O Quarto de Jack

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Se o buzz de O Quarto de Jack, quando mencionado, sempre aponta para o nome do jovem ator, na verdade, a carismática criança Jacob Tremblay, merecidamente, diga-se de passagem, afinal de contas o difícil e pesado tema do filme tem como ponto de visto o do jovem Jack, quando vemos o filme, o mesmo ganha contornos maiores e melhores. Se não é mentira que Jacob Tremblay rouba a cena, também, deve-se deixar bem claro, que o excelente trabalho de direção, de roteiro e de sua parceira de cena, a atriz Brie Larson, colaboram em muito para o filme um destaque e, consequentemente, parte da cota independente (indie americana) no Oscar 2016.

Gosto quando o Oscar dá visibilidade a certos projetos, pequenos em sua maioria, mas relevantes em temas abordados, como acontece em O Quarto de Jack; me surpreendi bastante com a metade inicial da narrativa que dramatiza as manchetes de jornais sobre mulheres feitas reféns em cativeiros e que acabam criando uma família, vinda do abuso, nesse ambiente. Ali, o diretor Lenny Abrahamson mostra todo seu talento, junto ao diretor de fotografia e aos cenógrafos, ao “expandir” o referido quarto do título, deixando-o muito maior do que realmente é (como conferimos numa sequência ao final), mimetizando o olhar de Jack para este, afinal como aquele é o universo do personagem, nada como este achá-lo muito maior do que realmente é.

Em sua segunda metade, pós fuga do cativeiro, o roteiro muda a abordagem, sai a aparente retrato de normalidade do dia-a-dia, de abusos cíclicos e dificuldades, e entra em cena a adaptação para o “mundo real”, neste sentido, Jack por estar em contato com incontáveis novidades se adapta muito melhor que sua mãe, que em seu retorno para o lar dos pais (na verdade, da mãe, pois após 7 anos de cativeiro, seus pais se separaram), encontra extremas dificuldades em “continuar” com sua vida, parece que realmente o que mantinha Joy “viva” no cativeiro era sua porção “mãe ursa”, protegendo o filho de possíveis contato com Velho Nick e com a dura realidade na qual viviam; neste momento, o roteiro e a atriz Brie Larson, roubam o filme para si, retratando a fragilidade psicológica na qual o jovem se encontra, triste e comovente!

Buscando abordar somente as vítimas, em momento algum sabemos o que ocorre com o estuprador/sequestrador e nem seus motivos, o roteiro se diferencia de dramas comuns, ao buscar delicadeza e verossimilhança para os eventos, além dos referidos talentos acima citados. Um filme imperdível!

O Quarto de Jack: 5star

Direção: Lenny Abrahamson

Roteiro: Emma Donogue

Com: Brie Larson, Jacob Tremblay, Joan Allen, William H. Macy. 118 min

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