The X-Files (Fox) – 10ª temporada (FINALIZADA)

ArquivoXPoster4Os agentes do FBI Fox Mulder e Dana Scully são investigadores de arquivos-x: casos não solucionados envolvendo fenômenos paranormais. Mulder acredita na existência de extraterrestres e em paranormalidade, enquanto Scully, uma médica cética, é designada para fazer análises científicas das descobertas de Mulder. Ainda no começo da série ambos agentes tornam-se alvo de uma trama conspiratória e passam a confiar apenas um no outro.

s10e01/02 My Struggle/Founder’s Mutation – na reestreia, Tad O’Malley, um popular apresentador na internet, acredita ter descoberto uma grande conspiração governamental. Com a ajuda do diretor assistente Walter Skinner, O’Malley visa mobilizar a ajuda dos ex-agentes de X-Files Mulder e Scully, rompidos com o FBI. No segundo, quando um cientista comete suicídio, Mulder e Scully investigam que força invisível pode ter levado a isso. O que eles descobrem é um laboratório onde a experimentação genética extrema já se arrasta há décadas.

O que pode dizer um fã sobre o retorno da sua primeira série? Arquivo X, sim desculpem, não consigo chamá-la de The X-Files, sou da época, meados de 1993, na qual a série se transformou num sucesso na sua exibição tanto no canal Fox quanto na tevê aberta, na Rede Record, foi a primeira série que acompanhei anualmente durante seus 9 anos de exibição, que junto aos filmes não tão bons e este retorno televisivo, já somam 22 anos acompanhando as aventuras do casal de detetives do FBI envolvidos em conspirações alienígenas, humanas e científicas.

É muita alegria e nostalgia! Para melhorar, nada como reunir o elenco principal e nomes importantes para a franquia, como o envolvimento do roteirista/diretor James Wong, já no 2º episódio, sem sombras de dúvidas um dos melhores roteiristas de episódios fillers da série original, claro sem mencionar, Chris Carter, Gillian Anderson, David Duchovny, Mitch Pileggi e William B. Davis (quero saber como?).

O primeiro episódio pisou fundo na conspiração dos tempos atuais, incluindo menções a Edward Snowden, Serviço Secreto, drones espiões, manipulação genética e etc. Sabem que fiquei com a impressão que mesmo passados mais de 20 anos, os temas focados pela série me parecem mais verossímeis do que nunca! Achei que a “desculpa” para reunir a dupla de agentes, afastados do FBI, bastante frágil, mas o restante do episódio e o foco novamente no início histórico da não invasão, mas sim, uso de tecnologia alienígena por humanos, lá em Roswell muito, mas muito interessante e curioso, inclusive com direito a flashbacks, em ótimas sequências (possivelmente as melhores envolvendo este contexto histórico/lendário em dramaturgia).

Após o evento que reuniu a dupla e gerou a reabertura dos Arquivos X, já temos um episódio caso da semana (que saudades…), que na verdade não é simplesmente um caso isolado, afinal voltamos nossa atenção para manipulação genética e paternidade/maternidade, o que inevitavelmente nos leva para a grande questão em aberto do “casal” Mulder e Scully, o filho de ambos, William, doado por Scully para proteção do mesmo ainda bebê. Adorei os flashbacks envolvendo memórias que os personagens não tiveram com o filho, mostrando o quanto ambos permaneceram todo este tempo isolados, notem que não há menção alguma a relacionamentos amorosos passados/atuais para os personagens, parecem que os mesmos pararam no tempo nessa questão dentro da série, bastante triste! Outro ponto que estes episódios avulsos classicamente sempre permitiam eram o surgimento do humor de Mulder, referências pops e, agora, auto referências e até mesmo Scully mais saidinha quando menciona que ela pertence a “Era pré-Google”.

s10e03 Mulder And Scully Meet the Were-Monster – Um corpo é encontrado na mata. Mulder e Scully tentam descobrir se foi um animal, um serial killer ou apenas uma criatura estranha. Enquanto isso, Mulder confronta alguns de seus demônios relacionados à sua desilusão quanto a seu trabalho até agora.

