Posts Tagged ‘Balanço da Temporada’

Balanço da temporada – Atypical (1ª temporada)

28/08/2017

Nada como depois de algumas decepções como Gypsy, Glow e Punho de Ferro, ver que a Netflix ainda tem capacidade de entregar séries como Atypical, uma dramédia simpática e delicada muito similar à The Big Bang Theory no que se refere ao tipo de comportamento do protagonista, o jovem Sam, que apesar de ter 18 anos, possui um tipo de autismo que lhe causa problemas de interação social, assim como acontece com Sheldon.

Aqui, os problemas sociais de Sam são o estopim para os conflitos familiares/amorosos de toda família Gardner, todos extremamente bem utilizados pela série, com arcos dramáticos próprios, desde a mãe superprotetora e dependente do cuidado com o filho, papel acima da média para sitcoms (o que não é o que parece aqui, mas na categorização da série pela duração de cada episódio, é isto que ela é, um sitcom) para a atriz Jennifer Jason Leigh (que falta fez em cena), passando pelo pai ausente/culpado de Michael Rappaport, a irmã corredora/atleta de Brigitte Lundy-Paine, deixada em segundo plano em função do trabalho que o comportamento do irmão gera na família.

Voltando à Sam, defendido com competência por Keir Gilchrist (de The United States of Tara), o personagem consegue equilibrar seus conflitos entre comédia (pela falta de noção e comportamento sincericídio) com os dramas de um garoto em busca de relacionamento e que, obviamente, se sente inadequado em qualquer cenário mundano, sua sequência após decepção com a terapeuta dentro do ônibus foi de cortar o coração, porque até então, a série nunca havia nos mostrado o lado médico da condição clínica de Sam, isto prova, aos olhos dos pais, Elsa e Doug, e também da irmã, Casey, porque todos são tão vigilantes e cuidadosos com a rotina de Sam.

São oito episódios redondinhos, com subtramas que abrem e fecham nesta temporada, trazendo evolução para cada personagem e um gancho dramático, envolto em comédia, drama leve e momentos bacanas de cada personagem. Bom passatempo!

ATYPICAL (Netflix) – 1ª temporada 

Criadora: Robia Rashid ( produtora e escritora de séries como How I Met Your Mother e The Goldbergs).

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Balanço da Temporada: 3% (1ª temporada)

29/12/2016

Projeto que já nasceu histórico, 3% é a primeira produção brasileira para o canal streaming Netflix, e se pensarmos bem, é uma produção de ficção científica, gênero pouco explorado pela dramaturgia nacional seja em filmes, novelas, séries ou literatura. Assim tinha tudo para ser um projeto favorável e marcante, porém acaba por se tornar uma decepção.

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Baseado num famoso curta metragem homônimo de Pedro Aguilera, de 2011, que apresentava conceitos aqui também utilizados como por exemplo, a sociedade distópica, algo já bastante visto em recentes ficções científicas mundo à fora, a série tem como plot principal: “depois de diversas crises que deixaram o planeta devastado. Num lugar não especificado do Brasil, a maior parte da população sobrevivente mora no Continente, um lugar miserável, decadente, onde falta tudo: água, comida, energia. Aos 20 anos de idade, todo cidadão tem direito de participar do Processo, uma seleção que oferece a única chance de passar para o Maralto, onde tudo é abundante e há oportunidades de uma vida digna. Mas somente 3% dos candidatos são aprovados no Processo, que testa os limites dos participantes em provas físicas e psicológicas e os coloca diante de dilemas morais. Morar em Maralto, no entanto, não é o objetivo de todos os candidatos: alguns têm outros planos.”

Convenhamos, um plot simples, mas se trabalhado da melhor maneira bastante promissor , no entanto, este foi o “calcanhar de Aquiles” do projeto. Tudo parece escrito de maneira amadora, nem mesmo a direção, cenografia e elenco se salvam na série, impressionante que atores veteranos como João Miguel, Sergio Mamberti, Zezé Motta e Bianca Comparato pouco ou nada possam fazer em cena, a partir do momento que o roteiro não lhes permite desenvolver os personagens de maneira coesa.

