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The Handmaid’s Tale (Hulu) – 2ª temporada (FINALIZADA)

17/07/2018

s02e01 Offred – Offred, uma das poucas mulheres férteis conhecidas como Aias na opressora República de Gilead, luta para sobreviver como substituta reprodutiva para a ressentida esposa de um comandante poderoso.

Esperando ansiosamente o retorno da maior surpresa da temporada passada, THT, volta triunfal, tem um epílogo, continuando pós finale, de arrepiar, fazendo algo que poucas séries de terror/suspense conseguem, nos assombrar com a maldade humana, impressionante, méritos de toda produção e de Elisabeth Moss e Ann Dowd.

Expectativas elevadíssimas!

s02e02 Unwomen – Emily se adapta a um novo estilo de vida. A chegada de uma pessoa inesperada perturba a colônia. Uma família é separada pela ascensão de Gilead. Quando tu achas que já viu sofrimento suficiente na série temos este episódio opressor sobre uma das personagens mais trágicas que a série apresentou na primeira temporada, e que não havia sido trabalhada de maneira suficiente; assim vemos Emily em sua epopéia escravagista e no passado sua tentativa de fugir do novo sistema que estava sendo implementado, sendo ela uma professora de faculdade. Nota para a possível indicada às premiações Marisa Tomei como atriz convidada por uma personagem belíssima e controversa.

s02e03 Baggage – June reflete sobre seu relacionamento com sua mãe enquanto ela anda por Gilead. Em Little America, Moira tenta lidar com o trauma que sofreu. Episódio que deu uma “esfriada” no bom sentido nas ações da trama, vemos o comportamento de June ainda em cativeiro procurando meios e maneiras de fugir para o Canadá e na outra ponta, acompanhamos Moira. Claro que ao final, a opressão volta com tudo, a série não nos dá 50 minutos de respiro aliviado!

s02e04 Other Women – A captura de June a leva de volta para os Waterford. O que acontecerá? Parece que os roteiristas de The Handmaid’s Tale são promissores na prática do sadismo, porque não há série de terror/suspense que tenha a opressão e pavor similar ao que THT faz com seu espectador, fico impressionado como a lógica da série consegue ser tão surpreendentemente pavorosa, com um discurso pouco bravante, no sentido de gritado ou coisa parecida, mas sim aquele pavor insinuado, por vezes mais que mostrados, e sussurrado; June passa literalmente por um momento de depressão e entrega de pontos, com tudo ao seu redor dando errado e assumindo uma postura de sobrevivencia e conivência. Entendo a dor da personagem e seu raciocínio, mas espero que o roteiro rapidamente crie um twist a favor da personagem.

s02e05 Seeds – Offred sofre sobre como uma cerimônia de Gilead interrompe seu relacionamento com Nick. Janine tenta se adaptar à vida nas Colônias, colocando em risco sua amizade com Emily. Me enganei, ainda teremos uma odisseia de tortura e sofrimento junto à June, abro parenteses para comentar sobre a beleza técnica da série, filmada de maneira bela e cinematográfica, como se isso atenuasse a dureza da situação e dos diálogos, enquanto isso, vemos Emily ainda revoltada com sua situação nas Colônias sob os olhares de Janine, ainda cândidos daquele mundo, e pelo jeito será através do olhar desta personagem que veremos como funcionam as Colônias, mais sofrimento à vista!

s02e06 First Blood – June encontra aliados inesperados e obstáculos em sua busca por uma maneira de proteger Hannah. O Comandante se prepara para a dedicação de um novo Centro Vermelho. Nick luta com sua nova tarefa.

