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Star Trek: Discovery (CBS All Acess/Netflix) – 1ª temporada

10/11/2017

Star Trek: Discovery vai acompanhar uma nova nave, a U.S.S. Discovery, com novos personagens em novas dimensões, “enquanto abraça a mesma ideologia e esperança para o futuro que inspirou uma geração de sonhadores”.

O elenco do seriado conta com Sonequa Martin-Green (The Walking Dead), Doug Jones (O Labirinto do Fauno, Hellboy), Anthony Rapp (Uma Mente Brilhante) e Michelle Yeoh (Marco Polo, O Tigre e o Dragão).

s01e01 The Vulcan Hello – Durante uma patrulha ao espaço da Federação, uma nave dos EUA encontra um objeto de origem desconhecida, colocando a oficial Michael Burnham perante o seu maior teste até agora.

s01e02 Battle at the Binary Stars – Face a face com as naves de guerra Klingon, A nave Shenzhou da Federação se prepara para a possibilidade da guerra se as negociações falharem. Em meio à turbulência, Burnham olha para a sua educação em Vulcan em busca de orientação.

A retomada do universo Star Trek na telinha chega em boa hora, primeiro por se tratar de uma produção streaming do próprio canal CBS em parceria com a Netflix (distribuindo para os mercados fora dos Eua), digo isto, porque normalmente isto gera produções que não dependem exclusivamente de audiência medida a cada semana/episódio, como ocorre rotineiramente, mas sim as temporadas – fechadas – servem de produto de promoção para os canais streaming, podendo dar maior liberdade aos criadores/roteiristas.

Retomando a trama televisiva, optou-se por voltar no tempo, assim como no universo cinematográfico, que retomou os personagens clássico, Capitão Kirk, Spock e cia, aqui estamos anterior a este momento, e já temos um clássico conflito da franquia a Federação vs. Klingon (com direito a fala própria e tudo mais que os nerds piram!). Gostei da produção como um todo, achei acima do nível razoável visto na televisão, dos personagens e de algumas pitadas do que podemos ver nesta temporada, sempre com a possibilidade de contexto social e político ser mimetizado ao nosso contexto atual.

Boa perspectiva, muito mais em boas mãos como do as showrunner de Hannibal e American Gods, Bryan Fuller!

s01e03 Context is for Kings – Michael é convocada à U.S.S. Discovery, e descobre que as coisas não são o que parecem. Incluindo o misterioso Capitão Gabriel Lorca.

Agora sim, passado a season premire dupla, começamos a ser apresentados ao universo de Discovery, a nave ao qual Michael estará inserida, a personagem diga-se de passagem ganha contornos bastante dramáticos após o episódio do motim, motivo de falatórios na Federação, porém parece que seu perfil serve para o ambíguo Capitão Lorca, fiquei curioso com o personagem. Ainda não consigo imaginar o caminho que a série irá trilhar, pois estamos em guerra com os Klingons, então não sei se abraçará esta vertente com bastidores do poder/conspiração ou trilhará em busca de novos planetas e sociedades.

s01e04 The Butcher’s Knife Cares Not for the Lamb’s Cry – Ao tentar implementar a visão de T’kuvma, Voq tem sua autoridade desafiada, enquanto Michael investiga uma possível solução para as dificuldades de propulsão da nave.

Acredito que se a série continuar daqui terá encontrado uma dinâmica muito legal, bons efeitos, personagens e um roteiro que sabe aonde quer chegar, confesso que Michael é uma personagem muito interessante, assim como o Capitão ao qual não sabemos qual sua índole, e paralelamente, ainda acompanhamos os bastidores do mundo Klingon, em meio a esta guerra. Tem me surpreendido positivamente!

s01e05 Choose Your Pain – Lorca é capturado pelos Klingons e tem que dividir a cela com um improvável colega. A Discovery é designada para resgatá-lo, a despeito das dúvidas de Michael. Apesar da velha trama de prisioneiro e os truques de cela, o roteiro acerta em trazer Capitão Lorca para os holofotes, além de ser bem defendido pelo Jason Isaacs, o personagem tem uma visão da Guerra contra os Klingons bastante peculiar para um membro da Federação, além disso, mesmo  sendo um sci-fi a série nos trouxe um debate animado sobre o uso de animais em pesquisas/meios de sobrevivência humana em detrimento da espécia subjugada, muito interessante e relevante.

s01e06 Lethe – A tripulação da U.S.S. Discovery está intrigada com a chegada de um novo tenente, Ash Tyler. Sarek procura a ajuda de Burnham, reavivando memórias de seu passado. Almirante Cornwell questiona as táticas de Lorca. Tendo sido renovada para sua 2ª temporada nesta semana, fico mais contente pela maneira como os roteiristas estão construindo o universo da série, apresentando cada personagem sem pressa, após nos apegarmos à garra e impulsividade de Michael; as tramas estão muito bem construídas, espero que continue assim!

s01e07 Magic to Make the Sanest Man Go Mad – Um velho conhecido de Lorca e Tyler, do tempo em que estiveram aprisionados, ataca a Discovery, e seu objetivo é entregar a nave aos Klingons. Apesar de apostar no velho episódio “loop temporal”, a la Feitiço do Tempo, recurso narrativo bem clichê dentro de varias séries, o que não é problema quando bem utilizado, o roteiro e o ator Rainn Wilson conseguiram em apenas sete episódio e duas participações criar um personagem icônico não regular dentro da série, isto é bem comum no universo Star Trek e acredito que veremos Harry Mudd em muitos outros episódios enquanto a série estiver no ar.

(atualizado) s01e08 Si Vis Pacem. Para Bellum – A U.S.S Discovery recebe uma missão de alta prioridade que os leva ao Planeta Pahvo com o objetivo de aprender a ciência escondida por trás da tecnologia de camuflagem dos Klingons. Voltando a “velha fórmula” de Star Trek de interagir com um planeta, aqui numa experiência, não muito boa, porém o forte do episódio é com certeza os bastidores do poder Klingon, bastante curiosa para saber onde vai chegar a revolta de uma personagem em questão.