O roteiro parece ter sido “montado” em cima de concepções e planejado para os “twists” tão comumente utilizados em séries, contudo, em cena personagens se descaracterizam conforme o andamento da temporada, maior exemplo disso é o suposto líder do grupo Marco, que na metade da temporada, seu caráter que nunca foi posto em dúvida, acaba por revelar-se um ditador psicopata liderando uma milicia numa prova do Processo (oi?); assim chega-se a conclusão que os personagens somente serviam ao roteiro, avançando a trama sem coerência com suas personalidades.

Inclusive, aproveitando que mencionei, a narrativa trabalha praticamente com as provas de seleção do Processo, como fases de um jogo de videogame, nunca explicando ou mostrando qual lógica a ser seguida nesta seleção, nem mesmo os conflitos nos bastidores entre os “adultos” envolvidos no Processo deixam isto claro.

Agora, se vocês se perguntam se acompanharei a 2ª temporada da série, já renovada pelo Netflix, sim, acompanharei, pois o universo/mitologia da série me instiga muito, com o sucesso e repercussão que a série conquistou imagino que a equipe técnica vai se debruçar sobre as falhas da mesma e corrigi-las da melhor maneira (torcida particular).

Balanço da Temporada: Stranger Things – 1ª temporada

02/08/2016

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A Netflix é um negócio do “capeta”, nem mesmo eu que adoro assistir episódios fielmente a cada semana resisti de não maratonar a primeira temporada de Stranger Things, não que tenha assisti tudo em dois dias, mas em uma semana já estava com sorriso largo de lado a lado do rosto do belo trabalho realizado pelos Irmãos Duffer.

Claro que algumas semanas após o grande buzz que a série provocou no meio midiático já há vozes dissonantes fazendo o contraponto aos comentários elogiosos, que não são poucos. Há certo exagero em ambas versões, a série não é a melhor série do ano (quiçá do Netflix), mas tampouco é somente mais uma série televisiva. Grande parte do mérito deste trabalho se concentra nos desconhecidos Irmãos Duffer, responsáveis por Wayward Pines (que já se apresentava como uma ficção científica cheia de referências ao gênero), aqui eles criam, ou melhor, recriam com detalhes ímpares costumes/situações/personagens que habitaram o cinema dos anos 80.

Até mais do que isso, ao mostrar adultos fumando em frente de crianças, a série já ganha meu respeito por realmente focar sua trama nos anos 80, não somente referenciar com o politicamente correto que impera atualmente, como fez Spielberg em sua remontagem de E.T; falando em Spielberg, além das óbvias referências a sua filmografia (lembrando que recentemente Super 8, de J.J. Abrams também “homenageou” sua filmografia), os irmãos Duffer relembram/homenageiam John Carpenter e Stephen King, através de referências ao Enigma do Outro Mundo, Silent Hill (este fora dos anos 80), Poltergeist, Conta Comigo, It, Os Goonies, entre outros.

No entanto, como uma série de 8 episódios, nem sempre o roteiro conseguiu manter a dinâmica da trama, acabou abrindo o arco em três subtramas centrais, o desaparecimento do menino Will e a busca de sua mãe e amigos por ele, o surgimento de uma menina com poderes tele cinéticos envolvida com uma agência do governo e um triângulo amoroso entre os adolescentes, sendo esta última a trama mais deslocada da série e que pouco acrescentou à mesma, com exceção de uma morte que trouxe um perigo real aos jovens.

Falando nos jovens, Mike, Dustin e Lucas e, em seguida, com a chegada de Eleven são a grande força motora da série, o roteiro não os retrata com atitudes adultas para criar empatia com o público adulta, são crianças interpretando crianças, como suas qualidades e defeitos, como as inúmeras discussões dentro do grupo e rapidamente retomada da amizade, é uma química que impressiona, são personagens cheios de vida e isso passa ao espectador da série, principalmente, para aquele que se sente representado na telinha.

Já os personagens adultos são mais dramáticos, Winona Ryder rouba diversos episódios com sua obsessão em fazer contato com o filho (espero que seja a volta por cima da atriz, revelada nos anos 80), enquanto David Harbour interpreta o poder policial amargurado por um drama do passado que acaba se identificando com as fragilidades da personagem de Winona; uma pena o roteiro não abrir possibilidades para os vilões humanos, Matthew Modine platinado nada tem a fazer em cena.

