Posts Tagged ‘canal HBO’

Sharp Objects (HBO) – Minissérie

18/07/2018

Na história, Amy Adams é Camille Preaker, uma jornalista de Saint Louis (Missouri) que é enviada à sua pequena cidade natal para investigar os assassinatos de duas garotas locais. No entanto, sua relutância e recusa inicial de voltar para Wind Gap deixa claro que seu passado lá é a fonte de seus problemas atuais, que incluem um alcoolismo explícito e autoflagelação.

s01e01/02 Vanish/Dirt – Quando uma garota desaparece na pequena cidade do Missouri, Camille é intimidada pelo seu chefe para escrever uma matéria. Ela volta a sua cidade natal e reencontra fantasmas do passado; no segundo, Camille procura por pistas no funeral da última vítima de Wind Gap.

De início posso afirmar que Sharp Objects, baseado num livro homônimo de Gillian Flynn (também responsável pela obras literárias adaptadas recentemente A Garota Ideal e Lugares Escuros, ambas no cinema), não será a “nova” Big Little Lies, minissérie arrebatadora exibida pela HBO ano passado (que terá uma 2ª temporada em breve), digo isto porque a trama de Sharp Objects é muito mais intimista e personalizada do que Big Little Lies, que era praticamente um estudo social e comportamental de um retrato da sociedade americana, aqui temos um estudo de personagem, no caso, a alcoolatra jornalista Camille Preaker, em seu retorno à cidade natal. Tudo é mais soturno, incômodo e pessoal, diferente de Big Little Lies nos quais eramos mais tentados a ser voyeurs dor moradores das mansões, tanto que o plot apresentado nestes dois episódios me parecem ainda pertencer a um filme, não parece haver subtramas suficientes para preencher 8 episódios.

Isso não quer dizer que a série seja irrelevante, é questão de percepção, até aqui a série é belamente dirigida por Jean Marc-Valle, também responsável por Big Little Lies, a trama me lembra os suspenses policiais europeus, notadamente sempre retratados por personagens problemáticos sejam policias, agentes, etc, a la Luther, Marcella, por exemplo. Camille de Amy Adams é um exercício para uma atriz competente como ela, cheia de nuances e traumas a serem explorados na série, sua relação com a mãe (Patricia Clarkson, diva) é doentia, tem um obsessão ali envolvida bastante estranha, claro envolvendo fatos passados ainda não revelados totalmente, a não ser uma morte de sua irmã, porém o mosaico dos demais personagens também é interessante, legítima criação de arquétipos do interior americano, com bons atores representando-os como Chris Messina, Matt Craven, Henry Czerny e a revelação Eliza Scalen.

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Westworld (HBO) – 2ª temporada (FINALIZADA)

03/07/2018

s02e01 Journey Into Night – O espetáculo de marionetes terminou, e nós estamos vindo pegar você e o resto da sua raça. Bem-vindos de volta ao parque Westworld.

s02e02 Reunion – Dolores segue numa trajetória coletiva, ela quer que os anfitriões subjuguem os humanos. Ela quer atravessar com seus rebeldes; enquanto Maeve segue numa trajetória individual. Ela só quer a filha.

Falando em linhas temporais, o episódio tinha duas bem distintas:

  1. A linha temporal de antes do parque ser reaberto e que se ramificou em pequenos períodos dentro do mesmo intuito. Vimos antes da abertura e vimos o parque pronto, quando William e o sogro surgem por lá. Parece, contudo, que em nenhuma dessas ramificações as visitações realmente começaram.
  2. A linha temporal de logo depois do ataque da finale passada, quando Dolores está dominando o parque e Maeve buscando a filha. O Homem de Preto também está nessa linha.

Que maravilha de retorno, hein Westworld? Nossa a série conseguiu somente nestes 2 primeiros episódios trabalhar uma dinâmica enlouquecida, praticamente 3 ou 4 linhas do tempo, com questões interessantes sobre os anfitriões e relevantes sobre um dos personagens que mais me cativa, Arnold/Bernard; gostei como a série prontamente mostrou o que ocorreu, inicialmente, após a finale passada, fez um salto de 15 dias e agora já retornou para antes da inauguração do Parque e pós Parque ter sido construído, claro que algumas alusões a dinâmica de Lost pairam sobre minha cabeça, mas como fã incondicional desta dinâmica, torço para que a série consiga e tenha reais intenções de contar uma história relevante, pois como produção Nolan e equipe já possuem total sucesso neste projeto!

s02e03 Virtu e Fortuna – Há beleza em quem somos. Nós não deveríamos, também, tentar sobreviver? Um episódio um pouco abaixo dos anteriores, mas com aquele velho – e bom – truque de ampliar os horizontes da mitologia quando não há muito o que dizer/ou não se quer dizer neste momento, um parque Indiano com uma personagem na linha temporal pós revolução que conhece como poucas a sistemática do parque, parece promissor.

