Feud – Bette and Joan (FX) – 1ª temporada (FINALIZADA)

A mais nova antologia de Ryan Murphy, “Feud”, reviverá a história da lendária rivalidade entre duas das maiores estrelas do cinema de todos os tempos, Joan Crawford (Jessica Lange) e Bette Davis (Susan Sarandon), durante as gravações do filme que alavancou a então decadente carreira das duas e foi universalmente aclamado por crítica e público, o clássico cult “What Ever Happened To Baby Jane?”, de 1962. No elenco ainda estão Kathy Bates como Joan Blondell, Sarah Paulson como Geraldine Page, Catherine Zeta-Jones como Olivia de Havilland e Judy Davis como Hedda Hopper.

s01e01 Pilot – Joan Crawford e Bette Davis, lendas de Hollywood, lutam contra a discriminação de idade, o machismo e principalmente uma com a outra quando começam a atuar juntas no filme “What Ever Happened to Baby Jane?”

Sou fã do universo antológico de Ryan Murphy, tenho uma teoria que o roteirista/diretor/produtor é um cara de argumentos, suas melhores criações têm sido estas antologias (como American Horror Story e American Crime Story), pois em séries longas suas ideias se diluem e perdem força vide Nip/Tuk e Glee. Assim, ao visitar relações conflituosas e iniciar com uma famosa rixa entre duas estrelas de cinema da antiga Hollywood, Murphy e equipe podem trabalhar temas tão cotidianos naquele período quanto agora, como o papel da mulher na indústria, o envelhecimento em frente às telas, o papel da mídia e da indústria nesta construção (adora o papel de Hedda, que já surgiu maléfica em Trumbo, pois era uma notória perseguidora de comunistas em Hollywood, com sua escrita ferina). Na expectativa de que Jessica Lange e Susan Sarandon destruam tudo na série e façam uma temporada genial, como este piloto já se apresenta.

s01e02 The Other Woman – Com a produção de Baby Jane a caminho, Bette e Joan formam uma aliança mas forças externas conspiram contra elas. Impressionante o jogo de bastidores para “incendiar” as atrizes, através de fofocas e ataques à ego tanto pela colunista Hodder quanto pelo diretor do estúdio, como o próprio comportamento de ambas em se alimentarem desta rixa, obviamente existia o sexismo e o problema com a idade, inclusive ate os dias de hoje, mas na época as atrizes tinham, ao meu ver, um poder que nem elas sabiam lhe dar, talvez unidas fossem muito mais fortes!

s01e03 Mommie Dearest – Com a produção de Baby Jane atingindo seu clímax, a briga passa a ser física. Relação de Bette com sua filha fica tensa quando ela cria vínculo com novo membro do elenco. Joan revela detalhe íntimo sobre o seu passado. Acrescentando um pouco mais de personagens como as filhas, a série aprofunda a relação das atrizes com seu meio na decorrência das filmagens, inclusive tendo lances dramáticos ou cômicos. Continua imperdível!

s01e04 More, or Less – Apesar do sucesso de Baby Jane, Bette e Joan ainda se encontram sem ofertas de próximos trabalhos. Enquanto isso, Pauline tenta quebrar barreiras de gênero e as nomeações para o Oscar são anunciadas. episódio focado na questão pós filmagem e sucesso absoluto de Baby Jane, impressionante a qualidade do roteiro neste retrato dos bastidores, e mais ainda o trabalho de construção das personagens/atrizes quanto a suas naturezas, o final já é clássico!

s01e05 And the Winner is…(The Oscars of 1963) – Bette está no caminho certo para conquistar um terceiro Oscar de melhor atriz. Joan e Hedda lançam uma campanha clandestina contra Bette.

