco jovem rouba a cena ao transmitir inocência, pavor, resiliência e esperança, com total destaque para o protagonista Abraham Attah (Agu), lembrando a boa repercussão do trabalho de Barkhad Abdi em Capitão Phillips, que lhe rendeu uma indicação ao Oscar daquele ano de ator coadjuvante. Será que Abraham consegue o mesmo feito essa temporada?

Depois de assistir Beasts of No Nation até dá para desculpar Cary Joji Fukunaga pelo seu afastamento da 2ª temporada de True Detective, inclusive, é fácil observar como a trabalho em todos os episódios da magnífica primeira temporada fizeram falta nessa segunda (desculpa aí Nic Pizzolato!). Dito isso, Fukunaga além de dirigir e roteirizar também foi o diretor de fotografia do projeto, lembrando como vários críticos apontaram ares de “Terrence Malick” nas sequências da floresta. O trabalho do diretor é duro, inclusive graficamente pelos genocídios expostos, mas, ao mesmo tempo, não abre mão de ilustrar a inocência daqueles crianças miseráveis perdidas numa guerra civil sem sentido e de lados obscuros, como na bela e cômica sequência inicial tendo uma caixa de televisão como brinquedo.

Concluindo, fica a expectativa de saber como a Academia e seus integrantes (que repercutirá no Oscar, obviamemte) irão reagir ao filme no sentido de não ser lançado de maneira tradicional (mesmo que tenha conseguido exibição na telona, em circuito restrito), ficará a favor dos exibidores ou apostará na popularização inevitável desse meio, inclusive no sentido de conseguir arrebatar um público mais jovem e antenado as novas mídias? Será interessante observar essa questão.

Tags: , , , , ,

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: