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Manchester à Beira-Mar

14/02/2017

manchester

Ô filme triste do capet@!

Que belo melodrama Kenneth Lonergan (dos dramas Conte Comigo e Margareth) produziu, um trama sobre perda/perdão e suas consequências nas pessoas. Para isto, somos apresentados à Lee Chandler, um quieto zelador, que no início da projeção é informado do falecimento do seu irmão mais velho e necessita retornar à Manchester, local no qual sofreu um chocante trauma no passado.

Mesmo contando com uma sinopse aparentemente simples, a maneira orgânica e sensível como Lonergan o faz é o grande mérito da película, o trauma sofrido pelo personagem, o qual nos é apresentado em meio à flashbacks (que também ilustra a afetuosa relação entre Lee e seu falecido irmão, sua família), é de fácil identificação para o espectador, tanto o texto quanto a criação de Casey Affleck colocam o personagem em rota de auto colisão/destruição, é um personagem simplesmente quebrado emocionalmente, mas sem perder sua humanidade em determinados momentos (como no trato com seu sobrinho, indicado ao Oscar o jovem ator Lucas Hedges).

Ainda sobre Lonergan, me agrada demais a maneira como o roteiro evita a pieguice, alternando ora os momentos conflituosos ora uma conversa bem humorada ou carinhosa, os personagens são muito bem construídos, transpiram humanidade; Kyle Chandler, o irmão falecido, surge nos flashbacks afetuoso e um irmãozão/suporte para Lee em seu pior momento, Lucas Hedges, como Patrick, tem o luto pela morte do pai e o conflito do que ocorrerá em sua vida, afinal sua mãe esta distante, ao mesmo tempo que enfrenta os problemas corriqueiros de um adolescente, como garotas e sexo e, para fechar, Michelle Williams, em meia duzia de cenas, como a ex-esposa de Lee, Randi, tem num momento chave na película que simplesmente desmonta o mais insensível coração.

Lindo, triste, bem fotografado, cheio de metáforas devido a geografia da cidade, Manchester à Beira-Mar é facilmente um dos melhores filmes desta safra do Oscar 2017.

MANCHESTER À BEIRA-MAR

Direção: Kenneth Lonergan

Roteiro: Kenneth Lonergan

Com: Casey Affleck, Lucas Hedges, Michelle Williams, Kyle Chandler, Gretchen Mol, Tate Donovan. 138 min

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La La Land

25/01/2017

City of stars
Are you shining just for me?
City of stars
There’s so much that I can’t see

lalaland

Antes de qualquer comentário escrevo este texto após o anúncio das indicações ao Oscar 2017, no qual La La Land foi agraciado com 14 indicações, recorde pertencente a filmes como A Malvada e Titanic, assim já imagino que até daqui um mês, quando da realização da entrega de prêmios, o filme já terá sido “desmontado” pelos queixosos e insatisfeitos de plantão, com possível argumento de que “ele (o filme) nem é tão bom assim”; resultado de anos de observação de filmes com maciço apoio da crítica e público, que gera uma corrente contrária somente para contrariar.

Claro que em comparação aos dois clássico acima citados La La Land parece o irmão menor, sem grandes pretensões, um filme baseado numa homenagem ao quase falecido gênero musical (que vive de ciclos bissextos) e à cidade base da indústria cinematográfica (Hollywood), Los Angeles.

Como musical o que mais gosto em La La Land é a “desculpa” para os números musicais, seriam momentos de introspecção dos personagens, devaneios, assim soam naturais, quem nunca se pegou sonhando e cantando em algum cenário em sua vida? Além disso, a trilha sonora e as músicas são muito boas, City of Stars, minha predileta, já esta na minha playlist, uma lógica que nem sempre ocorre em filmes musicais, possuírem boas músicas, contemporâneas ao cotidiano que qualquer pessoa.

Para não dizer que tudo são flores, acho o roteiro bastante simples (para indicações à prêmios) e Ryan Gosling esta apenas “bem” em cena (em ótima química com Emma Stone), devido mais ao personagem do que ao trabalho do ator; dito isto, em contrapartida, acho o filme tecnicamente perfeito, cenografia, figurinos, fotografia enchem os olhos, já Emma Stone está um “Sol” é o centro das atenções devido ao seu carisma e empatia de sua personagem, a atriz com este projeto desponta para o primeiro time de jovens atrizes americanas.

Mas acredito que todo mérito de La La Land recai sobre seu diretor e roteiristas Damien Chazelle, depois do sucesso com Whiplash em anos anteriores, Damien se gabaritou para este projeto mais ambicioso e que se vingou devido ao prestígio recente do diretor, os Deuses do Cinema agradecem!

LA LA LAND: 5star

Direção e roteiro: Damien Chazelle

Com: Emma Stone, Ryan Gosling, John Legend, J.K. Simmons, Rosemarie Dewitt. 128 min.