Archive for the ‘The Killing’ Category

Balanço da Temporada: The Killing – 1ª Temporada

22/06/2011

***spoilers

Sinceramente, compreendo a revolta dos espectadores com o final de temporada de The Killing, se não me engano, a série foi vendida como uma série policial que iria investigar o assassinato de Rosie Larsen durante seus treze episódios, e que a série teria um caso por temporada caso fosse renovada; lendo o blog de Fernanda Furquim fiquei sabendo que na série original, sueca, o caso continuou sendo trabalhado durante a segunda temporada, logo quando anunciaram a renovação pelo canal AMC, desconfiei que o mesmo podia acontecer na versão americana, de imediato, com o gancho final do penúltimo episódio achei que isto não ocorreria, porém, a escolha equivocada dos produtores se confirmou, agora vão ter que lhe dar com as críticas generalizadas que a série vem recebendo (até mesmo a crítica especializada americana também reclamou bastante da season finale, que pode influenciar a temporada de premiações)!

Faço duas leituras da temporada: 1ª) a série teve 13 episódios com qualidade muito superior ao que o gênero atualmente apresenta, sim estou falando dos demais dramas de procedimento, do qual sou fã da maioria, então posso falar, The Killing trabalhou o investigação criminal de maneira genial, lenta e sem dinâmica alguma, como acontece na vida real, buscou ser verossímil, logo seu desfecho foi um equívoco de um produto comercial, realizado para dar lucro (a busca pela continuidade), mas não faz os episódios anteriores serem menos bons em função disso; 2ª) o grande problema para mim deste quase desfecho da trama foi a suposta reviravolta injustificada (por enquanto) do personagem Holder, o sujinho da Narcóticos, que sofreu na mãos da correta de Sarah, sempre contida e observadora, teve seu revelado em episódios passados, não era a reunião do AA? Como assim, ele pode simplesmente planta uma prova cabal da investigação a esta altura do campeonato, se ele estivesse mal intencionado ele já não poderia ter interferido em algum momento anterior? Esta revelação vai contra tudo o que os produtores trabalharam durante a temporada, onde olhares, atitudes e relacionamentos tinham um porque dentro do arco de cada personagem.

Personagens, estes, o maior acerto da série! Cada personagem teve sua importância em algum momento da série, ajudando ou não a investigação criminal com alguma nova informação, depoimento ou mentiras, claro que o núcleo político foi o maior sacrificado em virtude da eterna suspeita que deveriam levantar, os personagens deste núcleo ficaram meio ambíguos demais, inclusive o vereador com cara de coitado. No entanto, tanto Mireille Enos, protagonista e elo de ligação entre os núcleos, quanto Michelle Forbes, a mãe que não sabe lhe dar com seu luto, foram um show à parte; Forbes me surpreendeu depois de vê-la em In Treatment e True Blood, aqui, mais contida e soturna, seu sofrimento era palpável, já Mireille Enos, grata surpresa, não conhecia a atriz (parece que era coadjuvante em Big Love), soube criar uma personagem riquíssima junto ao roteiro, diga-se de passagem, desde já nome certo na temporada de premiações (se a série não sofrer com a repercussão da finale). Outro “personagem” que esteve todo momento presente foi a chuva incessante de Seattle, ambiente perfeito que parece oprimir os personagens e criar, ainda mais, uma clima de mistério e isolamento na série.

Melhor episódio: Piloto

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Primeiras Impressões – Mildred Pierce e The Killing

06/04/2011

Desde janeiro tenho pensado em fazer um post comentando algumas estréias deste primeiro semestre do ano, ou época conhecida como mid season da tevê americana, porém, com exceção de The Chicago Code, nenhuma das demais estréias (Mad Love, Off the Map, Episodes, Mr. Sunshine, Harry’s Law, etc) me empolgaram para fazer alguns comentários num texto especial. Isto mudou esta semana, a estréia de minissérie Mildred Pierce (HBO) e da série The Killing (AMC) são os novos exemplos dos boa fase que a produção televisiva tem apresentado nesta década (pena que ainda fique muito restrita aos canais à cabo), e  novamente, vemos o poder artístico da televisão fazendo facilmente frente ao delicado momento do cinema americano (claro que sempre há exceções).

