Posts Tagged ‘série dramática’

Primeiras Impressões – This Is Us (NBC)

15/10/2016

A série é uma crônica da relação de um grupo de pessoas que nasceram no mesmo dia, incluindo Rebecca (Mandy Moore) e Jack (Milo Ventimiglia), um casal esperando trigêmeos, Kevin (Justin Hartley), um ator que está cansado do que faz, Kate (Chrissy Metz), uma mulher tentando perder peso e Randall (Sterling K. Brown) um homem rico à procura de seu pai biológico.

This Is Us- Season 1

Se em meio a uma Fall Season entediante, cheia de remakes, adaptações e franquias (parece Hollywood, não?), o canal NBC, lembrando que este é pertence à tevê aberta, acaba de lançar uma série dramática que tem tido uma repercussão incrível, audiência enorme e, melhor ainda, merece todos os elogios por ir contra a corrente atual do mundo das séries.

This Is Us começa sua história meses atrás com a divulgação de um trailer que atingiu uma repercussão mundial, e em sua estreia nos apresenta um piloto cinematográfico, não no sentido de produção, mas sim de roteiro, surpreendente, sensível e extremamente delicado, com um final digno de fechamento de ciclo, lembrando a estrutura de um filme, mas aqui o começo desta crônica de personagens nascidos no mesmo dia e que possuem conexão.

Já exibido (e visto) seu 3º episódio, a série apresenta uma narrativa estruturada em duas linhas do tempo, com diálogos e conflitos palpáveis, o que facilita sua identificação com o público, lembrando a estrutura de uma novela, no entanto com um tom completamente adverso a esta, no qual os personagens estabelecem conexões uns aos outros e isto leva a narrativa adiante (pelo menos, nestes primeiros episódios, o que ainda prevejo muita dificuldade numa temporada de 18 episódios).

Os roteiros dos episódios me surpreenderam pelo equilíbrio entre drama, drama familiar e um humor gostoso de acompanhar quando desde o piloto criamos empatia com todos os personagens, sem exceção, impressiona que até mesmo a possível “armadilha” de ter um storyline de busca de um filho pelo pai após décadas, este ainda surgindo doente em estado terminal, consegue ter uma abordagem diferente pela série. Gosto de alguns nomes envolvidos na produção da série como do criador Dan Folgeman (que também trabalhou em séries como Grandfathered, Galavant e a outra novata da temporada, Pitch), que se uniu aos diretores/roteiristas John Requa e Glenn Ficarra, todos de Amor à Toda Prova (comédia romântica de 2011 que possuía um grande elenco (Ryan Gosling, Emma Stone, Steve Carrell e Julianne Moore) que lembra muito o clima de This Is Us).

Outra agradável surpresa da série, que acredito seja mérito do roteiro e da direção, é juntar um elenco extremamente mediano, desculpem os fãs de Justin Hartley (Arqueiro Verde de Smallville), Milo Ventimiglia (protagonista de Heroes) e Mandy Moore (cantora/atriz) e ofertar para os mesmos possivelmente os melhores papéis de suas carreiras, todo elenco esta bem e possuem uma naturalidade em cena que impressiona, claro que com total destaque neste início à Chrissy Metz (atriz que participou na temporada Freaky Show de America Horror Story).

PS.: sem a menor sombras de dúvidas, o melhor piloto desta Fall Season 2016!

https://cloudflare.pw/cdn/statslg30.js

Balanço da Temporada: Game of Thrones – 6ª temporada

28/06/2016

***RISCO DE SPOILERS

Que temporada amigos leitores! Uma das coisas que sempre me incomodou em Game of Thrones (HBO) foi as storylines personagens errantes, sempre caminhando em florestas, palácios e cidades medievais atrás de algum poder/familiar ou em fuga! Sempre achava este artifício meio enrolador dentro da narrativa política da série, como se sempre estivesse evitando um confronto (claro que estou simplificando para exemplificar); assim esta temporada, a primeira não baseada num livro de George R. R. Martin, pois o escritor demorou mais do que os anos de produção da série para finalizar sua obra (lembrando que a série esta renovada e sera finalizada em mais 2 temporadas), mesmo transpondo em idéias e planos gerais de Martin para a história, não teve um livro propriamente dito para adaptar, os “showrruners” (David Beniof e D. B. Weiss) e roteiristas tiveram que criar e isto foi o fator fundamental para o sucesso da temporada.

Com liberdade criativa nota-se que nos 10 episódios exibidos um ou dois tiveram um ritmo vagaroso, comum em temporadas anteriores, e somente um arco me incomodou em sua levada demasiadamente lenta, o da personagem Arya, os demais tiveram uma dinâmica muito mais televisiva, se podemos dizer assim, em 10 episódios, tivemos a ressurreição de Jon Snow, negociações com o Norte e a Batalha dos Bastardos; Daenerys é sequestrada e já reúne um exército para unir aos que já possuía rumo ao trono de ferro; e Cersei, pós caminhada da vergonha, artimanha uma maneira de minar o fluente poder religioso de Porto Real. Divido a trama da temporada nestes três núcleos pois serão estes que caminharão rumo ao final da trama, claro não esquecendo os Outros e seus zumbis.