Confesso que o sofrimento cíclico de June dentro do cenário sócio-político da série tem de ser revisto no sentido de não afugentar o público alvo da série, ou pelo menos seu alcance popular, ao ficar somente ilustrando sofrimento de June e as armações das pessoas em seu entorno. Serena teve um flashback ilustrativo de sua posição política, me lembrou a personagem de Marisa Tomei, e muitas pessoas com alguns discursos radicais e que não sabem pregar a tolerância acima de tudo. O episódio em si é muito belo na sua fotografia, tem alguns avanços no roteiro mas “manera” ao não abordar outras sutilezas já retratadas, ao final, temos uma sequência que pode ter o poder de criar um belo twist para a reta final da temporada.

s02e07 After – Um ataque envia ondas de choque. Serena Joy faz uma escolha perigosa para proteger sua família. Moira procura alguém do passado dela. Mesmo achando que haveria maiores consequências do ataque “terrorista” de uma Aia, inclusive com a morte do “comandante”, como isso não aconteceu o que podemos perceber era de que este evento serviu para bagunçar o núcleo de June, assim fazendo surgir um novo vilão ou antagonista para o núcleo de Gilead; já no Canadá vemos Serena fazendo uma busca e flashbacks da sua vida anterior. Mais um belo episódio!

s02e08 Women’s Work – June e Serena compartilham um objetivo comum enquanto o comandante se recupera de uma provação aterrorizante.

s02e09 Smart Power – June busca apoio dos aliados, enquanto os Waterford avaliam suas opções diplomáticas durante uma viagem ao exterior. Nick prova sua lealdade

Nossa que episódios pesados e opressivos, este da viagem ao Canadá e o anterior, foram os Emmy’s Tapes de Yvonne “Serena” Strahovski, possivelmente deve brilhar junto à Elisabeth Moss e a série na temporada de premiações.

No entanto, sempre ressalto que assisto a série de maneira orgânica no sentido de não conseguir assistir os episódios com urgência e desvio de spoiler, preciso de tempo para digerir o peso e opressão que a série impõe aos personagens, seja os ditos mocinhos ou bandidos, sendo que notadamente a rivalidade feminina cai por terra com a opressão machista acima destas. Pesado mesmo!

s02e10 The Last Ceremony – Serena fica desesperada. O Comandante tenta fazer as pazes com June. Nick se afasta de Eden. June é confrontada com uma inesperada cerimônia.

A relação de June e o Comandante é um grande ponto da série também, porque o Comandante vira-e-mexe se vê enjaulado pela personagem, apesar da aparente frieza e manipulação, sinto que o personagem esconde algo maior que ainda não vimos. Nem vou comentar os processos do quase parto porque são ridículos e um novo estupro só mostra o quanto a série consegue humilhar seus personagens quando achamos que já vimos toda maldade humana.

s02e11 Holly – June enfrenta um duro desafio, enquanto Serena Joy e o Comandante lidam com as consequências de suas ações.

s02e12 Postpartum – June é enviada para um lugar familiar. Nick é abalado pela resposta brutal de Gilead a um crime. Emily é designada para uma misteriosa casa nova.

Mais um “tour de force” da atriz Elisabeth Moss em seu momento de parto, um episódio focado em suas ações dentro da mansão à qual foi deixada por Nick, com possibilidades de fuga, momentos de dor e testemunhando a dinâmica do casal Serene e Comandante.

Já no episódio seguinte vemos mais um sinal de crueza do universo de Gilead com a dita “traição” da esposa de Nick, literalmente afogada com seu amor, mais sinal de liberdade tolhida da mulher que a série nos impõe; sempre deixando claro que o roteiro, a meu ver, deixa a dever um estudo maior sobre aquele sociedade e as regras que ele obedece, principalmente, após o atentado, que achei que teria maior repercussão e vimos outro comandante tentando “dar ordens”; fora isso, acho interessante utilizarem Emily como um novo exemplo de casa de aia, um casal bastante disfuncional, lembrando aquela participação de Marisa Tomei no início da temporada, a série poderia explorar mais a sociedade de Gilead na próxima temporada!

s02e13 Word Season Finale – Serena e as Esposas se unem para promoverem mudanças em Gilead. Emily descobre mais sobre seu novo comandante. June precisa tomar uma grande decisão.

Não sei se comento primeiro este primor de season finale ou já vou fazendo um balanço de tudo que a série mostrou entre erros e acertos; a temporada de 13 episódios trouxe um “ar” de barriga em determinado momento da temporada, acredito que houve notadamente um “espicho” de sequências e vazios, mesmo que isso sempre tenha sido o tom da série. Outro ponto fora da curva de qualidade da série, foi a introdução de Eden, que mesmo mal desenvolvida, há inconsistências do roteiro em sua jornada, principalmente porque o universo de Gilead ainda não nos fora apresentado de maneira expandida, ficamos muito restrito ao universo de June e dos Waterford, no entanto, a faísca que promoveu o efeito rolo compressor nestes 3 últimos episódios deu real grandeza a introdução da jovem personagem. Irretocável!

No mais, é aquele “bla bla bla” das qualidades da série, como fotografia, artes dos cenários e figurinos, direção e elenco. A sequência das Marthas neste episódio é de uma beleza tão significativa dentro da série para as personagens tão escanteadas tanto pelo texto quanto pelo contexto da própria série, e que momento de Yvonne, de série de aventura nerd para uma temporada tão complexa para sua Serene, envolta em crendices e a dura realidade que ela própria se impôs, salta aos olhos seu incômodo.

Fechado este ciclo de 2 temporadas e 23 episódios, aos quais os roteiristas nos ilustram e exemplificam o quanto o ser humano consegue ser cruel com seus, chegou a hora da série mostrar como podemos nos livrar deste tipo de gente, não no sentido extermínio, são pessoas que usam da fé e do medo para manipular todos em seu entorno (desde estupros e mutilações, passando por afogamentos), que necessitam ser desmascaradas frente a toda sociedade, sejam homens ou mulheres. Assim, passado esta verdadeira odisséia de sofrimento físico e psicológico, acho que era o momento da insurreição, da série mostrar como levantar e tomar as rédeas, porque confesso que a opressão transmitida na série poucas vezes senti como espectador, é muito torturante acompanhar as mulheres nesta sociedade, isso escreve um homem branco heterossexual, cada episodio é como um “soco no estômago” para uma pessoa que acredita em liberdades e individualidades, certamente se fosse uma série do Netflix não faria maratona por nada deste mundo!

E que o Emmy, prêmio máximo da tevê americana, brinde com dezenas de prêmios esta série tão acima da média ao qual temos o prazer de acompanhar “ao vivo”, certamente será uma futura referência como Sopranos, Six Feet Under, Lost, etc;

STATUS: RENOVADA PARA 3ª TEMPORADA (2019).

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3% (Netflix) – 2ª temporada (FINALIZADA)

01/06/2018

s02e01 Capítulo 01: Espelho – Às vésperas do novo Processo, Joana tenta provar seu valor para o líder da Causa e Michele recebe um ultimato de Ezequiel.

s02e02 Capítulo 02: Torradeira – Rafael tenta conseguir uma vaga no batalhão do Continente e relembra seu primeiro ano no Maralto. Relutante, Fernando treina os futuros participantes do Processo.

Ainda um pouco titubeante com o resultado final da 1ª temporada, retorno para a 2ª com esperança da ampliação de alguns conceitos da série, agora que abriram-se novas possibilidades após o Processo da temporada passada, assim, ainda ressinto de uma melhor dramaturgia, pouco sinal de melhora até aqui, queria que mesmo a storyline dos fundadores do Maralto fosse melhor introduzida, e deixassem um pouco de lado “a causa” que tudo move até aqui, inclusive nos personagens do Maralto, quando na verdade gostaria que fosse melhor apresentado este novo mundo, porém, a possibilidade de 2ª temporada trouxa para a série uma série de sugestões dos fãs e espectadores críticos para com a série. Até mesmo, o valor de produção é bem melhor do que vimos até então, espero que personagens como os de João Miguel e Laila Garin sejam melhores aproveitados.

s02e03 Estática – Desesperado para proteger Glória, Fernando percebe que há outra maneira de acabar com o Processo. Michele e Rafael tentam contatar a Causa, cada um à sua maneira.

s02e04 Guardanapo – Ivana e Joana interrogam seus prisioneiros para descobrir quem diz a verdade. Marcela pede ajuda a uma pessoa do Continente.

s02e05 Lampião – Michele e os outros descobrem um lado desconhecido de Ezequiel com o relato de sua jornada do Processo 80 até o presente.