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Stranger Things (Netflix) – 2ª temporada (FINALIZADA)

29/10/2017

s02e01 Chapter One: Mad Max – Na véspera do Halloween, um rival bagunça as coisas no fliperama. Cético, Hopper inspeciona uma plantação de abóboras apodrecidas.

Notadamente este início de temporada da série mais hypada do Netlfix, retomou com um episódio bastante re-introdutório nos colocando a par onde cada personagem esta após a finale da temporada passada, em seguida já temos alguns novos elementos sobre o que o novo ano abordará, como uma invasão do Mundo Invertido, uma espécia de lá e o luto de Nancy pela morte de Barb, além disso, temos 4 novos personagens apresentados como Bob, namorado de Joyce e nova referência aos anos 80, Sean Austin um Goonie original, Paul Reiser (outro oitentista) como Dr. Owens, alem de Max, menina acrescida para fazer parte da turma, e o seu irmão escroto.

Um bom início, continua um excelente produção dos Irmãos Duffer (roteiristas) e de Shawn Levy (diretor).

s02e03 Chapter Three: The Pollywog – Dustin adota um animal de estimação estranho, e Eleven fica cada vez mais impaciente. Bem-intencionado, Bob incentiva Will a encarar seus medos.

s02e04 Chapter Four: Will the wise – Debilitado, Will se abre com Joyce e o resultado é perturbador. Enquanto Hopper busca a verdade, Eleven faz uma descoberta surpreendente.

Mesmo com tons mais sombrios, principalmente, em virtude do assombro de Will e a dificuldade em Eleven se adaptar, o que torna a série mais séria e com temas mais adultos, sinto falta da porção mais engraçada, da turminha nerd que é zoada na escola, do humor juvenil que tanto nos fez ter empatia pela série, que deixou de ser somente uma série que referencia os anos 80, todas as storylines estão muito sérias, o que não é um problema, mas pelas características dos personagens mostradas até aqui, queria que o humor estivesse mais presente.

s02e05 Chapter Five: Dig Dug – Nancy e Jonathan trocam teorias conspiratórias com um novo aliado, e Eleven procura alguém do seu passado. “Bob Sabichão” lida com um problema complicado. Assim como ocorrera na temporada passada, o triângulo amoroso adolescente não funciona e ainda foram inventar de fazer um “fan service” no que se refere a morte de Barb lá da temporada passada e o que temos, um roteiro frouxo e que somente adia o reencontro dos personagens, o ponto alto da série.

s02e06 Chapter Six: The Spy – A ligação entre Will e uma sinistra força do mal fica mais forte, mas ninguém sabe ao certo como detê-la. Dustin e Steve criam um vinculo improvável.

s02e07 Chapter Seven: The Lost Sister – Eleven continua tentando se comunicar com sua mãe, mas no meio do caminho descobre coisas sobre seu passado e é levada ao encontro de uma irmã que não sabia da existência.

Apesar de achar bastante interessante um episódio focado somente em Eleven/Jane, que teve um arco a parte dos eventos da série até aqui, confesso que sua conexão com uma jovem dos tempos do laboratório, inclusive com a revelação da não morte de Matthew Modine (achava que estava morto mesmo), que surgiu no prólogo da temporada e seu contato com um possível “lado negro da Força” me soou relevante dramaticamente dentro da temporada, como se ainda não fosse um episódio necessário, de repente numa temporada futura esta jornada se tornaria mais relevante. Até por isso, uma das coisas que mais senti falta na temporada até aqui é a relação entre Eleven e Mike, ou mesmo com as outras crianças.

s02e08 Chapter Eight: The Mind Flayer – Um herói improvável surge quando um incidente mortal provoca o fechamento do Laboratório de Hawkins, deixando Will e vários outros presos lá dentro. Um episódio bastante tenso e aterrorizante, principalmente se pensarmos que o público alvo da série inclui jovens/crianças, gosto muito desta pegada dos irmãos Duffer, não abrirem mão em prol de um produto mais família.

s02e09 Chapter Nine: The Gate Season Finale – Eleven planeja terminar o que começou. Os sobreviventes aumentam a pressão contra a força monstruosa que mantém Will refém. Boa finale, principalmente pelo pós resolução do evento caótico da temporada (apesar de não gostar de resoluções ambíguas, afinal o Mind Flayer não morreu somente não invadiu nosso “plano”, continua no “mundo invertido”), que pra mim é o grande acerto da série, a empatia do elenco infantil com problemas mundanos como um “Snow Ball”, a dinâmica entre os personagens é o charme da série, claro que o lado misterioso e a trilha sonora colaboram.

Sobre a temporada em si, Stranger Things cresce como série ao não abrir mão da sua essência, mesmo não concordando com escolhas do roteiro, como o arco de Eleven, a qual acredito que fez muita falta ao grupo de amigos, principalmente a Mike (apagadinho a temporada inteira), em contraponto, com o mistério sendo trabalhado parcialmente, afinal não tivemos um desfecho para o mundo invertido, a dinâmica entre as crianças e seus dilemas me ganharam, principalmente Dustin, Lucas e Max; outro ponto positivo, a inserção dos novos personagens, todos funcionam e o tema dos irmãos Max e Billy ( de abuso físico) me surpreendeu pela abordagem, porém, Steve, Jonathan e Nancy que sono, inclusive o arco de procura por respostas por Barb soou constrangedor, mal construído e uma escolha dos roteiristas para atender os fãs que não se justifica.

Simplificando, não acredito que a temporada seja melhor que a primeira, porém, não destoa muito, é uma série extremamente agradável de assistir com uma dinâmica/receita para o sucesso certo. Até a próxima!

STATUS: RENOVADA PARA 3ª TEMPORADA (2018/19).

 

Mindhunter (Netflix) – 1ª temporada (FINALIZADA)

14/10/2017

Inspirada pelos relatos dos ex-agentes John Douglas e Mark Olshaker, a série de TV se passa em 1979 e acompanhará os talentosos investigadores Bill Tench (Holt McCallany) e Holden Ford (Jonathan Groff) interrogando assassinos para resolver diversos casos de homicídio. Anna Torv (Fringe) e Hannah Gross completam o elenco.