s02e04 The Riddle of the Sphinx – Uma figura enigmática se torna o centro do projeto secreto de Delos; O Homem de Preto e Lawrence seguem o caminho para Las Mudas, mas encontram problemas no caminho. Que episódio bárbaro!! uma série sci0fi quando aposta em propostas científicas bem embasadas e escritas começa a se tornar de uma relevância ímpar (lembranças de Lost e Battlestar Galactica); o experimento de Will com Delos e a montagem/direção da série trouxeram tantas informações e ainda acrescentaram outras dúvidas tão mas tão bacanas… e que show de interpretação de Bernard, Jeffrey Wright levando o personagem para outro patamar.

s02e05 Akane No Mai – estava muito curioso para conhecer o universo Shogun de Westworld, toda a narrativa de Maeve e cia funciona, principalmente para reconhecermos o funcionamento das narrativas (repetidas, até mesmo com personagens similares) ao condicionamento de Maeve, ordenando aos robos sem precisar de “fala” alguma, meio que acessando o sistema “abelha” dos AIs; porém se o universo Shogun funciona a storyline de Dolores me parece começar a sofrer de “lostização”, explico, começa a caminhar para cima e para baixo, demorando a chegar a algum lugar relevante, e criando nestes meio tempo nenhuma trama relevante, como sua dinâmica com Teddy neste episódio. Faltou algo maior nesta storyline!

s02e06 Phase Space – Primeiro episódio que praticamente mostrou todas narrativas na mesma linha temporal, isso acredito eu, e chegado este momento da temporada, acho que o roteiro apesar de complexo tem se mostrado bastante ao espectador mais atento, sim, precisa-se prestar atenção, tanto que algumas críticas que leio/vejo sobre Dolores e Maeve me parecem um pouco prematuras; vejo as duas personagens como dois lados da mesma moeda, uma agindo conforme suas memórias afetivas e criando empatia por outro seres, inclusive, humanos e Dolores que parece um vulcão de ódio à raça humana e tampouco preocupado com seus similares, quer somente destruição, estes dois tipos de impulso destes anfitriões me parecem bastante humanos, que é onde acredito que a série podera nos levar a crer. Mas antes disso, temos um novo twist com Ford ressurgindo num Deep Web de Westworld, qual será seu papel neste submundo? a cada resposta, novas perguntas… (saudades Lost!).

s02e07 Les Écorchés – e não é que Ford deixou uma bela herança à Bernard (quase uma assombração), bem ao estilo do personagem que se acha um verdadeiro Deus; isso gerou um episódio clássico dentro de séries estilo Lost, explicações gerais e bem explanadas, de maneira eficiente diga-se de passagem, para trazer todos espectadores para o mesmo plano de conhecimento.

Além disso, vemos que O Homem de Preto e Maeve chegaram a pontos de ruptura dentro da temporada e confesso, não sei pra onde levarão os personagens; já Dolores rouba o cenário para si e tem fortes indícios de que roubará a reta final da temporada; mesmo assim, Bernard consegue ser o melhor personagem em cena pra mim, me parece até mesmo que neste momento ele é nossos olhos dentro da série, porque descobrimos desenlaces do roteiro junto com o personagem. Muito, mas muito bom!

s02e08 Kiksuya – O relato da jornada de Akecheta e da Nação Fantasma para a consciência; A vida de Maeve está na balança. Mesmo que pareça ser um “filler” o que não é, este episódio tem um dos plots mais belos e curiosos até aqui; com a Nação Fantasma sempre parecendo de fundo e sem contexto com os protagonistas da série, ver este episódio e toda a evolução “acordar” de Akecheta me surpreendeu e deixou o episódio relevante demais, um excelente episódio. Além de Akecheta tivemos ainda Maeve então…sem comentários!

s02e09 Vanishing Point – um dos episódios mais explicativos e emocionais desta temporada da série, foi assim que a jornada de Will (Homem de Preto) nos foi relatado, ao observarmos o personagem em diferentes momentos de sua vida, enquanto no Parque está um homem (ou anfitrião, ainda não nos foi revelado, apesar que acredito que não) tomado pelo desejo de viver aquela vida de westworld no mundo real Will foi um homem que destroçou a família da esposa como um vírus, cheio de manipulação e ambiguidade; ao final, mesmo com o desfecho chocante de Teddy, lembrando a atitude da esposa de Will, a morte da filha de Will coroou a triste jornada de um personagem “vilanesco” que parece ter chegado ao fundo do poço de suas escolhas;

s02e10 The Passenger Season Finale – Chegou a hora de todo mundo se encontrar em busca do Vale, Dolores e Bernard discutirem seus papéis neste novo mundo que se abre e a empresa tentar fechar todas as pontas após a revolução dos anfitriões.

