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O Vencedor

09/02/2011

Expectativa é um negócio interessante ao se assistir um filme pois tanto pode surpreendê-lo quanto decepcioná-lo, é um sentimento muito pessoal, digo isto porque, ao ver toda a atenção que O Vencedor estava/está recebendo, pensei comigo, mais um filme dramático passado no submundo do boxe, como os recentes Menina de Ouro e O Lutador, só para citar os mais recentes, com certeza não deve ser tudo isto, agora, depois de visto, sou obrigado a refletir e dar o braço a torcer, o filme realmente é muito bom, o conjunto de clichês – filme edificante, boxe e família disfuncional – funciona com perfeição nas mãos do diretor – bissexto –  David O. Russell.

O maior acerto da direção de O. Russell foi imprimir um tom documental à película, isto observado através de produção do documentário da HBO sobre irmão de Micky, Dicky, nós espectadores observamos os bastidores da produção e quando exibida temos um dos momentos mais cruéis da trama, além disso, a fotografia de O Vencedor também reitera esta sensação realista, o que faz com que nós espectadores nos tornamos testemunhas próximas da trama de Micky Ward.

Mas se o diretor demonstra não saber como filmar os embates nos ringues, sequências bem banais, o mesmo não se pode dizer das sequências familiares, na verdade, o maior interesse do filme: as relações familiares. A família de Micky, se não foi exageradamente pintada, como o retrato do filme, é uma verdadeira e caótica tragédia grega: a mãe que superprotege o filho com problemas de drogas, enquanto, abusa financeiramente do filho mais passional; o pai que não se envolve com as questões por estar cercado por oito mulheres; as sete irmãs que mais parecem um coral grego histriônico; a namorada que enfrenta a família do namorado; o filho drogado e egocêntrico, mas carismático e carinhoso e o nosso héroi ou anti-herói, que fica a margem das decisões sobre sua vida profissional e pessoal.

Assim, é certo para mim que se as escolhas do elenco fossem diferentes das que surgem na telona, teríamos outro filme sendo exibido. A criação de Christian Bale, Melissa Leo e Amy Adams são excelentes, claro que Bale vem ganhando mais destaque por mostrar novamente sua versatilidade física, assim como em O Operário, ao emagracer e ficar com um aspecto absolutamente assustador como usuário de crack (sim, na vida real, as pessoas que consomem esta droga ficam com este aspecto, infelizmente), mas o ator também imprime um carisma ao personagem que fica difícil racionalmente repudiá-lo.

Mas quero usar este texto para defender o papel “escada” de Mark Wahlberg, notem como seu personagem sempre fica à margem dos demais, dificilmente tem a atenção sobre sua figura muito tempo, é um papel principal que se transforma num coadjuvante diante dos eventos que o filme retrata. Mark Wahlberg é um ator de poucos papéis e, estes ainda similares, principalmente por ter um tipo que funciona muito bem como policial e da classe operária, porém tem demonstrado ser um ator esforçado, trabalhando com bons diretores como Martin Scorsese (Os Infiltrados), James Gray (Os Donos da Noite), Antoine Fuqua (O Atirador) e Paul Thomas Anderson (Boogie Nights). Além disso, tem se mostrado um ótimo produtor ao viabilizar produções televisivas de qualidade no canal HBO como, Entourage, In Treatment e, recentemente, Boardwalk Empire. 

O VENCEDOR: 8,0

Diretor: David O. Russell

Roteiro: Scott Silver, Paul Tamasy, Eric Johnson

Elenco: Christian Bale, Mark Wahlberg , Amy Adams, Melissa Leo , Robert Wahlberg, Dendrie Taylor, Jack McGee, Jenna Lamia, Salvatore Santone , Chanty Sok, Bianca Hunter, Sean Patrick Doherty, James Shalkoski Jr., Barry Ace, Caitlin Dwyer, Jeremiah Kissel. 115 min. Imagem Filmes

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