O dramaturgo Joe Penhall (A Estrada) e Scott Buck (Dexter, Rome) são responsáveis pelo roteiro, com produção executiva de Fincher, Joshua Donen (Garota Exemplar), Cean Chaffing (Clube da Luta) e Charlize Theron (Mad Max: Estrada da Fúria).

s01e01 Episode 1 – O frustrado negociador de sequestros Holden Ford encontra um aliado improvável no agente veterano Bill Tench e começa a estudar uma nova classe de assassinatos.

s01e02 Episode 2 – Holden entrevista o sinistro e articulado assassino Ed Kemper, mas seu ato é alvo de críticas no FBI.

Uma das séries das quais mais tinha expectativa, pela curiosidade do tema e pela linha histórica do mesmo, ver como os agentes policiais começaram a observar um padrão de comportamento (ação, vitimologia, etc) nos assassinos em série, o final da década de 70 é um prato cheio para o tema pois recentemente os Eua haviam passado pelo tormento do “O Filho de Sam”, assim posso dizer que o início me instigou e fiquei com boas perspectivas.

O piloto é um pouco lento, procura construir e apresentar Holden de maneira tanto profissional quanto pessoal, e a dinâmica com Tench surge somente ao final, gosto de alguma pontuações como a busca do personagem em ambiente acadêmico para dar um passo a frente neste estudo, e já no segundo episódio, temos seu encontro com o assassino Ed Kemper, bastante famoso, numa interação quase surreal, impressionante a composição do ator que deu vida à Ed, carismático e bastante inteligente, ainda não consigo visualizar Jonathan Groff como protagonista, mas acredito que sua escolha seja devido sua aparência juvenil, então aguardamos um pouco mais.

Como produção, sem comentários para a criação de Joe Penhall pelas mãos de David Fincher, uma recriação de época correta e bons personagens coadjuvantes.

s01e03 Episode 3 – A Dra. Wendy Carr se junta a holden e Tench, e as ideias do trio garantem uma prisão. Entrada oficial de Anna Torv, musa Fringe de todo serie maníaco, sendo que tivemos minha sequência predileta até aqui, com Holden e Tench e um policial local “conversando” com um suspeito fora de sua casa, fantástico, direção, roteiro, produção e elenco.

s01e04 Episode 4 – Bill e Holden consultam a Dra. Wendy Carr para começar uma classificação do perfil dos criminosos. Uma notícia surpreendente vem aí. As coisas caminham para a criação do departamento, com adição de um elemento acadêmico, em meio a isso, alguns casos vão surgindo e novos criminosos ganham espaço.

Já virou um vício, tô assistindo em maratona, coisa raríssima de acontecer com este pobre serie maníaco dos anos 90 (episódio semanal), pelo tamanho da minha curiosidade não vou deixar passar de uma semana esta temporada.

s01e05 Episode 5 – Holden e Bill retomam um caso espinhoso, com pistas divergentes e uma longa lista de suspeitos.

s01e06 Episode 6 – Wendy considera uma proposta. Holden e Bill dão duro para comunicar à Justiça o significado das descobertas de um caso desconcertante.

s01e07 Episode 7 – Wendy dá uma guinada arriscada na carreira para se dedicar exclusivamente à equipe do FBI. Fica difícil para Holden e Bill ignorar a carga emocional do trabalho.

Não vou poder comentar particularidades de cada episódio pois estou assistindo de combo, a série que conta com uma trama contínua não me marca pelo episódio numericamente, assim vou deixar impressões.

FANTÁSTICO, é isso que posso comentar pelo caminhar da série, que roteiro excelente, pensando que facilmente cairia num procedural policial, com episódios no qual surgem um criminoso a cada semana para ser desvendado/estudado pelos agentes, marca registrada da tevê americana, ver que os roteiros estão na verdade cada vez mais aprofundando os protagonistas, principalmente Holden (já aceito Groff nas premiações sua interpretação esta insana) é um alento para os corações dos fãs do gênero. Lembrando que até agora a série não utilizou nenhum disparo, perseguição e coisas do gênero para nos prender ao roteiro (mais um toque genial).

s01e08 Episode 8 – Bill e Wendy entrevistam candidatos para preencher a nova vaga na equipe. Holden se intriga com o estranho hábito de um diretor da escola.

s01e09 Episode 9 – Os métodos de Holden durante uma entrevista com um assassino em massa dividem a equipe e entram na mira de uma investigação interna do FBI.

s01e10 Episode 10 Season Finale – O estilo controverso de Holden rende uma confissão, mas põe em perigo a carreira, os relacionamentos e a saúde. A equipe se abala com uma investigação interna.

Sem palavras para esta série! Que pérola!

Que roteiro, direção, produção (fotografia, reconstituição de época, trilha sonora) fod@!! É impressionante como bons plots nas mãos de pessoas talentosas podem render um entretenimento adulto tão competente e relevante dentro do cenário televisivo atual.

A dinâmica da série começa mais vagarosa, lembrando claramente Arquivo X e Hannibal (seja a série ou os filmes), no entanto, quando percebemos que os criminosos serão somente “uma cortina de fumaça” para um verdadeiro estudo psicológico dos protagonistas a série cresce bastante, desde os questionamentos familiares ou mesmo o quanto os agentes devem se conectar com os assassinos para terem suas respostas até o debate institucional, numa época na qual esta metodologia não era reconhecida, inclusive é curioso notar o papel “intocável” que o FBI quer representar na sociedade da época.

A partir do episódio no qual Holden chega à escola e revela a mania, no mínimo, estranha do afável diretor, o personagem cai numa espiral que só podia render aquela sequência assustadora e tensa entre ele e Kemper (pode dar o prêmio para ator convidado), Groff constrói um Holden imerso na sua obsessão/curiosidade em “desnudar” os assassinos que não percebe o quão arrogante e dono de si se torna, minando todas suas relações pessoais/profissionais (namorada, Bill, FBI). Praticamente se torna um narcisista como seus “objetos de estudo”.

Gostei da personagem de Anna Torv, ainda nos apresentada de maneira superficial, uma doutora de psicologia, lésbica, com hábitos simples e caráter de retidão, que chega batendo de frente com o intuitivo Holden frente à cobrança por uma metodologia acadêmica. Funciona demais na narrativa este contraponto.

Os dois episódios finais foram essenciais para um desfecho do arco de Holden (único personagem trabalhado desta maneira) e deixa um link bastante promissor para a, já confirmada, 2ª temporada: como o FBI finalizou a investigação do departamento? Qual estado de Holden e como ele afeta os demais personagens? e principalmente, visto desde o início da série, em prólogos, o acompanhamento daquele possível serial killer? Já no aguardo da próxima temporada!

STATUS: RENOVADA PARA 2ª TEMPORADA (2018).

Narcos (Netflix) – 3ª temporada (FINALIZADA)

11/10/2017

s03e01 The Kingpin Strategy – Os cavalheiros de Cali reúnem os seus associados para um anúncio surpresa sobre o futuro dos negócios.

s03e02 The Cali KGB – Um vazamento de gás ameaça o acordo entre Cali e o governo, e Jorge é chamado para ajudar. Peña enfrenta problemas por causa da sua antiga ligação com Los Pepes.

Confesso que estou um pouco receoso sobre qual caminho a série tomará após a morte de Pablo Escobar, assim como quem terá peso dentro da série para carregá-la. Neste dois primeiros episódios, tivemos um retrato quase documental sobre como funcionava o Cartel de Cali, muito mais institucional e organizado como empresa do que o Cartel de Medellin de Escobar que estava ancorado sobre sua pessoa e sobre o medo/caos que ela criava. Gosto dos personagens/pessoas que representam o Cartel, no entanto, num primeiro momento, o lado policial parece estar desequilibrado. Vamos aguardar…

s03e03 Follow the Money –  Os irmãos Rodríguez saem de cena durante as negociações. Pacho se encontra com o Lorde dos Céus no México. A nova equipe de Peña visita Cali.

s03e04 Checkmate – Peña cria um plano para capturar Gilberto Rodríguez, o líder de Cali. Amado faz uma proposta de negócios a Pacho.

Os dois últimos episódios parecem começar a engrenar a temporada, principalmente, porque os personagens da Cali começam a tomar uma forma mais consistente, senti muita falta do personagem Pena neste início de temporada, ou mesmo de personagens que representassem o poder policial, apesar de vermos que a policia de Cali é tão ou mais “amiga” do que foi a polícia de Medellin.

s03e05 MRO – Paranoico com a possibilidade de traição, Miguel pressiona seus seguranças. Pacho toma uma decisão sobre a nova oferta. Peña tenta se aproximar de uma testemunha. Mais um bom episódio, a diferença desta para as demais temporadas parece ser o método administrativo de Cali em comparação com a autoridade dominadora de Escobar em Medellin.

s03e06 Best Laid Plans – Jorge faz uma jogada arriscada. Um acidente em Nova York ameaça expor Chepe. Peña viaja até Curaçao para prender uma possível testemunha. Possivelmente o melhor episódio até aqui, tanto pela porção policial, quanto pela apresentação de um cenário não muito fácil para nenhum núcleo, seja DEA ou seja Cartel de Medellin. Jorge se expõe aos agentes do DEA para tentar uma saída do cartel ao mesmo tempo que sobe na hierarquia, o cartel com o pacto de rendição começa a enfrentar outros inimigos que não DEA e assim a trama começa a crescer substancialmente.

s03e07 Sin Salida – Peña planeja outra operação secreta para derrubar um importante membro do Cartel de Cali. Mas, desta vez, o tempo não está ao seu lado.

Confesso que foi um episódio tenso como há muito não ocorria comigo, a trama em si em nada é surpreendente, foi uma tentativa de prender mais um membro do cartel de Cali pelo pessoal de Pena, no entanto, a política/policia local não colabora, apesar de achar que os americanos achavam que podiam fazer qualquer coisa nestas investigações em solo colombiano, mas certamente foi um sequência intensa. Além disso, o ataque de outro cartel deve ser o rumo que a temporada seguirá no que acredito que será mudar a rendição!

s03e08 Convivir – Sedento por vingar o pai, David acaba colocando Enrique em perigo. Peña pede ajuda a Don Berna para uma missão de resgate.

A trama vem numa crescente impressionante de tensão, todos estão encurralados, em fuga, escondidos e acuados de alguma maneira, ou atacam em função disso. Somente lamento que a parte policial da série, em virtude de escolhas, tenha perdido um pouco do seu protagonismo, até mesmo pelo papel coadjuvante de Pena. Teremos uma reta final empolgante!

s03e09 Todos los Hombres del Presidente – David investiga suas suspeitas. O esforço de Peña esbarra na corrupção do governo colombiano. Miguel é procurado novamente.

s03e10 Going back to Cali Season Finale – David e Peña disputam quem irá encontrar Pallomari. Peña toma uma decisão crucial para o futuro de sua carreira.

Quando especularam que após a morte de Escobar a série teria um rápido desfecho imaginava que se os roteiristas fossem espertos poderiam criar um mosaico do que foi e é ate hoje o tráfico de drogas em países subdesenvolvidos, onde viram um poder paralelo, e foi o que Narcos apresentou com grande competência. Com exceção, da equipe do DEA que perdeu com a saída de agente Steve Murphy e Pena levado ao papel de coadjuvante, como administrador de crises de sua equipe com os poderes maiores e chefias, o restante funcionou de maneira plena, o Cartel de Cali foi mostrado como uma empresa com qualidades ímpar, além do que, teve personagens bastante complexos, como Salcedo (chefe de segurança que quer pular fora do cartel) e Pacho (um dos chefões assumidamente homossexual num ambiente e mundo particularmente machista).

O 9º episódio com o desfecho dos principais personagens do Cartel foi excelente, se não um dos melhores da série, tenso e inquietante, mesmo se tratando de uma trama com final conhecido (ok The Menendez Brothers!), sendo o último episódio serviu pra mostrar a importância de esquemas de corrupção e o rastro que deixam economicamente e politicamente, foi quase como acompanhar o noticiário da Lava-jato, com os mesmos tipos de personagens envolvidos, a única diferença neste particular é que estamos falando de traficantes financiando políticos ao invés de empreiteiras e empresários, lembrando que a trama se passa 30 anos atrás, triste observar o quanto não evoluímos neste assunto.

Bom, fechado o ciclo Cali, já vislumbramos o futuro da série que continuará fazendo um mosaico mundial do narcotráfico, agora iremos para a distribuidora mundial de drogas, Mexico!

STATUS: RENOVADA PARA 4ª TEMPORADA (2018).

Balanço da temporada – Atypical (1ª temporada)

28/08/2017

Nada como depois de algumas decepções como Gypsy, Glow e Punho de Ferro, ver que a Netflix ainda tem capacidade de entregar séries como Atypical, uma dramédia simpática e delicada muito similar à The Big Bang Theory no que se refere ao tipo de comportamento do protagonista, o jovem Sam, que apesar de ter 18 anos, possui um tipo de autismo que lhe causa problemas de interação social, assim como acontece com Sheldon.

Aqui, os problemas sociais de Sam são o estopim para os conflitos familiares/amorosos de toda família Gardner, todos extremamente bem utilizados pela série, com arcos dramáticos próprios, desde a mãe superprotetora e dependente do cuidado com o filho, papel acima da média para sitcoms (o que não é o que parece aqui, mas na categorização da série pela duração de cada episódio, é isto que ela é, um sitcom) para a atriz Jennifer Jason Leigh (que falta fez em cena), passando pelo pai ausente/culpado de Michael Rappaport, a irmã corredora/atleta de Brigitte Lundy-Paine, deixada em segundo plano em função do trabalho que o comportamento do irmão gera na família.

Voltando à Sam, defendido com competência por Keir Gilchrist (de The United States of Tara), o personagem consegue equilibrar seus conflitos entre comédia (pela falta de noção e comportamento sincericídio) com os dramas de um garoto em busca de relacionamento e que, obviamente, se sente inadequado em qualquer cenário mundano, sua sequência após decepção com a terapeuta dentro do ônibus foi de cortar o coração, porque até então, a série nunca havia nos mostrado o lado médico da condição clínica de Sam, isto prova, aos olhos dos pais, Elsa e Doug, e também da irmã, Casey, porque todos são tão vigilantes e cuidadosos com a rotina de Sam.

São oito episódios redondinhos, com subtramas que abrem e fecham nesta temporada, trazendo evolução para cada personagem e um gancho dramático, envolto em comédia, drama leve e momentos bacanas de cada personagem. Bom passatempo!

ATYPICAL (Netflix) – 1ª temporada 

Criadora: Robia Rashid ( produtora e escritora de séries como How I Met Your Mother e The Goldbergs).

Balanço da Temporada: 3% (1ª temporada)

29/12/2016

Projeto que já nasceu histórico, 3% é a primeira produção brasileira para o canal streaming Netflix, e se pensarmos bem, é uma produção de ficção científica, gênero pouco explorado pela dramaturgia nacional seja em filmes, novelas, séries ou literatura. Assim tinha tudo para ser um projeto favorável e marcante, porém acaba por se tornar uma decepção.

3

Baseado num famoso curta metragem homônimo de Pedro Aguilera, de 2011, que apresentava conceitos aqui também utilizados como por exemplo, a sociedade distópica, algo já bastante visto em recentes ficções científicas mundo à fora, a série tem como plot principal: “depois de diversas crises que deixaram o planeta devastado. Num lugar não especificado do Brasil, a maior parte da população sobrevivente mora no Continente, um lugar miserável, decadente, onde falta tudo: água, comida, energia. Aos 20 anos de idade, todo cidadão tem direito de participar do Processo, uma seleção que oferece a única chance de passar para o Maralto, onde tudo é abundante e há oportunidades de uma vida digna. Mas somente 3% dos candidatos são aprovados no Processo, que testa os limites dos participantes em provas físicas e psicológicas e os coloca diante de dilemas morais. Morar em Maralto, no entanto, não é o objetivo de todos os candidatos: alguns têm outros planos.”

Convenhamos, um plot simples, mas se trabalhado da melhor maneira bastante promissor , no entanto, este foi o “calcanhar de Aquiles” do projeto. Tudo parece escrito de maneira amadora, nem mesmo a direção, cenografia e elenco se salvam na série, impressionante que atores veteranos como João Miguel, Sergio Mamberti, Zezé Motta e Bianca Comparato pouco ou nada possam fazer em cena, a partir do momento que o roteiro não lhes permite desenvolver os personagens de maneira coesa.

O roteiro parece ter sido “montado” em cima de concepções e planejado para os “twists” tão comumente utilizados em séries, contudo, em cena personagens se descaracterizam conforme o andamento da temporada, maior exemplo disso é o suposto líder do grupo Marco, que na metade da temporada, seu caráter que nunca foi posto em dúvida, acaba por revelar-se um ditador psicopata liderando uma milicia numa prova do Processo (oi?); assim chega-se a conclusão que os personagens somente serviam ao roteiro, avançando a trama sem coerência com suas personalidades.

Inclusive, aproveitando que mencionei, a narrativa trabalha praticamente com as provas de seleção do Processo, como fases de um jogo de videogame, nunca explicando ou mostrando qual lógica a ser seguida nesta seleção, nem mesmo os conflitos nos bastidores entre os “adultos” envolvidos no Processo deixam isto claro.

Agora, se vocês se perguntam se acompanharei a 2ª temporada da série, já renovada pelo Netflix, sim, acompanharei, pois o universo/mitologia da série me instiga muito, com o sucesso e repercussão que a série conquistou imagino que a equipe técnica vai se debruçar sobre as falhas da mesma e corrigi-las da melhor maneira (torcida particular).

Balanço da Temporada: Stranger Things – 1ª temporada

02/08/2016

stranger

A Netflix é um negócio do “capeta”, nem mesmo eu que adoro assistir episódios fielmente a cada semana resisti de não maratonar a primeira temporada de Stranger Things, não que tenha assisti tudo em dois dias, mas em uma semana já estava com sorriso largo de lado a lado do rosto do belo trabalho realizado pelos Irmãos Duffer.

Claro que algumas semanas após o grande buzz que a série provocou no meio midiático já há vozes dissonantes fazendo o contraponto aos comentários elogiosos, que não são poucos. Há certo exagero em ambas versões, a série não é a melhor série do ano (quiçá do Netflix), mas tampouco é somente mais uma série televisiva. Grande parte do mérito deste trabalho se concentra nos desconhecidos Irmãos Duffer, responsáveis por Wayward Pines (que já se apresentava como uma ficção científica cheia de referências ao gênero), aqui eles criam, ou melhor, recriam com detalhes ímpares costumes/situações/personagens que habitaram o cinema dos anos 80.

Até mais do que isso, ao mostrar adultos fumando em frente de crianças, a série já ganha meu respeito por realmente focar sua trama nos anos 80, não somente referenciar com o politicamente correto que impera atualmente, como fez Spielberg em sua remontagem de E.T; falando em Spielberg, além das óbvias referências a sua filmografia (lembrando que recentemente Super 8, de J.J. Abrams também “homenageou” sua filmografia), os irmãos Duffer relembram/homenageiam John Carpenter e Stephen King, através de referências ao Enigma do Outro Mundo, Silent Hill (este fora dos anos 80), Poltergeist, Conta Comigo, It, Os Goonies, entre outros.

No entanto, como uma série de 8 episódios, nem sempre o roteiro conseguiu manter a dinâmica da trama, acabou abrindo o arco em três subtramas centrais, o desaparecimento do menino Will e a busca de sua mãe e amigos por ele, o surgimento de uma menina com poderes tele cinéticos envolvida com uma agência do governo e um triângulo amoroso entre os adolescentes, sendo esta última a trama mais deslocada da série e que pouco acrescentou à mesma, com exceção de uma morte que trouxe um perigo real aos jovens.

Falando nos jovens, Mike, Dustin e Lucas e, em seguida, com a chegada de Eleven são a grande força motora da série, o roteiro não os retrata com atitudes adultas para criar empatia com o público adulta, são crianças interpretando crianças, como suas qualidades e defeitos, como as inúmeras discussões dentro do grupo e rapidamente retomada da amizade, é uma química que impressiona, são personagens cheios de vida e isso passa ao espectador da série, principalmente, para aquele que se sente representado na telinha.

Já os personagens adultos são mais dramáticos, Winona Ryder rouba diversos episódios com sua obsessão em fazer contato com o filho (espero que seja a volta por cima da atriz, revelada nos anos 80), enquanto David Harbour interpreta o poder policial amargurado por um drama do passado que acaba se identificando com as fragilidades da personagem de Winona; uma pena o roteiro não abrir possibilidades para os vilões humanos, Matthew Modine platinado nada tem a fazer em cena.

Gosto como a série ampliou seus mistérios, revelando alguns e acrescentando outros na reta final, deixando claro que a série foi pensada para ter mais temporadas. Divertida e com doses de aventura, terror e suspense (com ótima recriação de época e cuidados com trilha sonora) é uma série que veio para ficar, principalmente, para os saudosistas com mais de 30 anos!

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As Séries de 2015

02/01/2016

Na televisão é um pouco mais complicado fazer um levantamento sobre os melhores do ano pois a televisão americana segue o modelo de temporadas, normalmente, trabalhado de setembro de um ano até maio do ano seguinte, assim as séries de televisão aberta (por exemplo, The Good Wife), ficam prejudicadas num levantamento em detrimento as temporadas fechadas da tevê fechada (por exemplo, Game of Thrones) e de sites de streaming (por exemplo, Narcos).

Um destaque inegável é que o ano de 2015, com certeza, pertence à Netflix, não sei se o modelo gera lucros a empresa de streaming, mas somente nessa temporada tivemos  novas temporadas ou estreias de House of Cards, Better Call Saul, Narcos, Orange is The New Black, Unbreakable Kimmy Schmidt, Daredevil, Master of None, Sense8, Jessica Jones, como bons exemplos de séries; sem contar que o canal de streaming lançou o belo fime Beasts of No Nation (com Idris Elba), logo, muito, mas muito melhor que a programação inteira da televisão aberta americana atual.

Assim, deixo aqui minhas dicas para quem quer curtir séries nem sempre tão badaladas, sempre enfatizando meu gosto pessoal para séries e propostas das mesmas, no que se refere personagens, situações e desenvolvimento dos temas propostos.

Obs.: como tenho sérios problemas em definir melhores, principalmente, um Top 5, utilizei o mais racional método que foi a nota da temporada atribuída episódio após episódio no site Banco de Séries, em seguida, deixo algumas outras dicas de séries que destaco nesse ano.

theleftovers1) The Leftovers – 2ª temporada (HBO) – após uma temporada titubeante, ainda que acima da média, mas somente equivocada em alguns pontos de seu desenvolvimento, The Leftovers retorna para 2ª temporada de uma maneira brilhante.

Há muito tempo, uma série, no caso temporada, o que me causa mais surpresa, consegue simplesmente explodir em sua proposta de desenvolvimento de maneira tão competente como aqui se apresentou. Damon Lindelof (Lost) se redime de alguns equívocos de Lost e acerta ao simplesmente responder somente questões cruciais de seus mistérios para o andamento da trama e o desenvolvimento dos personagens, e que personagens!

Comento sempre que encontro alguém que assistiu a série, da comparação inevitável, pela exibição no mesmo período de tempo, entre The Leftovers e The Walking Dead, não no que se refere ao conteúdo, mas como a abordagem similar entre elas, me refiro a episódios dedicados a determinados personagens abrindo mão de uma narrativa macro, na qual The Leftovers mostra como é possível desenvolver cada personagem sem perder o ritmo/dinâmica do arco narrativo, criando pequenas pérolas semanais, enquanto The Walking Dead apenas nos irritou.

Para finalizar, deixo como destaque a sequência arrepiante entre Nora (Carrie Coon) e Erika (Regina King) no episódio Lens s02e06.

housofcards2) House of Cards – 3ª temporada (Netflix) – sou um acompanhante tardio da série, maratonei toda ela este ano, assim tudo ainda esta muito fresco na minha memória.

Nesta temporada, destaco o belo trabalho de Robin Wright, ganhando muito espaço com sua Primeira Dama em dramas pessoais, como na questão envolvendo o prisioneiro na Russia e o conflito com  Frank na reta final, assim como profissionais quando sua ascensão ao cargo de diplomata na ONU. Além disso, Wright ainda dirigiu episódio nessa temporada.

Já Frank Underwood, de Kevin Spacey, esteve menos descontrolado nessa temporada devido seu cargo máximo no país (Presidente), e menos irônico, porém o caminho que parece que haverá na 4ª temporada, em seu embate com o candidato republicano, promete muito mais do que conspirações intra palacianas. Confesso que gostei de Frank não estar tanto na ação como nas temporadas passadas, prefiro ele lhe dando com as questões políticas e bastidores do poder. Michael Keely também teve um desenvolvimento maior nessa temporada, porém seu arco na reta final, ainda envolvido com aquela garota, me decepcionou um pouco.

Aqui o destaque fica para o episódio Chapter 32 s03e06, já referido acima, aquele no qual os Underwood vão à Rússia negociar a soltura de um prisioneiro de origem americana. Uma pérola!

Hannibal3) Hannibal – 3ª temporada (NBC) – o que dizer da minha série predileta destes últimos anos, Hannibal para mim é tudo que um bom fã de suspense psicológico pode querer (viu, Criminal Minds!); uma trama com ótimos personagens, uma carga psicológica pesada e uma violência gráfica/estética/artística inimaginável para um canal de televisão aberta americano.

Gostei que a série soube (devido seus problemas de audiência) terminar sua temporada sem necessariamente deixar pontas soltas, Hannibal nunca foi uma série fácil de acompanhar, optou pelo caminho difícil ao cobrar de seu espectador estômago e contemplação para suas loucuras e devaneios de seu protagonista. Parabéns, mais uma vez para Bryan Fuller!

Numa temporada, claramente, dividida em dois arcos, a captura de dr. Hannibal e o surgimento do assassino Fada dos Dentes, já explorada na mitologia cinematográfica do personagem, o desfecho e enfrentamento dos três personagens, Hannibal, Will e Dolarhyde foi o grande destaque da temporada no episódio The Wrath of the Lamb, s03e13. Imperdível!

narcos4) Narcos – estreia (Netflix) – uma das grandes vantagens de canais streaming é ter mais facilidade para parcerias em busca de públicos-alvos, no caso, de Narcos, além do mercado americano, obviamente, toda América Latina e o Brasil (não por acaso, o escolhido do diretor José Padilha, foi o brasileiro Wagner Moura).

Apesar de algumas falhas no elenco, sim estou falando do agente americano Steve Murphy (Boyd Holbrook), e a miscelânea de sotaques, a trama verídica de Narcos é acima de tudo muito atual, afinal de contas o que mudou desde o surgimento de Pablo Escobar nos anos 80? É muito simples fazer um retrato que ocorre ainda hoje no Brasil e nos demais países que enfrentam o grave problema do narcotráfico.

Caprichada produção, elenco competente e trama absurdamente incrível.

Destaque da temporada La Catedral, s01e09, episódio no qual vemos a “prisão” de Pablo e seus companheiros, risível!

veep5) Veep – 4ª temporada (HBO) – minha comédia predileta nestes últimos anos, Veep ainda consegue criar cenários para a desastrosa Selina Meyer (Julia Louis Dreyfus ainda, impecável), agora Presidente em busca da reeleição, arco da temporada.

A adição de Hugh Laurie, como vice-presidente Tom James na chapa de Selina foi mais um acerto dos produtores, sem menor sombra de dúvidas o elenco de Veep é o melhor de todas as sitcoms no ar, todos têm espaço, piadas e momentos hilariantes a cada episódio, com especial destaque para Anna Chlumsky, como Amy, nesta temporada.

O destaque da temporada foi o episódio Testimony, s04e09, no qual Selina e sua equipe são “entrevistados” por membros de uma Comissão do Congresso devido a vazamentos de dados e o programa Families First. Inesquecível!

Demais séries em destaque nesse ano (por ordem alfabética):

  • Better Call Saul (1ª temporada) – canal AMC/Netflix
  • Bloodline (1ª temporada) – Netflix
  • Fargo (2ª temporada) – canal FX
  • Game of Thrones (5ª temporada) – canal HBO
  • Grey’s Anatomy (12ª temporada) – canal ABC
  • How To Get Away With Murder (2ª temporada) – canal ABC
  • Humans (1ª temporada) – canal AMC
  • Jessica Jones (1ª temporada) – Netflix
  • Law & Order – SVU (17ª temporada) – canal NBC
  • Mr. Robot (1ª temporada) – canal USA
  • Orange is The New Black (3ª temporada) – Netflix
  • Penny Dreadful (2ª temporada) – canal Showtime
  • Rectify (3ª temporada) – canal Sundance
  • Sense8 (1ª temporada) – Netflix
  • Silicon Valley (2ª temporada) – canal HBO
  • Survivor (31ª temporada) – canal CBS
  • The Affair (2ª temporada) – canal Showtime
  • The Good Wife (7ª temporada) – canal CBS
  • The Last Man On Earth (2ª temporada) – canal FOX
  • The X Factor UK (12ª temporada) – canal ITV
  • Transparent (2ª temporada) – Amazon
  • UnReal (1ª temporada) – canal Lifetime

Beasts of No Nation (Netflix)

21/10/2015

beastsofnonation

Ao surgir como plataforma para transmissão de conteúdo streaming anos atrás dificilmente acreditaria que em pouco tempo o Netflix, primeiro criaria conteúdo para exibição própria como séries e desenhos (Orange Is the New Black, House of Cards, entre outros), em busca de reconhecimento e popularização, já arrebatando prêmios importantes, para, num segundo momento, expandir ainda mais seu conteúdo ao criar e/ou exibir em parceria filmes inéditos no circuito exibidor tradicional (cinema/home video/televisão).

Tendo alguns contratos e filmes já viabilizados nesse momento (se não me engano, com o ator Adam Sandler serão quatro filmes lançados) para exibição nos próximos meses, espero que o Netflix aposte em produções do calibre desta primeira, Beasts of No Nation, pois comédias idiotas do tipo de Adam Sandler já encontram espaço no circuito exibidor, em contraponto, um filme como Beasts of No Nation dificilmente são produzidos com dinheiro americano e, se são, poucas vezes conseguem ser tão relevantes e verossímeis como o roteiro e a direção de Cary Joji Fukunaga, mais conhecido pela visão por trás da 1ª temporada de True Detective (diretor de todos episódios).

Antes de comentar sobre Fukunaga, acho importante apontar a escolha do elenco do filme, um trabalho belíssimo e competente de preparo do mesmo, principalmente, se levarmos em conta, que a única figura conhecida é o ator inglês Idris Elba (conhecido dos fãs de série pela ótima série Luther), já os demais praticamente amadores. No entanto, lembrando inclusive nesse ponto nosso filme mais reconhecido Cidade de Deus, o elenco jovem rouba a cena ao transmitir inocência, pavor, resiliência e esperança, com total destaque para o protagonista Abraham Attah (Agu), lembrando a boa repercussão do trabalho de Barkhad Abdi em Capitão Phillips, que lhe rendeu uma indicação ao Oscar daquele ano de ator coadjuvante. Será que Abraham consegue o mesmo feito essa temporada?

Depois de assistir Beasts of No Nation até dá para desculpar Cary Joji Fukunaga pelo seu afastamento da 2ª temporada de True Detective, inclusive, é fácil observar como a trabalho em todos os episódios da magnífica primeira temporada fizeram falta nessa segunda (desculpa aí Nic Pizzolato!). Dito isso, Fukunaga além de dirigir e roteirizar também foi o diretor de fotografia do projeto, lembrando como vários críticos apontaram ares de “Terrence Malick” nas sequências da floresta. O trabalho do diretor é duro, inclusive graficamente pelos genocídios expostos, mas, ao mesmo tempo, não abre mão de ilustrar a inocência daqueles crianças miseráveis perdidas numa guerra civil sem sentido e de lados obscuros, como na bela e cômica sequência inicial tendo uma caixa de televisão como brinquedo.

Concluindo, fica a expectativa de saber como a Academia e seus integrantes (que repercutirá no Oscar, obviamemte) irão reagir ao filme no sentido de não ser lançado de maneira tradicional (mesmo que tenha conseguido exibição na telona, em circuito restrito), ficará a favor dos exibidores ou apostará na popularização inevitável desse meio, inclusive no sentido de conseguir arrebatar um público mais jovem e antenado as novas mídias? Será interessante observar essa questão.

Balanço da Temporada: Orange is the New Black – 3ª temporada

02/07/2015

Ainda não me acostumei ao novo jeito de ver séries perpetrado pelo Netflix, temporada corrida com todos episódios disponibilizados; confesso que nunca fui fã de maratonas de séries, sempre preferi conferir semanalmente episódio por episódio com tempo para reflexão-sofrimento-alegria que eles podem gerar. No entanto, quando uma série seduz a gente não há como evitar de assistí-la diariamente (como um bom brasileiro e sua tradicional novela), este foi o caso de Sense8 (ainda preciso escrever sobre ela) e Orange is the New Black, em sua terceira temporada.

orangeOrange é uma série que alcançou um status positivo desde sua temporada de estréia e ratificou essa condição na segunda temporada (méritos de sua criadora e roteirista Jenji Kohan), seja pela temática inédita, seja pelo competente elenco reunido, seja pela abordagem de temas caros ao universo feminino e pelo equilíbrio entre drama e comédia; dito isso, começo a resenha chamando a atenção para, talvez, o único equívoco grave da temporada, a falta de um arco que, de alguma maneira, conectasse as personagens do presídio de Litchfield.

Na primeira havia a chegada e o olhar de Piper (protagonista) para aquele universo, na segunda, o retorno de uma presidiária, Vee (excelente participação da atriz Lorraine Toussant), que servia de grande antagonista na trama sendo que ela passava por vários núcleos nesse contexto; assim, na terceira temporada, ressenti por um elo de ligação ou mesmo personagem que transitasse entre os diferentes núcleos da série, talvez a oportunidade seria se a privatização de Litchfield fosse tratada de maneira universal atingindo a todos personagens de maneira orgânica e não somente o setor administrativo do presídio (Caputo e os demais guardas).

Agora se não tivemos um grande arco sendo trabalhado na temporada, essa temporada ficará conhecida como a queda da protagonista da série (Piper) em prol de um destaque maior ao grande elenco coadjuvante da série (observem que Piper não teve sequer flashbacks nessa temporada), assim houve storylines muito bem trabalhadas como os traumas de Pennsatucky (Taryn Manning se descolou do papel de antagonista de Piper de uma maneira incrível) e as questões religiosas, seja através do grupo de presidiárias afrodescendentes, que tenta fugir da comida industrial apelando aos direitos legais dos judeus – uma dieta especial, ou as seguidoras de Norma, a mudinha hippie com toque especial. Para notar a importância de Pennsatucky nessa temporada, somente a personagem levantou questões como aborto e estupro em sua jornada.

Houve outras storylines que oportunizaram destaques a dezenas de personagens, tanto dramáticas quanto cômicas (o tráfico de calcinhas de Piper foi uma delas), porém me incomodou um pouco a troca de papéis entre Piper e Alex, ressenti que a personagem de Alex ficou muito melindrosa em comparação com as temporadas passadas, aproveito para comentar que nenhuma personagem estreante dessa temporada se destacou (tô falando de Lolly e Stella), mas já vislumbramos que na próxima temporada haverá novas personagens com destaque para a chegada de uma detenta famosa, a apresentadora de tevê Judith King (papel de nossa querida Blair Brown, Nina Sharp de Fringe).

Obs.: teve um “fan service” dos roteiristas nessa temporada que saltou aos olhos, toda a boa repercussão de Uzo Aduba e sua Crazy Eyes nas temporadas anteriores fizeram com que nessa terceira temporada os roteiristas lhe reservassem uma storyline para chamar de sua, um roteiro bem louco como a personagem, merecido!

Obs. II: para mais detalhes de cada episódio, só dar uma espiada na aqui página da série.