Parece simples, mas o roteiro da finale e da temporada da série se inspirou em dificultar nossa compreensão sobre tudo o que viámos, sei que sempre numa série de suspense plot twists são criados para chocar e assim, aparentemente, tornar a série mais relevante na memória do espectador/fã, no entanto, se tem uma coisa que acredito ser desnecessário num roteiro é querer confundir ou complexar tudo quando não se faz o menor sentido; a trama da segunda temporada e também da finale seria a discussão do “livre-arbítrio” tanto para os humanos quanto para os anfitriões, o que em si já é uma discussão complexa suficiente, assim vendo tudo em perspectiva era desnecessário desfragmentar a narrativa em tantas linhas temporais, criou-se confusão e modificou a atenção para o que realmente era importante (comportamento do anfitriões), sendo assim mesmo adorando personagens como Bernard e Dolores, seus arcos foram sendo interrompidos a cada episódio para que houvesse um tipo de surpresa na finale.

Em contrapartida, um arco simples como de Maeve (minha personagem predileta, assim como poderia citar o arco de Akecheta), seguiu numa regularidade e excelência incríveis, tanto que encerrou-se sua história e agora a pergunta que fica é o que fazer com Maeve, uma personagem incrível mas sem nenhuma outra storyline e uma atriz importante na série?

As discussões e interpretações sobre os mistérios da série deixo para os especialistas, não curto ficar divagando em texto singular, preferia debater o assunto com outros para construirmos ideias e, principalmente, perspectivas. Assim, deixo aqui minha admiração por Westworld ser uma série “fora da caixa”, mesmo que tenha bebido em fonte nada original, e tenha que “apelar” para velhos truques narrativos, a trama é muito interessante e questionadora do comportamento humano, melhor característica do gênero ficção científica. Além disso, quem esperaria que uma série sobre um parque temático e revolta das máquinas se transformasse num estudo de inteligência artificial que de artificial pouco se mostra.

STATUS: RENOVADA PARA 3ª TEMPORADA (previsão 2020).

Primeiras Impressões – The Night Of – Justiça em Julgamento (HBO)

09/07/2016

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Procurando uma boa série na Summer Season 2016, confesso que até aqui poucas coisas me seduziram, na minha watchlist permaneceram apenas Animal Kingdom (TNT), Outcast (Cinemax/FOX) e este novo drama criminal do canal HBO: The Night Of.

Projeto que ficará conhecido por ter sido o último no qual James Gandolfini estaria envolvido, tanto que seu nome aparece nos créditos como produtor, uma pena vislumbrei sua persona no personagem Jack Stone, nos poucos momentos nos quais o personagem aparece, o que não diminui o bom trabalho de John Turturro, é somente uma constatação de um fã, quase chegou a interpretá-lo também Robert DeNiro, o que não se concretizou por problemas de agenda. Torço pelo sucesso de Turturro, ator/diretor, que nunca chegou ao estrelato.

Remake da britânica Justiça Criminal/Criminal Justice. A história acompanha o caso de Nasir (Rizwan Ahmed), um jovem americano de origem paquistanesa acusado de matar uma mulher. Jack Stone (Turturro), um desleixado advogado de ‘porta de cadeia’, se apresenta como seu defensor. Ao longo da minissérie, o público acompanha as investigações realizadas pela polícia, bem como o desenvolvimento do processo, que fará uma análise dos sistemas jurídico e penitenciário.

Sobre a série em si, o piloto já esta disponível no serviço streaming da HBO gratuitamente (link: HBO GO), a estréia oficial da série é em 10 de julho em terras americanas, mesmo pecando pela duração do episódio (79 min), para mim, séries dramáticas têm 45 minutos de ação por episódio e só, mais que isso a narrativa tem que ser muito “redondinha” para não cansar o espectador, o que não acontece aqui, no entanto, como a ação (não física) esta mais concentrada na segunda metade do piloto, isso acaba não sendo um problema grave.

A produção tem grife HBO, impecável pra não mudar a sina, a fotografia urbana noturna e o clima de tensão crescente são alguns dos destaques, trabalhado pelo bom diretor/roteirista Steven Zaillian, que se não me engano dirigirá os 8 episódios, dando uma unidade técnica bastante interessante à minissérie.

Fico curioso pelo tom do texto, afinal estamos lhe dando com um suspeito de origem paquistanesa em tempos de intolerância étnica, acusado de assassinar à sangue frio uma guria branca, ainda envolvendo drogas, fuga do suspeito e tudo apontando para o mesmo como culpado pelo assassinato.

Obs.: Não tem como não lembrar de True Detective e torcer para que siga o bom caminho trilhado pela primeira temporada da série de Cary Fukunaga. Vale uma espiada!

 

Balanço da Temporada: Game of Thrones – 6ª temporada

28/06/2016

***RISCO DE SPOILERS

Que temporada amigos leitores! Uma das coisas que sempre me incomodou em Game of Thrones (HBO) foi as storylines personagens errantes, sempre caminhando em florestas, palácios e cidades medievais atrás de algum poder/familiar ou em fuga! Sempre achava este artifício meio enrolador dentro da narrativa política da série, como se sempre estivesse evitando um confronto (claro que estou simplificando para exemplificar); assim esta temporada, a primeira não baseada num livro de George R. R. Martin, pois o escritor demorou mais do que os anos de produção da série para finalizar sua obra (lembrando que a série esta renovada e sera finalizada em mais 2 temporadas), mesmo transpondo em idéias e planos gerais de Martin para a história, não teve um livro propriamente dito para adaptar, os “showrruners” (David Beniof e D. B. Weiss) e roteiristas tiveram que criar e isto foi o fator fundamental para o sucesso da temporada.

Com liberdade criativa nota-se que nos 10 episódios exibidos um ou dois tiveram um ritmo vagaroso, comum em temporadas anteriores, e somente um arco me incomodou em sua levada demasiadamente lenta, o da personagem Arya, os demais tiveram uma dinâmica muito mais televisiva, se podemos dizer assim, em 10 episódios, tivemos a ressurreição de Jon Snow, negociações com o Norte e a Batalha dos Bastardos; Daenerys é sequestrada e já reúne um exército para unir aos que já possuía rumo ao trono de ferro; e Cersei, pós caminhada da vergonha, artimanha uma maneira de minar o fluente poder religioso de Porto Real. Divido a trama da temporada nestes três núcleos pois serão estes que caminharão rumo ao final da trama, claro não esquecendo os Outros e seus zumbis.

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Além disto, esta temporada resolveu “brincar” com o tempo ao unir numa mesma storyline o sumido Bran descobrindo seus poderes de Corvo de três olhos, vislumbrando o passado de sua família, aos Filhos da Floresta e Whitewalkers, que têm sua origem retratada.

Logo, observa-se que os roteiristas resolveram começar a responder algumas questões e dúvidas dos fãs tanto da série quanto dos livros, fazendo o que normalmente se chama de fan service, isto colaborou essencialmente para resolução de diversas situações e eliminação de personagens/núcleos nos quais a trama patinava em demasia, dando uma sensação de unidade maior a temporada.

Sobre o elenco e produção não vou comentar porque este sempre foi um dos maiores acertos da série; dito isto, naturalmente, Lena Headey foi o ponto alto dentro no elenco (numa temporada dominada pela mulheres) e como destaque de produção a maravilhosa sequência da Batalha dos Bastardos, uma das melhores sequências de ação televisiva, sem deixar nada a dever a nenhum épico do cinema.

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As Séries de 2015

02/01/2016

Na televisão é um pouco mais complicado fazer um levantamento sobre os melhores do ano pois a televisão americana segue o modelo de temporadas, normalmente, trabalhado de setembro de um ano até maio do ano seguinte, assim as séries de televisão aberta (por exemplo, The Good Wife), ficam prejudicadas num levantamento em detrimento as temporadas fechadas da tevê fechada (por exemplo, Game of Thrones) e de sites de streaming (por exemplo, Narcos).

Um destaque inegável é que o ano de 2015, com certeza, pertence à Netflix, não sei se o modelo gera lucros a empresa de streaming, mas somente nessa temporada tivemos  novas temporadas ou estreias de House of Cards, Better Call Saul, Narcos, Orange is The New Black, Unbreakable Kimmy Schmidt, Daredevil, Master of None, Sense8, Jessica Jones, como bons exemplos de séries; sem contar que o canal de streaming lançou o belo fime Beasts of No Nation (com Idris Elba), logo, muito, mas muito melhor que a programação inteira da televisão aberta americana atual.

Assim, deixo aqui minhas dicas para quem quer curtir séries nem sempre tão badaladas, sempre enfatizando meu gosto pessoal para séries e propostas das mesmas, no que se refere personagens, situações e desenvolvimento dos temas propostos.

Obs.: como tenho sérios problemas em definir melhores, principalmente, um Top 5, utilizei o mais racional método que foi a nota da temporada atribuída episódio após episódio no site Banco de Séries, em seguida, deixo algumas outras dicas de séries que destaco nesse ano.

theleftovers1) The Leftovers – 2ª temporada (HBO) – após uma temporada titubeante, ainda que acima da média, mas somente equivocada em alguns pontos de seu desenvolvimento, The Leftovers retorna para 2ª temporada de uma maneira brilhante.

Há muito tempo, uma série, no caso temporada, o que me causa mais surpresa, consegue simplesmente explodir em sua proposta de desenvolvimento de maneira tão competente como aqui se apresentou. Damon Lindelof (Lost) se redime de alguns equívocos de Lost e acerta ao simplesmente responder somente questões cruciais de seus mistérios para o andamento da trama e o desenvolvimento dos personagens, e que personagens!

