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Vida (Starz) – 1ª temporada (FINALIZADA)

03/07/2018

Vida é uma série de drama, que foca em duas irmãs latino-americanas do Eastside de Los Angeles que não poderiam ser mais diferentes ou distanciadas uma da outra. As circunstâncias as forçam a retornar ao seu antigo bairro, onde são confrontadas com o passado e uma verdade chocante sobre a identidade de sua mãe.

s01e01/02 Episode 1/2 – Depois de um trágico acontecimento as irmãs Lyn e Emma retornam para seu antigo bairro. Interessante produção do canal Starz certamente veiculada para atingir o público latino-americano, concorrência com canais como Telemundo, visto que trata-se de uma dramédia, com produção caprichada, com cara de série indie e texto beirando o novelesco, afinal de contas nada mais novela que o irmãs voltando ao local de origem após morte de mãe e tendo que lhe dar com conflitos passados e a família até então abandonada, sendo que há até um comércio local para ser disputado na herança.

A série busca fugir um pouco dos estereótipos, não muito, mas temos duas irmãs meios fracassadas, revelações de que a mãe atualmente era casada com outra mulher, uma jovem que busca expulsar do bairro referências não latinas (meio distópica na sua pregação anti-capitalismo e anulação cultural), e os personagens masculinos ainda meio deixados de lado, a série tem um forte tom sexual com direito a sequências de “beijo grego” e “sexo lésbico” não sei se ainda somente para chamar a atenção a la HBO ou será ilustrado isso na narrativa organicamente. Por se tratar de uma série de 30 minutos, já me cativou.

s01e03 Episode 3 – Emma descobre dívidas no armário. Lyn discute a relação com Johnny. Eddy conversa com uma senhorinha que fala com plantas. Todo mundo transa. Segue apresentando o que deve ser os plots da temporada, de adaptação das irmãs ao universo da juventude e que tanto tentam renegar, e desenvolvendo os personagens como Emma que já não parece tão “robotizada”.

s01e04/05/06 Episode 4/5/6 Season Finale – Gosto como a temporada, simples e direta, até pelos poucos episódios (e duração) buscou simplesmente apresentar os personagens principais e aquele cenário surreal, que causou tanta identificação com o público latino e com a crítica especializada. A temporada foi como aqueles filmes de “comeback” o retorno das duas irmãs ao cenário do passado que tanto refugam após a morte da mãe, claro que temperos como sexo, nudez e o papel dos latinos na sociedade americana elevaram o texto e as situações comuns até então apresentadas. Ao final, temos o que parece uma aceitação da sua natureza frente a superficialidade com a qual se apresentavam Emma e Lyn, fico na curiosidade de ver se os roteiristas buscarão diferenciar a série nesta jornada ou inevitavelmente terão que usar os famosos ganchos novelescos tão conhecidos do público alvo da série.

STATUS: RENOVADA OARA 2ª TEMPORADA (2019).

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Manchester à Beira-Mar

14/02/2017

manchester

Ô filme triste do capet@!

Que belo melodrama Kenneth Lonergan (dos dramas Conte Comigo e Margareth) produziu, um trama sobre perda/perdão e suas consequências nas pessoas. Para isto, somos apresentados à Lee Chandler, um quieto zelador, que no início da projeção é informado do falecimento do seu irmão mais velho e necessita retornar à Manchester, local no qual sofreu um chocante trauma no passado.

Mesmo contando com uma sinopse aparentemente simples, a maneira orgânica e sensível como Lonergan o faz é o grande mérito da película, o trauma sofrido pelo personagem, o qual nos é apresentado em meio à flashbacks (que também ilustra a afetuosa relação entre Lee e seu falecido irmão, sua família), é de fácil identificação para o espectador, tanto o texto quanto a criação de Casey Affleck colocam o personagem em rota de auto colisão/destruição, é um personagem simplesmente quebrado emocionalmente, mas sem perder sua humanidade em determinados momentos (como no trato com seu sobrinho, indicado ao Oscar o jovem ator Lucas Hedges).

Ainda sobre Lonergan, me agrada demais a maneira como o roteiro evita a pieguice, alternando ora os momentos conflituosos ora uma conversa bem humorada ou carinhosa, os personagens são muito bem construídos, transpiram humanidade; Kyle Chandler, o irmão falecido, surge nos flashbacks afetuoso e um irmãozão/suporte para Lee em seu pior momento, Lucas Hedges, como Patrick, tem o luto pela morte do pai e o conflito do que ocorrerá em sua vida, afinal sua mãe esta distante, ao mesmo tempo que enfrenta os problemas corriqueiros de um adolescente, como garotas e sexo e, para fechar, Michelle Williams, em meia duzia de cenas, como a ex-esposa de Lee, Randi, tem num momento chave na película que simplesmente desmonta o mais insensível coração.

Lindo, triste, bem fotografado, cheio de metáforas devido a geografia da cidade, Manchester à Beira-Mar é facilmente um dos melhores filmes desta safra do Oscar 2017.

MANCHESTER À BEIRA-MAR

Direção: Kenneth Lonergan

Roteiro: Kenneth Lonergan

Com: Casey Affleck, Lucas Hedges, Michelle Williams, Kyle Chandler, Gretchen Mol, Tate Donovan. 138 min