G-E-N-I-A-L!! Acho fantástico o que Darin Morgan (velho roteirista conhecido nosso) fez com esse episódio misto de episódio cômico com “monstro da semana”, pois na verdade o que Morgan fez foi desconstruir os clássicos episódios de monstro da semana da série, foi um fan service, foi curioso pelo paralelo com a descrença de Mulder, foi hilariante, foi, de novo, genial!

s10e04 Home – Mulder e Scully são designados a investigar o assassinato de uma autoridade pública, que indica não poder ter sido realizado por humanos. Scully lida com um trauma, que traz à tona sentimentos antigos sobre o filho que ela entregou para adoção.

Notadamente Chris Carter pensou essa mini temporada com um grande arco envolvendo o mistério de William e os sentimentos de Scully em relação a este, afinal tivemos mais um episódio “monstro da semana”, bastante frágil, mas que culminou com a doença da mãe de Scully, criando um paralelo interessante e recheado de flashbacks da série em momentos similares aos que passavam no episódio.

s10e05 Babylon – Uma galeria de arte que está expondo obras potencialmente ofensivas sofre um atentado terrorista, e Mulder e Scully tentam se comunicar com uma vítima (que está em estado de coma), na tentativa de impedir um futuro ataque, junto a uma nova dupla de agentes.

Aqui acho que o planejamento de Carter para a temporada de Arquivo x foi equivocada, mesmo sendo curta, sinto falta de uma conexão maior entre os episódios (dando muita enfase) a episódios avulsos! A trama de conspiração do primeiro episódio poderia ser um pano de fundo presente em toda temporada, assim, as missões avulsas dos agentes poderiam ganhar um contexto mais bastidores do caso maior, sem soar tão perdido no tempo e espaço da série. Dito isso, claro que me diverti absurdos com as referências aos agentes novatos, a viagem de Mulder e até mesmo o tema terrorista presente na série (não lembro necessariamente do tema ser usado em algum episódio passado). Na ânsia pelo final, trazendo a conspiração à luz e, torço os dedos, pela presença de William!

s10e06 My Struggle II Season Finale – As investigações iniciadas por Mulder, Scully e O’Malley acordaram inimigos poderosos. O terror se espalha à medida que pessoas em todo o país adoecem, e Scully procura por uma cura. Mulder confronta aquele que parece ser o homem por trás de tudo isso.

Vamos combinar uma coisa: a série/minissérie/evento televisivo vai ter uma próxima (11ª) temporada? Pois se isto não ocorrer…será uma imensa sacanagem, tivemos um gancho do tamanho do tempo da série no ar (20 anos)! Unindo o plot de William com a conspiração biológica, o gancho me deixou de queixo caído! Já contando os dias (meses) para o retorno.

Voltando ao episódio, tivemos a retomado do plot envolvendo o midiático Tad O’Malley, junto aos recém apresentado agentes Einstein e Miller, e para minha surpresa Agente Monica Reyes, sim Annabeth Gish retoma sua personagem de 14 anos atrás. Dito isso, confesso que achei tudo muito corrido, desde o surgimento da gripe até a possível solução (ainda não mostrada se era eficiente), gosto do episódio, mas, mais uma vez, me parece que Cris Carter não consegue dosar seu roteiro da melhor maneira, faltou mais um episódio neste arco, sinceramente, mesmo que se mantivesse o gancho deste.

Outro fator que me deixa cabreiro foi como retomaram o personagem Canceroso e, principalmente, seu papel nesta conspiração, afinal ele esta respondendo a quem? Ou, se manda, quem obedece seus desejos? O link com Roswell foi perfeito e maneira como a grande conspiração se espalhou, relembrando a data de 2012, é bacana para quem é fã.

No final das contas, tivemos uma onda de nostalgia embalada numa trama nem sempre coesa (qual papel de Skinner, por exemplo), calcada na melhor dupla de protagonistas que a tevê americana criou, e se houve alguém que carregou a série e, inclusive, pode ter seu nome lembrado nas premiações deste ano foi Gillian Anderson, retornou triunfante como Dana Scully, com personalidade, sutileza e conflitos marcantes.

Para destacar o melhor episódio, sem sombras de dúvida, foi Mulder And Scully Meet the Were-Monster!


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