Gosto como a série ampliou seus mistérios, revelando alguns e acrescentando outros na reta final, deixando claro que a série foi pensada para ter mais temporadas. Divertida e com doses de aventura, terror e suspense (com ótima recriação de época e cuidados com trilha sonora) é uma série que veio para ficar, principalmente, para os saudosistas com mais de 30 anos!

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Balanço da Temporada: Game of Thrones – 6ª temporada

28/06/2016

***RISCO DE SPOILERS

Que temporada amigos leitores! Uma das coisas que sempre me incomodou em Game of Thrones (HBO) foi as storylines personagens errantes, sempre caminhando em florestas, palácios e cidades medievais atrás de algum poder/familiar ou em fuga! Sempre achava este artifício meio enrolador dentro da narrativa política da série, como se sempre estivesse evitando um confronto (claro que estou simplificando para exemplificar); assim esta temporada, a primeira não baseada num livro de George R. R. Martin, pois o escritor demorou mais do que os anos de produção da série para finalizar sua obra (lembrando que a série esta renovada e sera finalizada em mais 2 temporadas), mesmo transpondo em idéias e planos gerais de Martin para a história, não teve um livro propriamente dito para adaptar, os “showrruners” (David Beniof e D. B. Weiss) e roteiristas tiveram que criar e isto foi o fator fundamental para o sucesso da temporada.

Com liberdade criativa nota-se que nos 10 episódios exibidos um ou dois tiveram um ritmo vagaroso, comum em temporadas anteriores, e somente um arco me incomodou em sua levada demasiadamente lenta, o da personagem Arya, os demais tiveram uma dinâmica muito mais televisiva, se podemos dizer assim, em 10 episódios, tivemos a ressurreição de Jon Snow, negociações com o Norte e a Batalha dos Bastardos; Daenerys é sequestrada e já reúne um exército para unir aos que já possuía rumo ao trono de ferro; e Cersei, pós caminhada da vergonha, artimanha uma maneira de minar o fluente poder religioso de Porto Real. Divido a trama da temporada nestes três núcleos pois serão estes que caminharão rumo ao final da trama, claro não esquecendo os Outros e seus zumbis.

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Além disto, esta temporada resolveu “brincar” com o tempo ao unir numa mesma storyline o sumido Bran descobrindo seus poderes de Corvo de três olhos, vislumbrando o passado de sua família, aos Filhos da Floresta e Whitewalkers, que têm sua origem retratada.

Logo, observa-se que os roteiristas resolveram começar a responder algumas questões e dúvidas dos fãs tanto da série quanto dos livros, fazendo o que normalmente se chama de fan service, isto colaborou essencialmente para resolução de diversas situações e eliminação de personagens/núcleos nos quais a trama patinava em demasia, dando uma sensação de unidade maior a temporada.

Sobre o elenco e produção não vou comentar porque este sempre foi um dos maiores acertos da série; dito isto, naturalmente, Lena Headey foi o ponto alto dentro no elenco (numa temporada dominada pela mulheres) e como destaque de produção a maravilhosa sequência da Batalha dos Bastardos, uma das melhores sequências de ação televisiva, sem deixar nada a dever a nenhum épico do cinema.

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Balanço da Temporada: The Walking Dead 6ª temporada

04/04/2016

*****aviso de spoilers

Não esperava que isso acontecesse nessa temporada, com uma iminente e propagada reviravolta na trama, a dita “chegada de um novo antagonista, vilão icônico como Governador, etc”, mas finalizo meus trabalhos com The Walking Dead!

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Dito isso, acho a temporada muito boa, uma das melhores até aqui, desde o início com a dominação do grupo de Rick em Alexandria até a ideia de se livrar dos zumbis na pedreira, sequências bacanas e cheias de tensão, daí vem os roteiristas e criam aquele mistério tabajara sobre a morte ou não de Glenn, que além de muito mal feita, ainda permanece durante um mês no ar na série. Terminamos com o plano de Rick dando errado e uma invasão de zumbis aniquilando parte de Alexandria, segunda parte da temporada, temos a ameaça assombrosa dos Salvadores e o nome de Negan sendo dito aqui e ali, conhecemos Jesus (num episódio Sessão da Tarde) e Hilltop de uma maneira interessante e bem dinâmica para os padrões – lentos – da série, no entanto, quando tudo se encaminha para uma reta final inesquecível, os roteiristas tiram o pé das tramas, começam a trazer uns questionamentos irrelevantes aos personagens, as malditas saidinhas para morrer alguém, nem sempre relevante, e chegamos à season finale!