Outro episódio excelente retratando os bastidores pós anúncio do Oscar e da premiação. Fico impressionado com a natureza destrutiva de Joan Crawford, que se expôs de tal maneira para somente receber um Oscar como representante para não vê-lo nas mãos de Davis, é doentio e mostra como este duelo é/foi muito alimentado pelo caráter das atrizes, não somente por questões sociais da época. A maneira como o roteiro cria as atrizes permite que Lane/Sarandon desnudem as divas do cinema de tal maneira que mesmo sendo umas “bitchs” compreendemos suas intenções e suas falhas/qualidades. Incrível!

s01e06 Hagsploitation – Com fome por mais um hit, Jack Warner pressiona Robert Aldrich para trazer a equipe original de volta para um filme de terror. Alguém do passado de Joan Crawford representa uma ameaça. Cada vez mais é possível observar que a trajetória de Joan Crawford é o grande destaque da temporada, é uma pessoa-personagem complexa cheia de nuances, irresistível para qualqueer roteirista, enquanto isto, Bette Davis parece uma mulher mais prática e objetiva, que sabia seu lugar e como valorizar seu trabalho (ou se silenciar). Aqui vemos que o sucesso de Baby Jane não surtiu o efeito esperado, além de outros filmes de terror para as protagonistas, até que Warner resolve insistir na recriação do trio original.

s01e07 Abandoned – Com a produção de Hush… Hush Sweet Charlotte em andamento, a briga se intensifica quando Joan descobre a entrada de um novo produtor no projeto. Em um momento íntimo, Bette revela suas vulnerabilidades a Bob. Com mais este episódio noto que o roteiro ficou seduzido pela personalidade mais extravagante de Joan Crawford, acredito até que pelo seu comportamento diva, já que aparentemente, mesmo com personalidade difícil, Bette Davis tinha muito mais “pé no chão”, sabendo seu lugar e lutando com as armas que tinha para conquistar seu lugar ao sol; aqui vemos o que seria o fim da carreira de Joan, que inventa um comportamento doentil para sabotar o filme no qual esta Bette e Robert, sendo que Bette esta associada como produtora também, para desespero de Crawford. Continua ótimo!

s01e08 You Mean All This We Could Have Been Friends Season Finale- Joan aceita um papel principal em um novo filme, apesar da deterioração de sua saúde. Diante de uma nova rival, Bette reflete sobre sua rivalidade com Joan.

Que melancólico! Não tenho outra palavra que não seja esta para a finale de Feud, uma ótima surpresa de Ryan Murphy para os cinéfilos e serie maníacos. Que temporada amigos, que rivalidade/rixa (como seria a tradução literal da antologia), conhecia um pouco dos bastidores das ditas “divas” hollywoodianas, mas nunca imaginei que era tão pesado, no sentido de maldoso, tanto da parte das envolvidas, mulheres que viviam de serem paparicadas e egocêntricas, as questões sociais como sexismo, preconceito de idade e fofocas.

Um contexto histórico riquíssimo que ainda encontra eco nos dias atuais, no entanto, nada seria suficiente (roteiro/direção/arte) se Ryan e sua equipe não encontrassem duas atrizes à altura do força da natureza que eram Bette Davis e Joan Crawford; não sei dizer quem mais me agradou, as temporadas de premiação devem ter um problema sério em se decidir, tanto Susan Sarandon quanto Jessica Lange brilham de maneira extraordinária em cena, tenho uma leve propensão em creditar uma dificuldade maior à Sarandon pela maior racionalidade com a qual Bette Davis agia, pois Joan Crawford era uma verdadeira drama queen, uma diva, cheia de nuances psicológicos e conflitos complexos que “facilitam” o ótimo trabalho de Lange (nossa diva nas séries de Ryan Murphy).

Vou insistir na questão de antologias “forever” para Ryan Murphy, é notadamente o brilhantismo do showrunner em séries mais coesas como esta e a saga American Crime Story e America Horror Story, em comparação a outras como Glee e Nip/Tuck que tiveram seus momentos, mas em virtude do prolongamento narrativo desnecessário perderam sua força, o que não acontece aqui nestas antologias.

STATUS: RENOVADA (2018) – FEUD: CHARLIE & DIANA

 

Anúncios

%d blogueiros gostam disto: