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Balanço da Temporada: 3% (1ª temporada)

29/12/2016

Projeto que já nasceu histórico, 3% é a primeira produção brasileira para o canal streaming Netflix, e se pensarmos bem, é uma produção de ficção científica, gênero pouco explorado pela dramaturgia nacional seja em filmes, novelas, séries ou literatura. Assim tinha tudo para ser um projeto favorável e marcante, porém acaba por se tornar uma decepção.

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Baseado num famoso curta metragem homônimo de Pedro Aguilera, de 2011, que apresentava conceitos aqui também utilizados como por exemplo, a sociedade distópica, algo já bastante visto em recentes ficções científicas mundo à fora, a série tem como plot principal: “depois de diversas crises que deixaram o planeta devastado. Num lugar não especificado do Brasil, a maior parte da população sobrevivente mora no Continente, um lugar miserável, decadente, onde falta tudo: água, comida, energia. Aos 20 anos de idade, todo cidadão tem direito de participar do Processo, uma seleção que oferece a única chance de passar para o Maralto, onde tudo é abundante e há oportunidades de uma vida digna. Mas somente 3% dos candidatos são aprovados no Processo, que testa os limites dos participantes em provas físicas e psicológicas e os coloca diante de dilemas morais. Morar em Maralto, no entanto, não é o objetivo de todos os candidatos: alguns têm outros planos.”

Convenhamos, um plot simples, mas se trabalhado da melhor maneira bastante promissor , no entanto, este foi o “calcanhar de Aquiles” do projeto. Tudo parece escrito de maneira amadora, nem mesmo a direção, cenografia e elenco se salvam na série, impressionante que atores veteranos como João Miguel, Sergio Mamberti, Zezé Motta e Bianca Comparato pouco ou nada possam fazer em cena, a partir do momento que o roteiro não lhes permite desenvolver os personagens de maneira coesa.

O roteiro parece ter sido “montado” em cima de concepções e planejado para os “twists” tão comumente utilizados em séries, contudo, em cena personagens se descaracterizam conforme o andamento da temporada, maior exemplo disso é o suposto líder do grupo Marco, que na metade da temporada, seu caráter que nunca foi posto em dúvida, acaba por revelar-se um ditador psicopata liderando uma milicia numa prova do Processo (oi?); assim chega-se a conclusão que os personagens somente serviam ao roteiro, avançando a trama sem coerência com suas personalidades.

Inclusive, aproveitando que mencionei, a narrativa trabalha praticamente com as provas de seleção do Processo, como fases de um jogo de videogame, nunca explicando ou mostrando qual lógica a ser seguida nesta seleção, nem mesmo os conflitos nos bastidores entre os “adultos” envolvidos no Processo deixam isto claro.

Agora, se vocês se perguntam se acompanharei a 2ª temporada da série, já renovada pelo Netflix, sim, acompanharei, pois o universo/mitologia da série me instiga muito, com o sucesso e repercussão que a série conquistou imagino que a equipe técnica vai se debruçar sobre as falhas da mesma e corrigi-las da melhor maneira (torcida particular).