Era o momento de explodir cabeças, no entanto, os roteiristas resolveram rodar-rodar-rodar com os personagens, fugindo dos Salvadores, afinal eles queriam levar Maggie ao médico de Hilltop ( e nossa médica de Alexandria ficou pelo caminho na temporada), o que até gerou uma tensão psicológica pouco costumas à série, para depois de tudo encontrarmos o tão famoso Negan. Aí Jeffrey Dean Morgan é introduzido com sua rotineira cara de ironia e deboche despeja um monólogo assustador ao grupo de Rick (ajoelhado e enfileirado junto com nomes como Carl, Michonne, Daryl, Glenn – de novo -, Maggie, Abraham, etc), exemplificando como as coisas funcionam por aquelas bandas e para mostrar seu poder, junto ao seu taco com arame farpado, denominado Lucille, mata um personagem escolhido aleatoriamente através do clássico uni-duni-tê, ouvimos as pauladas, vemos o sangue subjetivo (escorrendo pela vítima) e…sobem os créditos, sem mostrar quem foi a vítima! WTF!

Assim, mais uma vez, os roteiristas usam de um artifício preguiçoso e covarde, não revelar o que aconteceu em sequência, pela 3ª vez somente nesta temporada, no caso de mortes (primeiro o Glenn, segundo o Daryl no penúltimo episódio), para criar um tipo de “buzz” na internet e discussões mundo afora. O que se mostra uma bobagem sem tamanho pois o que realmente importa em qualquer dramaturgia é a consequência da morte de um personagem frente aos sobreviventes, a morte em si é somente para surpreender/emocionar o espectador, o roteiro precisa é abordar/trabalhar o que vem depois disso.

Com esta sensação de “coito interrompido” me despeço da série, num momento bom da mesma. Boa sorte aos sobreviventes na jornada!

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CSI – 16ª temporada (finalizada)

06/10/2015

Como é bacana quando um canal (CBS),  os produtores e os roteiristas respeitam os fãs que arrebanharam durante um longo tempo, uma relação que durou de 16 anos no meu caso. Uma das séries mais antigas ainda em exibição (perdendo somente para The Simpsons e Law & Order SVU), CSI foi um marco na época de ouro da televisão americana (idos dos anos 2000), como uma das séries mais assistidas em todo mundo, soube oxigenar os dramas policiais ao adicionar os bastidores periciais na investigação de um crime (abrindo mão das testemunhas), com acesso a tecnologia e uso de diversos efeitos especiais até então não “característicos” de séries de televisão, inclusive, popularizando a profissão de perito criminal.

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Para comemorar, os roteiristas trouxeram os maiores ícones do elenco original: William Petersen e Marg Helgenberger; uma pena George Eads ter tido conflitos com a produção, mas em compensação, trouxeram uma das personagens coadjuvantes mais clássicas da série, Lady Heather, criando um caso ok para o episódio, envolvendo os personagens referidos, explosões, cassinos e entomologia (para os saudosistas fãs de Grisson).

Claro que, infelizmente, pela pouca duração (90 min), muito ficou de fora ou é apresentado apressadamente, como por exemplo a irrelevância de Greg (Eric Szmanda, um dos personagens originais) e dos atuais CSIs, a simplicidade da trama beirando o banal (inclusive a resolução, afinal como especialista da série, assim que surgiu os suspeitos já sabia quem era o culpado).

Contudo, o roteiro apostou suas fichas no triângulo Grisson-Sara-Lady Heather e, em segundo plano, o retorno de Catherine à Vegas, inclusive com a chegada de sua filha ao laboratório (que rende a melhor piada do episódio). Mesmo assim, nada supera a presença de Grisson em cena, além de ganhar uma storyline dramática/romântica, o personagem é relevante na investigação, com direito a trabalho de campo com abelhas. Mesmo não sendo o desfecho dos sonhos (faltou um caso forte, como os famosos serials killers já mostrados), o episódio apostou na nostalgia e nos fãs dos personagens retornantes, nesse momento, percebe-se a falta que o Grisson fez a série e, não necessariamente, por culpa de suas substitutos, mas sim pelo carisma do ator/personagem.

