Narcos (Netflix) – 1ª temporada (FINALIZADA)

NarcosA história real do tráfico na Colômbia inspira esta nova série original Netflix que conta com direção de José Padilla e Wagner Moura (Tropa de Elite) interpretando o protagonista Pablo Escobar. A ascensão do cartel de Medellín, chefiado por Pablo Escobar, é o estopim de uma guerra entre as forças colombianas, a CIA e um inimigo disposto a tudo para manter seu império comercial. O cartel se multiplica e a violência ameaça gente dos dois lados. Nesta saga contemporânea de uma realidade não tão longe, todos correm perigo.

s0101 e 02 Descenso e The Sword of Simon Bolivar – O químico chileno Barata apresenta seu produto a Pablo Escobar, e Steve Murphy entra na guerra contra as drogas em Bogotá. No segundo, o grupo comunista M-19 entra em conflito com os traficantes. Murphy aprende sobre as forças policiais colombianas com Peña, seu novo parceiro.

Agradável surpresa essa produção multinacional da Netflix, tudo correto e bem contextualizada, desglamourizando o figura lendária de maior narcotraficante do planeta. Dito isso, confesso que me surpreendeu o alcance financeiro e social do personagem, a maneira como ele se colocava frente aos negócios e o sinal de perigo que sua presença transmite em cena.

Dito isso, toda produção funciona, principalmente, a fotografia e elenco, a direção é dinâmica mas, sempre tem um mas, a narrativa em off do agente do DEA é extremamente “muleta” e desnecessária em diversos momentos, claro que entendo a necessidade para americanizar a série, porém era desnecessário! Na ânsia pelos próximos…

 s01e03 The Men of Always – Murphy se depara com o alto nível de corrupção no governo quando ele e Peña tentam impedir as ambições politicas de Escobar.

Não bastasse todo poderio internacional adquirido por Escobar, o traficante tentou se candidatar através de um testa de ferro ao congresso colombiano, é muita prepotência e arrogância! Não há como não pensar no todo que nos cerca atualmente, fiquei impressionado pelo discurso hipócrita do personagem pregando a perseguição ao pobre empresário de frota de táxis que veio de família humilde. Claro que dispensava o papel dos agentes americanos naquele contexto, principalmente, o sentimento de culpa, mas entendo que a série tenha que “pregar” o discurso dos herois e vilões para uma série internacional!

s01e04 The Palace in Flames – Apesar do novo acordo de extradição, os Estados Unidos estão mais preocupados em combater o comunismo que as drogas, criando novos obstáculos para Murphy e Peña.

Gosto quando a série aponta para os interesses externos americanos, como comparar o comunismo de Reagan com o narcotráfico e como os agentes tentam interligar os dois para adquirir poder para combatê-los em solo colombiano. Aqui nesse episódio, temos uma estrutura similar ao anterior, sendo que o DEA acertou em quase todas as atitudes e operações mas, no final, Pablo Escobar conseguiu dar um xeque-mate nos “mocinhos”. Essa altura do campeonato, sinto que a série tem necessidade de explorar uma linha histórica dos eventos e personagens, no entanto, eles não podem esquecer que estamos lhe dando com uma série televisiva, logo, necessita ter conflitos entre os personagens, não somente um jogo de gato-e-rato.

s01e05 There Will Be a Future – Os métodos extremos de Pablo levam os barões do tráfico a beira de uma guerra com o governo. Peña tenta proteger sua testemunha, Elisa.

Gosto como a série retrata os bastidores políticos/policiais da questão envolvendo os traficantes/governo/Eua, acho fantástico que em meio a maior briga de narcotraficantes os americanos estejam na Colômbia caçando comunistas, hilário para não dizer trágico, enquanto isso, o poder das drogas invade casas, palácios e governos sem que ninguém realmente tome uma atitude série e concreta.

s01e06 Explosivos – Peña e Carillo fecham o cerco em cima de Gacha. Murphy tenta proteger Gaviria, candidato a presidente e pró-extradição, de um assassino ligado a Pablo. Chegamos a um fato histórico da guerra entre o narcotráfico e o governo colombiano, que foi o atentado ao voo da Avianca, que tinha como alvo o candidato Gaviria, que num último momento, não embarcou no mesmo, matando mais de 100 pessoas. Esse evento deve marcar um novo twist nessa guerra!

s01e07 You Will Cry Tears of Blood – Pablo passa a se esconder quando é rejeitado pela classe politica, mas encontra uma maneira de virar o jogo. Murphy e Peña finalmente conseguem ajuda da CIA. Chegamos em mais um twist, notem que pincelados a cada episódio, mostrando o quão inteligente foi Escobar, quando para criar um ambiente favorável a sua negociação com o novo governante (Gaviria) começa a sequestrar pessoas influentes do país, pressionando-o, já os agentes do DEA conseguem mais liberdade de ação, boa sequência final!

s01e08 La Gran Mentira – Um erro trágico força o governo a mudar de tática na luta contra Pablo. Mas os problemas dentro da sua própria organização são bem mais sérios.

Chegando na reta final da temporada, renovada recentemente, confesso que me questiono até que ponto da biografia de Escobar a série acompanhará nessa primeira temporada. Pois, se não engano, sua morte foi em 1993, faltando apenas 4 anos de “fatos” para serem retratados na telinha, uma pena que em função de toda complexa situação que a série apresenta nessa reta final, tenho a sensação que o roteiro virou uma esteira de eventos e abre-se mão de um retrato mais “complexo” dos personagens envolvidos, estilo documentário.

s01e09-10 La catedral – Despegue Season Finale – A caçada parece finalmente chegar ao fim quando Pablo faz um acordo com o governo para ser preso numa cadeia !especial”. Mas Murphy e Peña e o Cartel de Cali têm outros planos; na season finale, as atividades de Pablo dentro da prisão levam o governo a tomar atitudes drásticas. Enquanto isso, Murphy e Peña têm que lidar com problemas internos e externos.

Quando a série foi renovada me questionei até que ponto histórico a série acompanharia Escobar, falecido em 1993, o gancho foi perfeito pois a trama de Escobar e seus comparsas na cadeia “La Catedral” seria surreal se não fosse o contexto no qual Escobar se entregou ao Governo, após a onda de sequestros de vips da sociedade e as famosas bombas, no entanto, a personalidade de Escobar (ricamente interpretado por Moura, independente de seu sotaque, o qual não me incomodou) não consegue conceber que ele fique restrito ao seu ambiente mesmo com todas mordomias possíveis e impossíveis. Isso explode na final, quando o ministro da justiça se vê preso na cadeia e gera algumas das situações mais tensas mostradas nessa temporada. Muito boa série!

Ainda não atingiu a perfeição pois o roteiro apela para facilidades dramatúrgicas como a narração em off de Murphy (fácil, fácil elo mais fraco do elenco), o desenvolvimento de personagens em detrimento da ação histórica, principalmente, na segunda metade da temporada, mas a história em si não tinha como dar errado, é de uma riqueza em seu universo verídico-inverossímil, o jogo de poder entre os narcotráfico vs. governo da Colombia, tendo como parceiro o Governo Reagan, me deixaram perplexos e surpresos de observar como esse universo é complexo, além de milionário, e figuras como Escobar e seus sócios dão o tom de uma série relevante no mercado atual (até mesmo pela universalidade do tema).

STATUS: RENOVADA PARA 2ª TEMPORADA (2016).


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