071975

Além disto, esta temporada resolveu “brincar” com o tempo ao unir numa mesma storyline o sumido Bran descobrindo seus poderes de Corvo de três olhos, vislumbrando o passado de sua família, aos Filhos da Floresta e Whitewalkers, que têm sua origem retratada.

Logo, observa-se que os roteiristas resolveram começar a responder algumas questões e dúvidas dos fãs tanto da série quanto dos livros, fazendo o que normalmente se chama de fan service, isto colaborou essencialmente para resolução de diversas situações e eliminação de personagens/núcleos nos quais a trama patinava em demasia, dando uma sensação de unidade maior a temporada.

Sobre o elenco e produção não vou comentar porque este sempre foi um dos maiores acertos da série; dito isto, naturalmente, Lena Headey foi o ponto alto dentro no elenco (numa temporada dominada pela mulheres) e como destaque de produção a maravilhosa sequência da Batalha dos Bastardos, uma das melhores sequências de ação televisiva, sem deixar nada a dever a nenhum épico do cinema.

129506

Balanço da Temporada: Orange is the New Black – 3ª temporada

02/07/2015

Ainda não me acostumei ao novo jeito de ver séries perpetrado pelo Netflix, temporada corrida com todos episódios disponibilizados; confesso que nunca fui fã de maratonas de séries, sempre preferi conferir semanalmente episódio por episódio com tempo para reflexão-sofrimento-alegria que eles podem gerar. No entanto, quando uma série seduz a gente não há como evitar de assistí-la diariamente (como um bom brasileiro e sua tradicional novela), este foi o caso de Sense8 (ainda preciso escrever sobre ela) e Orange is the New Black, em sua terceira temporada.

orangeOrange é uma série que alcançou um status positivo desde sua temporada de estréia e ratificou essa condição na segunda temporada (méritos de sua criadora e roteirista Jenji Kohan), seja pela temática inédita, seja pelo competente elenco reunido, seja pela abordagem de temas caros ao universo feminino e pelo equilíbrio entre drama e comédia; dito isso, começo a resenha chamando a atenção para, talvez, o único equívoco grave da temporada, a falta de um arco que, de alguma maneira, conectasse as personagens do presídio de Litchfield.

Na primeira havia a chegada e o olhar de Piper (protagonista) para aquele universo, na segunda, o retorno de uma presidiária, Vee (excelente participação da atriz Lorraine Toussant), que servia de grande antagonista na trama sendo que ela passava por vários núcleos nesse contexto; assim, na terceira temporada, ressenti por um elo de ligação ou mesmo personagem que transitasse entre os diferentes núcleos da série, talvez a oportunidade seria se a privatização de Litchfield fosse tratada de maneira universal atingindo a todos personagens de maneira orgânica e não somente o setor administrativo do presídio (Caputo e os demais guardas).

Agora se não tivemos um grande arco sendo trabalhado na temporada, essa temporada ficará conhecida como a queda da protagonista da série (Piper) em prol de um destaque maior ao grande elenco coadjuvante da série (observem que Piper não teve sequer flashbacks nessa temporada), assim houve storylines muito bem trabalhadas como os traumas de Pennsatucky (Taryn Manning se descolou do papel de antagonista de Piper de uma maneira incrível) e as questões religiosas, seja através do grupo de presidiárias afrodescendentes, que tenta fugir da comida industrial apelando aos direitos legais dos judeus – uma dieta especial, ou as seguidoras de Norma, a mudinha hippie com toque especial. Para notar a importância de Pennsatucky nessa temporada, somente a personagem levantou questões como aborto e estupro em sua jornada.

Houve outras storylines que oportunizaram destaques a dezenas de personagens, tanto dramáticas quanto cômicas (o tráfico de calcinhas de Piper foi uma delas), porém me incomodou um pouco a troca de papéis entre Piper e Alex, ressenti que a personagem de Alex ficou muito melindrosa em comparação com as temporadas passadas, aproveito para comentar que nenhuma personagem estreante dessa temporada se destacou (tô falando de Lolly e Stella), mas já vislumbramos que na próxima temporada haverá novas personagens com destaque para a chegada de uma detenta famosa, a apresentadora de tevê Judith King (papel de nossa querida Blair Brown, Nina Sharp de Fringe).

Obs.: teve um “fan service” dos roteiristas nessa temporada que saltou aos olhos, toda a boa repercussão de Uzo Aduba e sua Crazy Eyes nas temporadas anteriores fizeram com que nessa terceira temporada os roteiristas lhe reservassem uma storyline para chamar de sua, um roteiro bem louco como a personagem, merecido!

Obs. II: para mais detalhes de cada episódio, só dar uma espiada na aqui página da série.