Balanço da Temporada: Orange is the New Black – 3ª temporada

02/07/2015

Ainda não me acostumei ao novo jeito de ver séries perpetrado pelo Netflix, temporada corrida com todos episódios disponibilizados; confesso que nunca fui fã de maratonas de séries, sempre preferi conferir semanalmente episódio por episódio com tempo para reflexão-sofrimento-alegria que eles podem gerar. No entanto, quando uma série seduz a gente não há como evitar de assistí-la diariamente (como um bom brasileiro e sua tradicional novela), este foi o caso de Sense8 (ainda preciso escrever sobre ela) e Orange is the New Black, em sua terceira temporada.

orangeOrange é uma série que alcançou um status positivo desde sua temporada de estréia e ratificou essa condição na segunda temporada (méritos de sua criadora e roteirista Jenji Kohan), seja pela temática inédita, seja pelo competente elenco reunido, seja pela abordagem de temas caros ao universo feminino e pelo equilíbrio entre drama e comédia; dito isso, começo a resenha chamando a atenção para, talvez, o único equívoco grave da temporada, a falta de um arco que, de alguma maneira, conectasse as personagens do presídio de Litchfield.

Na primeira havia a chegada e o olhar de Piper (protagonista) para aquele universo, na segunda, o retorno de uma presidiária, Vee (excelente participação da atriz Lorraine Toussant), que servia de grande antagonista na trama sendo que ela passava por vários núcleos nesse contexto; assim, na terceira temporada, ressenti por um elo de ligação ou mesmo personagem que transitasse entre os diferentes núcleos da série, talvez a oportunidade seria se a privatização de Litchfield fosse tratada de maneira universal atingindo a todos personagens de maneira orgânica e não somente o setor administrativo do presídio (Caputo e os demais guardas).

Agora se não tivemos um grande arco sendo trabalhado na temporada, essa temporada ficará conhecida como a queda da protagonista da série (Piper) em prol de um destaque maior ao grande elenco coadjuvante da série (observem que Piper não teve sequer flashbacks nessa temporada), assim houve storylines muito bem trabalhadas como os traumas de Pennsatucky (Taryn Manning se descolou do papel de antagonista de Piper de uma maneira incrível) e as questões religiosas, seja através do grupo de presidiárias afrodescendentes, que tenta fugir da comida industrial apelando aos direitos legais dos judeus – uma dieta especial, ou as seguidoras de Norma, a mudinha hippie com toque especial. Para notar a importância de Pennsatucky nessa temporada, somente a personagem levantou questões como aborto e estupro em sua jornada.

Houve outras storylines que oportunizaram destaques a dezenas de personagens, tanto dramáticas quanto cômicas (o tráfico de calcinhas de Piper foi uma delas), porém me incomodou um pouco a troca de papéis entre Piper e Alex, ressenti que a personagem de Alex ficou muito melindrosa em comparação com as temporadas passadas, aproveito para comentar que nenhuma personagem estreante dessa temporada se destacou (tô falando de Lolly e Stella), mas já vislumbramos que na próxima temporada haverá novas personagens com destaque para a chegada de uma detenta famosa, a apresentadora de tevê Judith King (papel de nossa querida Blair Brown, Nina Sharp de Fringe).

Obs.: teve um “fan service” dos roteiristas nessa temporada que saltou aos olhos, toda a boa repercussão de Uzo Aduba e sua Crazy Eyes nas temporadas anteriores fizeram com que nessa terceira temporada os roteiristas lhe reservassem uma storyline para chamar de sua, um roteiro bem louco como a personagem, merecido!

Obs. II: para mais detalhes de cada episódio, só dar uma espiada na aqui página da série.

Balanço da Temporada – The Killing (4ª temporada)

10/08/2014

TheKilling-cartazHá algum tempo não redijo um texto sobre um balanço da temporada que não esteja na própria página da qual descrevo “episodicamente” minhas impressões sobre as dezenas de séries que acompanho, no entanto, me senti impelido a fazê-lo em função da última temporada da The Killing, que pela segunda vez retorna do cancelamento (a primeira vez, entre a 2ª e a 3ª temporada), agora com apoio do site Netflix em parceria com o canal AMC; retorno este com somente 6 episódios que repercutem as consequências do ato de Linden e acrescentam um novo crime a ser investigado pela dupla, Linden e Holder, o homicídio de quatro membros de uma família havendo um jovem sobrevivente.