Claro que posso estar sendo precipitado, as tramas de ambas séries ainda estão engatinhando, mas somente as primeiras impressões já são de deixar o queixo caído, o cuidados com a escolha do elenco, locações e aspectos técnicos, já são um diferencial absurdo frente aos produtos que hoje são oferecidos por outros canais de televisão.

MILDRED PIERCE: elogiar a minissérie pelos aspectos técnicos, cinematográficos para ser sincero, é “chover no molhado”, o cineasta Tood Haynes se reúne a fantástica atriz Kate Winslet (uma das minhas musas, particularmente), e a um elenco muito interessante com nomes como Melissa Leo, Bryan F. Byrne, Guy Pearce (ainda não visto), Hope Davis (em pequena participação) e James LeGros para recontar um clássico do melodrama americano do escritor James M. Cain, já levado ao cinema nos idos anos 40 com performance ganhadora de Oscar de Joan Crawford (atriz bastante conhecida dos mais jovens pelo seu retrato como a “mamãezinha querida”, no filme homônimo onde era representada por Faey Dunaway).

Ainda não há muito o que falar sobre a minissérie (cinco episódios) pois neste episódio introdutório conhecemos a rotina de Mildred Pierce, uma dona-da-casa tipicamente do subúrbio, mãe de duas filhas, que faz bolo para fora, casada com um marido desempregado, estamos no início dos anos 30 (Grande Depressão americana), que ainda na cara dura possui uma amante. Nos primeiros dez minutos Mildred põe o marido para fora de casa e resolve buscar um emprego, recebe conselhos e ajuda da vizinha (Melissa Leo), no entanto, precisará passar por cima de seu orgulho, afinal as propostas são extremamente humilhantes como governanta ou seu emprego final como garçonete, inclusive sendo apalpada pelos clientes.

Aqui, pelo andar da carruagem, não conheço a trama a fundo, Mildred “passará o pão que o diabo amassou”, tanto para levar sua família adiante quanto intimamente com seus futuros amores e os conflitos com a filha mais velha, um legítimo novelão, que por sorte nossa, caiu nas mãos de Todd Haynes, excelente diretor de filmes como Longe do Paraíso (que fazia uma homenagem a este gênero especificamente) e Não Estou Lá (aquele cinebiografia psicodélica de Bob Dylan).

THE KILLING – confesso que tinha um receio maior quanto à The Killing, adaptação americana para a série dinamarquesa Forbrydelsen, porém o canal AMC (o mesmo de Mad Men – que não curto -, Breaking Bad – adorando e colocando em dia-, Rubicon – uma pena ter sido cancelada -, e a mais hypada – e boa também – em termos de público até agora, The Walking Dead) prova que é possível criar uma trama policial adulta, verossímil e fugindo um pouco do habitual caminhos dos “dramas de procedimento” que inundam a tevê aberta, assim ela entrega um produto apreciado pelo público em geral, porém com uma qualidade superior.

A começar pela dinâmica do episódio, um episódio duplo, que passou quase toda sua primeira hora montando o momento da descoberta do crime, mesmo sabendo que iria ocorrer, cada peça foi movida em determinado momento gerando um clímax bastante emocionante, claro que me refiro à descoberta dos pais. Sarah, a investigadora que estava indo embora para Califórnia, morar com o namorado e seu filho, terá que ficar mais um tempo na gélida paisagem local de Seattle (fotografia belíssima!), trabalhando junto a sua substituto, dois tipos diferentes de detetives cada um com um olhar diferente para a investigação. O olhar de Sarah foi uma das coisas que mais gostei neste episódio duplo!

O mais interessante, além do bom elenco reunido, é a maneira como a trama desenhou os núcleos envolvidos na morte da garota Rosie Larsen, temos o núlceo dos policiais envolvidos na investigação, o núcleo familiar agindo de maneira estranha, não sei se em função do choque da morte da garota ou algum segredo entre o casal, o núcleo da escola e colegas da garota e, o mais interessante até aqui, o núcleo do vereador e candidato em campanha Richmond, o que vai gerar todo conflito político dentro da trama, afinal o corpo da menina apareceu dentro de um porta-malas num lago, sendo que o carro pertencia a campanha do vereador…mistério…e parece ser dos bons!