Finalmente um episódio relevante para a série, ao abordar o passado de um personagem importante como Ezequiel, a dramaturgia da série dá um salto de patamar, sai daquele “marromeno” com muitos ganchos a la série americana mas sem identidade própria, a série tem e espero que continue ampliando e revelando a mitologia do Processo e Maralto, sem real noção das forças que atuem nestes conceitos fica difícil acompanhar a série e ter empatia pelos personagens.

s02e06 Garrafas – A caçada pelos membros da Causa se intensifica. Michele e Joana procuram pela bomba e Fernando toma uma atitude ousada.

s02e07 Névoa – Fernando encontra um aliado inesperado. Michele passa por um procedimento misterioso. Uma crise deixa Rafael dividido entre Elisa e sua missão.

Mesmo contando com um dramaturgia melhor em comparação a primeira temporada, que era mais similar a fases num videogame, me parece que a proposta de manter um suspense sobre o comportamento de Rafael e Michele se são ou não da Causa já deu o que tinha que dar, isso deixa os personagens rasos e reféns do roteiro, esta tentativa de fazer Michele falar sobre os eventos passados naquela máquina soaram risíveis e fakes, um fator desnecessário para a temporada da série.

s02e08 Sapos – Joana se vê nas mãos de uma figura do passado, Michele é levada para um esconderijo remoto e Marcela recebe um convite inesperado. Se a série acredita que trazer de volta à cena personagens da primeira temporada vai servir de fan service esta muito enganado, personagens sumidos surgirem do nada só servem para confrontar a má construção de alguns arcos, o que sempre lamento pois acho que o subgênero que a série aborda é riquíssimo e não há outra série genuinamente nossa que aborda com algumas boas ideias este plot. Acho que tanto Joana quanto Michele tiveram arcos pouco desenvolvidos nesta temporada.

s02e09 Colar – Enquanto Rafael, Fernando e Joana seguem com o plano, Michele descobre algo surpreendente sobre a história do Maralto. Finalmente, após a pequena sequência do primeiro episódio, vemos quais escolhas do trio original do Maralto causaram todo o cenário pré Processo 105, gostei desta abordagem, principalmente, pelo tom pessimista da mesma, confesso que sinto curiosidade de conhecer melhor aquele contexto, não que seja obrigatório, mas dado que esta tentativa de boicotar o Processo pouco me interessa às vésperas da finale.

s02e10 Sangue Season Finale – Contratempos obrigam Fernando e Joana a improvisar. No dia do Processo, tudo vira um caos e Michele decide criar seu próprio plano. Com um episódio irregular, assim como a série, a finale apresentou boas soluções e desfechos mediante a uma dramaturgia bastante novelesca, a mudança de personalidade de Michele é algo que me assusta, se Joana esta sempre com uma cara de braba, Michele teve uma mutação sem necessariamente mostrar-se ao espectador, somente vendo o video dos fundadores do Maralto ela mudou radicalmente de atitude (não falando que esqueceram do seu irmão naquele bunker, que após 100 anos ainda era desconhecido do Conselho).

Resumindo, a temporada foi relativamente melhor, principalmente, porque ampliou os conflitos e a mitologia da série, no entanto, a narrativa ainda continua muito frágil o que atrapalha até mesmo o simpático elenco, acho que a série deixou um gancho bastante interessante e com boas possibilidades, acho que o embate Continente vs Maralto pode render alguns bons debates, mas para isto o roteiro precisa abrir mão da manipulação barata, personificado em personagens como Marcela.

STATUS: INDEFINIDO (MAIO/18).

Stranger Things (Netflix) – 2ª temporada (FINALIZADA)

29/10/2017

s02e01 Chapter One: Mad Max – Na véspera do Halloween, um rival bagunça as coisas no fliperama. Cético, Hopper inspeciona uma plantação de abóboras apodrecidas.