****spoilers

Ao final, sentimentos contraditórios, em geral, gostei dos desfechos dos arcos da temporada, mas ficou um gostinho “de quero mais”, principalmente, se pensarmos que The Killing é um procedural, simplesmente uma série policial, porém com protagonistas riquíssimos. Voltando à trama, apesar de ainda achar que Reddick descobriu as peças do desaparecimento de Skinner de uma maneira muito rápida, o desfecho político do caso, trazendo novamente o prefeito Richmond, das duas primeiras temporadas, fecha um ciclo bastante coeso dentro da trama e verossímil, pois ninguém conseguiria pagar a conta de ter um tenente (delegado, no nosso caso) como um serial killer do próprio caso do qual era responsável pela investigação, em sua gestão.

Sobre o caso da temporada envolvendo os Stansbury, com a descoberta da maternidade da Coronel Rayne (show de Joan Allen), ficou bastante claro para mim o envolvimento de Kyle, no entanto, não imaginava seu trauma e abandono no ventre familiar, sequências fortes e ótimos diálogos entre ele e Sarah.

Mas o grande destaque temporada foi o desenvolvimento do relacionamento de Sarah e Holder, parceiros/confidentes/cúmplices, o casal, o qual nunca shippei como alguns, tiveram nesta series finale algumas das melhores sequências da série; Sarah teve a oportunidade de revelar ao parceiro as consequências de um lar desfeito, seja sua dificuldade em lhe dar com o filho, faltando-lhe carinho e apreço por Jack, quanto aceitar o surgimento de sua mãe, assim Holder com a chegada da paternidade teve o discernimento de observar como uma família pode salvar ou condenar uma pessoa (vide o caso dos Stansbury).

Excelentes diálogos, atores impecáveis (Mireille Enos mais uma vez para a temporada de prêmios, se não me engano concorrendo na categoria minissérie, deve levar fácil), fotografia e trilha fechando o ciclo de uma série que, agora sim, teve um final muito, mas muito digno e relevante. E como isso é importante para um série maníaco (viu, produtores de Dexter!)

Balanço da Temporada: The Walking Dead – 2ª temporada

26/03/2012

***AVISO DE SPOILERS

O sucesso da série The Walking Dead (TWD), a esta altura do campeonato, é inquestionável, com números de audiência total e qualificados das melhores séries da televisão americana, não esquecendo que TWD passa na tevê a cabo americana (canal AMC, o mesmo de Mad Men e Breaking Bad), no entanto, o sucesso da série extrapolou o solo americano e, hoje, a série tem repercussão mundial, exemplo disto, é a rápida exibição pelo canal brasileiro Fox, tentando evitar um possível esvaziamento provocado pelos downloads!

Mas ao meu ver, como uma série de sobrevivência (assim como ocorreu com Lost, que será um parâmetro para os próximos anos, independente de seu desfecho), TWD enfrenta dois grandes problemas, desde a primeira temporada, o equilíbrio entre o desenvolvimento dramático dos personagens e a ação da trama; e a falta de carisma dos principais personagens, principalmente, o trio protagonista.

O triângulo Rick-Lori-Shane é de dar sono a qualquer série maníaco, são 3 personagens que sobrevivem dentro da série de impressões e “querer”, Lori quer Rick ao mesmo tempo que quer que Shane, pelo seu assédio, suma – sequência esta totalmente “vergonha alheia”; Rick tenta mostrar ao grupo sua liderança nunca de modo prático somente com discursos e diálogos banais; e Shane (melhor agraciado na segunda parte da temporada) dá uma enlouquecida em sua obsessão por Lori e pelo contexto passivo de Rick, perdendo toda sua humanidade e trato com os humanos vivos. Na mão de atores mais carismáticos – e talentosos – este triângulo amoroso e os dilemas dos personagens neste mundo pós-apocalítptico renderiam muito mais.

