Archive for the ‘The Walking Dead’ Category

Balanço da Temporada: The Walking Dead 6ª temporada

04/04/2016

*****aviso de spoilers

Não esperava que isso acontecesse nessa temporada, com uma iminente e propagada reviravolta na trama, a dita “chegada de um novo antagonista, vilão icônico como Governador, etc”, mas finalizo meus trabalhos com The Walking Dead!

TheWalkingDead (1)

Dito isso, acho a temporada muito boa, uma das melhores até aqui, desde o início com a dominação do grupo de Rick em Alexandria até a ideia de se livrar dos zumbis na pedreira, sequências bacanas e cheias de tensão, daí vem os roteiristas e criam aquele mistério tabajara sobre a morte ou não de Glenn, que além de muito mal feita, ainda permanece durante um mês no ar na série. Terminamos com o plano de Rick dando errado e uma invasão de zumbis aniquilando parte de Alexandria, segunda parte da temporada, temos a ameaça assombrosa dos Salvadores e o nome de Negan sendo dito aqui e ali, conhecemos Jesus (num episódio Sessão da Tarde) e Hilltop de uma maneira interessante e bem dinâmica para os padrões – lentos – da série, no entanto, quando tudo se encaminha para uma reta final inesquecível, os roteiristas tiram o pé das tramas, começam a trazer uns questionamentos irrelevantes aos personagens, as malditas saidinhas para morrer alguém, nem sempre relevante, e chegamos à season finale!

Era o momento de explodir cabeças, no entanto, os roteiristas resolveram rodar-rodar-rodar com os personagens, fugindo dos Salvadores, afinal eles queriam levar Maggie ao médico de Hilltop ( e nossa médica de Alexandria ficou pelo caminho na temporada), o que até gerou uma tensão psicológica pouco costumas à série, para depois de tudo encontrarmos o tão famoso Negan. Aí Jeffrey Dean Morgan é introduzido com sua rotineira cara de ironia e deboche despeja um monólogo assustador ao grupo de Rick (ajoelhado e enfileirado junto com nomes como Carl, Michonne, Daryl, Glenn – de novo -, Maggie, Abraham, etc), exemplificando como as coisas funcionam por aquelas bandas e para mostrar seu poder, junto ao seu taco com arame farpado, denominado Lucille, mata um personagem escolhido aleatoriamente através do clássico uni-duni-tê, ouvimos as pauladas, vemos o sangue subjetivo (escorrendo pela vítima) e…sobem os créditos, sem mostrar quem foi a vítima! WTF!

Assim, mais uma vez, os roteiristas usam de um artifício preguiçoso e covarde, não revelar o que aconteceu em sequência, pela 3ª vez somente nesta temporada, no caso de mortes (primeiro o Glenn, segundo o Daryl no penúltimo episódio), para criar um tipo de “buzz” na internet e discussões mundo afora. O que se mostra uma bobagem sem tamanho pois o que realmente importa em qualquer dramaturgia é a consequência da morte de um personagem frente aos sobreviventes, a morte em si é somente para surpreender/emocionar o espectador, o roteiro precisa é abordar/trabalhar o que vem depois disso.

Com esta sensação de “coito interrompido” me despeço da série, num momento bom da mesma. Boa sorte aos sobreviventes na jornada!

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Balanço da Temporada: The Walking Dead – 2ª temporada

26/03/2012

***AVISO DE SPOILERS

O sucesso da série The Walking Dead (TWD), a esta altura do campeonato, é inquestionável, com números de audiência total e qualificados das melhores séries da televisão americana, não esquecendo que TWD passa na tevê a cabo americana (canal AMC, o mesmo de Mad Men e Breaking Bad), no entanto, o sucesso da série extrapolou o solo americano e, hoje, a série tem repercussão mundial, exemplo disto, é a rápida exibição pelo canal brasileiro Fox, tentando evitar um possível esvaziamento provocado pelos downloads!

Mas ao meu ver, como uma série de sobrevivência (assim como ocorreu com Lost, que será um parâmetro para os próximos anos, independente de seu desfecho), TWD enfrenta dois grandes problemas, desde a primeira temporada, o equilíbrio entre o desenvolvimento dramático dos personagens e a ação da trama; e a falta de carisma dos principais personagens, principalmente, o trio protagonista.

O triângulo Rick-Lori-Shane é de dar sono a qualquer série maníaco, são 3 personagens que sobrevivem dentro da série de impressões e “querer”, Lori quer Rick ao mesmo tempo que quer que Shane, pelo seu assédio, suma – sequência esta totalmente “vergonha alheia”; Rick tenta mostrar ao grupo sua liderança nunca de modo prático somente com discursos e diálogos banais; e Shane (melhor agraciado na segunda parte da temporada) dá uma enlouquecida em sua obsessão por Lori e pelo contexto passivo de Rick, perdendo toda sua humanidade e trato com os humanos vivos. Na mão de atores mais carismáticos – e talentosos – este triângulo amoroso e os dilemas dos personagens neste mundo pós-apocalítptico renderiam muito mais.

A má escalação não atinge somente os protagonistas, o roteiro ainda “prejudica” outros diversos personagens, sendo atualmente a única relevância dentro da série Andrea, interpretada por Laurie Holden (minha querida Marita Covarrubias de Arquivo X), que mesmo com seu mi-mi-mi suicida no início da temporada soube evoluir como personagem servindo de contraponto as demais passivas personagens femininas. A grande questão é que se houvesse um massacre dentro da série gostaria que somente Andrea fosse poupada, isto não deve ser um bom sinal para uma série “de personagens”, quando o espectador não se importa com o destino dos mesmos.

Pode até parecer que não gosto da série, pelo parágrafos acima, mas o que ocorre é que é decepcionante observar um plot tão rico de possibilidades (pessoas em condições adversas, sem saber de onde vem o perigo, humano ou zumbi, tentando sobreviver ao ambiente e a si mesmos, sem perspectiva alguma de redenção) se perder com algumas storylines arrastadas por diversos episódios sem dinâmica alguma (como o sumiço de Sophie – mesmo rendendo uma das cenas mais impactantes do ano passado) somente apresentando algum evento/diálogo interessante nos dois minutoas finais (a la Lost).

A season finale desta temporada espero que sirva para virar uma página lenta da trama ao revelar o segredo do cientista da CDC (o vírus se espalha pelo ar e todos estão infectados), retirar os personagens da proteção da fazenda, retratar um Rick mais posicionado como líder e acrescentar novos personagens/situações (Michonne/ Presídio/Governador) para a 3ª temporada que inicia em outubro. Esperando ansiosamente!

Primeiras Impressões: The Walking Dead

16/11/2010

Acabei esperando mais uma semana para fazer um Primeiras Impressões sobre a nova série do canal AMC, quem não liga o nome a pessoa, é o canal mais premiado da tevê americana atualmente exibindo séries como Mad Men, Breaking Bad e a recente Rubicon, infelizmente já cancelada. Como podemos observar o canal chegou para bater de frente com a qualidade artística da HBO e, até tem conseguido vencer o canal nas premiações nos últimos anos. Mais o que mais chama a atenção é o gênero que o canal AMC abraçou com o lançamento de The Walking Dead, baseado numa HQ, com adaptação do excelente diretor Frank Darabont que, inclusive, dirigiu o magnífico primeiro episódio. Após os dramas pesados com contextos específicos temos o retorno do terror ao horário nobre, claro que se formos observar os primeiros episódios vemos, claramente, que a abordagem da série serão os personagens, mas o seres horrripilantes estão lá sempre presentes como perigo iminentes para os sobreviventes.

Talvez esta seja uma resposta do canal AMC para o sucesso no qual se transformou True Blood na HBO, uma série com temática fantástica e tendência ao bizarro que conquistou um grande público trazendo o gênero de volta para a televisão, para o bem e para o mal (vide o fracasso recente de The Gates, do canal ABC)! No entanto, o que podia se transformar em filmes episódicos de Romero, diretor criador das regras de filmes sobre zumbis desde os anos 70, The Walking Dead parece que terá uma linha narrativa bastante promissora, apostando em personagens vivendo no limite de convivência com diferentes seres humanos, à procura de sossego, alimento/água e um local imune à chegada dos zumbis. Ainda não sabemos como tudo ocorreu e, nem sei ao certo se isto é necessário ser mostrado, porém notamos que o convívio entre os personagens vive no limite da tensão, tanto que até agora as atitudes mais chocantes vieram dos próprios humanos e não de um ataque dos zumbis.

Espero que os personagens consigam ser bem trabalhados e tenham interessantes storylines, como desconheço a trama da HQ não sei antecipadamente os eventos que marcarão esta primeira temporada de seis episódios, com garantia de produção de uma segunda temporada. O que já podemos é elogiar o trabalho técnico da série, maquiagem perfeita de impressionante realismo, a fotografia também é um espetáculo, digna de grandes filmes. Para não dizer que não há um senão, tanto a interprete quanto a personagem de Sarah Wayne Callies (dra. Sara Tancredi, de Prison Break), Lori Grimes, esposa do herói da série, Rick Grimes, me preocupam, a storyline dela se envolvendo com o melhor amigo do marido é muito clichê e não sei se roteiristas conseguiram fugir do banal, além disso, a atriz sempre me parece a mesma personagem.