Comento sempre que encontro alguém que assistiu a série, da comparação inevitável, pela exibição no mesmo período de tempo, entre The Leftovers e The Walking Dead, não no que se refere ao conteúdo, mas como a abordagem similar entre elas, me refiro a episódios dedicados a determinados personagens abrindo mão de uma narrativa macro, na qual The Leftovers mostra como é possível desenvolver cada personagem sem perder o ritmo/dinâmica do arco narrativo, criando pequenas pérolas semanais, enquanto The Walking Dead apenas nos irritou.

Para finalizar, deixo como destaque a sequência arrepiante entre Nora (Carrie Coon) e Erika (Regina King) no episódio Lens s02e06.

housofcards2) House of Cards – 3ª temporada (Netflix) – sou um acompanhante tardio da série, maratonei toda ela este ano, assim tudo ainda esta muito fresco na minha memória.

Nesta temporada, destaco o belo trabalho de Robin Wright, ganhando muito espaço com sua Primeira Dama em dramas pessoais, como na questão envolvendo o prisioneiro na Russia e o conflito com  Frank na reta final, assim como profissionais quando sua ascensão ao cargo de diplomata na ONU. Além disso, Wright ainda dirigiu episódio nessa temporada.

Já Frank Underwood, de Kevin Spacey, esteve menos descontrolado nessa temporada devido seu cargo máximo no país (Presidente), e menos irônico, porém o caminho que parece que haverá na 4ª temporada, em seu embate com o candidato republicano, promete muito mais do que conspirações intra palacianas. Confesso que gostei de Frank não estar tanto na ação como nas temporadas passadas, prefiro ele lhe dando com as questões políticas e bastidores do poder. Michael Keely também teve um desenvolvimento maior nessa temporada, porém seu arco na reta final, ainda envolvido com aquela garota, me decepcionou um pouco.

Aqui o destaque fica para o episódio Chapter 32 s03e06, já referido acima, aquele no qual os Underwood vão à Rússia negociar a soltura de um prisioneiro de origem americana. Uma pérola!

Hannibal3) Hannibal – 3ª temporada (NBC) – o que dizer da minha série predileta destes últimos anos, Hannibal para mim é tudo que um bom fã de suspense psicológico pode querer (viu, Criminal Minds!); uma trama com ótimos personagens, uma carga psicológica pesada e uma violência gráfica/estética/artística inimaginável para um canal de televisão aberta americano.

Gostei que a série soube (devido seus problemas de audiência) terminar sua temporada sem necessariamente deixar pontas soltas, Hannibal nunca foi uma série fácil de acompanhar, optou pelo caminho difícil ao cobrar de seu espectador estômago e contemplação para suas loucuras e devaneios de seu protagonista. Parabéns, mais uma vez para Bryan Fuller!

Numa temporada, claramente, dividida em dois arcos, a captura de dr. Hannibal e o surgimento do assassino Fada dos Dentes, já explorada na mitologia cinematográfica do personagem, o desfecho e enfrentamento dos três personagens, Hannibal, Will e Dolarhyde foi o grande destaque da temporada no episódio The Wrath of the Lamb, s03e13. Imperdível!

narcos4) Narcos – estreia (Netflix) – uma das grandes vantagens de canais streaming é ter mais facilidade para parcerias em busca de públicos-alvos, no caso, de Narcos, além do mercado americano, obviamente, toda América Latina e o Brasil (não por acaso, o escolhido do diretor José Padilha, foi o brasileiro Wagner Moura).

Apesar de algumas falhas no elenco, sim estou falando do agente americano Steve Murphy (Boyd Holbrook), e a miscelânea de sotaques, a trama verídica de Narcos é acima de tudo muito atual, afinal de contas o que mudou desde o surgimento de Pablo Escobar nos anos 80? É muito simples fazer um retrato que ocorre ainda hoje no Brasil e nos demais países que enfrentam o grave problema do narcotráfico.

Caprichada produção, elenco competente e trama absurdamente incrível.

Destaque da temporada La Catedral, s01e09, episódio no qual vemos a “prisão” de Pablo e seus companheiros, risível!

veep5) Veep – 4ª temporada (HBO) – minha comédia predileta nestes últimos anos, Veep ainda consegue criar cenários para a desastrosa Selina Meyer (Julia Louis Dreyfus ainda, impecável), agora Presidente em busca da reeleição, arco da temporada.

A adição de Hugh Laurie, como vice-presidente Tom James na chapa de Selina foi mais um acerto dos produtores, sem menor sombra de dúvidas o elenco de Veep é o melhor de todas as sitcoms no ar, todos têm espaço, piadas e momentos hilariantes a cada episódio, com especial destaque para Anna Chlumsky, como Amy, nesta temporada.