A má escalação não atinge somente os protagonistas, o roteiro ainda “prejudica” outros diversos personagens, sendo atualmente a única relevância dentro da série Andrea, interpretada por Laurie Holden (minha querida Marita Covarrubias de Arquivo X), que mesmo com seu mi-mi-mi suicida no início da temporada soube evoluir como personagem servindo de contraponto as demais passivas personagens femininas. A grande questão é que se houvesse um massacre dentro da série gostaria que somente Andrea fosse poupada, isto não deve ser um bom sinal para uma série “de personagens”, quando o espectador não se importa com o destino dos mesmos.

Pode até parecer que não gosto da série, pelo parágrafos acima, mas o que ocorre é que é decepcionante observar um plot tão rico de possibilidades (pessoas em condições adversas, sem saber de onde vem o perigo, humano ou zumbi, tentando sobreviver ao ambiente e a si mesmos, sem perspectiva alguma de redenção) se perder com algumas storylines arrastadas por diversos episódios sem dinâmica alguma (como o sumiço de Sophie – mesmo rendendo uma das cenas mais impactantes do ano passado) somente apresentando algum evento/diálogo interessante nos dois minutoas finais (a la Lost).

A season finale desta temporada espero que sirva para virar uma página lenta da trama ao revelar o segredo do cientista da CDC (o vírus se espalha pelo ar e todos estão infectados), retirar os personagens da proteção da fazenda, retratar um Rick mais posicionado como líder e acrescentar novos personagens/situações (Michonne/ Presídio/Governador) para a 3ª temporada que inicia em outubro. Esperando ansiosamente!

Balanço da Temporada: Sherlock – 2ª temporada

18/01/2012

Depois de mais de um ano de espera, Sherlock ressurge numa temporada ainda melhor do que a anterior. É impressionante a qualidade técnica da série do canal BBC inglês, sou até mais entusiasta da série do que da nova cinessérie protagonizada por Robert Downey Jr. (que faz uma linha mais aventura cômica). Se não em engano, a primeira temporada da série já está disponível em dvd com os três episódios de 90 minutos cada reunidos.

Para quem não conhece a série, Sherlock é uma livre adaptação dos contos de Arthur Conan Doyle sobre as aventuras de Sherlock Holmes para os dias atuais, logo, os criadores Steven Moffat (responsável pelas atuais temporada da longínqua série sci-fi, Dorctor Who), e o ator/escritor Mark Gatiss (na série interpreta Mycroft Holmes, que ganhou bastante importância nesta temporada), adaptam características e personalidades à Inglaterra atual, temos um forte uso de novas tecnologias (celular, blog, sms) a favor da trama e de maneira coerente, nada exagerado como em comparação aos dramas de procedimento americanos, por exemplo. Tudo funciona de maneira orgânica dentro da investigação do caso da semana, além disso, temos por diversas vezes, a construção do raciocínio (o grande charme do personagem) de Sherlock.

Comentando especificamente sobre a 2ª temporada da série, Sherlock atingiu seu apogeu dramático neste três episódios, trouxe no primeiro, A Scandal in Belgravia, a resolução do gancho do final da temporada onde vimos surgir Moriarty e a introdução de Irene Adler interesse romântico/intelectual de Sherlock, num episódio vibrante tendo terrorismo como pano de fundo; The Hounds of Baskerville, conseguiu equilibrar o caso policial aparentemente sobrenatural com coerência, sobre o famoso caso literário dos Cães de Baskerville; e The Reichenbach Fall trouxe um desfecho definitivo (?) para relação Sherlock/Moriarty, num episódio fantástico cheio de reviravoltas, ação e suspense, e um desfecho de fazer qualquer fã da série começar a riscar os dias do calendário à espera da 3ª temporada.

Foi uma temporada focada, principalmente, nas relações de Sherlock com seus amigos/entes, desde a difícil relação com o irmão, passando pelo zelo com a cuidadora Sra. Hudson, até o elo de amizade que o une a John Watson, sem esquecer de seu romance (!?) com Irene e o duelo com Moriarty. O texto privilegiou o estudo do personagem em detrimento a ação propriamente dita de suas investigações, que estavam lá, mas não movendo a trama.

Desde já uma das melhores séries do ano, um belíssimo trabalho de direção (incluindo os aspectos técnicos), elenco e roteiro.

Obs.: maiores detalhes dos episódios da 2ª temporada na página de Sherlock.