Notadamente este início de temporada da série mais hypada do Netlfix, retomou com um episódio bastante re-introdutório nos colocando a par onde cada personagem esta após a finale da temporada passada, em seguida já temos alguns novos elementos sobre o que o novo ano abordará, como uma invasão do Mundo Invertido, uma espécia de lá e o luto de Nancy pela morte de Barb, além disso, temos 4 novos personagens apresentados como Bob, namorado de Joyce e nova referência aos anos 80, Sean Austin um Goonie original, Paul Reiser (outro oitentista) como Dr. Owens, alem de Max, menina acrescida para fazer parte da turma, e o seu irmão escroto.

Um bom início, continua um excelente produção dos Irmãos Duffer (roteiristas) e de Shawn Levy (diretor).

s02e03 Chapter Three: The Pollywog – Dustin adota um animal de estimação estranho, e Eleven fica cada vez mais impaciente. Bem-intencionado, Bob incentiva Will a encarar seus medos.

s02e04 Chapter Four: Will the wise – Debilitado, Will se abre com Joyce e o resultado é perturbador. Enquanto Hopper busca a verdade, Eleven faz uma descoberta surpreendente.

Mesmo com tons mais sombrios, principalmente, em virtude do assombro de Will e a dificuldade em Eleven se adaptar, o que torna a série mais séria e com temas mais adultos, sinto falta da porção mais engraçada, da turminha nerd que é zoada na escola, do humor juvenil que tanto nos fez ter empatia pela série, que deixou de ser somente uma série que referencia os anos 80, todas as storylines estão muito sérias, o que não é um problema, mas pelas características dos personagens mostradas até aqui, queria que o humor estivesse mais presente.

s02e05 Chapter Five: Dig Dug – Nancy e Jonathan trocam teorias conspiratórias com um novo aliado, e Eleven procura alguém do seu passado. “Bob Sabichão” lida com um problema complicado. Assim como ocorrera na temporada passada, o triângulo amoroso adolescente não funciona e ainda foram inventar de fazer um “fan service” no que se refere a morte de Barb lá da temporada passada e o que temos, um roteiro frouxo e que somente adia o reencontro dos personagens, o ponto alto da série.

s02e06 Chapter Six: The Spy – A ligação entre Will e uma sinistra força do mal fica mais forte, mas ninguém sabe ao certo como detê-la. Dustin e Steve criam um vinculo improvável.

s02e07 Chapter Seven: The Lost Sister – Eleven continua tentando se comunicar com sua mãe, mas no meio do caminho descobre coisas sobre seu passado e é levada ao encontro de uma irmã que não sabia da existência.

Apesar de achar bastante interessante um episódio focado somente em Eleven/Jane, que teve um arco a parte dos eventos da série até aqui, confesso que sua conexão com uma jovem dos tempos do laboratório, inclusive com a revelação da não morte de Matthew Modine (achava que estava morto mesmo), que surgiu no prólogo da temporada e seu contato com um possível “lado negro da Força” me soou relevante dramaticamente dentro da temporada, como se ainda não fosse um episódio necessário, de repente numa temporada futura esta jornada se tornaria mais relevante. Até por isso, uma das coisas que mais senti falta na temporada até aqui é a relação entre Eleven e Mike, ou mesmo com as outras crianças.

s02e08 Chapter Eight: The Mind Flayer – Um herói improvável surge quando um incidente mortal provoca o fechamento do Laboratório de Hawkins, deixando Will e vários outros presos lá dentro. Um episódio bastante tenso e aterrorizante, principalmente se pensarmos que o público alvo da série inclui jovens/crianças, gosto muito desta pegada dos irmãos Duffer, não abrirem mão em prol de um produto mais família.

s02e09 Chapter Nine: The Gate Season Finale – Eleven planeja terminar o que começou. Os sobreviventes aumentam a pressão contra a força monstruosa que mantém Will refém. Boa finale, principalmente pelo pós resolução do evento caótico da temporada (apesar de não gostar de resoluções ambíguas, afinal o Mind Flayer não morreu somente não invadiu nosso “plano”, continua no “mundo invertido”), que pra mim é o grande acerto da série, a empatia do elenco infantil com problemas mundanos como um “Snow Ball”, a dinâmica entre os personagens é o charme da série, claro que o lado misterioso e a trilha sonora colaboram.