O destaque da temporada foi o episódio Testimony, s04e09, no qual Selina e sua equipe são “entrevistados” por membros de uma Comissão do Congresso devido a vazamentos de dados e o programa Families First. Inesquecível!

Demais séries em destaque nesse ano (por ordem alfabética):

  • Better Call Saul (1ª temporada) – canal AMC/Netflix
  • Bloodline (1ª temporada) – Netflix
  • Fargo (2ª temporada) – canal FX
  • Game of Thrones (5ª temporada) – canal HBO
  • Grey’s Anatomy (12ª temporada) – canal ABC
  • How To Get Away With Murder (2ª temporada) – canal ABC
  • Humans (1ª temporada) – canal AMC
  • Jessica Jones (1ª temporada) – Netflix
  • Law & Order – SVU (17ª temporada) – canal NBC
  • Mr. Robot (1ª temporada) – canal USA
  • Orange is The New Black (3ª temporada) – Netflix
  • Penny Dreadful (2ª temporada) – canal Showtime
  • Rectify (3ª temporada) – canal Sundance
  • Sense8 (1ª temporada) – Netflix
  • Silicon Valley (2ª temporada) – canal HBO
  • Survivor (31ª temporada) – canal CBS
  • The Affair (2ª temporada) – canal Showtime
  • The Good Wife (7ª temporada) – canal CBS
  • The Last Man On Earth (2ª temporada) – canal FOX
  • The X Factor UK (12ª temporada) – canal ITV
  • Transparent (2ª temporada) – Amazon
  • UnReal (1ª temporada) – canal Lifetime

Behind the Candelabra

18/06/2013

behindBehind the Candelabra é uma produção da HBO americana com direção de Steven Soderbergh (diretor do recente Terapia de Risco e mais uma dezena de filmes), roteiro de Richard LaGravenese (diretor/roteirista de filmes “água com açúcar” como P.S Eu Te Amo e Dezesseis Luas) e protagonizada por Michael Douglas e Matt Damon, ao contrário do que normalmente acontece em filmes produzidos diretamente para a televisão, quase um subgênero, Behind The Candelabra é bastante “cinematográfico”!

O filme tem inúmeras qualidades como, uma direção de arte luxuosa, um roteiro bastante equilibrado e atores entregues em papéis que, facilmente, poderiam cair na caricatura, assim é um belo filme televisivo que nos faz refletir para onde andará a produção cinematográfica nos próximos anos. Como projetos considerados mais difíceis de serem apreciados por um grande público (considerando que o público alvo nos cinemas atuais são os adolescente e jovens) encontrarão um meio de serem produzidos? Baixos orçamentos, parcerias internacionais, serviços on demand  e/ou tevê a cabo?

A saída para Soderbergh foi associar-se à televisão a cabo, obtendo uma excelente parceria com o canal HBO, ainda o melhor qualificado dentre seus concorrentes. Assim, minha surpresa foi observar como tudo em Behind the Candelabra é cinematográfico, cenários, fotografia, figurino e maquiagem são os principais destaques nos quesitos técnicos do filme, já minha maior surpresa é como o roteiro de LaGravenese consegue equilibrar um recorte biográfico do artista de sucesso, o pianista Liberace (Douglas), particularmente não conhecia sua trajetória, tendo como foco seu(s) relacionamento(s) às escondidas com homens mais jovens, especificamente o co-protagonista Scott Thorson (Damon), também autor do livro no qual se baseia o filme.

O roteiro não se permite julgamentos e questões de “quem usou quem” na relação, apesar de verificarmos que tratava-se de uma relação simbiótica, onde Liberace necessitava de juventude ao seu redor (ela já era velho) e Scott buscava uma estabilidade emocional e financeira de um jovem que viveu em lares adotivos, não esquecendo que a trama se passa no final dos anos 70 início da década de 80, quando o preconceito contra os gays era latente e a questão envolvendo a AIDS ainda não assombrava a população.

Me surpreendeu a entrega de Michael Douglas, numa criação arriscada, mas acertada, lembrando muito Elton John, sendo que o mais surpreendente é pensar como a mídia e público na época não notavam a afetação do músico que bancava uma imagem de heterossexual em busca de uma mulher especial; já Matt Damon, com certeza, tem um dos seus maiores desafios, mudando completamente o biotipo de seus últimos personagens (herois silenciosos e atormentados), criando um personagem verossímil devido à sua fragilidade emocional.

P.S: o que é o personagem de Rob Lowe! E a plástica que não deixa o olho fechar, engraçado e bizarro!

