Um Homem Entre Gigantes

Em meio à campanha #oscarsowhite, que obviamente é uma questão de suma importância como denúncia de pouco acesso aos negros e minorias aos melhores papéis da indústria cinematográfica, falava-se sobre a ausência de Will Smith, como exemplo, na mesma premiação por seu papel em Um Homem Entre Gigantes, como sendo uma injustiça da Academia; este tipo de repercussão me preocupa em tempos de radicalismos, pois o personagem Dr. Bennet Omalu e consequentemente o filme dirigido por Peter Landesman são de uma superficialidade ímpar, como normalmente ocorre em biografias americanas, não conseguem apresentar seu “biografado” sem homenageá-lo, glorificá-lo e canonizá-lo, típico exemplo de biografia “chapa branca”!

concussion

Dr. Omalu é um cientista exemplar perdido dentro de um prédio Médico Legal, seus colegas não gostam dele pois ele trabalha e dedica-se “demais”, inclusive conversa com os mortos, é um estrangeiro discreto, educado e praticamente assexuado; o personagem não apresenta conflito algum para Will Smith, sempre com forte sotaque, olhar doce e fala mansa, o personagem somente tem alguns embates com figurões ou colegas com maior prestígio que o dele, nem mesmo sua vida privada é abordada com verosimilhança pelo roteiro, sua “partner” Gugu Mbatha-Raw, serve somente de ouvidora para as explanações do personagem em determinados momentos do filme, um desperdício!

Ao tentar fazer um típico filme “homem contra o sistema”, no caso a denúncia do dr. Omalu de que o futebol americano causava danos neurológicos aos jogadores da Liga NFL, lembrando que este é fato verídico, o roteiro e a direção não conseguem se impor de maneira clara, pintam todos personagens e situações com preto e branco, não há espaço para sutilezas, conspirações e hesitações, parece que tentaram deixar tudo o mais “mastigadinho” possível para o grande público.

Portanto, foi um belo acerto deixar de fora do Oscar tanto a interpretação de Will Smith como possíveis outras indicações a mais um filme “oscarizável” de 2015.

PS.: bons exemplos de indicações que poderiam combater o debate étnico deste ano seriam Samuel L. Jackson, por Os Oito Odiados, Michael B. Jordan, por Creed, assim como seu diretor/roteirista, Ryan Coogler, apenas para citar alguns.

UM HOMEM ENTRE GIGANTES: 2star

Direção: Peter Landesman

Roteiro: Peter Landesman, artigo de Jeanne Marie Laskas

Com: Will Smith, Gugu Mbatha-Raw, Alec Baldwin, Albert Brooks, David Morse, Arliss Howard. 123 min

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