Sobre a temporada em si, Stranger Things cresce como série ao não abrir mão da sua essência, mesmo não concordando com escolhas do roteiro, como o arco de Eleven, a qual acredito que fez muita falta ao grupo de amigos, principalmente a Mike (apagadinho a temporada inteira), em contraponto, com o mistério sendo trabalhado parcialmente, afinal não tivemos um desfecho para o mundo invertido, a dinâmica entre as crianças e seus dilemas me ganharam, principalmente Dustin, Lucas e Max; outro ponto positivo, a inserção dos novos personagens, todos funcionam e o tema dos irmãos Max e Billy ( de abuso físico) me surpreendeu pela abordagem, porém, Steve, Jonathan e Nancy que sono, inclusive o arco de procura por respostas por Barb soou constrangedor, mal construído e uma escolha dos roteiristas para atender os fãs que não se justifica.

Simplificando, não acredito que a temporada seja melhor que a primeira, porém, não destoa muito, é uma série extremamente agradável de assistir com uma dinâmica/receita para o sucesso certo. Até a próxima!

STATUS: RENOVADA PARA 3ª TEMPORADA (2018/19).

 

Balanço da Temporada: 3% (1ª temporada)

29/12/2016

Projeto que já nasceu histórico, 3% é a primeira produção brasileira para o canal streaming Netflix, e se pensarmos bem, é uma produção de ficção científica, gênero pouco explorado pela dramaturgia nacional seja em filmes, novelas, séries ou literatura. Assim tinha tudo para ser um projeto favorável e marcante, porém acaba por se tornar uma decepção.

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Baseado num famoso curta metragem homônimo de Pedro Aguilera, de 2011, que apresentava conceitos aqui também utilizados como por exemplo, a sociedade distópica, algo já bastante visto em recentes ficções científicas mundo à fora, a série tem como plot principal: “depois de diversas crises que deixaram o planeta devastado. Num lugar não especificado do Brasil, a maior parte da população sobrevivente mora no Continente, um lugar miserável, decadente, onde falta tudo: água, comida, energia. Aos 20 anos de idade, todo cidadão tem direito de participar do Processo, uma seleção que oferece a única chance de passar para o Maralto, onde tudo é abundante e há oportunidades de uma vida digna. Mas somente 3% dos candidatos são aprovados no Processo, que testa os limites dos participantes em provas físicas e psicológicas e os coloca diante de dilemas morais. Morar em Maralto, no entanto, não é o objetivo de todos os candidatos: alguns têm outros planos.”

Convenhamos, um plot simples, mas se trabalhado da melhor maneira bastante promissor , no entanto, este foi o “calcanhar de Aquiles” do projeto. Tudo parece escrito de maneira amadora, nem mesmo a direção, cenografia e elenco se salvam na série, impressionante que atores veteranos como João Miguel, Sergio Mamberti, Zezé Motta e Bianca Comparato pouco ou nada possam fazer em cena, a partir do momento que o roteiro não lhes permite desenvolver os personagens de maneira coesa.

O roteiro parece ter sido “montado” em cima de concepções e planejado para os “twists” tão comumente utilizados em séries, contudo, em cena personagens se descaracterizam conforme o andamento da temporada, maior exemplo disso é o suposto líder do grupo Marco, que na metade da temporada, seu caráter que nunca foi posto em dúvida, acaba por revelar-se um ditador psicopata liderando uma milicia numa prova do Processo (oi?); assim chega-se a conclusão que os personagens somente serviam ao roteiro, avançando a trama sem coerência com suas personalidades.

Inclusive, aproveitando que mencionei, a narrativa trabalha praticamente com as provas de seleção do Processo, como fases de um jogo de videogame, nunca explicando ou mostrando qual lógica a ser seguida nesta seleção, nem mesmo os conflitos nos bastidores entre os “adultos” envolvidos no Processo deixam isto claro.

Agora, se vocês se perguntam se acompanharei a 2ª temporada da série, já renovada pelo Netflix, sim, acompanharei, pois o universo/mitologia da série me instiga muito, com o sucesso e repercussão que a série conquistou imagino que a equipe técnica vai se debruçar sobre as falhas da mesma e corrigi-las da melhor maneira (torcida particular).