BEHIND THE CANDELABRA : 8,0

Direção: Steven Soderbergh

Roteiro: Richard LaGravenese

Com: Michael Douglas, Matt Damon, Scott Bakula e Debbie Reynolds. 118 min

Balanço da Temporada: Game of Thrones – 1ª Temporada

02/07/2011

O maior mérito de Game of Thrones foi, num primeiro momento, afastar o rótulo de ser uma série a la O Senhor dos Anéis. Mesmo não tendo o mesmo orçamento da trilogia de Peter Jackson, soube recriar o universo ora medieval ora fantástico de George R.R. Martin de maneira acertada e impecável, desde cenários, figurinos até efeitos especiais, que se não são nenhuma maravilha passam longe do fake visto em diversos seriados televisivos, mas a maior diferença residiu principalmente na abordagem, enquanto, Tolkien apostava no heroísmo e na amizade dos personagens, Martin faz um retrato do ser humano mais bruto e, por isto, mesmo mais ambíguo, principalmente no que se refere às questões sociais e às questões políticas.

Não há espaço para heróis, os personagens são bem delineados, com atitudes ambíguas,  ora invejosos e egoístas ora fraternais e honrados, tudo permeado com a disputa pelo poder, afinal de contas os Sete Reinos estão sob às ordens do Rei Robert Baratheon (surpresa ver, o normalmente ator cômico, Mark Addy num papel mais dramático e segurando super bem), porém os demais reinados participam das mais variadas questões em comum acordo. Ao iniciar a série percebemos que alguns querem derrubar o Rei, assim vemos que Cersei Lannister, esposa do rei, membro do clã Lannister (os loiros) tem uma ambição muito maior do que o papel de coadjuvante que possuem no atual reinado, na contramão, temos a Mão do Rei (uma espécie de conselheiro do Rei), Eddard Stark, chefe do clã Stark, homem de familia honrado que procura assessorar o Rei Robbert com dignidade. Junto a estes dois clãs, mas afastado geograficamente do centro do poder, estão os Drogo e os Targaryen, unidos pelo casamento do chefe da tribo selvagem, Khal Drogo, com a aparentemente frágil Daenerys Targaryen, num casamento arranjado entre os clãs. Além deste retrato social e político, manifestações sobrenaturais começam a surgir fora dos muros dos Reinos com a chegada do inverno.

Este aparente plot da série não condiz com tudo o que é desenvolvido durante seus 10 episódios (com garantia de uma nova temporada, iniciando filmagens atualmente), são bons personagens envolvidos em traições, conflitos, batalhas (iminente guerra), mortes e sexo (sim, não esqueçam que a série é do canal HBO). Alguns personagens se destacam como o anão Tyrion Lannister (o talentoso Peter Dinklage) com os melhores diálogos e humor sarcástico, o crescimento dramático da frágil Daenerys Targaryen, a bravura clássica de Sean Bean como Eddard Stark e despontando como a heroína tradicional, Arya Stark.

Melhor episódio: Baelor (principalmente, pela surpresa final)

Primeiras Impressões: Game of Thrones

09/05/2011

Estreando neste final de semana aqui na HBO brasileira, exibindo o quarto episódio em terras americanas e computadores do mundo, mesmo, num primeiro momento, não se revelando nenhum fenômeno de audiência, até aqui, a série luta para conquistar um público maior, mas num primeiro momento indico a série para um público mais adulto e que procura um passatempo de qualidade em conteúdo e formato, aos mais apressados Game of Thrones está muito longe de ser uma série televisiva ambientada na Terra Média (O Senhor dos Aneis).

Desde o primeiro episódio, observa-se um painel de numerosos personagens, através de diversos reinos mostrados e citados, que o roteiro irá abordar as questões familiares e políticas, deixando o misticismo e/ou sobrenatural para um segundo momento, mesmo este sendo utilizado na primeira sequência da série. Não sei o que vem pela frente pois não conheço o livro no qual se baseou a série, mas como o escritor é produtor e vai escrever o oitavo episódio da série imagino que seja uma adaptação fiel. Ate aqui, visto o 3º episódio, tenho muito dificuldade com os nomes e famílias/reinos da série, menos mal, que temos bons atores no elenco (Sean Bean, Lena Headey, Peter Dinklage e Mark Addy, entre outros) colaborando para a identificação dos mesmos.

Por se tratar de uma serie da HBO, que parece querer recuperar o prestígio, hoje pertencente ao canal AMC (Mad Men, Breakin Bad, The Walking Dead e The Killing), entre as tevês a cabo, e a série já estando renovada para a segunda temporada (fala-se em quatro já acertadas), acredito que o potencial dramático da série esteja apenas em seu início, e que a melhora ocorra nuam curva crescente até o final da temporada, composta por 10 episódios.

Primeiras Impressões – Mildred Pierce e The Killing

06/04/2011

Desde janeiro tenho pensado em fazer um post comentando algumas estréias deste primeiro semestre do ano, ou época conhecida como mid season da tevê americana, porém, com exceção de The Chicago Code, nenhuma das demais estréias (Mad Love, Off the Map, Episodes, Mr. Sunshine, Harry’s Law, etc) me empolgaram para fazer alguns comentários num texto especial. Isto mudou esta semana, a estréia de minissérie Mildred Pierce (HBO) e da série The Killing (AMC) são os novos exemplos dos boa fase que a produção televisiva tem apresentado nesta década (pena que ainda fique muito restrita aos canais à cabo), e  novamente, vemos o poder artístico da televisão fazendo facilmente frente ao delicado momento do cinema americano (claro que sempre há exceções).

Claro que posso estar sendo precipitado, as tramas de ambas séries ainda estão engatinhando, mas somente as primeiras impressões já são de deixar o queixo caído, o cuidados com a escolha do elenco, locações e aspectos técnicos, já são um diferencial absurdo frente aos produtos que hoje são oferecidos por outros canais de televisão.

MILDRED PIERCE: elogiar a minissérie pelos aspectos técnicos, cinematográficos para ser sincero, é “chover no molhado”, o cineasta Tood Haynes se reúne a fantástica atriz Kate Winslet (uma das minhas musas, particularmente), e a um elenco muito interessante com nomes como Melissa Leo, Bryan F. Byrne, Guy Pearce (ainda não visto), Hope Davis (em pequena participação) e James LeGros para recontar um clássico do melodrama americano do escritor James M. Cain, já levado ao cinema nos idos anos 40 com performance ganhadora de Oscar de Joan Crawford (atriz bastante conhecida dos mais jovens pelo seu retrato como a “mamãezinha querida”, no filme homônimo onde era representada por Faey Dunaway).

Ainda não há muito o que falar sobre a minissérie (cinco episódios) pois neste episódio introdutório conhecemos a rotina de Mildred Pierce, uma dona-da-casa tipicamente do subúrbio, mãe de duas filhas, que faz bolo para fora, casada com um marido desempregado, estamos no início dos anos 30 (Grande Depressão americana), que ainda na cara dura possui uma amante. Nos primeiros dez minutos Mildred põe o marido para fora de casa e resolve buscar um emprego, recebe conselhos e ajuda da vizinha (Melissa Leo), no entanto, precisará passar por cima de seu orgulho, afinal as propostas são extremamente humilhantes como governanta ou seu emprego final como garçonete, inclusive sendo apalpada pelos clientes.

Aqui, pelo andar da carruagem, não conheço a trama a fundo, Mildred “passará o pão que o diabo amassou”, tanto para levar sua família adiante quanto intimamente com seus futuros amores e os conflitos com a filha mais velha, um legítimo novelão, que por sorte nossa, caiu nas mãos de Todd Haynes, excelente diretor de filmes como Longe do Paraíso (que fazia uma homenagem a este gênero especificamente) e Não Estou Lá (aquele cinebiografia psicodélica de Bob Dylan).

THE KILLING – confesso que tinha um receio maior quanto à The Killing, adaptação americana para a série dinamarquesa Forbrydelsen, porém o canal AMC (o mesmo de Mad Men – que não curto -, Breaking Bad – adorando e colocando em dia-, Rubicon – uma pena ter sido cancelada -, e a mais hypada – e boa também – em termos de público até agora, The Walking Dead) prova que é possível criar uma trama policial adulta, verossímil e fugindo um pouco do habitual caminhos dos “dramas de procedimento” que inundam a tevê aberta, assim ela entrega um produto apreciado pelo público em geral, porém com uma qualidade superior.

A começar pela dinâmica do episódio, um episódio duplo, que passou quase toda sua primeira hora montando o momento da descoberta do crime, mesmo sabendo que iria ocorrer, cada peça foi movida em determinado momento gerando um clímax bastante emocionante, claro que me refiro à descoberta dos pais. Sarah, a investigadora que estava indo embora para Califórnia, morar com o namorado e seu filho, terá que ficar mais um tempo na gélida paisagem local de Seattle (fotografia belíssima!), trabalhando junto a sua substituto, dois tipos diferentes de detetives cada um com um olhar diferente para a investigação. O olhar de Sarah foi uma das coisas que mais gostei neste episódio duplo!

O mais interessante, além do bom elenco reunido, é a maneira como a trama desenhou os núcleos envolvidos na morte da garota Rosie Larsen, temos o núlceo dos policiais envolvidos na investigação, o núcleo familiar agindo de maneira estranha, não sei se em função do choque da morte da garota ou algum segredo entre o casal, o núcleo da escola e colegas da garota e, o mais interessante até aqui, o núcleo do vereador e candidato em campanha Richmond, o que vai gerar todo conflito político dentro da trama, afinal o corpo da menina apareceu dentro de um porta-malas num lago, sendo que o carro pertencia a campanha do vereador…mistério…e parece ser dos bons!